AUGUSTO PESSÔA - CONTADOR DE HISTÓRIAS - (BRASIL)

Minha foto
Ator, Cenógrafo, Figurinista, Arte Educador Dramaturgo e Contador de Histórias. Bacharelado em Artes Cênicas (Habilitação em Interpretação e Habilitação em Cenografia) pela UNI-RIO - Universidade do Rio de Janeiro.

A PANQUECA FUGITIVA, O RESMUNGÃO E OUTROS CONTOS NÓRDICOS

A PANQUECA FUGITIVA, O RESMUNGÃO E OUTROS CONTOS NÓRDICOS

HISTÓRIAS DE NATAL

HISTÓRIAS DE NATAL
livro de contos populares adaptados e ilustrados por Augusto Pessõa - Ed. Escrita Fina (2010)

HISTÓRIAS DE BRUXAS - livro

HISTÓRIAS DE BRUXAS - livro
Clique na imagem para conhecer o livro e a Editora LIVROS ILIMITADOS. Você pode adquir um exemplar do livro de Augusto Pessôa e conhecer outras publicações da editora.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O URUBU E O GAVIÃO - conto popular

Diz que o gavião estava voando de uma forma magnífica pelos céus. De um jeito que só ele sabe fazer quando viu lá embaixo o urubu. A ave preta estava muito triste e o garboso gavião se aproximou:
- O que houve, compadre urubu? Porque essa tristeza toda??
E o urubu no seu desalento foi falando:
- Ah, amigo gavião, e não é pra ficar triste? Tô com fome e não tenho nada pra comer!
E o gavião começou a zombar do urubu:
- Ora, que bobagem! Mas porque o amigo não faz como eu que sou forte e poderoso? Tem que sair voando por aí para encontrar comida!!
E o urubu explicou:
- Compadre, eu não sou como o senhor! Só como o bicho morto e frio! Só como se Deus permite!
E o gavião continuou a zombaria:
- Pois perde tempo esperando! Tem que fazer como eu que saio voando por aí e encontro caça viva e com sangue quente! Comer carne morta e fria? Que nojo!!
E o urubu resignado:
- Cada um como Deus fez!
O gavião se emplumou todo e respondeu:
- Pois fique por aí esperando sua comida que eu vou me fartar!
E o gavião saiu voando todo empolgado deixando o urubu quase morto de fome. O garboso caçador foi pelo céu e logo encontrou um bando de rolinhas. Mirou na mais gordinha delas e chispou no ataque. A rolinha era gorda, mas era esperta. Saiu fugindo na maior disparada. E o gavião atrás da rolinha e a pobre fugindo de seu caçador. Até que a avezinha viu uma árvore com um buraco bem no meio. A pequena bateu mais forte as asas e foi seguida pelo gavião. A rolinha passou direto pelo buraco, mas o gavião, que de tão acelerado não conseguiu desviar, entrou direto no buraco e, por ser maior, ficou preso. Todo machucado tentou se livrar daquela prisão, mas não conseguiu.
Lá onde estava, o urubu começou a pensar. Talvez o gavião tivesse razão. Ficando ali parado ele não conseguiria nada. Meio fraco, o coitado saiu voando. Ia assim, sem ter sucesso, até que passou pela árvore onde estava preso o gavião. O prisioneiro pediu desesperado:
- Compadre urubu, me ajude!
- Mas ajudar o senhor? O senhor que é tão forte e poderoso!
- Estou preso! Se o senhor me salvar a gente pode caçar junto!
- Compadre, como já lhe disse antes: só como o que Deus me dá! Morto e frio! Por isso... esfrie, compadre! Esfrie!
O urubu ficou voando por ali esperando a hora de se alimentar.

Adaptação de Augusto Pessôa de conto popular
narrado por José Raimundo dos Santos em Vitória da Conquista (BA)

CHICO PREGUIÇA - conto popular

Diz que tinha um rapaz chamado Chico. O povo da aldeia onde ele morava achava que ele devia ser um rapaz bonito, mas ninguém sabia. Porque o Chico era preguiçoso! Tinha preguiça de cortar o cabelo e andava com ele comprido. Tinha preguiça também de fazer a barba e andava com ela grande. A barba e o cabelo. Compridos e sujos, por que ele tinha preguiça de tomar banho. Tinha preguiça de trocar de roupa e andava lambudo e rasgado que dava pena de ver. Por isso o povo o chamava de Chico Preguiça. E a fama do Preguiça corria por toda aldeia e todo o reino.
O pai brigava com ele:
- Meu filho vá procurar o que fazer! Seus irmãos trabalham na pesca e você fica em casa sem fazer nada!
Mas o Chico Preguiça não tinha jeito. Um dia o pai brigou tanto com ele que o Chico foi com os irmãos para pesca. Os irmãos foram na frente e ele atrás arrastando o pé. Quando o Preguiça foi chegando na praia os irmãos já tinham saído para o mar. A praia era linda. O castelo do Rei ficava bem na beira da praia. E nesse dia a praia estava mais bonita ainda. A maré baixou e deixou a praia cheia de piscinas pequenas. O Chico foi andando na areia e passou bem embaixo de uma janela do castelo do Rei. Nessa janela estava a Princesa. A Princesa era linda que dava gosto de ver. Mas o que ela tinha de linda, tinha de implicante. Ela conhecia a fama do Preguiça. e começou a zombar dele:
- Oh, Preguiçoso! Oh, Chico Preguiça! Vai procurar o que fazer criatura!
O Chico não estava gostando daquela falação da Princesa, mas ela continuava a zombaria:
- Vai tomar um banho seu porco! Catinguento!
O Chico não estava gostando mesmo daquilo. Ele sentou do lado de uma das piscinas da praia e ficou olhando para aquele pedacinho de água. Justamente uma piscina que tinha um peixinho preso. O peixinho não percebeu que a maré estava baixando e ficou aprisionado na piscina. E a Princesa castigava na zombaria:
- Vai ficar aí sentado, Preguiça? Tem vergonha não? Preguiçoso! Nojento!
O Chico Preguiça já estava irritado com aquilo e deu um tapa na água pra mostrar a sua irritação. Deu o tapa justamente quando o peixinho ia passando e ele conseguiu pegar o peixe com a maior facilidade. Ficou olhando para aquele peixe sem saber o que fazer com ele. E a Princesa continuava:
- Larga esse peixe, Preguiça! Não vai fazer nada com ele mesmo!
O Chico estava com vontade de dar uma lição na Princesa quando aconteceu uma coisa tão estranha: o peixinho falou com o Chico Preguiça. E falou assim:
- Seu Chico, não me faça mal, não! Se o senhor me libertar e vou atender a qualquer pedido seu!
- E como há de ser isso? – perguntou o Chico.
- O senhor me liberta! Quando precisar de alguma coisa e só falar assim: Por Deus, pelo mar e por meu peixinho eu quero isso! E aí eu lhe atendo!
O Chico não acreditou muito naquilo, mas com ele não tinha nada a perder foi andando devagar até o mar pra libertar o peixinho. E a Princesa na janela do castelo continuava a zombaria:
- Seu porqueira! Deixe esse peixe em paz, criatura! Vai fazer o que no mar? Vai se afogar?
O Chico libertou o peixe no mar e resolveu testar para ver se era verdade falando assim:
- Por Deus, pelo mar e por meu Peixinho eu quero que a Princesa tenha um filho meu!
Foi ele falar isso, a Princesa logo sentiu uma coisa estranha... Uma coisa muito esquisita mesmo... Uma palpitação... Um enjôo... E começou a ter desejo. Chamou o Rei seu pai e pediu:
- Meu pai, eu estou enjoada, mas com muita vontade de comer uma coisa. Mas muita vontade mesmo. Quero comer melancia temperada com bastante cebola!
O Rei estranhou, mas mandou preparar o prato. Depois de comer, a Princesa continuava com desejo:
- Meu pai eu continuo enjoada, mas quero comer um sorvete. Eu estou com muita vontade de comer um sorvete! Mas eu quero sorvete de jiló!
E era cada pedido esquisito que o Rei desconfiou: a Princesa está com desejo? Com enjôo? Deve estar esperando criança. Mandou chamar os sábios da corte que fizeram os exames e constataram que a Princesa estava mesmo grávida. O Rei ficou furioso. Queria por que queria saber quem era o pai do filho da Princesa. E a jovem só chorava porque ela não sabia o que responder. A Princesa chorou tanto que o Rei se convenceu que sua filha não sabia quem era o pai da criança. Ele chamou novamente os sábios do reino e pediu que o ajudassem. Os sábios pensaram... pensaram... e assim falaram:
- Senhor Rei, o senhor deve esperar essa criança nascer! Depois que nascer, o senhor deve esperar que a criança comece a engatinhar. Quando já estiver engatinhando, o senhor deve convocar todos os homens do reino. Coloque a criança sentada no chão e vá formando os homens do reino em fila na frente do bebê. Quando a criança for engatinhando e se enroscar nas pernas de um dos homens, esse é o pai do filho de sua filha!
O Rei não gostou nada daquilo, mas... que jeito! Teve que esperar!
Passou um tempo e a Princesa teve um menino lindo. Passou mais um tempo e o menino começou a engatinhar. O Rei então convocou todos os homens do reino. Primeiro os nobres foram enfileirados diante do bebê e... Nada! A criança nem se mexia! Depois os guerreiros... Depois os sábios... Depois os ricos... Depois os pobres... Os miseráveis... Os mendigos... E nada! A criança nem se mexia! O Rei já estava desesperado:
- Não tem mais homem nesse reino?
E alguém lembrou do Chico Preguiça. E o Rei mandou buscarem o Preguiça. E foram os soldados até a casa do pai do Chico. O pai do Preguiça quando soube o que os guardas queriam com seu filho morreu de rir:
- Mas logo o meu Chico vai ser o pai do filho da Princesa! Um camarada que não sai de casa! Que não toma nem banho! O que a Princesa iria querer com ele?
O Chico, que estava no quarto e ouviu o pai falar, ficou pensando. O pai tinha razão. Ele era muito lambudo. E o Chico falou assim:
- Por Deus, pelo mar e por meu peixinho eu quero ficar limpo, cheiroso e arrumado!
E aconteceu: o Preguiça ficou cheiroso e limpo. O cabelo muito bem penteado e sedoso. A barba bem feita. O rosto tão bonito que chegava a brilhar. Dava gosto de ver. Vestido com um casaco de veludo, camisa de seda e botas de pelica. No dedo um anel com um diamante enorme. Assim o Chico apareceu diante dos guardas e de seu pai. O velho nem acreditou:
- Mas esse aí que é meu filho? Que belezura!
E o Chico foi para o castelo escoltado pelos guardas. O povo nem acreditava quando ele passava tão bonito e garboso. O Preguiça chegou no castelo e o colocaram diante da criança. E o bebê foi engatinhando... Foi engatinhando... E se enroscou nas pernas do Chico. O povo deu vivas! Foi aquela festa! Mas o Rei não achou a menor graça daquilo. Ele queria saber como o Chico tinha feito o filho na Princesa. E o Preguiça explicou:
- Senhor meu Rei, desejei que sua filha tivesse um filho meu e assim aconteceu!
O povo deu muita risada. Mas o Rei ficou furioso:
- Você está de brincadeira comigo, Preguiça? Não é assim que se faz um filho!
E o Chico explicou que quando ele desejava as coisas aconteciam, mas o Rei não queria acreditar. E o Preguiça teve uma idéia: mostrou o seu anel de diamante para todo mundo e disse:
- Pois eu vou desejar que esse meu anel vá parar no bolso do senhor meu Rei! – e falou baixinho para ninguém ouvir – Por Deus, pelo mar e por meu peixinho eu quero que meu anel vá para o bolso do Rei.
Foi ele falar isso e o Rei sentiu aquele peso no bolso. O Monarca meteu a mão e tirou do bolso o anel. Foi aquela festa! O Chico casou com a Princesa que ficou contente de casar com um moço tão bonito e garboso e eles foram felizes como Deus com os anjos. Felizes para sempre.
Adaptação de Augusto Pessôa

