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AQUI VAI ENCONTRAR:
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DIVIRTA-SE!!!

AUGUSTO PESSÔA - CONTADOR DE HISTÓRIAS (BRASIL)

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Augusto Pessôa
Ator, Cenógrafo, Figurinista, Arte Educador Dramaturgo e Contador de Histórias. Bacharelado em Artes Cênicas (Habilitação em Interpretação e Habilitação em Cenografia) pela UNI-RIO - Universidade do Rio de Janeiro.
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OFICINAS

Oficinas de arte ministradas por Augusto Pessôa:

- Oficina de Criatividade, Criação e Arte:A oficina tem por objetivo levar o participante a redescobrir a sua criatividade.
- Oficina de Contação de Histórias:A oficina tem por objetivo a sensibilização de educadores e pessoas interessadas na arte de contar histórias.
- Oficina de Construção de Brinquedos:A oficina tem por objetivo resgatar brinquedos populares que revelam não só o lado lúdico, mas recuperam a identidade de uma nação.
- Oficina de Criação de Bonecos:A oficina tem por objetivo a construção de bonecos de manipulação.
- Oficina de Criação de Máscaras:O objetivo da oficina é confeccionar máscaras utilizando técnicas simples.
- Oficina de Iniciação Teatral:O objetivo da oficina é introduzir a linguagem teatral através de jogos de integração, exercícios de respiração, voz e corpo e exercícios de improvisação.

MAIORES INFORMAÇÕES: augustospessoa@uol.com.br

MARIA BORRALHEIRA (VÍDEO)

MARIA BORRALHEIRA (VÍDEO)
Peça teatral baseada no conto popular MARIA BORRALHEIRA com Augusto Pessôa e Rodrigo Lima. Direção Rubens Lima Junior. Clique na foto e assista a um trecho da peça.

