AUGUSTO PESSÔA - CONTADOR DE HISTÓRIAS - (BRASIL)

Minha foto
Ator, Cenógrafo, Figurinista, Arte Educador Dramaturgo e Contador de Histórias. Bacharelado em Artes Cênicas (Habilitação em Interpretação e Habilitação em Cenografia) pela UNI-RIO - Universidade do Rio de Janeiro.

A PANQUECA FUGITIVA, O RESMUNGÃO E OUTROS CONTOS NÓRDICOS

A PANQUECA FUGITIVA, O RESMUNGÃO E OUTROS CONTOS NÓRDICOS

HISTÓRIAS DE NATAL

HISTÓRIAS DE NATAL
livro de contos populares adaptados e ilustrados por Augusto Pessõa - Ed. Escrita Fina (2010)

HISTÓRIAS DE BRUXAS - livro

HISTÓRIAS DE BRUXAS - livro
Clique na imagem para conhecer o livro e a Editora LIVROS ILIMITADOS. Você pode adquir um exemplar do livro de Augusto Pessôa e conhecer outras publicações da editora.

sábado, 17 de janeiro de 2015

MALASARTES E O PINCEL MÁGICO

O Pedro Malasartes estava andando por uma estrada que ele não conhecia. Estava com fome e sem dinheiro para comprar um pão velho. O caipira gastou tudo o que tinha numa festança. Estava nessa situação e começou a pensar em algum jeito de ganhar uns trocados. Enquanto pensava viu atrás duma moita um quadro. Era uma bela imagem de um vaso preto com flores. Realmente magnífico. Ao lado, outro quadro com uma pintura horrível que tentava imitar o belo quadro de flores. O Malasartes coçou a cabeça:

- Alguém tentou imitar essa pintura e não conseguiu.

Mais adiante o caipira viu um pincel e um potinho com um pouquinho de tinta preta. Então, ele teve uma ideia: pegou o quadro bonito, o pincel e o potinho de tinta. Foi para estrada e disse para seus botões:

- Aqui nessa estrada deve passar gente boa de enganar!

Não demorou muito o caipira viu uma poeira ao longe. Era com certeza alguém que vinha a cavalo pela estrada. O Malasartes colocou o quadro de costas para a estrada e deu umas pinceladas com a tinta preta no vaso retratado na obra. Jogou fora o potinho com tinta e ficou admirando o quadro.
Na estrada vinha em seu cavalo um coronel metido a inteligente. Ele viu o amarelo e resmungou:

- Ih! Tem lá um caipira vagabundo no meio da estrada. Não gosto dessa gente! Não prestam para nada!

O coronel se aproximou do Malasarte e falou grosso e cheio de arrogância:

- O que você está fazendo aí, caipira vagabundo? Está atrapalhando o caminho!

O Malasartes olhou para o coronel e falou bem manso:
 
- Um bom dia para o senhor também. Desculpe atrapalhar o seu caminho. Eu estou aqui admirando a minha obra...

O coronel olhou para o amarelo com desprezo:

- Admirando sua obra? E um caipira xexelento como você faz alguma coisa que preste?

O amarelo respondeu:

- O senhor tem razão. É muito pretensão minha dizer que esse quadro foi feito por mim...

O Pedro disse isso e mostrou o quadro. O coronel ficou de queixo caído. O quadro era uma beleza.

- Meu Deus! Foi você que fez esse quadro?
 - Não fui bem eu... Foi o meu pincel... Ops!

O Malasartes botou a mão na boca como se não quisesse falar. O coronel estranhou:

- Como é que é? O pincel é que pintou? Como é isso?

O Pedro quis desconversar:

- Não é nada disso, seu coronel! Eu me enganei!

O outro insistiu:
 
- Eu ouvi muito bem você dizer que foi o pincel que pintou. Que história é essa?

O Malasartes se mostrou bem humilde:

- Olha, seu coronel, eu não queria falar por que o senhor pode não acreditar. Mas esse meu pincel é mágico!
- Como assim?
- Eu ganhei esse pincel do meu avô, que ganhou do avô dele que recebeu de outro avô, de outro e de outro. O meu tatatatatatatatatatatatarávô ganhou esse pincel do próprio pintor Leonardo da Vinci! Conhece?
- Não.
- É um pintor muito importante. Veio antes do Leonardo da Trinta e depois do Leonardo da Dez. E esse pincel pinta que é uma beleza. Não precisa nem de tinta. Ele pinta sozinho. Esse quadro ele acabou de pintar. A tinta está até molhada ainda.

O coronel desceu do cavalo para ver de perto o quadro. E reparou que a tinta preta ainda estava úmida. Meio desconfiado ele disse:

- Se é verdade isso eu quero ver o pincel pintar outro quadro!