sábado, 14 de novembro de 2009

O CHAPELINHO VERMELHO

Uma senhora viúva tinha uma filha de dez anos, que se chamava Laura que era a sua alegria. Sempre que se aproximava o dia do aniversário da menina, a mãe a levava para a cidade e escolhia um presente bem bonito para a filha. Quando fez onze anos, Laura quis muito um guarda-chuva vermelho que viu na vitrine de uma loja. A mãe comprou e deu de presente para a filha.
Laura gostava muito de um vizinho que tinha a sua idade. Todo mundo dizia que eles eram namorados. Sempre que saia de casa para encontrar com o menino, ela levava o guarda-chuva. O pessoal da vizinhança começou a chamá-la de Chapelinho Vermelho.
Uma vez a mãe de Laura preparou um bolo e pediu que a filha levasse até a casa de sua vovó. A casa ficava na beira da floresta. A viúva recomendou a filha que fosse pelo caminho sem se desviar, porque na floresta tinha um grande perigo. Laura tomou o bolo e de início atendeu a recomendação da mãe. Mas logo viu uma borboleta azul que era uma beleza e correu atrás dela. A borboleta voou para a floresta e Chapelinho Vermelho foi atrás até um recanto onde se deparou com um vulto estranho. Era um lobo que logo se aproximou, perguntando o que Laura fazia ali. A menina respondeu que levava um bolo para a sua avó e vendo uma borboleta, seguiu-a até aquele lugar. O lobo pensou: “Essa menina é que é um bolo bom de comer”. E falou para Chapelinho:
- Diga uma coisa menina: sua avó mora só?
E a menina prontamente respondeu:
- Sim, senhor!
- E você quando lá chegar como faz para ela abrir a porta?
- Eu bato e ela pergunta: - Quem está ai? Respondo: - É Chapelinho Vermelho, sua neta, que vem trazendo um bolo que a mamãe mandou. Vovó diz então: A chave está por baixo da porta, presa ao cordão cuja ponta se vê de fora. Eu abro a porta e entro, porque minha vovó tem dificuldade de levantar da cama. Agora o senhor me dê licença que tenho que seguir no meu caminho...
E o lobo falou:
- Mas não vá por aí que o caminho é muito feio! Vá por esse outro que vai encontrar borboletas mais bonitas!
O lobo apontou um outro caminho, bem mais comprido, que a menina seguiu sem pestanejar. O lobo partiu pela floresta como uma flecha, até chegar a casa da avó de Laura. O bicho bateu na porta. E de dentro veio aquela voz fraquinha de velhinha:
- Quem está ai?
O lobo, imitando a voz de Laura, respondeu:
É Chapelinho Vermelho, sua neta, que vem trazendo um bolo que a mamãe mandou!
A chave está por baixo da porta, presa ao cordão cuja ponta se vê de fora, minha neta!
O lobo entrou e engoliu a pobre da velha inteirinha! Satisfeito, vestiu as roupas da avó e deitou na cama cobrindo-se o melhor que pôde. Passou um tempo e Chapelinho Vermelho chegou. Depois das perguntas e respostas costumeiras, entrou, ignorando tudo que tinha passado com a velha, não tendo, entretanto fechado, por esquecimento, a porta da rua.
Ao entrar, pôs o bolo em cima de um móvel e notando que a avó estava toda enrolada na cama, perguntou:
- Vovó, você parece que está com muito frio?
O lobo disfarçou mais uma vez a voz:
- Muito frio, minha neta.
- Vovó, por que é que você está com as orelhas tão compridas?
- É para te ouvir bem, minha neta!
- E por que esses olhos tão grandes?
- É para te ver melhor, minha neta!
- E por que, vovó, essa boca tão grande?
- É para te devorar!!
E o lobo pulou em cima de Laura e a engoliu inteira, como tinha feito com a velha avó. Depois deitou na cama e dormiu com aquele barrigão enorme para cima.
Perto dali morava um caçador. Passando por perto da casa, quase sempre via a avó da menina na janela e com ela conversava. Mas naquela tarde olhou e não viu a boa senhora. Ficou intrigado e foi ver o que estava acontecendo. Encontrou a porta aberta e entrou. Deu de cara com o lobo deitado na cama com o barrigão pra cima. O caçador viu logo o que tinha acontecido. Pegou o seu facão e abriu a barriga do lobo. E de dentro da barriga saíram Laura e a avó. Vivinhas! Só com um pouco de falta de ar. O caçador colocou umas pedras pesadas na barriga do lobo e costurou. Depois acordou o lobo com um susto. O bicho tentou sair correndo, mas não conseguia por causa das pedras. Foi se arrastando até um riacho. Caiu nas águas e se afogou.
Chapelinho Vermelho e o caçador levaram a boa senhora que ficou desde então morando com a filha e a neta. Depois que soube da história toda, o vizinho de Laura falou pra menina:
- Você ficou mais bonita depois que o lobo te comeu!
E todos viveram felizes por muitos e muitos anos.

Adaptação de Augusto Pessôa do conto popular “CHAPELINHO VERMELHO”

JOÃO E MARIA

Diz que era uma vez um lenhador muito pobre, vivendo com a mulher e os dois filhos numa casinha no meio das floresta. As crianças se chamavam João e Maria. Apesar do lenhador ser muito trabalhador a família passava fome. Numa noite, depois da ceia, a mulher disse que não tinha coisa alguma que comer na manhã do outro dia. O homem começou a pensar e acabou dizendo:
- Não vale a pena eu estar com meus filhos junto comigo para que morram de fome! É melhor deixar os dois na mata. Pode ser que encontrem uma alma caridosa e Deus tenha pena deles!
A mulher não disse sim nem não.
João ouviu a conversa do pai e compreendeu tudo. Pela manhã o lenhador mandou que os dois filhos se vestissem e o acompanhassem para pegar lenha. João levou o bolso cheio de pedrinhas brancas do terreiro da casa. Iam andando, andando, e aqui e acolá o menino punha uma pedrinha de sinal. Perto do meio-dia o lenhador parou e disse:
- Fiquem aqui descansando que eu vou procurar mel. Quando ouvirem um assobio alto, sou eu! Vocês devem ir atrás do assobio! Entenderam?
O homem disse o que disse e sumiu na mata escura. João e Maria esperaram por muito tempo e nada de ouvir o assobio alto. Finalmente o menino disse que estava ouvindo qualquer coisa parecida com que o pai dissera. Foram procurar e não encontraram nada.
- Estamos perdidos!
Disse Maria já começando a chorar. Mas João respondeu:
- Vamos voltar pra casa!
Botaram o pé no caminho, olhando as pedrinhas e lá para tantas da noite chegaram em casa. O lenhador e sua mulher estavam jantando porque um devedor pagou a conta e eles tinham dinheiro para vários dias. Os pais ficaram felizes com a volta dos filhos e foram dormir.
Quando o dinheiro acabou e a fome apareceu, o lenhador voltou a ter a idéia de deixar os dois filhos no meio da mata. João não pode apanhar as pedrinhas brancas porque a porta estava fechada e a chave tirada. Guardou o pão que recebeu para a marcha e, quando amanheceu, os três seguiram viagem. João ia ficando atrás e espalhava pedacinhos de pão. Os passarinhos comeram as migalhas de pão. Perto do meio dia aconteceu a mesma coisa como da vez passada. O lenhador foi pegar mel e quando os filhos o procuraram não encontraram nada. O menino quis voltar, mas não viu mais os pedacinhos de pão. Ficou triste, mas não perdeu a coragem.
Andaram que andaram. Quando ia escurecendo, João subiu numa árvore enorme. Lá de cima viu, ao longe, uma fumacinha. Desceu mais que depressa, e foi na direção levando a irmã.
Encontraram uma casa muito bonita. Chegando para mais perto as duas crianças viram que a casinha era feita de bolo e as janelas de açúcar. Joãozinho quebrou um pedaço e entregou a Maria e pegou outro. De dentro da casa uma voz perguntou:
- Quem está bulindo aí'?
As crianças tentaram se esconder, mas apareceu uma velha.
- Ah! São vocês, meus netinhos? Tão bonitinhos e magrinhos! Entrem. . .
Era uma velha muito feia e seca. Parecia uma vassoura vestida. As crianças entraram e a velha, que era uma feiticeira, deu um jantar gostoso e depois levou os dois para um quarto onde tinha de um tudo. As crianças dormiram. De manhã bem cedo a velha pegou João e colocou dentro de uma gaiola. Voltou e acordou Maria.
- Acorda, preguiçosa!! Você vai trabalhar pra mim!
A menina ficou trabalhando e a velha alimentava os dois. Ela queria engordar as crianças para fazer um assado e comer. O garoto era esperto e percebeu o que a velha queria. Arrumou dois rabinhos de lagartixa. Deu um para Maria e ficou com o outro. Todas as vezes que a velha dava comida e perguntava como eles estavam, as crianças respondiam:
- Vamos bem!
- Mostre o dedinho! - pediu a feiticeira.
As crianças mostravam os rabinhos de lagartixa e a velha, que era meio cega, apalpava e dizia:
- Tão magrinhos! Tem que comer mais, meus netinhos!
O tempo foi passando e as crianças engordando. Mas Maria, que era meio tonta, perdeu o rabo da lagartixa e quando a velha pediu que mostrassem o dedinho, a menina mostrou o mindinho. A velha apalpou e lambeu os beiços:
- Estão no ponto! Ainda bem! Vamos preparar uma fogueira para dançar!
Assim mesmo foi. A velha soltou João da gaiola e acendeu uma fogueira que dava para assar dois bois. Depois chamou os meninos e falou:
- Dancem em volta da fogueira, meus netinhos!
João respondeu:
- Vovó, a gente não sabe dançar! Dança pra gente ver!
A bruxa reclamou:
- Mas vocês não sabem fazer nada!!
A velha começou a dançar. Os meninos a empurraram. A velha caiu dentro da fogueira. Ela começou a gritar como uma desesperada:
- Água, meus netinhos! Tragam água!!
- Azeite, senhora avó! - respondiam eles.
E a velha dentro da fogueira... espocou!
De repente os passarinhos entraram dentro da casa e levaram João e Maria para um quarto. No quarto encontraram muitas riquezas: roupas, pedras preciosas e muita comida e bebida.
Encheram umas malas com o tesouro e os passarinhos conduziram os dois para a casa dos pais. O lenhador, muito arrependido, ficou quase doido de contente, e abraçou os filhos chorando. A mãe nem falavam de tanta alegria. Ficaram todos ricos e felizes. E acabou a história.

Adaptação de Augusto Pessôa

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A ONÇA E A COELHA - conto popular

A onça tinha um filhotinho lindo. Um bichinho gordinho. Com a cara redondinha que dava gosto de olhar. Mas a onça tinha também um problema: precisava viajar, uns dois meses mais ou menos, e não tinha com quem deixar seu filhote. Foi procurar babá. Encontrou com o papagaio.
- Oh, papagaio! Estou precisando de babá. Vou viajar uns dois meses mais ou menos. Você toma conta do meu filhote e quando eu voltar a gente acerta o preço.
Papagaio que não era bobo, respondeu:
- Ah, onça, papagaio só sabe fala! Não sabe negócio de ser babá!!
Papagaio não era bobo mesmo. Ele sabia que fazer negócio com a onça era terminar no bucho dela. Mas a coelha, que tinha umas orelhas branquinhas que pareciam chinelinhas de algodão, se interessou pela história:
- Dona onça vai viaja?
- Vô, coelha!
- Uns dois meses mais ou menos?
- É, coelha!
- Tá precisando de babá?
- Tô, coelha!
- Pois dona onça encontrou a babá. Sou uma babá excelente. Cuido de tudo que é bicho. A senhora leva seu filhotinho para minha toca, junto com comida para dois meses mais ou menos. Quando a senhora voltar a gente acerta o preço.
A onça ficou satisfeita já pensando em jantar a coelha quando voltasse da viagem. No dia acertado, a onça levou o filhote para a toca da coelha com comida não para dois, nem para três, mas para quatro meses mais ou menos. Deixou tudo lá e foi embora. E nem bem foi, já voltou. Por que o tempo passa depressa e dois meses mais ou menos passam num susto. Chegou e foi bater na toca da coelha.
- Coelha, já cheguei!Cadê meu filhotinho?
E a coelha lá debaixo, respondeu:
- Já chegou, onça! Já vou lhe dar seu filhote!
E a onça esfregando as mãos e lambendo os beiços disse:
- E sai você também pra gente acertar o pagamento!!
A coelha botou o filhote da onça para fora da toca. E a onça quase teve um treco. O bichinho que era gordinho que dava gosto de olhar, veio magrinho e com a cara chupadinha que dava pena de ver.
- Coelha, o que você fez com o meu filhote? Cadê a comida que eu deixei pra ele?
A coelha saiu da toca, gorda, balançando a pança e as orelhas que pareciam chinelinhas de algodão.
- A comida tá aqui, onça!!! Eu comi!!
A onça ficou louca. Pulou em cima da coelha, mas a orelhada foi mais rápida e entrou na toca. A toca era pequena e a onça não conseguia entrar.
- Sai, coelha! Sai que eu vou acabar contigo!!
- Calma, onça. Vamos conversar.
- Não tem conversa, coelha! Sai que eu vou acabar contigo!!
- Onça, é conversando que a gente se entende...
- Não tem conversa, coelha! Sai que eu vou acabar contigo!!
A coelha viu que não tinha jeito. Mas teve uma idéia e disse:
- Onça, já que você vai acabar comigo eu vou arrumar as coisas por aqui. Vou tirar meus cacarecos para quem quiser usar minha toca já encontre tudo vazio. E você vai me ajudar.
- Não quero assunto, coelha! Sai logo!!
- Olha, pega aí minha rede. Mas cuidado, que eu gosto muito dela.
A onça pegou a rede e jogou longe com toda a força. Sem nem olhar o que era. E a coelha continuou:
- Olha onça, pega minhas panelas. Mas cuidado, onça, que eu gosto muito delas.
A onça pegou as panelas e jogou longe com toda a força. Sem nem olhar o que era. E a coelha continuou a mudança:
- Onça, pega meu baú. Foi o baú que a minha vó me deu. Eu gosto muito dele.
A onça pegou o baú e jogou longe. Sem nem olhar o que era.
- Olha, onça, agora todo o cuidado. As minhas chinelinhas de algodão.
A onça pegou as chinelinhas e jogou longe com toda a força. Nem viu que não estava jogando chinelinha nenhuma. Estava jogando as orelhas da coelha, com a coelha junto. Eu só sei, que a coelha foi parar lá longe com suas coisas. Perto de outra toca onde ela já está morando. E a onça está até hoje esperando a coelha sair da toca antiga.


Adaptação de Augusto Pessôa do conto popular
“A ONÇA E A COELHA”

MALASARTES E A HISTÓRIA DE PASSARINHO - conto popular

Outra história do Malasartes.
Agora eu contarei
Essa eu ouvi lá longe.
Em Bom Jesus Del Rei
Pois acredite, minha gente,
O Malasartes por lá andou.
E quando chegou na cidade
Ele assim falou:

- Depois de enganar os fazendeiros safados
Gastei o dinheiro. Estou sem um trocado.
Vim parar nessa terra pra “mode” consegui.
Um dinheirinho fácil pra poder me divertir.
Mas essa estrada não tem uma criatura se quer!
Por aqui não passa bicho, homem ou mulher.

O Malasartes não repara
Num montinho a sua frente.
Um montinho mal-cheiroso
Que espanta toda gente.
O malandro quase pisa
Nesse monte fedorento.
Quando reparou na coisa
Veio-lhe um pensamento:

- Mas olhe que eu estou enganado dessa minha afirmação.
Passou por aqui com certeza um grande porcalhão!
Se bicho, homem ou mulher não posso afirmar.
Mas a prova da passagem aqui deixou ficar.
Deve ter comido em outro lugar
Um farnel gostoso, bom de saborear.
Descomeu aqui no meio da estrada.
Deixando essa porqueira. Coisa mal acabada.
Mas uma idéia me veio desse cocô da estrada.
Vou ganhar um dinheirinho pra gastar com a mulherada.
Deve passar por aqui doutor, bispo e fazendeiro.
Gente boa de enganar e que tem muito dinheiro.
Vou ficar por aqui só a esperar
Não demora muito alguém vai passar.