sábado, 14 de novembro de 2009

O CHAPELINHO VERMELHO

Uma senhora viúva tinha uma filha de dez anos, que se chamava Laura que era a sua alegria. Sempre que se aproximava o dia do aniversário da menina, a mãe a levava para a cidade e escolhia um presente bem bonito para a filha. Quando fez onze anos, Laura quis muito um guarda-chuva vermelho que viu na vitrine de uma loja. A mãe comprou e deu de presente para a filha.
Laura gostava muito de um vizinho que tinha a sua idade. Todo mundo dizia que eles eram namorados. Sempre que saia de casa para encontrar com o menino, ela levava o guarda-chuva. O pessoal da vizinhança começou a chamá-la de Chapelinho Vermelho.
Uma vez a mãe de Laura preparou um bolo e pediu que a filha levasse até a casa de sua vovó. A casa ficava na beira da floresta. A viúva recomendou a filha que fosse pelo caminho sem se desviar, porque na floresta tinha um grande perigo. Laura tomou o bolo e de início atendeu a recomendação da mãe. Mas logo viu uma borboleta azul que era uma beleza e correu atrás dela. A borboleta voou para a floresta e Chapelinho Vermelho foi atrás até um recanto onde se deparou com um vulto estranho. Era um lobo que logo se aproximou, perguntando o que Laura fazia ali. A menina respondeu que levava um bolo para a sua avó e vendo uma borboleta, seguiu-a até aquele lugar. O lobo pensou: “Essa menina é que é um bolo bom de comer”. E falou para Chapelinho:
- Diga uma coisa menina: sua avó mora só?
E a menina prontamente respondeu:
- Sim, senhor!
- E você quando lá chegar como faz para ela abrir a porta?
- Eu bato e ela pergunta: - Quem está ai? Respondo: - É Chapelinho Vermelho, sua neta, que vem trazendo um bolo que a mamãe mandou. Vovó diz então: A chave está por baixo da porta, presa ao cordão cuja ponta se vê de fora. Eu abro a porta e entro, porque minha vovó tem dificuldade de levantar da cama. Agora o senhor me dê licença que tenho que seguir no meu caminho...
E o lobo falou:
- Mas não vá por aí que o caminho é muito feio! Vá por esse outro que vai encontrar borboletas mais bonitas!
O lobo apontou um outro caminho, bem mais comprido, que a menina seguiu sem pestanejar. O lobo partiu pela floresta como uma flecha, até chegar a casa da avó de Laura. O bicho bateu na porta. E de dentro veio aquela voz fraquinha de velhinha:
- Quem está ai?
O lobo, imitando a voz de Laura, respondeu:
É Chapelinho Vermelho, sua neta, que vem trazendo um bolo que a mamãe mandou!
A chave está por baixo da porta, presa ao cordão cuja ponta se vê de fora, minha neta!
O lobo entrou e engoliu a pobre da velha inteirinha! Satisfeito, vestiu as roupas da avó e deitou na cama cobrindo-se o melhor que pôde. Passou um tempo e Chapelinho Vermelho chegou. Depois das perguntas e respostas costumeiras, entrou, ignorando tudo que tinha passado com a velha, não tendo, entretanto fechado, por esquecimento, a porta da rua.
Ao entrar, pôs o bolo em cima de um móvel e notando que a avó estava toda enrolada na cama, perguntou:
- Vovó, você parece que está com muito frio?
O lobo disfarçou mais uma vez a voz:
- Muito frio, minha neta.
- Vovó, por que é que você está com as orelhas tão compridas?
- É para te ouvir bem, minha neta!
- E por que esses olhos tão grandes?
- É para te ver melhor, minha neta!
- E por que, vovó, essa boca tão grande?
- É para te devorar!!
E o lobo pulou em cima de Laura e a engoliu inteira, como tinha feito com a velha avó. Depois deitou na cama e dormiu com aquele barrigão enorme para cima.
Perto dali morava um caçador. Passando por perto da casa, quase sempre via a avó da menina na janela e com ela conversava. Mas naquela tarde olhou e não viu a boa senhora. Ficou intrigado e foi ver o que estava acontecendo. Encontrou a porta aberta e entrou. Deu de cara com o lobo deitado na cama com o barrigão pra cima. O caçador viu logo o que tinha acontecido. Pegou o seu facão e abriu a barriga do lobo. E de dentro da barriga saíram Laura e a avó. Vivinhas! Só com um pouco de falta de ar. O caçador colocou umas pedras pesadas na barriga do lobo e costurou. Depois acordou o lobo com um susto. O bicho tentou sair correndo, mas não conseguia por causa das pedras. Foi se arrastando até um riacho. Caiu nas águas e se afogou.
Chapelinho Vermelho e o caçador levaram a boa senhora que ficou desde então morando com a filha e a neta. Depois que soube da história toda, o vizinho de Laura falou pra menina:
- Você ficou mais bonita depois que o lobo te comeu!
E todos viveram felizes por muitos e muitos anos.

Adaptação de Augusto Pessôa do conto popular “CHAPELINHO VERMELHO”

JOÃO E MARIA

Diz que era uma vez um lenhador muito pobre, vivendo com a mulher e os dois filhos numa casinha no meio das floresta. As crianças se chamavam João e Maria. Apesar do lenhador ser muito trabalhador a família passava fome. Numa noite, depois da ceia, a mulher disse que não tinha coisa alguma que comer na manhã do outro dia. O homem começou a pensar e acabou dizendo:
- Não vale a pena eu estar com meus filhos junto comigo para que morram de fome! É melhor deixar os dois na mata. Pode ser que encontrem uma alma caridosa e Deus tenha pena deles!
A mulher não disse sim nem não.
João ouviu a conversa do pai e compreendeu tudo. Pela manhã o lenhador mandou que os dois filhos se vestissem e o acompanhassem para pegar lenha. João levou o bolso cheio de pedrinhas brancas do terreiro da casa. Iam andando, andando, e aqui e acolá o menino punha uma pedrinha de sinal. Perto do meio-dia o lenhador parou e disse:
- Fiquem aqui descansando que eu vou procurar mel. Quando ouvirem um assobio alto, sou eu! Vocês devem ir atrás do assobio! Entenderam?
O homem disse o que disse e sumiu na mata escura. João e Maria esperaram por muito tempo e nada de ouvir o assobio alto. Finalmente o menino disse que estava ouvindo qualquer coisa parecida com que o pai dissera. Foram procurar e não encontraram nada.
- Estamos perdidos!
Disse Maria já começando a chorar. Mas João respondeu:
- Vamos voltar pra casa!
Botaram o pé no caminho, olhando as pedrinhas e lá para tantas da noite chegaram em casa. O lenhador e sua mulher estavam jantando porque um devedor pagou a conta e eles tinham dinheiro para vários dias. Os pais ficaram felizes com a volta dos filhos e foram dormir.
Quando o dinheiro acabou e a fome apareceu, o lenhador voltou a ter a idéia de deixar os dois filhos no meio da mata. João não pode apanhar as pedrinhas brancas porque a porta estava fechada e a chave tirada. Guardou o pão que recebeu para a marcha e, quando amanheceu, os três seguiram viagem. João ia ficando atrás e espalhava pedacinhos de pão. Os passarinhos comeram as migalhas de pão. Perto do meio dia aconteceu a mesma coisa como da vez passada. O lenhador foi pegar mel e quando os filhos o procuraram não encontraram nada. O menino quis voltar, mas não viu mais os pedacinhos de pão. Ficou triste, mas não perdeu a coragem.
Andaram que andaram. Quando ia escurecendo, João subiu numa árvore enorme. Lá de cima viu, ao longe, uma fumacinha. Desceu mais que depressa, e foi na direção levando a irmã.
Encontraram uma casa muito bonita. Chegando para mais perto as duas crianças viram que a casinha era feita de bolo e as janelas de açúcar. Joãozinho quebrou um pedaço e entregou a Maria e pegou outro. De dentro da casa uma voz perguntou:
- Quem está bulindo aí'?
As crianças tentaram se esconder, mas apareceu uma velha.
- Ah! São vocês, meus netinhos? Tão bonitinhos e magrinhos! Entrem. . .
Era uma velha muito feia e seca. Parecia uma vassoura vestida. As crianças entraram e a velha, que era uma feiticeira, deu um jantar gostoso e depois levou os dois para um quarto onde tinha de um tudo. As crianças dormiram. De manhã bem cedo a velha pegou João e colocou dentro de uma gaiola. Voltou e acordou Maria.
- Acorda, preguiçosa!! Você vai trabalhar pra mim!
A menina ficou trabalhando e a velha alimentava os dois. Ela queria engordar as crianças para fazer um assado e comer. O garoto era esperto e percebeu o que a velha queria. Arrumou dois rabinhos de lagartixa. Deu um para Maria e ficou com o outro. Todas as vezes que a velha dava comida e perguntava como eles estavam, as crianças respondiam:
- Vamos bem!
- Mostre o dedinho! - pediu a feiticeira.
As crianças mostravam os rabinhos de lagartixa e a velha, que era meio cega, apalpava e dizia:
- Tão magrinhos! Tem que comer mais, meus netinhos!
O tempo foi passando e as crianças engordando. Mas Maria, que era meio tonta, perdeu o rabo da lagartixa e quando a velha pediu que mostrassem o dedinho, a menina mostrou o mindinho. A velha apalpou e lambeu os beiços:
- Estão no ponto! Ainda bem! Vamos preparar uma fogueira para dançar!
Assim mesmo foi. A velha soltou João da gaiola e acendeu uma fogueira que dava para assar dois bois. Depois chamou os meninos e falou:
- Dancem em volta da fogueira, meus netinhos!
João respondeu:
- Vovó, a gente não sabe dançar! Dança pra gente ver!
A bruxa reclamou:
- Mas vocês não sabem fazer nada!!
A velha começou a dançar. Os meninos a empurraram. A velha caiu dentro da fogueira. Ela começou a gritar como uma desesperada:
- Água, meus netinhos! Tragam água!!
- Azeite, senhora avó! - respondiam eles.
E a velha dentro da fogueira... espocou!
De repente os passarinhos entraram dentro da casa e levaram João e Maria para um quarto. No quarto encontraram muitas riquezas: roupas, pedras preciosas e muita comida e bebida.
Encheram umas malas com o tesouro e os passarinhos conduziram os dois para a casa dos pais. O lenhador, muito arrependido, ficou quase doido de contente, e abraçou os filhos chorando. A mãe nem falavam de tanta alegria. Ficaram todos ricos e felizes. E acabou a história.

Adaptação de Augusto Pessôa

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A ONÇA E A COELHA - conto popular

A onça tinha um filhotinho lindo. Um bichinho gordinho. Com a cara redondinha que dava gosto de olhar. Mas a onça tinha também um problema: precisava viajar, uns dois meses mais ou menos, e não tinha com quem deixar seu filhote. Foi procurar babá. Encontrou com o papagaio.
- Oh, papagaio! Estou precisando de babá. Vou viajar uns dois meses mais ou menos. Você toma conta do meu filhote e quando eu voltar a gente acerta o preço.
Papagaio que não era bobo, respondeu:
- Ah, onça, papagaio só sabe fala! Não sabe negócio de ser babá!!
Papagaio não era bobo mesmo. Ele sabia que fazer negócio com a onça era terminar no bucho dela. Mas a coelha, que tinha umas orelhas branquinhas que pareciam chinelinhas de algodão, se interessou pela história:
- Dona onça vai viaja?
- Vô, coelha!
- Uns dois meses mais ou menos?
- É, coelha!
- Tá precisando de babá?
- Tô, coelha!
- Pois dona onça encontrou a babá. Sou uma babá excelente. Cuido de tudo que é bicho. A senhora leva seu filhotinho para minha toca, junto com comida para dois meses mais ou menos. Quando a senhora voltar a gente acerta o preço.
A onça ficou satisfeita já pensando em jantar a coelha quando voltasse da viagem. No dia acertado, a onça levou o filhote para a toca da coelha com comida não para dois, nem para três, mas para quatro meses mais ou menos. Deixou tudo lá e foi embora. E nem bem foi, já voltou. Por que o tempo passa depressa e dois meses mais ou menos passam num susto. Chegou e foi bater na toca da coelha.
- Coelha, já cheguei!Cadê meu filhotinho?
E a coelha lá debaixo, respondeu:
- Já chegou, onça! Já vou lhe dar seu filhote!
E a onça esfregando as mãos e lambendo os beiços disse:
- E sai você também pra gente acertar o pagamento!!
A coelha botou o filhote da onça para fora da toca. E a onça quase teve um treco. O bichinho que era gordinho que dava gosto de olhar, veio magrinho e com a cara chupadinha que dava pena de ver.
- Coelha, o que você fez com o meu filhote? Cadê a comida que eu deixei pra ele?
A coelha saiu da toca, gorda, balançando a pança e as orelhas que pareciam chinelinhas de algodão.
- A comida tá aqui, onça!!! Eu comi!!
A onça ficou louca. Pulou em cima da coelha, mas a orelhada foi mais rápida e entrou na toca. A toca era pequena e a onça não conseguia entrar.
- Sai, coelha! Sai que eu vou acabar contigo!!
- Calma, onça. Vamos conversar.
- Não tem conversa, coelha! Sai que eu vou acabar contigo!!
- Onça, é conversando que a gente se entende...
- Não tem conversa, coelha! Sai que eu vou acabar contigo!!
A coelha viu que não tinha jeito. Mas teve uma idéia e disse:
- Onça, já que você vai acabar comigo eu vou arrumar as coisas por aqui. Vou tirar meus cacarecos para quem quiser usar minha toca já encontre tudo vazio. E você vai me ajudar.
- Não quero assunto, coelha! Sai logo!!
- Olha, pega aí minha rede. Mas cuidado, que eu gosto muito dela.
A onça pegou a rede e jogou longe com toda a força. Sem nem olhar o que era. E a coelha continuou:
- Olha onça, pega minhas panelas. Mas cuidado, onça, que eu gosto muito delas.
A onça pegou as panelas e jogou longe com toda a força. Sem nem olhar o que era. E a coelha continuou a mudança:
- Onça, pega meu baú. Foi o baú que a minha vó me deu. Eu gosto muito dele.
A onça pegou o baú e jogou longe. Sem nem olhar o que era.
- Olha, onça, agora todo o cuidado. As minhas chinelinhas de algodão.
A onça pegou as chinelinhas e jogou longe com toda a força. Nem viu que não estava jogando chinelinha nenhuma. Estava jogando as orelhas da coelha, com a coelha junto. Eu só sei, que a coelha foi parar lá longe com suas coisas. Perto de outra toca onde ela já está morando. E a onça está até hoje esperando a coelha sair da toca antiga.


Adaptação de Augusto Pessôa do conto popular
“A ONÇA E A COELHA”

MALASARTES E A HISTÓRIA DE PASSARINHO - conto popular

Outra história do Malasartes.
Agora eu contarei
Essa eu ouvi lá longe.
Em Bom Jesus Del Rei
Pois acredite, minha gente,
O Malasartes por lá andou.
E quando chegou na cidade
Ele assim falou:

- Depois de enganar os fazendeiros safados
Gastei o dinheiro. Estou sem um trocado.
Vim parar nessa terra pra “mode” consegui.
Um dinheirinho fácil pra poder me divertir.
Mas essa estrada não tem uma criatura se quer!
Por aqui não passa bicho, homem ou mulher.

O Malasartes não repara
Num montinho a sua frente.
Um montinho mal-cheiroso
Que espanta toda gente.
O malandro quase pisa
Nesse monte fedorento.
Quando reparou na coisa
Veio-lhe um pensamento:

- Mas olhe que eu estou enganado dessa minha afirmação.
Passou por aqui com certeza um grande porcalhão!
Se bicho, homem ou mulher não posso afirmar.
Mas a prova da passagem aqui deixou ficar.
Deve ter comido em outro lugar
Um farnel gostoso, bom de saborear.
Descomeu aqui no meio da estrada.
Deixando essa porqueira. Coisa mal acabada.
Mas uma idéia me veio desse cocô da estrada.
Vou ganhar um dinheirinho pra gastar com a mulherada.
Deve passar por aqui doutor, bispo e fazendeiro.
Gente boa de enganar e que tem muito dinheiro.
Vou ficar por aqui só a esperar
Não demora muito alguém vai passar.

O quê é que Malasartes
Agora vai aprontar?
Dessa vez eu acho
Ele vai se estrepar.
Cobriu com seu chapéu
O fedorento montinho.
E ficou segurando as abas
Sentado e sozinho.
Eis que surge na estrada
Um moço garboso.
Montado em seu cavalo
Todo limpo e cheiroso.
Era moço muito prosa.
Era besta que só vendo.
Vestido de importante
Ia assim dizendo:

- Sou Moço Doutor. Letrado na capital
Sou muito inteligente, esperto, coisa e tal.
Aqui nessa terra a burrice é geral.
Só tem bobalhão. Só tem capial.
Pois olhe lá! Eu não estou falando.
Sentado na estrada o chapéu segurando.
Que fará esse bobo sentado sozinho?
Fica na estrada atrapalhando o caminho.

O moço se aproximou
E Malasartes olhou de banda.
O doutor foi logo falando
Dizendo quem é que manda:

- Oh, você aí, sentado sozinho.
Que está fazendo? Saia do caminho!

Malasartes muito esperto se fez de bobalhão.
E a conversa foi por aí. Tomou esse rumo então:

- Desculpe atrapalhar, seu Moço Doutor.
Tenho aqui uma jóia. Coisa que é um primor!

- Esse chapéu velho, sujo e encardido.
Isso é primor aonde? Isso é coisa de bandido!

- Não falo do chapéu. Falo do que tem dentro.
Um passarinho lindo. Um verdadeiro talento!

- Pois levante o chapéu e mostre o bichinho.
Quero ver o talento desse passarinho!

- Se o chapéu levantar ele vai voar.
Sem o lindo passarinho eu vou ficar!

- Então ponha o bichinho gaiola adentro.
Pra gente apreciar belezura e talento!

- Mas, seu moço doutor gaiola tenho não.
Só tenho esse chapéu sujo e lambão.

- Pois então vá comprar. Vá comprar agora
Uma boa gaiola pra essa ave canora!

- Se eu pudesse, doutor, bem que ia comprar.
Mas não tenho dinheiro. Não tenho onde arranjar.

- Pois se esse é o problema eu lhe dou o dinheiro.
Quero ver o passarinho cantar bem faceiro.

- Seu Moço Doutor isso pode ficar caro.
É coisa especial. Um passarinho raro.
O bichinho não fica em gaiola qualquer
Tem que ser da boa. A melhor que tiver.

- Pois estou mandando. Chega de zoada.
Quero a melhor gaiola. A mais enfeitada
Bonita e grande. Com poleiro dourado.
Pro lindo passarinho. Soltar seu trinado!

- Se o doutor assim quer. Assim feito será.
Mas segure o chapéu pro pássaro não voar.

Não é que Malasartes
Enrolou o Moço Doutor
Tanta esperteza é arte.
É coisa de professor!
O Doutor Gabola
Do cavalo desmontou.
Sentou no chão
E o chapéu segurou.
Agora vamos saber
Que outra aprontação.
Fará Pedro Malasarte
Para o Doutor Bobão!

- O Doutor segure bem. Vou numa carreira só!
Mas devo demorar. A venda é longe, dá dó.
Indo de pé a pé a estrada fica comprida.
Se tivesse outro jeito de fazer essa corrida!

- Vá no meu cavalo. Veloz e ligeiro.
Aqui nesse bolso você pegue o dinheiro.
Anda logo, matuto, deixa de enrolação.
Quero ver o bichinho soprar uma canção.
Vai depressa, matuto, deixa de moleza.
Quero ver o bichinho cantar que é uma beleza

Malasartes pegou o dinheiro
E no cavalo montou.
Sumiu na estrada
E só poeira deixou.
O moço doutor,
Ainda se achando esperto,
Disse bem alto
Quando não viu ninguém por perto:

- Agora que se foi o bobalhão capial
Vou pegar o passarinho pra cantar no meu quintal!

Assim disse o Doutor
Oh, Doutor bobinho!
Enfiando a mão no chapéu
Pra pegar o passarinho.
Mas teve uma decepção
Ficou só no lamento!
A mão ficou lambrecada
De montinho fedorento.
O Malasartes foi embora.
Sumiu no seu caminho
E o Doutor ficou sem dinheiro
Sem cavalo e passarinho.


Essa história acabou Mas outra vai começar!
Qual é a arte boa? Qual é a arte má?
Que Pedro é Malasartes. Isso ninguém vai negar..
Quem souber conte outra. Pode continuar.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

ADIVINHAS

1 - Dama de branco vestida, quanto mais alegre está tanto mais chora sentida. Pergunto eu, quem será?
Resposta: Vela


2 - Qual o bicho mais parecido com o gato?
Resposta: A gata

3 - O que é, o que é? Que tem o começo da rua, no meio da terra e no fim do mar?
Resposta: A letra R

CONTINHO

Era uma vez um menino triste, magro e barrigudinho, do sertão de Pernambuco. Na soalheira danada de meio dia, ele estava sentado na poeira do caminho, imaginando bobagem, quando passou um gordo vigário a cavalo:
- Você aí, menino, para onde vai essa estrada ?
- Ela não vai não : nós é que vamos nela.
- Engraçadinho duma figa! Como você se chama?
- Eu não me chamo não, os outros é que me chamam de Zé.
Paulo Mendes Campos
Para Gostar de Ler - Vol I . Ed Ática.

UM EMPREGO PARA MALASARTES!!

Diz que o Malasartes depois de enganar um fazendeiro ladino e gastar todo dinheiro que conseguiu, resolveu voltar pra casa. Mas um fato quase mudou seu destino. A mãe do nosso Pedro estava muito doente. Ela estava à beira da morte! A pobre senhora num último fôlego pediu: queria que o filho caçula arrumasse uma ocupação. Um trabalho decente como todo bom cristão. Fez o pedido e foi pra terra dos pés juntos... bateu os canecos... bateu as botas... vestiu paletó de madeira... morreu! Malasartes, então, decidiu arrumar uma ocupação. E foi batendo de porta em porta atrás de emprego. Depois de muito bater e receber muita porta na cara, Malasartes foi até uma fazenda e encontrou uma fazendeira. A mulher perguntou o que ele queria e o Pedro respondeu:
Procuro um trabalho... uma ocupação... um serviço de bom cristão. Será que na sua fazenda não tem um lugar pra mim?
Talvez tenha, mas preciso falar com meu marido! – e ela gritou – Marido!
Apareceu um homenzinho com a cara engraçada. A fazendeira explicou que o Malasartes queria um emprego. O fazendeiro perguntou o que ele sabia fazer e o Pedro respondeu:
Faço qualquer coisa... qualquer ocupação... Sabe, foi um pedido da minha finada mãezinha que eu arrumasse um serviço, um trabalho de bom cristão! Será que o senhor tem um trabalho assim pra mim?
Trabalho até que tem. Não muito, mas tem. Só não tem dinheiro pra pagar. Somos muito pobres...
Trabalho por qualquer coisa. Até por um prato de comida!
Então está bem! Você vai ganhar um bom prato de comida todos os dias!
E Malasartes passou a trabalhar na fazenda! E o patrão que disse que não tinha muito trabalho tratou de inventar um montão! O pobre do Malasartes trabalhava sem cessar! O Patrão só pedindo. Queria isso, aquilo e “aquiloutro”! E o Malasartes correndo de lado a lado. E o Patrão exigindo:
Malasartes! Malasartes! Eu quero isso!
Já vai, patrão!
Agora eu quero aquilo!
Tá aqui, patrão!
Agora eu quero “aquiloutro”!
Já vai, patrão! Tá aqui, patrão!
Agora não quero mais! Demorou muito!
O nosso Pedro estava cansado de tanto trabalhar e quando ia pedir o seu prato de comida a patroa respondia:
Ah, meu filho, não temos nada pra lhe dar... somos muito pobres... só tem esse pãozinho...
E dava para o pobre um pão duro, velho e seco. Que não dava nem pra morder. Assim seguia o Malasartes no seu emprego de bom cristão.
Mas até que chegou o dia que o Pedro trabalhou tanto que ficou com uma sede danada. Foi pedir água na casa e viu, por trás da porta, sua patroa limpando um monte de ouro que tirava de duas sacas cheias. E a mulher dizia assim enquanto esfregava as barras de ouro com um paninho:
- Ai, meu ourinho... meu ourinho vai ficar brilhando! Ai, meu ourinho... meu ourinho vai ficar limpinho! Que beleza! Deixa eu guardar pra ninguém pegar!
O Pedro Malasartes ficou furioso e falou com seus botões:
Que safadeza!Que pouca vergonha! Esses dois se dizendo pobre e tendo esse monte de ouro na mão. E ainda me pagando com aquele pão velho, duro e seco. Minha finada mãezinha, a senhora vai me perdoar, mas esse negócio de serviço de bom cristão não é pra mim, não. Esses safados vão ver com quem tão lidando. Eu sou Pedro Malasartes!
E logo arquitetou um plano: chamou o patrão e disse que não queria mais esse negócio de buscar ISSO, AQUILO e “AQUILOUTRO”. Que preferia ter uma ocupação só! Preferia tomar conta só dos porcos. O patrão não gostou e resmungou:
Você só quer tomar conta dos porcos?
É, patrão! Faz mal?
Bem não faz, mas mal também não chega a fazer! Você pode tomar conta só dos porcos, mas só vamos lhe dar a metade do pão!
Vindo do senhor e da patroa está bem vindo.
E o Malasartes pegou a vara de porcos e foi para bem longe da fazenda. Achou um lugar bonito e ficou por ali com os porcos só esperando. Daí a pouco apareceu um rico fazendeiro que se encantou com os porcos:
Que belezura de porcos!
O senhor gostou? – perguntou o Pedro – Eu também gosto muito dos meus bichinhos!
São seus?
São meus desde que nasceram! – disse o Malasartes com a maior cara lavada – Eu adoro meus porquinhos!
E o senhor não vende?
Vender os meus porquinhos? Acho que não, doutor!
Venda! Pago bom preço por eles!
Mas eu vou sentir tanto a falta deles... só se eu ficasse com uma recordação...
Que recordação? – se espantou o fazendeiro rico.
O senhor quer os porquinhos para criar ou para matar?
Para matar e vender a carne!
Pois então eu vendo os porquinhos, mas sem o rabo. Vou ficar com os rabinhos de recordação!
Como é que é?
O senhor não vai vender as carnes... o rabinho não vai fazer falta! E eu fico com uma recordação dos meus bichinhos! Só vendo assim!
O Fazendeiro rico achou aquilo muito esquisito, mas topou fazer o negócio, Deu muito dinheiro para o Malasartes. O malandro pegou um canivetinho e cortou o rabinho de todos os porcos. O novo dono dos porcos foi embora e o Malasartes enfiou os rabinhos num canteiro de terra e saiu correndo para fazenda chamando pelo patrão. E o homem apareceu espantado:
Que foi, criatura?
Os porquinhos! – disse o Malasartes quase sem fôlego.
Que você fez com meus porquinhos?
Os bichinhos tão se enterrando!
Que é isso? Que besteira é essa?
É verdade, patrão! Os bichinhos foram com as patinhas assim na terra... Roinc... Roinc... Roinc...Depois os focinhos... Roinc... Roinc... Roinc...E foram entrando na terra! Olha lá, patrão! Só estão os rabinhos de fora!
O Fazendeiro pôs as mãos na cabeça e gritou desesperado:
Ai, que é verdade mesmo! O quê é que a gente faz, homem?
Tem que desenterrar eles!
Corre lá na casa e pede pra fazendeira uma pá!
Só uma?
Não. Pega logo duas!
Duas. Tem certeza? São as duas?
Tenho, homem de Deus, pega as duas!
O Malasartes saiu na maior carreira. Chegou na fazenda, tomou fôlego e chamou a fazendeira na maior calma. A Fazendeira apareceu com sua cara emburrada:
Que é, homem de Deus?! Você quer mais comida?
Não é isso não, patroa! É que o patrão mandou a senhora me dar as duas sacas de ouro!
Como é que é? Você está é doido!
Eu não sei de nada, Patroa. O Patrão que mandou...A senhora quer ver?
E o Malasartes gritou para o patrão de longe:
São as duas, né? As duas!
E o fazendeiro sem saber de nada respondeu:
É! As duas!
A Fazendeira nem acreditava no que estava vendo. Deu as sacas de ouro para o Malasartes e o malandro foi embora. O Fazendeiro e sua mulher nunca mais viram o ouro, nem os porcos, nem o Pedro Malasartes. E acabou a história!!
Adaptação de Augusto Pessôa