O Pedro coçou a cabeça:

- Ih... Não vai dar, coronel. Agora não vai dar. É que o pincel precisa descansar. Ele só pode pintar um quadro por dia. Só amanhã que ele volta a pintar.
- Então, amanhã eu quero ver ele pintar.
 
O Malasartes coçou de novo a cabeça:

- Ih... Não vai dar, coronel. Tenho que viajar hoje a noite. Sou esperado do outro lado do mundo numa exposição com os meus quadros... Quer dizer... com os quadros do pincel. Eles lá não acreditam que é o pincel que pinta. Pensam que sou eu. Sou tão famoso por lá que eles dizem que eu nem preciso pintar mais nada. Tenho por lá fama e fortuna.

O coronel ficou com muita vontade de ter também fama e fortuna e pediu ao caipira:

- Já que você nem precisa mais pintar os quadros podia me dar esse pincel!

O Pedro fez cara de espanto:

- Dar o meu pincel para o senhor? Um pincel que está na minha família há tantos anos? Não posso, coronel! Não tenho condição!

O outro insistiu:

- Então venda! Pago bom preço!

O caipira coçou mais uma vez a cabeça:

- Mas um pincel desses é muito caro, coronel.
- Não importa! Pago bom preço!
- E o senhor tem dinheiro aí?
- Aqui comigo não. Mas na minha casa tenho bastante. Vamos até lá!
- É longe?
- Mais ou menos 1 quilometro daqui.

O Malasartes se espreguiçou:

- Xiii... É longe. Desculpe, mas eu estou muito cansado.

O coronel queria muito o pincel:

- Você vai montado no meu cavalo que eu vou andando.
- Mas eu estou com fome. Estava mesmo querendo procurar uma pousada para comer.
- Pois você é meu convidado. Vai comer do bom e do melhor. Vamos lá! Aceita!

O Malasartes deu de ombros e aceitou. Montou no cavalo e foi andando. O coronel foi ao seu lado levando o quadro. Chegaram na casa e o Pedro comeu e bebeu de tudo. Depois o coronel deu um bom dinheiro para o amarelo que se despediu e sumiu no mundo para nunca mais voltar.
E diz que o coronel está até hoje esperando o pincel pintar um quadro.


Adaptação de Augusto Pessôa 

MALASARTES E O PÉ DE CASA

O Pedro Malasartes estava andando por uma estrada que ele não conhecia. O sol estava começando a se despedir e daí a pouco ia anoitecer. O caipira estava cansado e queria dormir um pouco. Mas não queria dormir na estrada. Estava pensando em uma boa cama para descansar os ossos. Ele até foi a algumas pousadas, mas como estava sem dinheiro, ninguém deu hospedagem. Pediu dormida em algumas casas, mas ninguém quis dar. O Malasartes ficou chateado e sentou na sombra de numa árvore que ficava perto de um riacho.  Murmurou:

- Oh, gente mais cruel que não dá um descanso para um pobre como eu...

Falou isso e viu que ao seu lado tinha dois tijolos e um balde. Olhou para os objetos e teve uma ideia:

- Se ninguém quer me dar pousada por bem, vai ser de qualquer jeito. Por aqui deve ter muito abestado. Gente fácil de enganar... tá pra mim!

O Malasartes pegou um dos tijolos e guardou na sua bolsa. O outro ele colocou bem no meio do terreno onde ficava a árvore. Depois ele pegou o balde, encheu de água no riacho e voltou para onde ele tinha deixado o tijolo. Ficou agachado esperando alguém passar.
Não demorou muito, surgiu na estrada uma madame toda metida e com o nariz empinado. O Malasartes viu a mulher, se levantou e começou a despejar devagar a água em cima do tijolo. A madame parou para ver a cena. Quando a água do balde acabou, o Malsartes correu no riacho, encheu o balde, voltou e continuou a despejar a água devagar em cima do tijolo. A água acabou de novo e ele foi ao riacho encher o balde pela terceira vez. A madame não entendeu nada:

- O que aquele ignorante está fazendo ali? Despejando água em cima daquele tijolo. Pra quê?

A mulher ficou curiosa e se aproximou:

- Boa tarde! – ela disse.

Malasartes fingiu espanto e respondeu:

- Boa tarde, dona...
- Desculpe perguntar – disse a mulher – mas o que é que você está fazendo?
- Eu – disfarçou o amarelo – nada...
- Eu tô vendo o senhor despejar água em cima desse tijolo. – insistiu a madame com irritação – o que é isso?

O Malasartes quis saber:

- Esse terreno é da senhora?
- Não – respondeu a mulher – Eu tenho uma boa casa, mas é mais para adiante. Esse terreno aqui não tem dono.
- Ainda bem. – suspirou o caipira.
- Ainda bem por quê? – quis saber a madame.
- É que eu quero a minha casa aqui. – respondeu o amarelo.