O quê é que Malasartes
Agora vai aprontar?
Dessa vez eu acho
Ele vai se estrepar.
Cobriu com seu chapéu
O fedorento montinho.
E ficou segurando as abas
Sentado e sozinho.
Eis que surge na estrada
Um moço garboso.
Montado em seu cavalo
Todo limpo e cheiroso.
Era moço muito prosa.
Era besta que só vendo.
Vestido de importante
Ia assim dizendo:

- Sou Moço Doutor. Letrado na capital
Sou muito inteligente, esperto, coisa e tal.
Aqui nessa terra a burrice é geral.
Só tem bobalhão. Só tem capial.
Pois olhe lá! Eu não estou falando.
Sentado na estrada o chapéu segurando.
Que fará esse bobo sentado sozinho?
Fica na estrada atrapalhando o caminho.

O moço se aproximou
E Malasartes olhou de banda.
O doutor foi logo falando
Dizendo quem é que manda:

- Oh, você aí, sentado sozinho.
Que está fazendo? Saia do caminho!

Malasartes muito esperto se fez de bobalhão.
E a conversa foi por aí. Tomou esse rumo então:

- Desculpe atrapalhar, seu Moço Doutor.
Tenho aqui uma jóia. Coisa que é um primor!

- Esse chapéu velho, sujo e encardido.
Isso é primor aonde? Isso é coisa de bandido!

- Não falo do chapéu. Falo do que tem dentro.
Um passarinho lindo. Um verdadeiro talento!

- Pois levante o chapéu e mostre o bichinho.
Quero ver o talento desse passarinho!

- Se o chapéu levantar ele vai voar.
Sem o lindo passarinho eu vou ficar!

- Então ponha o bichinho gaiola adentro.
Pra gente apreciar belezura e talento!

- Mas, seu moço doutor gaiola tenho não.
Só tenho esse chapéu sujo e lambão.

- Pois então vá comprar. Vá comprar agora
Uma boa gaiola pra essa ave canora!

- Se eu pudesse, doutor, bem que ia comprar.
Mas não tenho dinheiro. Não tenho onde arranjar.

- Pois se esse é o problema eu lhe dou o dinheiro.
Quero ver o passarinho cantar bem faceiro.

- Seu Moço Doutor isso pode ficar caro.
É coisa especial. Um passarinho raro.
O bichinho não fica em gaiola qualquer
Tem que ser da boa. A melhor que tiver.

- Pois estou mandando. Chega de zoada.
Quero a melhor gaiola. A mais enfeitada
Bonita e grande. Com poleiro dourado.
Pro lindo passarinho. Soltar seu trinado!

- Se o doutor assim quer. Assim feito será.
Mas segure o chapéu pro pássaro não voar.

Não é que Malasartes
Enrolou o Moço Doutor
Tanta esperteza é arte.
É coisa de professor!
O Doutor Gabola
Do cavalo desmontou.
Sentou no chão
E o chapéu segurou.
Agora vamos saber
Que outra aprontação.
Fará Pedro Malasarte
Para o Doutor Bobão!

- O Doutor segure bem. Vou numa carreira só!
Mas devo demorar. A venda é longe, dá dó.
Indo de pé a pé a estrada fica comprida.
Se tivesse outro jeito de fazer essa corrida!

- Vá no meu cavalo. Veloz e ligeiro.
Aqui nesse bolso você pegue o dinheiro.
Anda logo, matuto, deixa de enrolação.
Quero ver o bichinho soprar uma canção.
Vai depressa, matuto, deixa de moleza.
Quero ver o bichinho cantar que é uma beleza

Malasartes pegou o dinheiro
E no cavalo montou.
Sumiu na estrada
E só poeira deixou.
O moço doutor,
Ainda se achando esperto,
Disse bem alto
Quando não viu ninguém por perto:

- Agora que se foi o bobalhão capial
Vou pegar o passarinho pra cantar no meu quintal!

Assim disse o Doutor
Oh, Doutor bobinho!
Enfiando a mão no chapéu
Pra pegar o passarinho.
Mas teve uma decepção
Ficou só no lamento!
A mão ficou lambrecada
De montinho fedorento.
O Malasartes foi embora.
Sumiu no seu caminho
E o Doutor ficou sem dinheiro
Sem cavalo e passarinho.


Essa história acabou Mas outra vai começar!
Qual é a arte boa? Qual é a arte má?
Que Pedro é Malasartes. Isso ninguém vai negar..
Quem souber conte outra. Pode continuar.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

ADIVINHAS

1 - Dama de branco vestida, quanto mais alegre está tanto mais chora sentida. Pergunto eu, quem será?
Resposta: Vela


2 - Qual o bicho mais parecido com o gato?
Resposta: A gata

3 - O que é, o que é? Que tem o começo da rua, no meio da terra e no fim do mar?
Resposta: A letra R

CONTINHO

Era uma vez um menino triste, magro e barrigudinho, do sertão de Pernambuco. Na soalheira danada de meio dia, ele estava sentado na poeira do caminho, imaginando bobagem, quando passou um gordo vigário a cavalo:
- Você aí, menino, para onde vai essa estrada ?
- Ela não vai não : nós é que vamos nela.
- Engraçadinho duma figa! Como você se chama?
- Eu não me chamo não, os outros é que me chamam de Zé.
Paulo Mendes Campos
Para Gostar de Ler - Vol I . Ed Ática.

UM EMPREGO PARA MALASARTES!!

Diz que o Malasartes depois de enganar um fazendeiro ladino e gastar todo dinheiro que conseguiu, resolveu voltar pra casa. Mas um fato quase mudou seu destino. A mãe do nosso Pedro estava muito doente. Ela estava à beira da morte! A pobre senhora num último fôlego pediu: queria que o filho caçula arrumasse uma ocupação. Um trabalho decente como todo bom cristão. Fez o pedido e foi pra terra dos pés juntos... bateu os canecos... bateu as botas... vestiu paletó de madeira... morreu! Malasartes, então, decidiu arrumar uma ocupação. E foi batendo de porta em porta atrás de emprego. Depois de muito bater e receber muita porta na cara, Malasartes foi até uma fazenda e encontrou uma fazendeira. A mulher perguntou o que ele queria e o Pedro respondeu:
Procuro um trabalho... uma ocupação... um serviço de bom cristão. Será que na sua fazenda não tem um lugar pra mim?
Talvez tenha, mas preciso falar com meu marido! – e ela gritou – Marido!
Apareceu um homenzinho com a cara engraçada. A fazendeira explicou que o Malasartes queria um emprego. O fazendeiro perguntou o que ele sabia fazer e o Pedro respondeu:
Faço qualquer coisa... qualquer ocupação... Sabe, foi um pedido da minha finada mãezinha que eu arrumasse um serviço, um trabalho de bom cristão! Será que o senhor tem um trabalho assim pra mim?
Trabalho até que tem. Não muito, mas tem. Só não tem dinheiro pra pagar. Somos muito pobres...
Trabalho por qualquer coisa. Até por um prato de comida!
Então está bem! Você vai ganhar um bom prato de comida todos os dias!
E Malasartes passou a trabalhar na fazenda! E o patrão que disse que não tinha muito trabalho tratou de inventar um montão! O pobre do Malasartes trabalhava sem cessar! O Patrão só pedindo. Queria isso, aquilo e “aquiloutro”! E o Malasartes correndo de lado a lado. E o Patrão exigindo:
Malasartes! Malasartes! Eu quero isso!
Já vai, patrão!
Agora eu quero aquilo!
Tá aqui, patrão!
Agora eu quero “aquiloutro”!
Já vai, patrão! Tá aqui, patrão!
Agora não quero mais! Demorou muito!
O nosso Pedro estava cansado de tanto trabalhar e quando ia pedir o seu prato de comida a patroa respondia:
Ah, meu filho, não temos nada pra lhe dar... somos muito pobres... só tem esse pãozinho...
E dava para o pobre um pão duro, velho e seco. Que não dava nem pra morder. Assim seguia o Malasartes no seu emprego de bom cristão.
Mas até que chegou o dia que o Pedro trabalhou tanto que ficou com uma sede danada. Foi pedir água na casa e viu, por trás da porta, sua patroa limpando um monte de ouro que tirava de duas sacas cheias. E a mulher dizia assim enquanto esfregava as barras de ouro com um paninho:
- Ai, meu ourinho... meu ourinho vai ficar brilhando! Ai, meu ourinho... meu ourinho vai ficar limpinho! Que beleza! Deixa eu guardar pra ninguém pegar!
O Pedro Malasartes ficou furioso e falou com seus botões:
Que safadeza!Que pouca vergonha! Esses dois se dizendo pobre e tendo esse monte de ouro na mão. E ainda me pagando com aquele pão velho, duro e seco. Minha finada mãezinha, a senhora vai me perdoar, mas esse negócio de serviço de bom cristão não é pra mim, não. Esses safados vão ver com quem tão lidando. Eu sou Pedro Malasartes!
E logo arquitetou um plano: chamou o patrão e disse que não queria mais esse negócio de buscar ISSO, AQUILO e “AQUILOUTRO”. Que preferia ter uma ocupação só! Preferia tomar conta só dos porcos. O patrão não gostou e resmungou:
Você só quer tomar conta dos porcos?
É, patrão! Faz mal?
Bem não faz, mas mal também não chega a fazer! Você pode tomar conta só dos porcos, mas só vamos lhe dar a metade do pão!
Vindo do senhor e da patroa está bem vindo.
E o Malasartes pegou a vara de porcos e foi para bem longe da fazenda. Achou um lugar bonito e ficou por ali com os porcos só esperando. Daí a pouco apareceu um rico fazendeiro que se encantou com os porcos:
Que belezura de porcos!
O senhor gostou? – perguntou o Pedro – Eu também gosto muito dos meus bichinhos!
São seus?
São meus desde que nasceram! – disse o Malasartes com a maior cara lavada – Eu adoro meus porquinhos!
E o senhor não vende?
Vender os meus porquinhos? Acho que não, doutor!
Venda! Pago bom preço por eles!
Mas eu vou sentir tanto a falta deles... só se eu ficasse com uma recordação...
Que recordação? – se espantou o fazendeiro rico.
O senhor quer os porquinhos para criar ou para matar?
Para matar e vender a carne!
Pois então eu vendo os porquinhos, mas sem o rabo. Vou ficar com os rabinhos de recordação!
Como é que é?
O senhor não vai vender as carnes... o rabinho não vai fazer falta! E eu fico com uma recordação dos meus bichinhos! Só vendo assim!
O Fazendeiro rico achou aquilo muito esquisito, mas topou fazer o negócio, Deu muito dinheiro para o Malasartes. O malandro pegou um canivetinho e cortou o rabinho de todos os porcos. O novo dono dos porcos foi embora e o Malasartes enfiou os rabinhos num canteiro de terra e saiu correndo para fazenda chamando pelo patrão. E o homem apareceu espantado:
Que foi, criatura?
Os porquinhos! – disse o Malasartes quase sem fôlego.
Que você fez com meus porquinhos?
Os bichinhos tão se enterrando!
Que é isso? Que besteira é essa?
É verdade, patrão! Os bichinhos foram com as patinhas assim na terra... Roinc... Roinc... Roinc...Depois os focinhos... Roinc... Roinc... Roinc...E foram entrando na terra! Olha lá, patrão! Só estão os rabinhos de fora!
O Fazendeiro pôs as mãos na cabeça e gritou desesperado:
Ai, que é verdade mesmo! O quê é que a gente faz, homem?
Tem que desenterrar eles!
Corre lá na casa e pede pra fazendeira uma pá!
Só uma?
Não. Pega logo duas!
Duas. Tem certeza? São as duas?
Tenho, homem de Deus, pega as duas!
O Malasartes saiu na maior carreira. Chegou na fazenda, tomou fôlego e chamou a fazendeira na maior calma. A Fazendeira apareceu com sua cara emburrada:
Que é, homem de Deus?! Você quer mais comida?
Não é isso não, patroa! É que o patrão mandou a senhora me dar as duas sacas de ouro!
Como é que é? Você está é doido!
Eu não sei de nada, Patroa. O Patrão que mandou...A senhora quer ver?
E o Malasartes gritou para o patrão de longe:
São as duas, né? As duas!
E o fazendeiro sem saber de nada respondeu:
É! As duas!
A Fazendeira nem acreditava no que estava vendo. Deu as sacas de ouro para o Malasartes e o malandro foi embora. O Fazendeiro e sua mulher nunca mais viram o ouro, nem os porcos, nem o Pedro Malasartes. E acabou a história!!
Adaptação de Augusto Pessôa

sábado, 26 de setembro de 2009

A RAINHA QUE VEIO DO MAR - conto popular


Houve um rei que desejava se casar com a moça mais bonita do seu reino. Os emissários do rei correram por todas as casas e chamaram todos os pais de família para apresentarem suas filhas. Mas nenhuma agradava ao rei.
Nessa mesma época, entrou para o batalhão real um recruta meio abobado. Um dia, todo o batalhão foi à missa. Logo que entrou na igreja, o tal abobado começou a chorar. Ninguém entendeu nada e o comandante do batalhão perguntou para o recruta o que estava acontecendo. E o pobre respondeu:
- Não sofro nada! Mas quando vi aquela imagem fiquei com saudades de minha irmã que é muito se parecia com aquela santa!
E o abobado apontou para uma imagem muito formosa que tinha na igreja. Ficaram todos zombando do pobre soldado, mas a história chegou aos ouvidos do rei. O monarca mandou chamar o rapaz e indagou se era verdadeira a história. O soldado respondeu ser exato ter uma irmã muito formosa e parecida com a imagem da igreja. Perguntando o rei onde morava ela, o soldado respondeu:
- Nas gargantas do Monte Escarpado, a dez mil léguas por mar.
O rei mandou logo preparar uma esquadra e enviou uma comissão para pedir a moça em casamento a seu pai. O recruta também foi com a comissão. Logo que chegaram ao Monte Escarpado, avistaram a moça na janela e ficaram todos embasbacados de ver tanta beleza junta. O almirante entregou ao pai da moça a carta do rei, e o velho enviou a sua filha. Na volta do Monte Escarpado, o mar era muito forte, jogava muito e o almirante decidiu ir para a terra. Chegaram numa ilha e foram com a moça para a casa de uma velha, que ali morava. A velha, que era uma desmancha-prazeres, perguntou para onde iam e de onde vinham, e sabendo de tudo armou um plano: convidou a moça para ir dar um passeio pela horta. Chegando lá, atirou a moça dentro de um poço. De noite, quando a esquadra embarcou, ninguém deu falta da moça porque a velha pôs em seu lugar a sua filha, que era feia de dar dó. Quando os navios foram embora, a velha foi ao poço, tirou a moça de lá, cortou seus cabelos, jogou um pó mágico em seu rosto para cegá-la e deixa-la muda, amarrou a moça e botou-a num caixão. Atirou o caixão no mar e foi para casa gargalhando. Mas por uma sorte da vida, o mar levou o caixão até o reino. E o caixão chegou primeiro que os navios. Um pescador o achou e levou para casa. Sem abrir julgou que o caixão estava cheio de dinheiro. Começou a dizer por todos os lados que tinha mais dinheiro que o rei. O monarca soube da história e chamou o pescador. O homem confessou ter achado um caixão cheio de dinheiro, e foi um guarda do palácio, para examinar o caso. Aberto o caixão, deram com a moça dentro. Ficaram todos penalizados por verem uma moça tão bonita cega, muda e com os cabelos cortados. Voltou o guarda para o palácio com a moça que iria trabalhar na cozinha. Quando chegaram no palácio, já tinha também chegado à comissão com a filha da velha. O almirante, muito triste, disse ao rei:
- Não fui como vim. Fui alegre e volto triste; mas me sujeito à pena que o rei, meu senhor, me quiser dar.
O rei respondeu:
- Nada tenho a fazer, senão casar- me com esta feia mulher, que me chegou. Palavra de rei não volta atrás!
Houve o casamento, mas o rei se conservou sempre triste e vestido de luto. Um tempo depois, o monarca encontrou a moça cega e muda trabalhando na cozinha e ficou ainda mais triste. A moça foi reconhecida por seu irmão e pelos da comissão. O rei mandou buscar a velha, mas a malvada negou tudo e até desconheceu a sua própria filha. O rei, reconhecendo que os traços da velha eram os mesmos da moça feia com quem tinha casado, mandou ela embora junto com a mãe. Mas antes mandou cortar o cabelo das duas. Os cabelos voaram e caíram no rosto da moça que foi achada no mar. Logo ela voltou a falar, a enxergar e seus cabelos cresceram. Houve então o novo casamento com a rainha, que veio do mar.
Adaptação de Augusto Pessôa

A MULHER E A FILHA BONITA - conto popular


Uma mulher viúva tinha uma filha muito bonita. A mulher também era muito bela, mas tinha uma inveja danada da beleza da filha.
Um dia, passou em frente a sua casa um grupo de viajantes e a mulher disse para eles:
- Os senhores já viram uma cara mais formosa do que a minha?
E eles responderam:
- É muito bela! Mas a sua filha ainda é mais!
A mulher ficou com raiva e foi tomando ódio da filha.
Outra vez passaram por lá outros andarilhos e ela fez a mesma pergunta e teve a mesma resposta. E sempre que passava alguém pela casa a cena se repetia. A mulher, com muita raiva, mandou trancar a mocinha num quarto para não ser vista por mais ninguém. A menina sofria tudo com muita paciência e nada dizia.
No quarto onde ela estava, tinha uma janelinha que dava para a rua. Uma vez ela abriu a janela na hora certa em que passavam uns viajantes. Os homens viram a jovem e ficaram encantados. Eles chegaram a casa e a mãe da mocinha foi logo dizendo:
- Os senhores já viram uma cara tão bonita como a minha?
E mais uma vez a mulher ouviu a resposta:
- É bonita! Mas a da moça que está lá na janela, ainda é mais!
A mulher ficou com tanto ódio que ordenou a um empregado da casa que levasse a filha para a floresta e lá a matasse. O empregado levou a moça. Chegando numa clareira o homem puxou o facão, mas teve pena de matar e mandou a moça sumir dali. O empregado cortou a ponta da língua de uma cachorrinha e levou para a senhora, dizendo que tinha matado a moça. A malvada acreditou.
A mocinha ficou andando pela floresta sem destino. De noite ela subiu numa grande árvore e muito longe viu uma fumacinha. Desceu e foi para aquela direção. Depois de muito andar, ela chegou: era um grande palácio. Mas sem ninguém dentro e muito sujo. A moça, que era muito trabalhadeira, arrumou, varreu, esfregou e limpou. Deixou tudo um brinco. Ela não sabia, mas o palácio era do Rei dos ladrões. Quando foi mais tarde a moça viu ele chegar com a sua grande tropa. Ela teve muito medo e se escondeu. Os ladrões ficaram muito espantados e felizes com aquela arrumação toda. Procuraram por todo o palácio para saber quem tinha feito aquilo e encontraram a moça. Como ela era muito bela, todos os ladrões ficaram encantados. Eles começaram a brigar para ver quem ficaria com ela. Então o Rei dos ladrões mandou parar a briga e ordenou que a moça ficasse em casa morando com eles. Mas todos tinham que a tratar como se fosse uma irmã caçula. Assim fizeram, e a mocinha ficou ali, descansada.
Passou um tempo e chegou aos ouvidos da mãe que a filha ainda estava viva. Viva e muito bem porque estava rica. A mãe mandou chamar uma feiticeira e pediu que procurasse a sua filha e desse fim na mocinha. A feiticeira aceitou a proposta e foi para a casa dos ladrões. Chegou no palácio quando a moça estava sozinha. A feiticeira, querendo enganar a jovem, foi dizendo:
- Oh, minha netinha, há tempos que não te vejo! Cuidei de você quando a menina era só um bebê! Trouxe aqui um presente de pobre: um parzinho de sapatos! Aceite que é de bom grado!
A moça por delicadeza aceitou os sapatos e logo que os calçou caiu pra trás como morta. A velha foi embora correndo. Quando os ladrões chegaram, encontraram a moça caída como morta e ficaram muito tristes. Pegaram a moça e botaram num caixão de vidro junto com um grande tesouro dentro. Mas não tiveram coragem de enterrá-la. Em cima do caixão colocaram um bilhete onde estava escrito: “Quem tiver coragem que enterre!”
Um príncipe, que andava caçando, encontrou o caixão de vidro. Vendo a moça, ficou tão apaixonado que, em vez de enterrar, a levou para o palácio. Guardou a jovem no seu quarto com toda a riqueza que encontrou. E a moça sempre a dormir e o príncipe quase doido de paixão. Não deixava ninguém ir ao seu quarto. Mas uma vez, estando ele fora, a princesa sua irmã teve curiosidade de ir ao quarto ver o que o príncipe escondia lá. Chegou, abriu o caixão e viu o tesouro e a moça. Achou tão bonita, mas estranhou que ela estivesse com uns sapatos tão feios. Puxou os sapatos e a moça suspirou e sentou-se pedindo água. A princesa deu a água e conversou com ela. A jovem contou toda a sua história. Depois a irmã do príncipe tornou a calçar os sapatos na moça que adormeceu de novo.
Quando o príncipe voltou, a princesa disse:
- Se você me der aquele tesouro que encontrou, eu conto um segredo que descobri lá no seu quarto!
O príncipe concordou e sua irmã desencantou a moça. Houve uma grande festa e o príncipe casou-se com a linda moça. No fim dos nove meses ela deu à luz a dois meninos. A coisa mais linda que podia ser. Mas a mãe da moça, sabendo de sua felicidade, mandou a feiticeira para ser parteira das crianças. Depois do parto, a velha escondeu os meninos e mostrou ao rei um sapo e uma lagartixa. A feiticeira mentiu dizendo que a moça tinha parido aqueles monstros porque era uma bruxa. O príncipe andava ausente numas guerras e o pai mandou para ele uma carta contando o que tinha acontecido. O príncipe mandou uma resposta dizendo ao pai que matasse a mulher. Mas o rei teve pena e somente cortou um dos seios da moça e a expulsou de casa.
Sem entender nada, a pobre jovem saiu de novo pelo mundo. Foi andando e, sem perceber, foi parar na casa de sua mãe. Chegou no momento exato que a feiticeira entregava os netos para a malvada mulher. A moça se armou de todas as forças, pegou um pau e bateu nas duas malvadas. Recuperou seus filhos e voltou a caminhar sem destino. Tendo muita sede chegou a uma fonte e bebeu água. Passou água no peito e ele tornou a crescer. Ela continuou sua viagem até chegar na casa de um gigante. A jovem contou toda a sua triste história. O gigante ficou com pena e deixou ela ficar por lá com os seus dois filhos.
Muito tempo depois, o príncipe estava em uma caçada e passou na casa do gigante. Viu os dois meninos e tomou por eles muita afeição. Desde esse dia, sempre que ia caçar, passava pela casa do gigante. Até que um dia viu sua mulher. Percebeu todo o mal que tinha feito e, chorando, pediu perdão. A moça que o amava muito aceitou. E eles passaram a viver numa felicidade imensa. Felizes como Deus com os anjos. Felizes para sempre.
Adaptação de Augusto Pessôa

sábado, 19 de setembro de 2009

ADIVINHAS

1 - O que é, o que é? Que tem luz e só vive no escuro?

Resp: vagalume

2 - O que é, o que é? Qual a hora que o relógio não marca?

Resp.: a hora H

3 - O que é, o que é? Quem de 25 tira?

Resp.: 15.

A FILHA DO PESCADOR - conto popular

Há muito tempo atrás, num reino distante, um pescador fazia sua pescaria diária, quando encontrou no fundo do mar uma jóia. Um anel de ouro cravejado de diamantes raros.
“Uma jóia digna de um Rei”, pensou o pescador. E resolveu dar a belíssima jóia de presente ao jovem monarca de seu reino. Voltou para casa, mostrou a jóia a filha e contou o que faria. A moça se chamava Maria. Era muito linda, tão linda quanto inteligente, e desaconselhou o pai. Disse que era melhor ele não fazer isso. Mas o pescador estava decidido. Envolveu a jóia num pedaço de veludo e foi para o castelo. Entrou no enorme palácio, foi a sala do trono e depositou o presente, humildemente, aos pés do jovem Rei. O monarca ficou satisfeito com a jóia, mas disse:
- Agradeço o presente que me dás. Mas quero ver se realmente és fiel ao teu Rei. Tens família?
- Sou viúvo.- respondeu o pescador - E tenho apenas uma filha.
- Pois então, quero ver tua filha. Mas não quero que ela venha nem nua, nem vestida. Nem a pé, nem a cavalo. Nem de noite, nem de dia. Se isso não acontecer, somente a morte lhe caberá!
O pescador saiu do palácio decepcionado e já se preparando para morrer. Chegou em casa e contou o que acontecera à filha. Maria pensou um pouco e pediu ao pai que saísse e arrumasse um grande punhado de algodão e um carneiro enorme. O maior que ele pudesse encontrar. O pescador saiu e voltou com os desejos da filha. Então, Maria esperou que o dia se fizesse noite. Quando a noite já ia terminando e o sol começava a sangrar o céu, mas a lua e as estrelas ainda se faziam presentes, a jovem Maria tirou sua roupa. Depois se envolveu no algodão, montou no carneiro e foi para o palácio. Ao chegar no enorme palácio, chamou o Rei:
- Eis me aqui, senhor meu Rei, a filha do pescador. Envolta em algodão: nem nua, nem vestida. Montada neste carneiro: nem a pé, nem a cavalo. Tendo o sol e a lua presentes no céu: nem de dia, nem de noite.
O Rei ficou impressionado com a inteligência da moça e resolveu dar uma festa em sua homenagem. E ainda disse:
- Vais escolher entre os objetos do palácio aquilo que mais desejares. O objeto do teu desejo será teu para sempre.
Maria foi mandada para um quarto que tinha sido designado para ela. Deram-lhe um belíssimo traje, digno da mais rica das princesas. Vestida como uma soberana, a jovem chamou um criado e pediu para que ele fizesse uma bebida com planta dormideira.
À noite, na hora da festa, Maria apareceu e encantou a todos os convidados. Principalmente, o jovem Rei. Quando a festa ia pela metade, delicadamente, Maria ofereceu ao Rei a bebida que tinha sido preparado pelo criado. A bebida com planta dormideira. O jovem Rei, muito afobado, tomou tudo de um só gole e logo adormeceu. Maria chamou os criados e pediu que colocassem o Rei numa a carruagem. Os criados assim fizeram. E ela partiu com o Rei para sua casa. Chegando lá, a jovem colocou o Monarca em seu quarto. Em cima da cama. Quando o jovem Rei despertou, ficou assustado e perguntou o que significava aquilo. E Maria respondeu:
- O senhor meu Rei me disse que eu poderia escolher o objeto que mais desejasse e que isso seria meu para sempre. Pois tu és o objeto do meu desejo!
O Rei, que já estava encantado, ficou completamente apaixonado. Casaram-se e foram muito felizes... Felizes como Deus com os anjos.... Felizes para sempre !!!

Adaptação de Augusto Pessôa do conto popular "O Pescador"

A BELA E A FERA - conto popular


Há muito tempo atrás, num reino distante, morava um mercador com suas três filhas. Três moças lindas. Muito bonitas mesmo. Infelizmente, as duas mais velhas não aliavam bondade à beleza. Eram rancorosas, invejosas, maledicentes. Mas a mais nova, ah... a mais nova... era boa como um anjo. Tanto por dentro como por fora. Por isso todos a chamavam de a Bela.
Certa vez, o mercador precisou fazer uma longa viagem de negócios. As filhas mais velhas pediram presentes: queriam as jóias mais caras, as sedas mais raras, os perfumes mais inebriantes. O mercador perguntou a Bela, que era sua filha do coração, o que ela desejava. A moça, que estava satisfeita com tudo que tinha, não sabia o que pedir. O pai insistiu. E Bela, que tinha entre as mãos uma flor, pediu uma rosa. A rosa mais bonita que ele pudesse encontrar. Apenas uma rosa.
O mercador partiu. Resolveu seus negócios e começou sua viagem de volta para casa. Pensava só em sua família e nem percebeu que seu cavalo ia por uma estrada que ele não conhecia. A estrada era cercada de arbustos. À medida que o mercador avançava na estrada os arbusto iam estreitando a passagem como querendo impedir a passagem do mercador. Mas o cavaleiro insistia. De repente, uma tempestade se armou. Raios e trovões pareciam cair na cabeça do pobre homem. O vento soprava querendo levar o mundo. Nesse desespero o mercador só pensava em sua família. Principalmente na sua filha mais querida. E sem perceber, murmurou:
- Bela... Ah, Bela...
A tempestade se dissipou. O caminho abriu. A uma certa distância o mercador avistou um castelo iluminado e resolveu pedir pousada. Entrou, mas não viu ninguém. Levou seu animal para estrebaria pensando em dormir por lá mesmo. Mas lá também não encontrou ninguém. Voltou e entrou no castelo.
- Oh de casa! Tem alguém aí?
Ninguém respondeu. O castelo era ricamente decorado. Com lustres de cristal que pareciam feitos de sonho. O homem andou por salas e salões, mas não encontrou ninguém. Até chegar a uma grande sala onde tinha uma mesa comprida com uma ceia posta para uma pessoa. O mercador que estava com fome sentou-se e comeu. Os pratos eram trocados como que por mágica. Depois de alimentado, o homem foi ao andar superior por uma escada de mármore toda decorada em ouro. Entrou em vários quartos a procura de alguém, mas nada! Até que chegou a um quarto onde uma cama enfeitada por um belíssimo dossel parecia convidá-lo a dormir. O mercador tirou sua roupa, deitou-se e dormiu. No dia seguinte acordou sobressaltado. O nobre, dono do castelo, podia vê-lo ali e não gostar. Ou talvez algum criado. Resolveu vestir-se. Mas qual não foi sua surpresa ao encontrar, ao invés de suas roupas, um casaco de veludo, uma camisa de seda e botas de pelica. O mercador vestiu-se. Procurou ainda por alguém, mas não encontrou. Foi a estrebaria, e lá estava seu cavalo. Selado e pronto para a viagem. Montou e foi saindo. Mas ao passar pelo jardim do palácio, viu uma deslumbrante roseira. E no meio da roseira uma rosa. Magnífica! Era a rosa! A rosa de bela. O mercador desmontou e com muito cuidado colheu a rosa. Mas da haste partida começou a pingar sangue. O homem se assustou, mas ficou tremendo de medo ao ouvir uma voz. Uma voz que parecia vir das mais profundas cavernas:
- Ladrão! É essa a paga que me dá pela hospitalidade que dei?
O mercador virou-se e viu: o mais terrível monstro que já poderia ter visto. O corpo era de homem, mas a cabeça era de javali. Dois dentes pontudos saiam da boca como chifres. As mãos pareciam patas de urso com garras compridas.
- Vai morrer, por essa falta que fez!!
O mercador só pensava em sua família. Tinha negócios para deslindar que somente ele poderia resolver. Se isso não acontecesse, sua família ficaria na miséria. O mercador pediu ao mostro três semanas. Três semanas para resolver seus negócios. Depois ele voltaria para morrer. A fera olhou bem nos olhos do mercador e viu verdade no que ele dizia.
- Vai ter suas três semanas! Ao cabo delas deverá voltar aqui, ou trazer alguém para morrer em seu lugar!
O mercador foi embora muito triste. Ao chegar em casa, as filhas mais velhas vieram correndo pegar seus presentes. E ficaram decepcionadas ao ver que o pai não trazia nada para elas. E com muito inveja ao ver nas mãos do mercador a rosa da caçula. Bela achou seu pai estranho e perguntou o que tinha acontecido. Mas o mercador alegou cansaço. A jovem não acreditou, mas evitou insistir temendo incomodar o pai.
As três semanas se passaram. O mercador resolveu seus negócios. Chamou as filhas e contou o que acontecera no castelo do monstro. As mais velhas se desesperaram:
- Vamos ficar na miséria!!! Vamos morrer de fome!!!
Bela só pensava em seu pai. E se ofereceu para morrer em seu lugar. As mais velhas aceitaram de imediato:
- E claro que ela tem que morrer!! Por causa dela... por causa dessa maldita flor é que tudo está acontecendo!!!
Mas o mercador não concordou. Bela foi ao seu quarto para rezar, a fim de encontrar um jeito de resolver o problema. Quando, de repente, sentiu sono. Um sono muito grande e logo dormiu. No seu sono sonhou. Uma voz dizia que ela encontraria um anel que a levaria para onde ela quisesse. Ao acordar, Bela encontrou o anel sobre o travesseiro. Escreveu uma carta a seu pai contado o que faria. Colocou o anel e pediu:
- Anel de condão, pelo condão que Deus te deu, eu quero ir ao encontro do meu destino!
Fechou os olhos. Quando abriu estava na grande sala. Onde tinha uma comprida mesa com uma ceia posta para dois convidados. Bela sentou-se. Sentia muito medo, mas tentava espantar esse sentimento com a certeza de que estava ali para morrer por seu pai. De repente, ela ouviu um ranger de porta e passos entrando na sala. Era o Monstro que trazia nas mãos um ramo de flores.
- Não tema! Nada lhe acontecerá enquanto estiver aqui!
O Monstro estendeu o ramo para Bela. A jovem pegou as flores, mas sentia muito medo.
- Sinto que tem medo de mim. Mas eu amo-te... amo-te tanto!
Aquelas palavras entraram nos ouvidos de Bela e ela teve mais medo que da morte. O Monstro virou-se e ia saindo, quando Bela perguntou quem seria o outro convidado a sentar-se à mesa.
- Esse lugar era para mim. Mas como sei que minha figura lhe causa repulsa, vou sair. E só voltarei se assim desejar.
Bela pediu que o Monstro sentasse e comesse com ela. E a moça ficou encantada com a delicadeza da Fera, que praticamente lhe dava comida na boca.
Os dias de Bela no castelo do Monstro foram os mais felizes possíveis. A Fera lhe cobria de presentes e delicadezas. Mas Bela começou a sentir um aperto no peito. Era a saudade. Saudade de sua família, de seu pai. Pediu ao Monstro para deixá-la partir. A Fera não queria deixar, mas deu para Bela um espelho mágico. Por esse espelho ela poderia ver tudo que quisesse. A moça pegou o espelho e pediu para ver seu pai. E qual não foi sua tristeza, ao ver seu pai muito doente, quase a morte. Bela suplicou ao Monstro que a deixasse partir.
- Pode ir, mas volte daqui a sete dias. Se não voltar quem irá perecer sou eu.
Bela colocou o anel e pediu:
- Anel de condão, pelo condão que Deus te deu, eu quero ir ao encontro de meu pai!
Fechou os olhos. Quando abriu estava no quarto do pai. O mercador ao ver a filha ficou praticamente curado. As irmãs mais velhas ficaram espantadas ao verem Bela. Elas acreditavam que a moça estava morta. E sentiram muita inveja ao ver os riquíssimos trajes da irmã. Bela contou todos os seus dias de alegria no castelo do monstro. As irmãs resolveram então, roubar o anel de Bela para que ela não pudesse voltar ao castelo. Num momento que Bela cuidava de seu pai e tinha tirado o anel para isso, as irmãs entraram correndo no quarto. Inventando uma urgência tiraram Bela do quarto e roubaram o anel.
Sete dias se passaram. Oito... Dez... Bela não encontrava o anel e não sabia como voltar ao castelo do monstro. Uma noite sonhou. A mesma voz dizia que a Fera estava morrendo e que suas irmãs tinham roubado o anel. Ao acordar, Bela correu ao quarto das irmãs.
- Manas!! Manas!! Imaginem, perdi meu anel! E aquele que encontrar morrerá daqui a uma semana!!
As irmãs devolveram depressa o anel dizendo que tinham acabado de encontrá-lo. Bela colocou o anel e pediu:
- Anel de condão, pelo condão que Deus te deu, eu quero ir ao encontro do meu destino!!
Fechou os olhos. Quando abriu, estava nos jardins do palácio. Procurou pela Fera, mas não encontrava. Até que, viu o Monstro caído perto da roseira. Mal respirava. Bela sentiu um aperto no peito. Mas não era a saudade da família. Era diferente. Era amor. Bela amava o Monstro. A moça aproximou-se. Tomou a cabeça da Fera nos braços. Beijou-o e uma de suas lágrimas molhou o rosto da Fera que estava morrendo. De repente uma luz tomou conta de todo o jardim, de todo o castelo, de toda região. A Fera transformou-se num lindo príncipe. O mais formoso que poderia existir. Os arbustos transformaram-se em soldados e criados. E a roseira transformou-se numa fada. O príncipe contou a Bela que tinha sido enfeitiçado por uma bruxa. A fada continuou a história, dizendo que estava ali para ajudar, mas não tinha poder suficiente para acabar com o encanto. Bela reconheceu a voz da fada. Era a mesma voz dos seus sonhos. A fada fez um gesto mágico e trouxe a família de Bela para o palácio. Mas... teve o cuidado de transformar as irmãs de Bela em estátuas de mármore, até que a maldade saísse de seus corações. Bela então, casou-se com príncipe e eles viveram felizes para sempre.
Adaptação de Augusto Pessôa do conto popular "A BELA E A FERA"

sábado, 12 de setembro de 2009

MALASARTES SONHANDO COM ANJOS (conto popular)


Já era noite e o Pedro, depois de gastar todo o seu dinheiro, andava por uma estrada. Estava cansado e com muita fome. A barriga roncava. E num ronco alto. Até que passou por ele uma charrete. O amarelo falou ao condutor, parando o veículo:
- Boa noite! O amigo mora por aqui?
- Moro, sim senhor! – respondeu o outro.
E o Pedro continuou:
- O amigo sabe se por aqui tem algum povoado, uma estalagem ou uma venda?
O homem da charrete, antes de responder, olhou para o amarelo com muita pena e falou assim:
- Tem, meu amigo! Tem uma estalagem logo virando a curva, mas acho que o amigo não vai se fiar ali. É uma estalagem com muito conforto. Metida a besta. O dono é um sujeito cheio de artimanha. Gosta um bocado de dinheiro. Principalmente dos outros. Ele é muito sabido... inventa umas histórias... conta umas “lorota”... e engana todo mundo! Obriga as pessoas a pagar uma fortuna pela hospedagem. Quem não tem dinheiro tem que ficar trabalhando na estalagem para pagar a divida. E o sujeito adora enganar os trouxas!
O condutor da charrete respirou fundo e continuou:
- O amigo... me perdoe... mas não parece nem provido de dinheiro, nem de esperteza. Acho melhor seguir seu caminho e procurar um lugar mais tranqüilo.
E o amarelo quis saber:
- E como é que ele engana as pessoas?
- Ele inventa que tem uns sonhos... e diz que com eles consegue coisas maravilhosas! E cobra alto por elas! Muito alto mesmo! E tem uma lábia! Leva todo mundo na conversa.
O Pedro ficou curioso de conhecer o tal estalajadeiro, fez uma cara de pobre coitado para o homem da charrete e pediu:
- Meu amigo, eu não agüento mais! Estou muito cansado e com muita fome! Vou me entregar a minha própria sorte! O senhor se incomoda de me dar uma carona até a estalagem?
O outro encolheu os ombros:
- Se o amigo assim quer... pode subir!
O Malasartes subiu depressa e a charrete seguiu pela estrada. Logo na virada, o Pedro viu a estalagem. E era realmente uma construção bonita. Muita enfeitada, com um telhado vermelho e paredes branquinhas. Tinha uma placa que anunciava: “Estalagem dos Sonhos”. O amarelo saltou da charrete, agradeceu ao homem e entrou no estabelecimento por uma porta de vai e vem. Dentro tinha um bar com mesinhas. O lugar estava cheio e quando o amarelo entrou, todos olharam para ele. Começaram a cochichar e dar risadinhas. Deviam estar pensando que era mais um que o dono da estalagem iria enganar. O Pedro foi até o balcão e o estalajadeiro veio atender. Era um homem bonito. Com a cara redonda e rosada. Os cabelos eram encaracolados e louros. Parecia um anjo. A face da bondade.
- O que o amigo deseja? – perguntou o homem com um sorriso e cara de boas vindas.
Malasartes coçou a cabeça, olhou para todos em volta e respondeu:
- Preciso comer alguma coisa e de uma cama para descansar. É possível?
- Mas claro que é possível! Vou mandar servir nossa melhor comida e depois o amigo vai dormir na mais confortável cama da estalagem.
O Malasartes agradeceu e foi sentar numa das mesas. O povo todo do lugar não tirava o olho dele. Riam e cochichavam. A comida veio e era realmente uma beleza. Tudo muito bem servido e apetitoso. Quando terminou de comer, Malasartes deu uma espreguiçada e o dono da estalagem se aproximou:
- Ficou satisfeito, amigo?
- Muito! Nunca comi uma comida tão gostosa!
- Eu sabia! É uma receita especial! – o sujeito respirou fundo e baixou a voz – Olha, o amigo pode não acreditar, mas quem me ensinou essa receita foi um anjo!
Malasartes coçou a cabeça e pensou: “Agora é que começa a lorota!”
O Pedro olhou para o homem, fez uma cara de espanto e perguntou alto:
- Um anjo?
E o outro respondeu muito sério, fazendo um gesto para o Malasartes baixar a voz:
- É! Um anjo! Eu sonho com anjos e eles me dizem coisas!
- Como assim? – quis saber o amarelo.
- Eles mostram onde eu posso encontrar coisas maravilhosas e me ensinam receitas. Tudo que têm lá no céu eles me contam.
- É mesmo?
- Claro! O amigo não acredita?
- Acredito! Já vi cada coisa nessas minhas viagens! O amigo não pode nem imaginar! Viajo tanto e estou tão cansado... foi muito bom comer essa comida receitada por anjos! Mas agora, o que eu preciso mesmo, é de um lugar para descansar os ossos...
O homem louro deu uma risadinha e todo mundo que estava no lugar esticou os ouvidos. O homem esfregou as mãos e disse ao amarelo:
- Pois o senhor vai ter o melhor lugar desse mundo para descansar. Uma cama maravilhosa e com um detalhe especial: um travesseiro forrado com penas!
- Pena de quê? – quis saber o Pedro – Pena de ganso?
- Penas de anjo! – respondeu o dono da estalagem.
O Malasartes fez novo espanto:
- O senhor depenou os anjos?
O homem louro riu.
- Não, meu amigo! É que nos meus sonhos, os anjos descem do céu por uma escada de ouro e contam para mim maravilhas!
O Pedro continuou no espanto.
- Escada de ouro? E como eles arrumam tanto ouro para fazer uma escada que vem do céu? Eles é que constroem a escada?
O outro ficou espantado com a pergunta, mas não se fez de rogado:
- Não sei. Isso eles nunca me contaram.
E o Malasartes o tranqüilizou:
- Ah... deve ser segredo deles!
- Isso mesmo! Eles descem pela escada de ouro e vem conversar comigo lá no meu quarto. Enquanto falam batem com força as asas e as penas vão caindo. E os meus sonhos são tão reais que, quando acordo, o meu quarto está coberto de penas. Penas de anjo. Eu cato aquelas pluminhas branquinhas e fabrico esses travesseiros.
O Pedro olhou bem nos olhos do sujeito. Deu um suspiro profundo e falou:
- Mas que beleza, né?
- O amigo não acredita?
O povo que estava na estalagem deu uma risadinha. Parecia que aquela pergunta era uma espécie de bordão do dono da estalagem. Mas o Malasartes não se incomodou.
- E porque não havia de acreditar? Um homem com essa sua cara... parece que veio do céu junto com os anjos. Como é que eu não vou acreditar numa história tão bonita e tão verdadeira?
- E ainda tem mais!
- Pois continue! – disse o amarelo querendo ver aonde isso ia chegar.
- Esses travesseiros são mágicos!
- Mágicos?
- É. Quem deita a cabeça neles tem o melhor sono do mundo! Recupera todas as forças e pode depois enfrentar qualquer coisa!
O Malasartes deu um pulo de felicidade e falou:
- Pois é exatamente isso que eu estou precisando! Amanhã tenho uma tarefa grande para enfrentar!
O povo todo do lugar, não se agüentou, deu uma grande gargalhada. E o Pedro perguntou ao dono da estalagem:
- Eles estão rindo de quê?
- De nada, meu amigo, essa gente tem o riso frouxo!
- Bom... se é assim... eu prefiro ir dormir. Minha cama já está pronta com o travesseiro mágico?
- Prontinha! Está só esperando o seu descanso!
- Eu só tenho uma pergunta para fazer: quanto isso vai me custar? – quis saber o amarelo.
- Ah... amanhã a gente conversa sobre isso! – desconversou o homem louro.
Malasartes deu de ombros e foi para o quarto. O dono da estalagem esfregou as mãos com satisfação.
- Amanhã vou ter mais um empregado na casa!
O povo todo do lugar deu uma nova gargalhada.
O Pedro entrou no quarto. Era um quarto muito jeitoso com uma janelinha que dava para o quintal da estalagem. Era uma janela baixa. Apesar da noite alta, o amarelo viu que o quintal era coberto de pedrinhas. Ao fundo uma grande pedreira. Não tinha como fugir dali. Devia ser mais uma artimanha do estalajadeiro para prender aqueles que ele enganava. O Malasartes se espreguiçou e foi deitar. A cama era realmente muito confortável. O amarelo ficou curioso, pensando em quanto o dono da estalagem iria cobrar por aquela estadia. Estava nisso quando... dormiu. O sono dos justos.
No dia seguinte, já com o sol alto, o Pedro levantou. Tomou um banho, se vestiu e saiu do quarto para tomar o seu café da manhã. Encontrou o bar cheio. Todas as pessoas, que estavam ontem à noite no lugar, já estavam lá. O dono da estalagem estava atrás do balcão com um sorriso largo. O Malasartes se aproximou e falou apontado para as pessoas:
- Bom dia! Desculpe perguntar: esse povo não dorme, não? Parece que ninguém saiu daqui!
O homem louro deu uma gargalhada.
- Eles gostam daqui! – mudando de assunto, emendou – Dormiu bem?
- Como um rei! Tive um sonho maravilhoso! O amigo nem vai acreditar!
Atrás do balcão, o homem que parecia satisfeito disse:
- Foi o travesseiro! Eu não falei?
- Mas eu não duvidava disso. Bendito travesseiro com asa de anjo! – respondeu o amarelo.
O estalajadeiro fez uma cara triste.
- É... mas tem uma coisa chata.
- O que é? – quis saber o Pedro.
- O travesseiro mágico só pode ser usado uma única vez. Depois de usado ele perde a magia e vira um travesseiro comum.
- Ah... mas que tristeza! Tive um sonho tão gostoso que estava pensando em até levar um travesseiro comigo! – e o Malasartes mudou de assunto – Tem café da manhã?
- Claro!
- É receita dos anjos?
- E podia ser de outro jeito?
- Então pode me servir, por favor?
O Pedro sentou numa mesinha e todo mundo ficou olhando. O estalajadeiro serviu um café digno de um príncipe. O Malasartes comeu até se fartar. Depois foi até o balcão onde estava o dono da estalagem, sendo o tempo todo seguido pelos olhares do pessoal que estava no bar. Chegou no balcão, bateu de leve e disse ao homem louro:
- Bom... já comi, já dormi e só uma coisa me prende aqui: quanto lhe devo pela comida e dormida?
O povo que estava por lá espichou o ouvido e foi aí que o homem louro mudou a cara. Ficou sério e falou assim:
- Espera aí! Não é só uma “comida e uma dormida”! É uma comida receitada por anjos e uma dormida em travesseiro mágico. Um travesseiro com asa de anjo que o amigo estragou!
Malasartes fez espanto:
- Estraguei?
- Se ele perdeu a mágica porque foi usado pelo senhor... foi o senhor que estragou!
- E não é que é verdade! Que pena! Mas quanto vai ficar isso?
O povo todo se espichou mais para ouvir a quantia. Teve gente que quase caiu da cadeira. E o dono da estalagem fez seus cálculos:
- Bom... contando a comida... à noite de sono... e o café da manhã. Tudo de primeira! Receitado por anjos! O amigo me deve... Seis milhões!
Houve um alarido entre aqueles que estavam no bar. O dono da estalagem nunca tinha cobrado tão alto. O Malasartes arregalou o olho e não disse nada, mas o homem louro perguntou:
- Que foi? Achou caro? Não tem o dinheiro para pagar?
E o amarelo respondeu:
- Seis milhão! – ele respirou fundo e continuou – Meu amigo, tô impressionado como o senhor é barateiro! O senhor não valoriza o seu trabalho! Um serviço de primeira!
O povo todo ficou de boca aberta com a resposta do Malasartes, mas o estalajadeiro perguntou:
- E o senhor vai me pagar?
- Claro! O senhor tem dúvida?
Houve um silêncio e o caipira malandro continuou:
- Eu vou lá no meu quarto pegar minhas coisas e já lhe trago o pagamento.
O Malasartes saiu. Ficou tudo mundo no maior alvoroço para saber como aquele amarelo iria pagar aquela dívida. O dono da estalagem estava tranqüilo. Sabia que, por ali, o Pedro não podia fugir por causa da pedreira. Outros já tinham tentado e não conseguiram. Lá no quarto, o Malasartes pegou suas coisas e abriu a janela. Sem pular, esticou o braço para o quintal e pegou um punhado de pedrinhas do chão que colocou no bolso. E voltou para o bar. O povo todo esperava ansioso. O homem louro, quando viu o Malasartes, perguntou:
- Cadê o meu pagamento?
- Tá aqui!
Disse o amarelo tirando do bolso seis pedrinhas e colocando em cima do balcão. Uma do lado da outra. O povo todo ficou espantado e o homem louro perdeu a cara de anjo. Ficou bravo e gritou:
- Isso são seis milhões? Isso são seis pedrinhas vagabundas!
Aí, o Malasartes é que ficou meio bravo:
- Não diga isso! O senhor não sabe o que está falando, mas pode deixar que eu vou explicar!
O malandro respirou fundo e baixou a voz:
- Como o senhor, essa noite, eu também sonhei com os anjos! Deve ser por causa do travesseiro mágico! Eles vieram até o meu quarto e me contaram um segredo mais do que secreto! Um segredo que eles esconderam até do senhor! Um segredo importantíssimo! Eles me ensinaram a fazer a escada de ouro que vai até o céu!
- Como é que é? – perguntou o outro sem entender.
- É como eu estou lhe dizendo: sonhei com os anjos e eles me ensinaram a fazer a escada de ouro. E sabe como faz? Com essa pedrinha! O amigo pega uma delas e de manhã coloca pra tomar chuva. Numa tarde deixa tomar sol. E numa noite deixa tomar sereno. Depois planta a pedrinha. Enquanto planta reza um Pai-nosso e duas Ave-Marias. Depois faz uma cruz em cima riscando a terra e... em dois dias nasce uma escada de ouro. E a escada fica uma beleza! Toda de ouro! E os anjos ainda me disseram que cada escada custa um milhão! Como eu estou lhe dando seis pedrinhas... tão aí: seis milhão!
O homem louro e o povo todo só olhavam para as pedrinhas. Não falavam nada. E o Malasartes completou com a mesma entonação do dono da estalagem:
- O que foi? O amigo não acredita?
O estalajadeiro ficou vermelho de ódio. Mas o povo todo deu uma gargalhada daquelas. Era bem feito. Um homem, que vivia de enganar os outros, foi finalmente enganado. Mas o dono da estalagem, ainda não se dando por vencido, falou:
- Se isso for verdade... esse seu sonho aí... o seu quarto deve estar cheio de pena de anjo! Eu vou lá catar...
Mas o amarelo interrompeu o homem louro.
- Ih, meu amigo, não tem, não! Não tem umazinha sequer! Os anjos me disseram que São Pedro, o chaveiro do céu, não está satisfeito com essa história de fazer travesseiro com asa de anjo. O Porteiro Celeste disse que era até pecado! Acho que é por isso que os anjos não lhe contaram o segredo da escada. Mas contaram para mim! Os bichinhos ficaram com as asinhas paradas. Nem mexiam! Não perderam uma peninha! É melhor o amigo parar com esse negócio de fazer travesseiro com asa de anjo! É pecado!
O povo todo deu uma gargalhada ainda maior. E o Pedro ainda disse:
- Como gostei muito do seu serviço, vou lhe dar mais duas pedrinhas formando assim... oito milhão! É um agrado! Uma gorjeta! Pelos serviços prestados!
O homem bufava e o amarelo aconselhou:
- Não perca essas pedrinhas! Elas valem muito!
O caipira bateu de leve no chapéu e se despediu:
- Obrigado pela estadia e... uma boa tarde, amigo!
O malandro disse isso e foi embora. O povo todo deu vivas pela esperteza do amarelo. O dono da estalagem, sem poder fazer nada, espumava de raiva. E o Pedro Malasartes continuou sua viagem.

Adaptação de Augusto Pessôa

UMA HISTÓRIA - IDADES


Minha tia Leonor confessou para mim no dia que fez setenta anos:

- Sinto como se tivesse dezoito! O tempo não passa! Só percebo que o tempo passou quando me olho no espelho!

O tempo é assim: um safado. Os dias voam... a semana passa rápido... hoje é segunda, amanhã já é sexta. E o ano? Hoje é janeiro... amanhã pode já ser junho ou até dezembro....
Mas por dentro a gente não sente isso.
Por dentro... o tempo não passa! Mesmo com toda maldade do espelho, a gente fica com aquela idade.... a idade que a gente quer! Pelo menos alguns conseguem isso! Minha tia Leonor conseguiu!!
Eu tenho trinta!
Quantos anos você tem?

sábado, 29 de agosto de 2009

ADIVINHAS

Respostas das adivinhas da semana passada:

1- Campo grande, gado miúdo; moça formosa, homem carrancudo?
Resp:Céu, estrelas, lua e sol.

2- O que é, o que é? Que só se faz de noite?
Resp.: Dar boa noite.

3 - O que é que a gente pode perder sem deixar de ter consigo?
Resp.: A cabeça.

CURTINHA - Bonecas

Bonecas

As irmãs nasceram como bonecas.
Foram criadas como bonecas e vivem enfileiradas como bonecas.
Numa vida cor de rosa.
Mas a caçula, teimosa e abusada, se rebelou:
- Não quero ser boneca! Quero ser mulher que é muito melhor!!

E foi viver A VIDA.

CONTO POPULAR - A Biblioteca de Malasartes

A BIBLIOTECA DE MALASARTES
Diz que o Pedro Malasartes estava morando numa pequena cidade. Ele, que era um grande viajante, resolveu ficar naquele lugarejo por um tempo e... foi ficando. O povo todo do lugar já conhecia a sua fama. O Malasartes já estava se cansando daquilo e pensando em ir embora dali. Num dia de muita chuva, pois São Pedro resolveu fazer uma grande lavagem no céu, Malasartes estava numa birosca tomando sua garapa pensando em realmente tomar um rumo na estrada, quando entrou no estabelecimento um rico coronel. A birosca estava cheia de gente, mas o coronel deu de cara com o Malasartes. Foi até a mesa onde o Pedro estava sentado, bateu na mesa, encheu os peitos e falou:
- Então, você que é o Pedro Malasartes?
Malasartes levantou o olho e respondeu:
- Sou eu, sim senhor!
O coronel fez uma cara feia e perguntou:
- Você é que engana todo mundo? Que é o rei da mentira?
- Que é isso, coronel. Quem sou eu...
O povo todo fala isso. Diz que essa é sua fama!
- Esse povo fala demais, seu coronel! Não vá atrás disso não!
O coronel se enfezou. Bateu de novo na mesa com a força de um trovão como da chuva que caia lá fora. Bateu e disse:
- Se o povo fala deve ter alguma verdade. A voz do povo é a voz de Deus.
- Se o senhor está dizendo...
- Pois então eu quero ver você contar uma mentira agora! E quero ver se alguém daqui vai acreditar!
As pessoas que estavam na birosca foram se aproximando para ver onde isso ia dar. O Malasartes levantou devagar, olhou o coronel por baixo dos olhos e disse:
- Não vai ser possível, seu coronel.
- Como não! Você não é o rei da mentira? O rei da enganação?
- Seu coronel olhe bem para mim. O senhor acha que eu, um amarelo sem eira nem beira, sem instrução... Um camarada que não pode nem com ele mesmo... O senhor acha que alguém vai acreditar numa mentira contada por mim? O senhor acha que eu tenho capacidade de fazer isso sozinho?
- Eu concordo com você! Acho meio difícil mesmo. Mas o povo diz que essa é sua fama.
- É verdade, mas eu não faço isso sozinho.
- Como assim?
- Eu preciso de ajuda.
- Ajuda de quem?
- Não é de quem! É do quê!
O povo todo que estava em volta espichou o ouvido para não perder uma palavra. O coronel arregalou o olho e perguntou:
- Do quê? Que história é essa, cabra?
- Eu leio essas mentiras nos meus livros da Mentira!
- Livros da Mentira?
- Uma coleção em quatro volumes!
- Quatro volumes para contar mentira?
- Uma mentira bem contada é mais difícil que uma verdade mal contada, né?!
O coronel amansou, mas quis saber:
- Isso é verdade. Mas onde estão esses livros?
- Estão lá na minha palhoça. Na minha biblioteca.
- E você tem uma biblioteca, amarelo?
- Tenho. São poucos livros, mas sem esses livros não dá para contar mentira...
O coronel insistiu:
- Então, faça lá uma enganação para gente vê se enrola alguém aqui da birosca!
- Coronel, o senhor não entendeu. Eu sou um pobre coitado. Sem os livros não vai dar jeito...
- Tem livro da enrolação?
- Uma coleção em dois volumes!
- Em dois volumes?
- Enrolar é mais fácil. Esse povo é muito abestaiado, coronel. Qualquer coisinha eles já estão se enrolando. Mas sem os livros que chance eu tenho.
O coronel ficou curioso:
- E esses livros são bons?
- São uma beleza, coronel! Encadernados com capa dura. As ilustrações são uma formosura. Ensinam direitinho.
O coronel estava cada vez mais curioso. A chuva caia forte lá fora.
- E onde estão esses livros?
- Lá na minha palhoça. Sem eles eu não sirvo pra nada.
- Vá pegar esses livros.
- Nessa chuva, coronel. Magrinho do jeito que eu sou. Posso pegar uma doença. Uma constipação. Posso até morrer.
- Eu lhe empresto meu casaco de couro e meu chapéu. – disse o coronel já tirando um bonito casaco e seu chapéu de vaqueiro e entregando a Malasartes.
O Pedro pegou aquilo e ficou contente, mas disse:
- Que beleza de casaco. E o chapéu é uma formosura. Mas a minha palhoça é tão longe e eu estou a pé. Vai molhar suas coisas todas, vai demorar tanto para eu voltar.
- Vá no meu cavalo. É um alazão branco que está bem aí na porta.
- No seu cavalo! Mas vai ser uma honra.
- Ande logo, amarelo!
O Malasartes fez um gesto com a mão chamando o coronel para perto e falou baixinho:
- Coronel, eu não tenho como sair daqui.
- E por que?
- A minha conta aqui na birosca está alta e eu não tenho dinheiro aqui comigo para pagar. Se eu sair, com essa fama que esse povo diz que eu tenho, o dono da birosca vai achar que eu estou querendo enganar ele.
- E como é que você pretendia pagar isso?
- Com serviço. Ia lavar um chão, lavar a louça, limpar as coisas...
O coronel se apromou e disse bem alto para todo mundo ouvir apontando para o Malasartes:
- A conta desse camarada eu pago. – olhou para o Pedro e apontou a porta com a cabeça – Agora vá logo, amarelo! Eu estou doido para ver esses livros.
O Malasartes encolheu os ombros:
- Se o coronel assim quer, assim feito será!
O Pedro Malasartes foi embora com o chapéu, o casaco de couro e o alazão do coronel. E nunca mais voltou.
O coronel teve que pagar a conta e diz que ele está esperando até hoje. O povo quando passa por ele, não deixa de dar um risinho lembrando da biblioteca do Malasartes.
Adaptação de Augusto Pessôa

sábado, 22 de agosto de 2009

CONTO POPULAR - Manuel da Bengala

MANUEL DA BENGALA
Há muito tempo atrás, num reino distante, era dia de grande alegria. Nasceu o filho do Rei. O Rei estava feliz e deu para seu filho o nome de Manuel. Mas logo o Rei ficou preocupado. Manuel crescia com rapidez incrível e tinha uma fome enorme. Com três dias de nascido, já comia um boi inteiro. O Rei estava assustado e mandou chamar os sábios para dar uma solução. Só que os sábios disseram ao Rei que o melhor era se livrar de Manuel. Com aquela fome tão grande poderia ser a ruína do reino. O Rei não queria se livrar de seu filho. Mandou-o então, para casa de um Barão seu amigo. Manuel, que de tanto crescer já parecia um rapazinho, aceitou ir para a casa do Barão. Mas pediu ao pai uma bengala de prata maciça. O Rei lhe deu a bengala e Manuel passou a ser conhecido como: Manuel da Bengala.
Na verdade, a casa do Barão era uma fazenda. Um canavial enorme. De perder de vista. Era época do início do corte da cana. O Barão aceitou Manuel na fazenda, mas disse que ele teria que trabalhar. Manuel, que também tinha uma força tremenda, pediu ao Barão uma foice. O Barão lhe deu a foice. Manuel pegou o instrumento e...ZAPT!! ZAPT!!! ZAPT!!! Em meia hora cortou toda a cana-de-açúcar do canavial. O Barão ficou besta. Aquilo era trabalho para mais de um mês. E Manuel o fez em meia hora. O nobre resolveu então, fazer uma ceia em homenagem a Manuel. Mandou matar três porcos e oito galinhas. Só que Manuel comeu tudo e pediu mais. Aquilo não deu nem para tapar o buraco do dente. O Barão ficou assustado, mas mandou matar mais três bois, quatro porcos e vinte galinhas. Que Manuel comeu tudo sozinho. O nobre ficou desesperado e mandou Manuel de volta ao Rei. Com aquela fome tão grande, o rapaz seria sua ruína.
O Rei recebeu Manuel de volta, mas teve logo que mandá-lo embora pelo mundo. Manuel aceitou ir pelo mundo, mas pediu ao pai uma carroça. Subiu na carroça e foi andando. Andou... andou... andou... até que passou por um campo muito bonito onde um homem capinava. Quando o homem do campo viu Manuel, achou engraçado aquele menino que mais parecia um homem, e perguntou:
- Oh menino, que mais parece um homem, como é teu nome? Pra onde você vai?
- Eu sou Manuel da Bengala. E vou pelo mundo!!
- Posso ir contigo?
- Vamos!!
Manuel perguntou como era o nome do homem do campo e ele respondeu que se chamava Arranca Serra. E os dois seguiram viagem. Andaram... andaram... andaram... até que passaram por um grande rio onde um homem pescava. Quando o homem do rio viu Manuel, achou engraçado aquele menino que mais parecia um homem, e perguntou:
- Oh menino, que mais parece um homem, como é teu nome? Para onde você vai?
- Eu sou Manuel da Bengala. E vou pelo mundo!!
- Posso ir contigo?
- Vamos!!
Manuel perguntou como era o nome do homem do rio e ele respondeu que se chamava Passavau. Os três seguiram viagem. Decidiram que cada dia um sairia para arrumar comida para os outros. O primeiro foi o Arranca Serra. Pegou uma arma e saiu procurando. Procura daqui... procura dali... e nada. Até que encontrou um garotinho que tinha uma cara gozada, um chapeuzinho de ferro na cabeça e um cachimbo na boca.
- Oh moço, me dá fogo pr'o meu cachimbo?
- Sai pra lá, menino. Eu estou caçando!!
- Dá fogo pr'o meu cachimbo, moço!
- Não tem fogo nenhum aqui, menino. Vai embora.
- Se o senhor “dé” fogo pr'o meu cachimbo eu lhe digo onde tem uma princesa prisioneira.
- Não quero saber de princesa, menino.
O garotinho pegou o cachimbo e...TUM!!! na cabeça de Arranca Serra. Que caiu para trás como morto. Mas não estava morto, só desmaiado. Quando acordou não viu mais o garotinho. Voltou ao encontro dos dois amigos e contou o que acontecera. Passavau e Manuel riram a valer. Passavau pegou a arma e foi caçar. Procura daqui... procura dali... e nada. Até que encontrou um garotinho com a cara gozada, um chapeuzinho de ferro na cabeça e um cachimbo na boca.
- Oh moço, me dá fogo pr'o meu cachimbo?
- Garoto, já ouvi falar em você, me deixa em paz.
- Dá fogo pr'o meu cachimbo, moço!
- Não tem fogo nenhum, garoto. Vai embora.
- Se o senhor “dé” fogo pr'o meu cachimbo, eu lhe digo onde tem uma princesa prisioneira.
- Não quero saber de princesa, garoto, me deixa em paz.
O garotinho pegou o cachimbo e... TUM!!! na cabeça de Passavau. Que caiu para trás como morto. Mas também não estava morto, só desmaiado. Quando acordou não viu mais o garotinho. Voltou ao encontro dos dois amigos. E Manuel riu a valer.
- Mas vocês... dois homens desse tamanho com medo de um garotinho.
Manuel pegou sua bengala e foi caçar. Procura daqui... Procura dali... e nada. Até que aparece o garotinho. Chapeuzinho de ferro na cabeça e cachimbo na boca.
- Oh moço, me dá fogo pr'o meu cachimbo?
- Garoto, me deixa em paz.
- Dá fogo pr'o meu cachimbo, moço!
- Não tem fogo nenhum, garoto. Eu quero caçar!
- Se o senhor “dé” fogo pr'o meu cachimbo, eu lhe digo onde tem uma princesa prisioneira.
- Quero lá saber de princesa, garoto, me deixa!
O garotinho pegou o cachimbo e...TUM!!! na cabeça de Manuel. Só que Manuel era cabeça dura. Pegou sua bengala e...TUM!!! na cabeça do garotinho. E eles começaram uma briga. Era...TUM! TUM! TUM! TUM! Até que Manuel foi mais ágil e roubou o chapeuzinho do garoto.
- Me dá meu chapeuzinho!
- Não “dô”!
- Me dá meu chapeuzinho!!
- Não “dô”!!
- Me dá meu chapeuzinho!!!
- Só lhe dou se você me disser onde está a princesa prisioneira!
- “Tá” bom!!!
O garotinho foi na frente, Manuel atrás. E atrás deles, sem que eles percebessem, o Passavau e o Arranca Serra que tinham seguido Manuel para ver como ele iria se arranjar. Ao chegar numa grande pedra, o garotinho fez um gesto mágico e a pedra se abriu. Passou o garotinho, passou Manuel e a pedra se fechou deixando para trás o Passavau e o Arranca Serra. O garotinho e Manuel andaram muito por uma gruta. Era uma gruta enorme. Até que avistaram um belíssimo castelo. Um castelo todo branco. Eles entraram no castelo que era ricamente decorado. Andaram por salas e salões, até chegarem numa pequena sala. Lá estava uma linda jovem que chorava. Era a princesa. Manuel ficou encantado com a beleza da moça. A princesa também ficou impressionada com aquele menino que mais parecia um homem. A princesa deu para Manuel um lenço branco. E o garotinho falou:
- Pronto, aí esta a princesa. Agora me dê meu chapeuzinho.
- Só dou depois que você preparar uma ceia para nós.
- “Tá” bom!!!
O garotinho saiu para preparar a ceia e a princesa ficou com Manuel. A moça contou sua história: estava ali presa pelo garotinho. Que não era garotinho coisa nenhuma, e sim um bruxo disfarçado. Ela só poderia sair dali, se alguém ficasse em seu lugar. Manuel prometeu ajudar e a princesa deu para ele um lenço azul.
A ceia ficou pronta. Manuel e a princesa sentaram e comeram. A moça tinha tanto apetite quanto Manuel. Terminada a ceia, o garotinho apareceu.
- Agora me dê meu chapeuzinho.
- Só dou se você libertar a princesa. Eu ficarei no lugar dela.
- “Tá” bom!!!
O garotinho fez um gesto mágico. A princesa jogou para Manuel um lenço vermelho e desapareceu. Aparecendo de novo, lá, depois da pedra. Junto com Passavau e Arranca Serra. No castelo o garotinho insistia:
- Agora me dê meu chapeuzinho.
- Você quer seu chapeuzinho?
- Quero!!
- Mas eu não dou.
Dizendo isso, Manuel jogou o chapeuzinho no chão. Pegou sua bengala e com toda força bateu no chapeuzinho... TUM!!! Foi chapeuzinho pra tudo que é lado. O garotinho começou a crescer... crescer... e se transformou num terrível bruxo. Logo que se transformou, começou a derreter... derreter... e se desmanchou no chão. O castelo começou a cair na cabeça de Manuel. O rapaz saiu correndo, mas a gruta também estava desmoronando. Manuel corria para se salvar. E a gruta despencando sobre sua cabeça. Quando chegou na pedra, ela estava fechada. O garotinho não existia mais e não tinha ninguém para abrir a pedra. O rapaz pegou sua bengala e com toda força que tinha...TUM!!! Foi pedra para tudo que é lado. E Manuel saiu...UFA!!! Mas onde está a princesa? O Passavau e o Arranca Serra sabendo da história da princesa, a levaram de volta para seu reino. Chegando lá, disseram ser os salvadores da jovem. Exigiam para um a mão da princesa, para outro uma grande fortuna. O Rei, pai da princesa, ficou tão feliz que nem ouviu os lamentos da filha. A moça só chorava dizendo que aqueles não eram seus salvadores. Mas o Rei estava tão feliz que nem ouvia. E Manuel, lá onde estava, não entendia nada. Pegou o lenço branco e pediu:
- Lenço, voa... voa e vai ao encontro da mulher que eu amo...
E o lenço se transformou num pombo e voou. Voou... voou... até que pousou no colo da princesa e se transformou novamente em lenço. A jovem pegou o lenço e mostrou ao pai.
- Olha meu pai, este lenço é do homem que me ama!!
E Manuel, lá onde estava, pegou o lenço azul e pediu:
- Lenço, voa... voa e vai ao encontro da mulher que me ama...
O lenço se transformou num pássaro azul e voou. Voou... voou até que pousou no colo da princesa e se transformou novamente em lenço. A jovem pegou o lenço e mostrou ao pai.
- Olha meu pai, este lenço é do homem que eu amo!!!
Manuel pegou o lenço vermelho e pediu:
- Lenço, voa... voa e me leva para os braços do meu amor...
O lenço cresceu... cresceu... envolveu Manuel e saiu voando. Voou... voou... até que chegou ao castelo da princesa. Manuel abraçou sua amada e a moça disse ao Rei:
- Olha meu pai, este é que me salvou. É o homem que eu amo.
O Rei viu verdade no que era dito pela filha. Expulsou Passavau e Arranca Serra do reino para que eles nunca mais voltassem. E fez um grande banquete que durou doze dias. Manuel e a princesa casaram-se e viveram felizes para sempre.
Adaptação de Augusto Pessôa do conto popular
"MANUEL DA BENGALA"

CONTO POPULAR - As Três Velhas

AS TRÊS VELHAS
Uma viúva tinha uma filha muito bonita que agradava a toda a gente. A viúva queria casar a filha com homem rico e para isso fazia o possível para conseguir um genro de posses. Na esquina da rua onde moravam as duas tinha uma casa de comércio cujo dono era solteiro e cheio de dinheiro. A viúva fazia as compras nessa casa e vivia estudando um meio de conseguir fazer com que o homem conhecesse e simpatizasse com sua filha.
Um dia ouviu o rapaz dizer que só se casaria com uma moça trabalhadeira e que fiasse muito mais do que todas na cidade. A viúva comprou logo uma porção de linho, dizendo que era para a filha fiar, e que esta era a melhor fiandeira do mundo.
A viúva chegando a casa entregou o linho â moça, dizendo que teria de fiá-lo completamente até a manhã seguinte. A moça, que não sabia fiar, começou a chorar, e foi sentar-se no batente da cozinha, rezando, desconsolada da vida. Estava nesse ponto quando ouviu uma voz perguntar.
- Chorando por quê, minha filha?
Levantou os olhos e viu uma velhinha. Uma velha feia e corcunda.
- E não hei de chorar? Minha mãe quer que eu fie todo esse linho e o entregue todo pronto amanhã de manhã. . . Mas não sei fiar!
- Não se agonie, minha filha. Se você me convidar para seu casamento e prometer que três vezes me chamará tia, em voz alta, darei uma ajuda.
A moça prometeu. A velha despediu-se e foi embora, deixando o monte de linho fiado e pronto. Como mágica. A viúva, quando achou a tarefa pronta, só faltou morrer de satisfeita. Correu até a loja do negociante, mostrando as habilidades da filha e pediu uma porção ainda maior de linho. O negociante espantado pelo trabalho da moça não quis receber dinheiro pela compra.
Vendo que as coisas se encaminhavam como ela desejava, a viúva voltou a dar o linho pra a filha fiar até a manhã seguinte. Novamente a moça se agoniou muito e foi chorar na cozinha. Estava nesse ponto quando ouviu uma voz perguntar.
- Chorando por quê, minha filha?
Levantou os olhos e viu uma outra velhinha. Mais feia que a outra e com a boca torta.
- E não hei de chorar? Minha mãe quer que eu fie todo esse linho e o entregue todo pronto amanhã de manhã. . . Mas não sei fiar!
- Não se agonie, minha filha. Se você me convidar para seu casamento e prometer que três vezes me chamará tia, em voz alta, darei uma ajuda.
A moça prometeu e o linho ficou pronto num minuto. Como mágica.
A viúva voltou correndo à loja do homem rico, mostrando o linho fiado e gabando a filha. O negociante estava simpatizando muito com a moça que fiava tão depressa e tinha tamanhas qualidades. A viúva voltou com uma carga de linho enorme, entregando aquela penitência à sua filha.
Aconteceu como nas outras vezes. Apareceu uma velha que perguntou:
- Chorando por quê, minha filha?
A moça levantou os olhos e viu uma terceira velhinha. Mas essa era a mais feia das três. Tinha os dedos finos e compridos como patas de aranhas.
- E não hei de chorar? Minha mãe quer que eu fie todo esse linho e o entregue todo pronto amanhã de manhã. . . Mas não sei fiar!
- Não se agonie, minha filha. Se você me convidar para seu casamento e prometer que três vezes me chamará tia, em voz alta, darei uma ajuda.
A moça prometeu e o trabalho ficou pronto num piscar de olhos. Como mágica.
Quando o negociante viu o linho fiado, pediu para conhecer a moça, conversou com ela: e acabou falando em casamento. Como era muito bonito e educado, a moça aceitou e marcou-se o casamento. O homem mandou preparar sua casa com todos os arranjos decentes e encheu uma mesa de fusos, rocas, linhos, tudo para que a mulher se ocupasse em fiar.
Depois do casamento, na hora da festa, estavam todos reunidos e muito alegres, quando bateram palmas e entrou uma das três velhas. A noiva correu logo dizendo:
- Que alegria, minha tia! Entre, minha tia, sente-se aqui perto de mim, minha tia.
Assim que a velha sentou na cadeira, chegou a outra, recebida com a mesma satisfação:
- Entre minha tia! Sente-se aqui, minha tia! Vai jantar comigo, minha tia!
A terceira velha chegou também e a noiva abraçou-a logo:
- Dê cá um abraço, minha tia! Vamos sentar, minha tia! Quero apresentá-la ao meu marido, minha tia!
Foram para o jantar e o marido e convidados não tiravam os olhos de cima das três velhas que eram feias como o pecado mortal.
Depois do jantar, o marido não se conteve e perguntou por que a primeira era tão corcunda, a segunda com a boca torta e a terceira com os dedos tão finos e compridos. As velhinhas responderam:
- Eu fiquei corcunda de tanto fiar linho, curvada para rodar o fuso!
- Eu fiquei com a boca torta de tanto cortar os fios de linho quando fiava!
- Eu fiquei com os dedos assim de tanto puxar e remexer o linho quando fiava!
Ouvindo isso o marido mandou buscar os fusos, rocas, meadas, linhos, e tudo que servisse para fiar, e fez com que queimassem tudo, jurando a Deus que jamais sua mulher havia de ficar feia como as três tias fiandeiras por causa do encargo de fiar. Depois, as três velhas desapareceram para sempre e o casal viveu muito feliz.

A RÃ E O BOI - VÍDEO

A RÃ E O BOI - VÍDEO
Apresentação de Augusto Pessôa no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias SESC RJ 2010. Clique na imagem e assista a história

A MENINA QUE FAZIA AZEITE DE DENDÊ

A MENINA QUE FAZIA AZEITE DE DENDÊ
Clique na imagem e assista a hitória

UMA APOSTA (VÍDEO)

UMA APOSTA (VÍDEO)
Conto de Artur Azevedo. CLIQUE NA IMAGEM E VEJA O VÍDEO

LIVROS LEGAIS

  • GRAMÁTICA DA FANTASIA de Gianni Rodari - Summus Editorial.
  • GUARDADOS DO CORAÇÃO – Memorial para Contadores de Histórias de Francisco Gregório Filho - Editora Amais.
  • FÁBULAS ITALIANAS de Ítalo Calvino - Editora Companhia das Letras
  • DICIONÁRIO DE FOLCLORE BRASILEIRO de Câmara Cascudo - Editora Itatiaia
  • VASOS SAGRADOS de Maria Inez do Espírito Santo - Ed Rocco
  • MEUS CONTOS AFRICANOS - seleção de Nelson Mandela - Ed Martins
  • LENDAS BRASILEIRAS de Camara Cascudo - Ediouro
  • CONTOS TRADICIONAIS DO BRASIL de Camara Cascudo - Ed Itatiaia
  • CONTOS POPULARES DO BRASIL de Silvio Romero - Ed Itatiaia

A MOURA TORTA

A MOURA TORTA
Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo

MARIA BORRALHEIRA (VÍDEO)

MARIA BORRALHEIRA (VÍDEO)
Peça teatral baseada no conto popular MARIA BORRALHEIRA com Augusto Pessôa e Rodrigo Lima. Direção Rubens Lima Junior. Clique na foto e assista a um trecho da peça.

FELIZES PARA SEMPRE (RESENHA)

FELIZES PARA SEMPRE (RESENHA)
Clique na imagem e veja a resenha do livro FELIZES PARA SEMPRE

QUANDO OS BICHOS AINDA FALAVAM

QUANDO OS BICHOS AINDA FALAVAM
Apresentação no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias SESC RJ 2009

A MENINA QUE VIROU CORUJA (VÍDEO)

A MENINA QUE VIROU CORUJA (VÍDEO)
Conto Africano. Clique na imagem e assista ahistória

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)
Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Cliuqe na imagem e assista a um trecho do espetáculo

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)
Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo.

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)
Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Clique na imagem e assita a um trecho do espetáculo

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - SONHO DE MENINA

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - SONHO DE MENINA
Apresentação no SESC Niterói - nov 2009 - Clique na imagem e assista a apresentação.

O MARIDO FIEL - VÍDEO

O MARIDO FIEL - VÍDEO
Conto de Nelson Rodrigues - adaptação e narração de Augusto Pessôa. Clique na imagem e assista a história.

O JABUTI E A FRUTA (VÍDEO)

O JABUTI E A FRUTA (VÍDEO)
conto popular adaptado por Augusto Pessôa. CLIQUE NA IMAGEM E ASSISTA AO VÍDEO

VOU BUSCAR O MEU AMOR (VÍDEO)

VOU BUSCAR O MEU AMOR (VÍDEO)
Cena do espetáculo A MOURA TORTA. Clique na foto e veja a cena

A MOURA TORTA

A MOURA TORTA
Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo em cartaz no teatro do Jockey - Gávea

JABUTI

JABUTI
Apresentação no Simpósio Internacional de contadores de Histórias - SESC RJ 2009. Clique na imagem e assista a um trecho da apresentação

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - abertura da peça (VÍDEO)

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - abertura da peça  (VÍDEO)
Apresentação no SESC Niterói - nov 2009 - Clique na imagem e assista a apresentação

A NOITE QUE A LUA SUMIU DO CÉU (VÍDEO)

A NOITE QUE A LUA SUMIU DO CÉU (VÍDEO)
Clique na imagem e veja um clipe do espetáculo

A DAMA DO LOTAÇÃO (VÍDEO)

A DAMA DO LOTAÇÃO (VÍDEO)
conto de Nelson Rodrigues. Adaptação e narração de Augusto Pessôa

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (VÍDEO)

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (VÍDEO)
Peça baseada no conto popular O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (2003). Clique na foto e veja um trecho do espetáculo.

TOC, TOC, TOC, TOC (VÍDEO)

TOC, TOC, TOC, TOC (VÍDEO)
Conto de Arur Azevedo. CLIQUE NA IMAGEM E VEJA O VÍDEO

MALASARTES E O HOMEM ENGANADO DUAS VEZES (VÍDEO)

MALASARTES E O HOMEM ENGANADO DUAS VEZES (VÍDEO)
Contação de Histórias. Clique na imagem e assista a contação.

MENINA FACEIRA

MENINA FACEIRA
Apresentação de Augusto Pessôa e Rodrigo Lima no Instituto Moreira Salles - set 2009. Clique na imagem e veja a apresentação.

HISTÓRIA DE ANTANHO (VÍDEO)

HISTÓRIA DE ANTANHO (VÍDEO)
NA CASA DE SEU PEDRÃO. Apresentação de Augusto Pessôa e Rodrigo Lima no SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE CONTADORES DE HISTÓRIAS - SESC RJ (2008). Clique na imagem e veja a apresentação

MÚSICA - NA FEIRA DO TEM TEM (VÍDEO)

MÚSICA - NA FEIRA DO TEM TEM (VÍDEO)
O Rei Doente do Mal de Amores - apresentação no SESC Niterói 2009. Clique na imagem e assista a cena.

PARA SEMPRE FIEL (VÍDEO)

PARA SEMPRE FIEL (VÍDEO)
Conto de Nelson Rodrigues - adaptação e narração de Augusto Pessôa

SUSPIROS VÃO E VEM (VÍDEO)

SUSPIROS VÃO E VEM (VÍDEO)
Apresentação do espetáculo O REI DOENTE DO MALDE AMORES no SESC Niterói 2009. Clique na imagem e assista a apresentação

MALASARTES! (VÍDEO)

MALASARTES! (VÍDEO)
Peça baseada nas histórias de Pedro Malasartes. Clique na foto e veja um trecho do espetáculo

O JABUTI E A FRUTA

O JABUTI E A FRUTA
Apresentação no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias - SESC RJ 2009. Clique na imagem e assista a história

A MOURA TORTA

A MOURA TORTA
Crítica do espetáculo publicada no JORNAL DO BRASIL

MARIA BORRALHEIRA - CRÍTICA (IMAGEM)

MARIA BORRALHEIRA - CRÍTICA (IMAGEM)
Clique na imagem e leia a crítica sobre o espetáculo

MALASARTES - CRÍTICA (IMAGEM)

MALASARTES - CRÍTICA (IMAGEM)
Clique na imagem e leia a crítica do espetáculo.

CRÍTICA DO ESPETÁCULO O REI DOENTE DO MAL DE AMORES

CRÍTICA DO ESPETÁCULO O REI DOENTE DO MAL DE AMORES

MALASARTES - Histórias de Um Camarada Chamado Pedro

MALASARTES - Histórias de Um Camarada Chamado Pedro
Livro de Augusto Pessôa publicado pela Editora ROCCO (2007)

FELIZES PARA SEMPRE

FELIZES PARA SEMPRE
Livro com adaptações de Augusto Pessôa - Editora ROCCO (2003)

CONTOS DE HUMOR

CONTOS DE HUMOR
Contos de Artur Azevedo - organização Augusto Pessôa - Editora ROCCO (2008)

CONTANDO HISTÓRIAS NA ABL

CONTANDO HISTÓRIAS NA ABL
CONTANDO HISTÓRIAS NA BIBLIOTECA DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS