Uma senhora viúva tinha uma filha de dez anos, que se chamava Laura que era a sua alegria. Sempre que se aproximava o dia do aniversário da menina, a mãe a levava para a cidade e escolhia um presente bem bonito para a filha. Quando fez onze anos, Laura quis muito um guarda-chuva vermelho que viu na vitrine de uma loja. A mãe comprou e deu de presente para a filha.
Laura gostava muito de um vizinho que tinha a sua idade. Todo mundo dizia que eles eram namorados. Sempre que saia de casa para encontrar com o menino, ela levava o guarda-chuva. O pessoal da vizinhança começou a chamá-la de Chapelinho Vermelho.
Uma vez a mãe de Laura preparou um bolo e pediu que a filha levasse até a casa de sua vovó. A casa ficava na beira da floresta. A viúva recomendou a filha que fosse pelo caminho sem se desviar, porque na floresta tinha um grande perigo. Laura tomou o bolo e de início atendeu a recomendação da mãe. Mas logo viu uma borboleta azul que era uma beleza e correu atrás dela. A borboleta voou para a floresta e Chapelinho Vermelho foi atrás até um recanto onde se deparou com um vulto estranho. Era um lobo que logo se aproximou, perguntando o que Laura fazia ali. A menina respondeu que levava um bolo para a sua avó e vendo uma borboleta, seguiu-a até aquele lugar. O lobo pensou: “Essa menina é que é um bolo bom de comer”. E falou para Chapelinho:
- Diga uma coisa menina: sua avó mora só?
E a menina prontamente respondeu:
- Sim, senhor!
- E você quando lá chegar como faz para ela abrir a porta?
- Eu bato e ela pergunta: - Quem está ai? Respondo: - É Chapelinho Vermelho, sua neta, que vem trazendo um bolo que a mamãe mandou. Vovó diz então: A chave está por baixo da porta, presa ao cordão cuja ponta se vê de fora. Eu abro a porta e entro, porque minha vovó tem dificuldade de levantar da cama. Agora o senhor me dê licença que tenho que seguir no meu caminho...
E o lobo falou:
- Mas não vá por aí que o caminho é muito feio! Vá por esse outro que vai encontrar borboletas mais bonitas!
O lobo apontou um outro caminho, bem mais comprido, que a menina seguiu sem pestanejar. O lobo partiu pela floresta como uma flecha, até chegar a casa da avó de Laura. O bicho bateu na porta. E de dentro veio aquela voz fraquinha de velhinha:
- Quem está ai?
O lobo, imitando a voz de Laura, respondeu:
É Chapelinho Vermelho, sua neta, que vem trazendo um bolo que a mamãe mandou!
A chave está por baixo da porta, presa ao cordão cuja ponta se vê de fora, minha neta!
O lobo entrou e engoliu a pobre da velha inteirinha! Satisfeito, vestiu as roupas da avó e deitou na cama cobrindo-se o melhor que pôde. Passou um tempo e Chapelinho Vermelho chegou. Depois das perguntas e respostas costumeiras, entrou, ignorando tudo que tinha passado com a velha, não tendo, entretanto fechado, por esquecimento, a porta da rua.
Ao entrar, pôs o bolo em cima de um móvel e notando que a avó estava toda enrolada na cama, perguntou:
- Vovó, você parece que está com muito frio?
O lobo disfarçou mais uma vez a voz:
- Muito frio, minha neta.
- Vovó, por que é que você está com as orelhas tão compridas?
- É para te ouvir bem, minha neta!
- E por que esses olhos tão grandes?
- É para te ver melhor, minha neta!
- E por que, vovó, essa boca tão grande?
- É para te devorar!!
E o lobo pulou em cima de Laura e a engoliu inteira, como tinha feito com a velha avó. Depois deitou na cama e dormiu com aquele barrigão enorme para cima.
Perto dali morava um caçador. Passando por perto da casa, quase sempre via a avó da menina na janela e com ela conversava. Mas naquela tarde olhou e não viu a boa senhora. Ficou intrigado e foi ver o que estava acontecendo. Encontrou a porta aberta e entrou. Deu de cara com o lobo deitado na cama com o barrigão pra cima. O caçador viu logo o que tinha acontecido. Pegou o seu facão e abriu a barriga do lobo. E de dentro da barriga saíram Laura e a avó. Vivinhas! Só com um pouco de falta de ar. O caçador colocou umas pedras pesadas na barriga do lobo e costurou. Depois acordou o lobo com um susto. O bicho tentou sair correndo, mas não conseguia por causa das pedras. Foi se arrastando até um riacho. Caiu nas águas e se afogou.
Chapelinho Vermelho e o caçador levaram a boa senhora que ficou desde então morando com a filha e a neta. Depois que soube da história toda, o vizinho de Laura falou pra menina:
- Você ficou mais bonita depois que o lobo te comeu!
E todos viveram felizes por muitos e muitos anos.
Adaptação de Augusto Pessôa do conto popular “CHAPELINHO VERMELHO”
Laura gostava muito de um vizinho que tinha a sua idade. Todo mundo dizia que eles eram namorados. Sempre que saia de casa para encontrar com o menino, ela levava o guarda-chuva. O pessoal da vizinhança começou a chamá-la de Chapelinho Vermelho.
Uma vez a mãe de Laura preparou um bolo e pediu que a filha levasse até a casa de sua vovó. A casa ficava na beira da floresta. A viúva recomendou a filha que fosse pelo caminho sem se desviar, porque na floresta tinha um grande perigo. Laura tomou o bolo e de início atendeu a recomendação da mãe. Mas logo viu uma borboleta azul que era uma beleza e correu atrás dela. A borboleta voou para a floresta e Chapelinho Vermelho foi atrás até um recanto onde se deparou com um vulto estranho. Era um lobo que logo se aproximou, perguntando o que Laura fazia ali. A menina respondeu que levava um bolo para a sua avó e vendo uma borboleta, seguiu-a até aquele lugar. O lobo pensou: “Essa menina é que é um bolo bom de comer”. E falou para Chapelinho:
- Diga uma coisa menina: sua avó mora só?
E a menina prontamente respondeu:
- Sim, senhor!
- E você quando lá chegar como faz para ela abrir a porta?
- Eu bato e ela pergunta: - Quem está ai? Respondo: - É Chapelinho Vermelho, sua neta, que vem trazendo um bolo que a mamãe mandou. Vovó diz então: A chave está por baixo da porta, presa ao cordão cuja ponta se vê de fora. Eu abro a porta e entro, porque minha vovó tem dificuldade de levantar da cama. Agora o senhor me dê licença que tenho que seguir no meu caminho...
E o lobo falou:
- Mas não vá por aí que o caminho é muito feio! Vá por esse outro que vai encontrar borboletas mais bonitas!
O lobo apontou um outro caminho, bem mais comprido, que a menina seguiu sem pestanejar. O lobo partiu pela floresta como uma flecha, até chegar a casa da avó de Laura. O bicho bateu na porta. E de dentro veio aquela voz fraquinha de velhinha:
- Quem está ai?
O lobo, imitando a voz de Laura, respondeu:
É Chapelinho Vermelho, sua neta, que vem trazendo um bolo que a mamãe mandou!
A chave está por baixo da porta, presa ao cordão cuja ponta se vê de fora, minha neta!
O lobo entrou e engoliu a pobre da velha inteirinha! Satisfeito, vestiu as roupas da avó e deitou na cama cobrindo-se o melhor que pôde. Passou um tempo e Chapelinho Vermelho chegou. Depois das perguntas e respostas costumeiras, entrou, ignorando tudo que tinha passado com a velha, não tendo, entretanto fechado, por esquecimento, a porta da rua.
Ao entrar, pôs o bolo em cima de um móvel e notando que a avó estava toda enrolada na cama, perguntou:
- Vovó, você parece que está com muito frio?
O lobo disfarçou mais uma vez a voz:
- Muito frio, minha neta.
- Vovó, por que é que você está com as orelhas tão compridas?
- É para te ouvir bem, minha neta!
- E por que esses olhos tão grandes?
- É para te ver melhor, minha neta!
- E por que, vovó, essa boca tão grande?
- É para te devorar!!
E o lobo pulou em cima de Laura e a engoliu inteira, como tinha feito com a velha avó. Depois deitou na cama e dormiu com aquele barrigão enorme para cima.
Perto dali morava um caçador. Passando por perto da casa, quase sempre via a avó da menina na janela e com ela conversava. Mas naquela tarde olhou e não viu a boa senhora. Ficou intrigado e foi ver o que estava acontecendo. Encontrou a porta aberta e entrou. Deu de cara com o lobo deitado na cama com o barrigão pra cima. O caçador viu logo o que tinha acontecido. Pegou o seu facão e abriu a barriga do lobo. E de dentro da barriga saíram Laura e a avó. Vivinhas! Só com um pouco de falta de ar. O caçador colocou umas pedras pesadas na barriga do lobo e costurou. Depois acordou o lobo com um susto. O bicho tentou sair correndo, mas não conseguia por causa das pedras. Foi se arrastando até um riacho. Caiu nas águas e se afogou.
Chapelinho Vermelho e o caçador levaram a boa senhora que ficou desde então morando com a filha e a neta. Depois que soube da história toda, o vizinho de Laura falou pra menina:
- Você ficou mais bonita depois que o lobo te comeu!
E todos viveram felizes por muitos e muitos anos.
Adaptação de Augusto Pessôa do conto popular “CHAPELINHO VERMELHO”