A mulher estranhou:

- Uma casa? Vai construir casa? Com um tijolo? Cadê o resto do material?

O Malasartes riu de lado:

- Mas esse não é um tijolo qualquer, dona. Ganhei esse tijolo lá na capital. Um doutor ficou com pena de mim e meu deu até dois! O outro tá aqui na minha bolsa.

A mulher olhou para o tijolo. Era um tijolo comum. Nada especial. Ela perguntou:

- E você quer construir sua casa só com dois tijolos?

E o Malasartes:

- Eu não vou construir nada! A casa vai nascer!
- Nascer? Como assim? – quis saber a madame.
- Que nem uma árvore... só que é mais rápido! – respondeu o caipira.

A mulher riu:

- Você deve estar maluco!

E o Malasartes:

- A madame já esteve na capital?
- Já! Claro que já! – respondeu a ulher.
- Viu que tem lá uns prédio grande que parece que vai chegar lá no céu? – continuou o caipira.
- Vi! E o que tem isso?
- Pois esses prédios são construídos com esses tijolo! – respondeu o Malasartes.

A mulher arregalou os olhos:

- Não é nada disso, seu ignorante! Os prédios são construídos por operários...

O Malasartes interrompeu:

- Isso é o que eles querem que a gente acredite. Mas o pessoal da capital tá muito avançado. Eles põe um tijolo desses num terreno e molha três vezes. Depois é só esperar que nasce um prédio, uma casa, um hospital. Um tijolo para cada edifício!
- Isso é verdade? – perguntou a mulher já querendo acreditar.
- Claro que é! – respondeu o caipira – A senhora pensa comigo: porque que esses prédios lá da capital chamam “edifício”?
- Sei lá! – respondeu a outra.
- Por que não é “fácil”! Ou melhor... Não era fácil de construir! – respondeu o amarelo – E esse povo da capital gosta de moleza. Eles logo inventaram um jeito de ficar fácil e criaram esses tijolo! Facilita muito! A senhora não acha?

A madame ficou de boca aberta e falou:

- Se der certo vai ser uma beleza. E esse que você vai construir? Vai ser o quê?
- Eu não vou construir. Ele vai nascer que nem um pé de casa. – respondeu o Malsartes.
- E como vai ser?
- O doutor que me deu os tijolo – inventou o caipira – disse que cada um deles dá uma casa de três andares, cinco quartos, três salões, sete banheiros, cozinha e garage. Diz que dá até piscina e churrasqueira!
- Mas é uma mansão! – espantou-se a mulher – E o senhor vai fazer as duas?

O Malasartes se fez de humilde:

- Nada, dona! Só um homem simples. Uma casa dessa pra mim já tá mais que suficiente...
- E vai fazer o que com o outro tijolo?
- O outro... – respondeu o Malasartes se fazendo de desentendido – eu tô pensando em dar para alguém que me faça uma boa ação... Mas ainda não sei pra quem...
- E quanto tempo leva para nascer o pé de casa? – perguntou a madame já toda interessada.
- Uns três dias... pelo menos... – respondeu o amarelo.
- E o senhor vai dormir onde esses três dias? – perguntou a mulher.

Malsartes fez um ar de infeliz:

- Nem sei, dona. Não tenho onde ficar... Acho que vou ficar por aqui mesmo... deitado nesse chão duro...

A madame que estava doida para ganhar o outro tijolo falou com entusiasmo:

- De jeito nenhum! O senhor vai dormir na minha casa!
- Na sua casa, madame? – fingiu espanto o caipira.
- Claro! – disse a mulher toda animada – Lá em casa tem um bom quarto de hospedes! O senhor não pode ficar aqui nesse chão duro! Pegando relento! Vai para minha casa esperar o pé de casa nascer! Já tá decidido!

O Malasartes deu sorriso largo:

- Eu nem acredito em tanta bondade! Uma madame que nem a senhora aceitar um caipira como eu em sua residência! Sabe o que eu vou fazer? Eu vou lhe dar o outro tijolo!

A mulher se fez de rogada:

- Não precisa!

E o caipira:

- Claro que precisa! Eu sei que a senhora está fazendo isso de coração, mas essa sua bondade merece presente. Mas lembre: o pé de casa só nasce depois de três dias. E nasce assim... de repente!

O amarelo deu o tijolo para a madame e os dois foram para casa dela. O Malasartes passou lá três dias dormindo numa cama macia e comendo do bom e do melhor. No último dia inventou que ia ver se a casa já tinha nascido e foi embora para nunca mais voltar. E diz que a madame está até hoje esperando nascer o pé de casa.
E acabou a história.

ADAPTAÇÃO DE AUGUSTO PESSÔA

terça-feira, 29 de abril de 2014

CORRE! CORRE, BICICLETINHA!

Era uma vez uma velhinha que vivia só, na sua casa. Certo dia recebeu uma carta da sua neta, que morava numa terra distante. A carta trazia uma grande alegria – a neta ia casar e convidava a avó para assistir ao seu casamento.
Tão contente ficou que imediatamente se pôs a caminho para não chegar atrasada.
Depois de ter andado bastante, surgiu à sua frente um grande lobo que lhe disse numa voz rouca:

- Eu vou devorar você, velhinha!

E a pobre respondeu:

- Ai, não me devore que eu estou muito magrinha. Vou ao casamento da minha neta e, quando de lá voltar, já venho mais gordinha!
- Está bem! Na volta te espero! - respondeu o lobo e deixou-a seguir caminho.

Lá mais adiante, surgiu na sua frente um urso que mostrou as garras e disse:

- Eu vou devorar você, velhinha!

E a pobre respondeu:

- Ai, não me devore que eu estou muito magrinha. Vou ao casamento da minha neta e, quando de lá voltar, já venho mais gordinha!

Como o lobo, o urso achou que a velhinha tinha razão e deixou-a seguir viagem, dizendo:

- Está bem! Na volta te espero!

 Já quase no fim da viagem, uma terceira fera surgiu à velhinha – era um leão.

- Eu vou devorar você, velhinha!

E a pobre respondeu:

- Ai, não me devore que eu estou muito magrinha. Vou ao casamento da minha neta e, quando de lá voltar, já venho mais gordinha!

O leão também achou que era melhor esperar que ela voltasse mais gordinha. Então disse:

- Está bem! Na volta te espero!

Muito assustada a velhinha continuou o seu caminho até que chegou à casa da neta. Contou tudo o que aconteceu e a neta acalmou a avô dizendo que não haveria problema nenhum. O casamento foi muito bonito e a velhinha estava muito feliz.
Mas, quando se decidiu a voltar para sua casa, começou a ficar com muito medo. A neta correu ao quintal, pegou uma bicicletinha nova em folha, um chapelão e um casacão. Vestiu o chapéu e o casaco na avó e disse:

- A senhora vai correr o mais que puder e nenhum bicho vai lhe pegar!

Disfarçada a velhinha montou na bicicleta e começou a viagem de volta. Pedalava com força. A certa altura passaram pelo leão, que perguntou:

- Oh, chapelão, não viu por aí uma velhinha?

A velhinha pedalou com mais força e respondeu:

- Não vi velhinha!
Sou chapelão!
Corre, corre bicicletinha!
Corre, corre desse bobão!

O leão não entendeu nada.
A velhinha continuou pedalando pela estrada fora. Um pouco mais à frente estava o urso, esperando. Ele resolveu perguntar:

- Oh, chapelão, não viu por aí uma velhinha?

A velhinha pedalou com mais força ainda e respondeu:

- Não vi velhinha!
Sou chapelão!
Corre, corre bicicletinha!
Corre, corre desse bobão!

O urso não entendeu nada… Mais perto de casa estava o lobo esfomeado. Ao ver aquela figura na bicicleta perguntou:
 
- Oh, chapelão, não viu por aí uma velhinha?

A velhinha pedalou com toda força que podia e respondeu:

- Não vi velhinha!
Sou chapelão!
Corre, corre bicicletinha!
Corre, corre desse bobão!

O lobo ficou chupando dedo.
Finalmente a nossa velhinha chegou à sua casa. Não tinha mais nenhum perigo. Pela estrada foram ficando, enganados, os seus três inimigos.
A bicicletinha salvou sua vida.
E acabou a história.


Adaptação de Augusto Pessôa

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A PRINCESA QUE TUDO VIA


Era uma vez uma princesa que conseguia ver tudo o que queria. É que no alto da torre mais antiga de seu palácio havia uma sala circundada por doze janelas mágicas. Através delas, a princesa podia ver qualquer coisa que se passasse no seu reino e até mesmo nos reinos do além mar. Bastava pensar no que queria ver e olhar por umas das janelas; se a primeira delas não lhe mostrasse nada é porque o que procurava estava muito longe ou muito bem escondido. Mas logo na segunda ou na terceira janela aparecia a imagem desejada. As janelas revelavam desde as alturas intangíveis das nuvens às profundezas da terra e do mar. Nada escapava à princesa: ninguém saía do seu reino sem que ela soubesse, nenhum inimigo se aproximava sem que ela estivesse prevenida. Assim, era natural que seu poder se tornasse cada vez maior e que muitos príncipes pretendessem se casar com ela.
A princesa, todavia, não encontrava nenhum pretendente a sua altura. É bom dizer que com tanto poder, se tornara um pouco arrogante, cheia de si. Decidiu, então, lançar um desafio: aquele que conseguisse se esconder dela ao menos uma vez, se tornaria o seu príncipe consorte. Os príncipes e outros nobres foram os primeiros a se apresentar. A princesa dava a todos três
chances. A cada dia podiam tentar um esconderijo diferente. Somente no final do dia, ao por do sol, a princesa subia à torre e consultava as janelas.
Depois dos nobres vieram os plebeus. Cada um inventava um esconderijo mais extravagante, porém poucas vezes a princesa precisou chegar até a segunda janela para descobri-lo. Um a um os pretendentes foram sendo dispensados.
Um dia, um jovem e bravo soldado que voltava de uma guerra num país distante, ouviu falar da princesa. Atraído pelo desafio, decidiu ir até o palácio tentar sua sorte.
No meio do caminho deparou-se o soldado com um carneirinho que balia desesperado, preso nos arames farpados de uma cerca. O rapaz desembaraçou-o com cuidado. Vendo-se livre, agradecido o animal assim lhe falou:

- Eu sou o príncipe dos carneiros e gostaria de recompensá-lo por sua bondade. Tome aqui este pedaço de lá e quando precisar de mim esfregue-o, chamando-me.

O soldado ficou maravilhado com o que ouviu, guardou a lã e seguiu em frente. Logo adiante, encontrou uma águia que tentava se livrar de uma armadilha. Cuidadosamente ele a soltou e ouviu dela o seguinte:

- Eu sou a rainha das águias e você me salvou. Se um dia precisar de ajuda, esfregue esta pena e chame por mim.

O jovem agradeceu o presente e continuou seu caminho. Logo antes de chegar ao palácio, sua atenção foi atraída por uma formiga que se debatia numa poça d´água. Salvando o bichinho de morrer afogado, mais uma vez ele ouviu:

- Eu sou a rainha das formigas. Guarde esta folha e, se precisar de algo, esfregue-a e chame por mim.

O soldado guardou também a folha com cuidado.
Logo chegou ao palácio e pediu para ser apresentado à princesa. No dia seguinte, começou a procurar um lugar para se esconder, porém todos os esconderijos pareciam óbvios. Lembrou-se então do carneirinho. Esfregou o bocado de lã e pediu ajuda para se esconder. Na mesma hora apareceu um rebanho de carneiros. O próprio soldado maravilhado viu-se transformado em um carneiro e misturado ao grupo. Ao por do sol a princesa subiu à torre. Olhou pela primeira janela e nada viu. A segunda janela porem mostrou-lhe um carneiro e a princesa então soube que ele era o pretendente.
Na manhã seguinte, retomando a forma humana, o soldado se apresentou a princesa que lhe disse:

- Entre os carneiros, tu eras o que ficava perto do pequeno.

O rapaz, reconhecendo que fora descoberto, saiu do palácio, dirigiu-se a orla da floresta e, esfregando a pena mágica, chamou pela águia. Imediatamente a rainha das águias apareceu e o transformou em um redondo ovo, agarrando-o com sua garra e levando-o a montanha mais alta. Ali, colocou o ovo entre os outros ovos de seu ninho e deitou sobre todos, deixando a noite chegar.
Naquela tarde, quando a princesa consultou as janelas, nada viu na primeira, e tampouco na segunda, mas a terceira mostrou-lhe o ninho. No dia seguinte, o soldado apresentando-se a ela ouviu:

- Entre todos os ovos da águia, tu eras o que ficava no centro.

Vencido mais uma vez o jovem saiu do palácio, procurou um lugar isolado, e, esfregando a folha, sua última esperança, chamou a rainha das formigas.

- Desta vez - dise ele, depois de lhe contar a historia - você tem que pensar num esconderijo muito, muito especial. Nada escapa aos olhos da princesa!
-Nada? - duvidou a formiga. - pois eu sei de algo que ela não vê!

E tranformando o rapaz numa formiguinha, levou-o até os aposentos da princesa.

- Dê um jeito de esconder-se dentro do seu vestido - aconselhou a formiga e desapareceu.

O soldado, agora formiga, observou bem a princesa e suas sete pesadas saias. Achou melhor subir pelo vestido e escorregar pelo decote. Ali dentro do corpete da princesa, bem juntinho do seu coração, ele ficou quietinho esperando o dia passar.
Quando a tarde chegou, a princesa subiu à torre. Olhou pela primeira janela e nada pode vislumbrar. Olhou pela segunda e também nada viu. Tampouco a terceira mostrou-lhe alguma coisa e a princesa, já inquieta, passou à quarta janela. E assim foi, de janela em janela, até chegar a decima segunda. Entretanto, por mais que olhasse, ela não conseguia enxergar o que queria.
A noite toda ela passou a consultar janelas. Em vão. Quando os primeiros raios de sol iluminaram a torre, a princesa irritada gritou:

- Desisto! Pode aparecer que eu me caso com você!

O rapaz saiu, então, de dentro do vestido dela, desceu ao chão e, retomando a sua forma humana, confessou à princesa:

- Eu estava dentro de você, onde você não pode ver.
 
E os dois se casaram e viveram felizes para sempre.




A CASA DOS ESPELHOS

Há muitos e muitos anos, morava num pequeno vilarejo um menino muito feliz. Ele brincava com todo mundo e estava sempre de bom humor. Todos da aldeia gostavam dele. Naquele lugarejo todos falavam sobre uma casa que ficava um pouco distante e era chamada Casa de Espelhos. Como naquela aldeia não existiam espelhos, ninguém sabia direito o que poderia ter naquela casa. O menino ouviu tanto essa história que quis saber o que tinha naquela casa. Com toda sua alegria ele foi até o lugar. Andou bastante, brincando pelo caminho, até que viu a distância uma casa enorme e muito bonita. Com janelas enormes e um jardim fantástico. Cheio de curiosidade o menino foi andando na ponta do pé até uma das janelas. Ele enfiou a cara na janela e viu lá dentro um monte de meninos sorrindo como ele. O rapazinho acenou e todos os meninos dentro da casa também acenaram. Ele não conseguiu falar com nenhum deles, mas voltou mais feliz ainda para sua aldeia. Ao chegar lá, abriu um grande sorriso e contou para todo mundo:

- Fui até a Casa de Espelhos! É um lugar maravilhoso. Uma casa bonita com um jardim fantástico. Dentro da casa muitos meninos felizes. É um paraíso!

Todos ficaram encantados. Só outro menino que vivia com a cara emburrada é que não gostou. Ele estava sempre de mau humor. Não brincava, não sorria e brigava com todo mundo. O menino zangado não acreditou no outro:

- Duvido que seja assim! Só vendo para crer!

E o menino foi com todo seu mau humor até a Casa dos Espelhos. Foi pelo caminho brigando com todo mundo que encontrava e reclamando o tempo todo. Quando chegou ao lugar ele viu a grande casa e resmungou:

- A casa nem é tão bonita assim. E esse monte de janelas deve dar um trabalho imenso para limpar.

O zangado foi na ponta do pé e olhou para dentro da casa por uma das janelas. Lá dentro ele viu um monte de meninos com cara de poucos amigos. O menino zangado não gostou e fez uma careta para eles. E todos os meninos fizeram caretas também. Eram tantas as caretas que o garoto saiu correndo assustado. Ao chegar na aldeia foi logo reclamando com o outro:
- Mentiroso! Naquela casa só tem gente feia e que faz careta! Não gostei mesmo!

Um velho, que conhecia o poder de um espelho, disse baixinho do alto da sua sabedoria:

- A casa dos espelhos é como a vida que olha para gente do jeito que a gente olha para ela.


Conto popular japonês adaptado por Augusto Pessôa 

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

COMO SURGIU A NOITE

Num tempo já esquecido, o dia não tinha fim. O sol ficava o tempo todo iluminando a floresta. Os índios eram obrigados a dormir no claro. Estavam cansados disso e desejavam um pouco de escuridão para conseguirem dormir melhor.
Mas o sol não deixava de iluminar o eterno dia.
Foi quando um velho, que veio de muito longe, contou que tinha visto um monstro que guardava dois grandes potes. Os potes eram pretos e estavam cheios de escuridão.
Os índios imaginaram que a noite tão desejada poderia estar trancada nesses potes. E resolveram ir pegar a noite.
No dia seguinte um grupo saiu para ir ao local indicado pelo velho. Andaram bastante até que viram o mostro dormindo ao lado dos potes. Quando se aproximaram viram  escutaram o barulho que vinha de dentro daquelas vasilhas: o som das corujas, dos macacos noturnos, dos grilos, das rãs e dos sapos do brejo e de todos os seres que vivem na noite. O grupo de índios usando arco e flechas conseguiram quebrar o pote menor. De dentro daquela vasilha saiu a noite com todos os seu bichos. Os índios saíram correndo. Chegaram nas ocas e aproveitaram a escuridão para dormir um pouco. Mas a noite que saiu do pote pequeno não durou muito. Era curta. Não dava para descansar quase nada.
Os índios resolveram voltar e quebrar o pote maior. Dois índios foram incumbidos de realizar a tarefa, pois eram grandes arqueiros. Os dois jovens convidaram o Urutau para acompanha-los. Mas aconselharam ao pássaro que corresse bem depressa porque essa noite era maior e podia pegá-los de jeito. Os três chegaram ao local onde o monstro ainda dormia e com a habilidade dos arcos quebraram o pote maior. Saiu de lá uma noite que não tinha mais fim. Os três fugiram em disparada. Mas Urutau tropeçou num cipó e caiu. Foi logo alcançado pela imensa escuridão. Por isso, até hoje, o Urutau é uma ave noturna.
E foi assim que surgiu a noite.


CONTO INDÍGENA ADAPTADO POR AUGUSTO PESSÔA

COMO NASCERAM OS RIOS

Dizem que antigamente era tudo seco. Não tinha rio, não tinha água, não tinha nada. A Juriti era a dona da água e  guardava tudo em três grandes tambores.
Os três filhos do pajé estavam com muita sede e foram pedir água para o passarinho. Mas a Juriti não deu e ainda disse:

- O pai de vocês é Pajé poderoso! Porque não dá água para vocês? Ele que arrume água para seus filhos!

Os meninos voltaram para casa chorando muito. O pajé perguntou por que estavam chorando, os pequenos contaram e o índio disse:

- Não quero vocês andando naqueles lados. É muito perigoso! Tem peixe grande dentro dos tambores.

Mas eles não ouviram o pai e foram de novo até a casa da Juriti. Quando chegaram lá quebraram os tambores e saíram jogando água para tudo que é lado. A Juriti ficou com raiva e mandou o peixe grande atrás dos meninos. Os irmãos correram, mas o peixe engoliu um dos índios. O coitado ficou só com as pernas fora da boca do peixe.
Os outros dois corriam e jogavam água. Com isso foram formando rios e cachoeiras. O peixe grande foi atrás também levando água e fez o rio Xingu.
Correram muito até chegar ao Amazonas. Lá os meninos conseguiram tirar o irmão da boca do peixe. Cortaram suas pernas, pegaram o sangue e sopraram. O índio voltou a viver. Depois eles jogaram toda água que sobrou no Amazonas e o rio ficou muito largo.
Os índios voltaram para casa e contaram ao pai que tinham quebrado os tambores.
E foi assim que os rios se formaram.


Conto indígena adaptado por Augusto Pessôa

A RÃ E O BOI - VÍDEO

A RÃ E O BOI - VÍDEO
Apresentação de Augusto Pessôa no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias SESC RJ 2010. Clique na imagem e assista a história

A MENINA QUE FAZIA AZEITE DE DENDÊ

A MENINA QUE FAZIA AZEITE DE DENDÊ
Clique na imagem e assista a hitória

UMA APOSTA (VÍDEO)

UMA APOSTA (VÍDEO)
Conto de Artur Azevedo. CLIQUE NA IMAGEM E VEJA O VÍDEO

LIVROS LEGAIS

  • GRAMÁTICA DA FANTASIA de Gianni Rodari - Summus Editorial.
  • GUARDADOS DO CORAÇÃO – Memorial para Contadores de Histórias de Francisco Gregório Filho - Editora Amais.
  • FÁBULAS ITALIANAS de Ítalo Calvino - Editora Companhia das Letras
  • DICIONÁRIO DE FOLCLORE BRASILEIRO de Câmara Cascudo - Editora Itatiaia
  • VASOS SAGRADOS de Maria Inez do Espírito Santo - Ed Rocco
  • MEUS CONTOS AFRICANOS - seleção de Nelson Mandela - Ed Martins
  • LENDAS BRASILEIRAS de Camara Cascudo - Ediouro
  • CONTOS TRADICIONAIS DO BRASIL de Camara Cascudo - Ed Itatiaia
  • CONTOS POPULARES DO BRASIL de Silvio Romero - Ed Itatiaia

A MOURA TORTA

A MOURA TORTA
Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo

MARIA BORRALHEIRA (VÍDEO)

MARIA BORRALHEIRA (VÍDEO)
Peça teatral baseada no conto popular MARIA BORRALHEIRA com Augusto Pessôa e Rodrigo Lima. Direção Rubens Lima Junior. Clique na foto e assista a um trecho da peça.

FELIZES PARA SEMPRE (RESENHA)

FELIZES PARA SEMPRE (RESENHA)
Clique na imagem e veja a resenha do livro FELIZES PARA SEMPRE

QUANDO OS BICHOS AINDA FALAVAM

QUANDO OS BICHOS AINDA FALAVAM
Apresentação no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias SESC RJ 2009

A MENINA QUE VIROU CORUJA (VÍDEO)

A MENINA QUE VIROU CORUJA (VÍDEO)
Conto Africano. Clique na imagem e assista ahistória

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)
Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Cliuqe na imagem e assista a um trecho do espetáculo

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)
Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo.

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)
Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Clique na imagem e assita a um trecho do espetáculo

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - SONHO DE MENINA

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - SONHO DE MENINA
Apresentação no SESC Niterói - nov 2009 - Clique na imagem e assista a apresentação.

O MARIDO FIEL - VÍDEO

O MARIDO FIEL - VÍDEO
Conto de Nelson Rodrigues - adaptação e narração de Augusto Pessôa. Clique na imagem e assista a história.

O JABUTI E A FRUTA (VÍDEO)

O JABUTI E A FRUTA (VÍDEO)
conto popular adaptado por Augusto Pessôa. CLIQUE NA IMAGEM E ASSISTA AO VÍDEO

VOU BUSCAR O MEU AMOR (VÍDEO)

VOU BUSCAR O MEU AMOR (VÍDEO)
Cena do espetáculo A MOURA TORTA. Clique na foto e veja a cena

A MOURA TORTA

A MOURA TORTA
Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo em cartaz no teatro do Jockey - Gávea

JABUTI

JABUTI
Apresentação no Simpósio Internacional de contadores de Histórias - SESC RJ 2009. Clique na imagem e assista a um trecho da apresentação

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - abertura da peça (VÍDEO)

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - abertura da peça  (VÍDEO)
Apresentação no SESC Niterói - nov 2009 - Clique na imagem e assista a apresentação

A NOITE QUE A LUA SUMIU DO CÉU (VÍDEO)

A NOITE QUE A LUA SUMIU DO CÉU (VÍDEO)
Clique na imagem e veja um clipe do espetáculo

A DAMA DO LOTAÇÃO (VÍDEO)

A DAMA DO LOTAÇÃO (VÍDEO)
conto de Nelson Rodrigues. Adaptação e narração de Augusto Pessôa

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (VÍDEO)

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (VÍDEO)
Peça baseada no conto popular O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (2003). Clique na foto e veja um trecho do espetáculo.

TOC, TOC, TOC, TOC (VÍDEO)

TOC, TOC, TOC, TOC (VÍDEO)
Conto de Arur Azevedo. CLIQUE NA IMAGEM E VEJA O VÍDEO

MALASARTES E O HOMEM ENGANADO DUAS VEZES (VÍDEO)

MALASARTES E O HOMEM ENGANADO DUAS VEZES (VÍDEO)
Contação de Histórias. Clique na imagem e assista a contação.

MENINA FACEIRA

MENINA FACEIRA
Apresentação de Augusto Pessôa e Rodrigo Lima no Instituto Moreira Salles - set 2009. Clique na imagem e veja a apresentação.

HISTÓRIA DE ANTANHO (VÍDEO)

HISTÓRIA DE ANTANHO (VÍDEO)
NA CASA DE SEU PEDRÃO. Apresentação de Augusto Pessôa e Rodrigo Lima no SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE CONTADORES DE HISTÓRIAS - SESC RJ (2008). Clique na imagem e veja a apresentação

MÚSICA - NA FEIRA DO TEM TEM (VÍDEO)

MÚSICA - NA FEIRA DO TEM TEM (VÍDEO)
O Rei Doente do Mal de Amores - apresentação no SESC Niterói 2009. Clique na imagem e assista a cena.

PARA SEMPRE FIEL (VÍDEO)

PARA SEMPRE FIEL (VÍDEO)
Conto de Nelson Rodrigues - adaptação e narração de Augusto Pessôa

SUSPIROS VÃO E VEM (VÍDEO)

SUSPIROS VÃO E VEM (VÍDEO)
Apresentação do espetáculo O REI DOENTE DO MALDE AMORES no SESC Niterói 2009. Clique na imagem e assista a apresentação

MALASARTES! (VÍDEO)

MALASARTES! (VÍDEO)
Peça baseada nas histórias de Pedro Malasartes. Clique na foto e veja um trecho do espetáculo

O JABUTI E A FRUTA

O JABUTI E A FRUTA
Apresentação no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias - SESC RJ 2009. Clique na imagem e assista a história

A MOURA TORTA

A MOURA TORTA
Crítica do espetáculo publicada no JORNAL DO BRASIL

MARIA BORRALHEIRA - CRÍTICA (IMAGEM)

MARIA BORRALHEIRA - CRÍTICA (IMAGEM)
Clique na imagem e leia a crítica sobre o espetáculo

MALASARTES - CRÍTICA (IMAGEM)

MALASARTES - CRÍTICA (IMAGEM)
Clique na imagem e leia a crítica do espetáculo.

CRÍTICA DO ESPETÁCULO O REI DOENTE DO MAL DE AMORES

CRÍTICA DO ESPETÁCULO O REI DOENTE DO MAL DE AMORES

MALASARTES - Histórias de Um Camarada Chamado Pedro

MALASARTES - Histórias de Um Camarada Chamado Pedro
Livro de Augusto Pessôa publicado pela Editora ROCCO (2007)

FELIZES PARA SEMPRE

FELIZES PARA SEMPRE
Livro com adaptações de Augusto Pessôa - Editora ROCCO (2003)

CONTOS DE HUMOR

CONTOS DE HUMOR
Contos de Artur Azevedo - organização Augusto Pessôa - Editora ROCCO (2008)

CONTANDO HISTÓRIAS NA ABL

CONTANDO HISTÓRIAS NA ABL
CONTANDO HISTÓRIAS NA BIBLIOTECA DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS