AUGUSTO PESSÔA - CONTADOR DE HISTÓRIAS - (BRASIL)

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Ator, Cenógrafo, Figurinista, Arte Educador Dramaturgo e Contador de Histórias. Bacharelado em Artes Cênicas (Habilitação em Interpretação e Habilitação em Cenografia) pela UNI-RIO - Universidade do Rio de Janeiro.

A PANQUECA FUGITIVA, O RESMUNGÃO E OUTROS CONTOS NÓRDICOS

A PANQUECA FUGITIVA, O RESMUNGÃO E OUTROS CONTOS NÓRDICOS

HISTÓRIAS DE NATAL

HISTÓRIAS DE NATAL
livro de contos populares adaptados e ilustrados por Augusto Pessõa - Ed. Escrita Fina (2010)

HISTÓRIAS DE BRUXAS - livro

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

NOTÍCIAS

Editorial - Uma jornada para o livro
A DECISÃO do prefeito Heródoto pela criação da Secretaria Pró-Leitura poderá parecer estranha ao universo das estruturas de governo preocupadas mais com verbas que com propostas de progresso e desenvolvimento de toda a população. O incentivo à leitura que o prefeito faz demonstra inequivocamente a lucidez de constatar o péssimo hábito de leitura do povo brasileiro, em menor escala nas regiões menos desenvolvidas, mas assim mesmo motivo de vergonha nacional, uma verdadeira praga espalhada por todas as cidades e estados do país.E FOI mais além o prefeito, deixando a tarefa em mãos competentes de um consagrado escritor infantil em nível nacional e internacional, prestigiando o livro e o hábito da leiutura em Nova Friburgo com um representante à altura de apagar esta mancha cultural que se alastra perigosamente, evitando-a pelo menos entre os friburguenses. O secretário Álvaro Ottoni começou com o pé direito as suas atividades, através da realização da I Jornada Pedagógica, de capacitação de professores da rede municipal de ensino, com o objetivo de favorecer o hábito da leitura junto aos alunos.EM TERMOS gerais, a situação das bibliotecas públicas em todo o país é péssima e, apesar dos esforços de seus funcionários, cumprem mal a função de garantir à população o acesso gratuito aos livros. Pesquisa realizada pela Secretaria de Política Cultural do Ministério da Cultura identificou cerca de quatro mil bibliotecas públicas em todo o país, em sua esmagadora maioria municipais. Mais de 80% de seu público é formado por estudantes, um indicador indireto da falta de bibliotecas nas escolas. O acervo da grande maioria destas bibliotecas não é atualizado há vários anos; essencialmente, elas não compram livros, mas sobrevivem com doações, o que significa que estes acervos crescem ao acaso e sem uma política racional de compras voltada para as necessidades de seus frequentadores específicos, os estudantes.OUTROS dados também preocupam e afetam diretamente a todos, entre os quais o preço dos livros no Brasil. Nas bienais os preços médios ficam em R$ 30, com baixas tiragens que puxam o preço para cima. Além disso, muitos brasileiros são analfabetos funcionais: simplesmente não querem ler. Apenas um adulto alfabetizado em cada três lê livros. O brasileiro médio lê 1,8 livro não acadêmico por ano – menos da metade do que se lê nos EUA ou na Europa. Em uma pesquisa recente sobre hábitos de leitura estamos no fim da fila entre os 50 países emergentes. Um desonroso 47º lugar. PARA NÃO carregarmos o título de cidade ‘não leitora’, a nova secretaria terá pela frente uma tarefa desafiadora e ao mesmo tempo gratificante. O governo federal pode efetivamente ajudar através do Plano Nacional de Livros e Leitura, bem como o governo estadual, através de diversos órgãos. Porém, a mudança só será possível com a soberana decisão do cidadão friburguense, leitor ainda ausente e que será o maior beneficiário da medida. A mudança, pois, corretamente, começa com o livro na sala de aula.
PUBLICADO NO JORNAL A VOZ DA SERRA em 18 de fevereiro de 2009.

CONTO POPULAR - A terra onde ninguém morrerá

A TERRA ONDE NINGUÉM MORRERÁ
Uma vez um jovem, que morava numa aldeia, sentou debaixo de uma árvore para descansar. Quando olhou para o lado viu uma figura toda vestida de preto. Mas o moço não teve medo e puxou assunto com a tal figura. Durante a conversa ficou sabendo que aquela figura era a Morte. O rapaz ficou em pé e com uma faca na mão, gritou:
- Se veio pra me levar vai ter briga! Não quero morrer de jeito nenhum! Tenho muita vida pela frente!
A Morte, muito calma, sorriu:
- Calma, amigo. Que nervoso é esse! Só estou aqui descansando. Sua hora ainda está longe de chegar. Um dia eu pego você, mas não vai ser por agora!
Disse isso e desapareceu numa nuvem de fumaça. O jovem ficou pensando. Não queria morrer nem quando ficasse velho. Para ele, a morte era uma injustiça. Decidiu que não iria morrer. Ia procurar um lugar quase impossível. Uma terra... Uma “terra onde ninguém morrerá”.
- Deve existir um lugar assim! Eu só tenho que encontrar!
O jovem abandonou sua aldeia e foi pelo mundo afora em busca da “terra onde ninguém morrerá”.
Anda, anda que anda! Anda, vai procurar!
Anda, procura e encontra
A terra onde ninguém morrerá!
Pois ele andava e perguntava, para todos que encontrava, sobre a tal terra. Mas ninguém nunca tinha ouvido falar no tal lugar. O jovem, teimoso, foi em frente. Um dia, encontrou um homem velho puxando uma carroça velha. A carroça estava cheia de pedras.
- O senhor sabe onde fica a “terra onde ninguém morrerá”?
- Se não quer morrer - respondeu o homem velho – me ajude.
E apontou o dedo para longe.
- Está vendo aquela montanha? Enquanto não transportar toda aquela montanha com minha carroça, pedra por pedra, terra por terra, eu... e quem me ajudar não morrerá!
- Mas por quanto tempo vai ser isso?
- Mais ou menos cem anos!
- É pouco! Quero viver bem mais! – disse o rapaz.
Despediu-se e foi embora.
Anda, anda que anda! Anda, vai procurar!
Anda, procura e encontra
A terra onde ninguém morrerá!
Até que encontrou um homem muito velho, muito mais velho que o primeiro, com um machado na mão.
- O senhor sabe onde fica a “terra onde ninguém morrerá”?
- Se não quer morrer - respondeu o homem muito velho – me ajude.
E apontou o dedo para longe.
- Está vendo aquela floresta? Enquanto não cortar toda aquela floresta, tronco por tronco, galho por galho, eu... e quem me ajudar não morrerá!
- Mas por quanto tempo vai ser isso?
- Mais ou menos duzentos anos!
- É pouco! Quero viver bem mais! – disse o rapaz.
Despediu-se e foi embora.
Anda, anda que anda! Anda, vai procurar!
Anda, procura e encontra
A terra onde ninguém morrerá!
Até que encontrou um homem muito, muito velho. Muito mais velho que os outros dois juntos. O velho carregava um balde muito, muito velho, cheio de água.
- O senhor sabe onde fica a “terra onde ninguém morrerá”?
- Se não quer morrer - respondeu o homem muito, muito velho – me ajude.
E apontou o dedo para longe.
- Está vendo aquele mar? Enquanto não transportar todo aquele mar com meu balde, pingo por pingo, gota por gota, eu... e quem me ajudar não morrerá!
- Mas por quanto tempo vai ser isso?
- Mais ou menos trezentos anos!
- É pouco! Quero viver bem mais! – disse o rapaz.
Despediu-se e foi embora.
Anda, anda que anda! Anda, vai procurar!
Anda, procura e encontra
A terra onde ninguém morrerá!
E dessa vez ele andou muito. Andou muito mais do que das outras vezes. Até que viu um castelo branco todo enfeitado. O moço foi até lá. Chegou no castelo e bateu na porta. Silêncio. Bateu de novo. Ninguém atendeu. Ele andou pelo jardim do castelo e, perto de uma fonte, encontrou uma moça que o chamou pelo nome. A jovem era linda. A moça mais linda que o rapaz já tinha visto.
- Por favor - disse ele - Por acaso sabe onde fica a “terra onde ninguém morrerá”?
A moça sorriu:
- É aqui! A “terra onde ninguém morrerá”! Fique para sempre comigo. Enquanto estiver aqui você vai viver!
- Mas por quanto tempo? – quis saber o rapaz.
- O tempo que você desejar!
Era tudo que ele queria ouvir. A partir daquela manhã passou a morar com a moça no castelo. E era tudo maravilhoso: comida farta e da melhor qualidade, roupas finas e elegantes, as bebidas mais inebriantes, música suave e encantadora. E a noite, o rapaz dormia com a bela moça numa cama macia como uma nuvem. Com lençóis perfumados de alecrim. Às vezes o rapaz lembrava da Morte.
- Enganei a bandida!
Mas o tempo é bicho danado. E corre depressa acabando com tudo.
E o rapaz começou a sentir uma coisa engraçada. Uma saudade da família, dos amigos e da sua aldeia. Teve tanta saudade que falou para moça:
- Quero visitar meus parentes... meus amigos... Estou com saudades!
- Por quê? - perguntou ela. - Somos tão felizes!
- Mas eu sinto saudade - explicou o rapaz.
A moça bem que tentou convencer o rapaz, mas não teve jeito. Ela viu que estava na hora de revelar a verdade. E falou bem manso para o rapaz:
- Não sei se você vai encontrar seus parentes e amigos, pois você já está morando aqui comigo há mais de quinhentos anos.
O rapaz arregalou os olhos. Não queria acreditar, mas a moça explicou com tanta verdade que ele se convenceu. Mas era teimoso e insistiu:
- Mesmo assim quero voltar para, pelo menos, rever minha aldeia. Quem sabe não encontro por lá um parente?
A moça apenas disse:
- Está bem! Se você assim quer... vá!
Ela deu ao rapaz um cavalo branco e explicou:
- Esse cavalo é mágico. É capaz de galopar mais rápido do que o vento. Mas agora preste muita atenção: nunca desmonte do cavalo e, principalmente, nunca, de jeito nenhum, coma qualquer coisa enquanto estiver fora da “terra onde ninguém morrerá”. Entendeu?
O rapaz entendeu. Pegou o cavalo e partiu. Foi viajando e quanto mais viajava mais espantado ficava. O mundo estava completamente diferente! Onde antes existia uma imensa montanha agora era uma cidade. Onde antes tinha uma floresta agora era uma planície. Onde antes existia um mar, o chão estava tão seco que até rachava. Chegando à pequena aldeia onde morava, encontrou uma metrópole grande e muito movimentada. Falou seu nome. Ninguém conhecia. Perguntou sobre sua família. Ninguém mais lembrava. Procurou sua antiga casa. Não existia mais. Desconsolado, o rapaz achou melhor voltar para a moça do castelo na “terra onde ninguém morrerá”. Foi andando, mas sentiu o corpo fraco. Estava cansado, com saudade e com fome. No caminho, encontrou um homem vendendo maçãs. A fome apertou na barriga do rapaz e ele, esquecendo o que dissera a moça, perguntou ao vendedor:
- Dá pra me vender umas maçãs?
- Quantas? - quis saber o sujeito.
- Uma ou duas.
- Só isso? Pode pegar. Não vai custar nada. É por conta da casa.
O rapaz saltou do cavalo, escolheu uma maçã e mordeu. Foi quando uma mão fria e forte agarrou sua nuca.
- Agora você não me escapa!
O vendedor era a Morte! O rapaz sentiu o corpo amolecer e a escuridão tomar conta de tudo.
Adaptação de Augusto Pessôa

sábado, 14 de fevereiro de 2009

A MENINA QUE VIROU CORUJA

Havia numa daquelas tribos da África uma menina, por nome Gerarda. A menina era terrível, bulia com todo mundo, maltratava os animais, troçava dos mais velhos, e afinal de contas era o diabo em figura de gente. Um dia, ela estava sentada na porta da casa onde morava, quando foi passando uma velhinha conhecida por malfazeja, ou bruxa, a quem todos daquele lugar tinham um grande medo e respeito. A danada da menina não perdeu tempo, correu atrás da velhinha gritando:
- Velha bruxa, coruja do inferno, o que foi que você veio fazer aqui?
A velha, indignada com a menina, jogou nela uma maldição:
- Vai-te daqui, menina do diabo! Você vai crescer, vai ter filhos, vai ficar velha também e vai sofrer pra você saber como é bom fazer os outros sofrerem. E um dos seus filhos vai virar coruja, só podendo vagar de noite!
Mas a Gerarda? Nem te ligo!! E continuou a aperrear a velha.
Os tempos foram passando e Gerarda continuava na mesma vidinha, até que ficou moça e bonita. Conheceu um rapaz que tinha uma grande roça e era muito trabalhador. Casou com ele. Gerarda teve, junto com seu marido, duas filhas: primeiro nasceu Lalu. E quando a menina fez 12 anos, nasceu Besebé. Mas aí aconteceu uma desgraça. O marido de Gerarda morreu picado por uma cobra venenosa quando trabalhava na roça. Gerarda ficou muito triste, mas tinha que criar as filhas e passou a trabalhar na roça no lugar do marido.
Ela gostava muito de comer Amalá (que é um caruru de quiabos). Um dia ela foi para a roça de manhã bem cedinho, mas deixou em casa um bocado de quiabos para quando voltasse da roça fazer seu caruru. Mas não deixou carne. Aconteceu que ela demorou muito e Lalu, que já estava sentido muita fome, resolveu fazer o caruru. Cortou os quiabos, colocou no fogo para cozinhar e depois procurou a carne para botar no caruru. Não encontrou. Ela resolveu então pegar Besebé. Matou a irmã como se fosse um porquinho. Depois tratou, cortou em pedacinhos, colocando dentro da panela do caruru para cozinhar junto com os quiabos. Em seguida, temperou com sal e azeite-dendê. Quando o caruru já estava cozido, ela comeu, deixando o resto para sua mãe quando voltasse da roça. Horas depois, Gerarda chegou morta de cansada, com fome e pensando que ainda ia ter que fazer comida. Foi quando Lalu disse para ela:
- Mamãe, já fiz o caruru. Já comi minha parte, e o da senhora está na panela.
Gerarda, que estava em tempo de morrer de fome, mais que depressa correu para a panela, se serviu de um bocado de caruru e comeu sem notar que o mesmo continha carne, sem que ela tivesse deixado alguma em casa. Depois que ela descansou bem, notou que sua filhinha Besebé estava muito quieta e foi espiar. Quando ela chegou na porta do quarto e não viu a menina, chamou Lalu e perguntou: .
- Cadê Besebé, minha filha? Onde é que ela está?
Lalu, correndo pela porta da rua afora, gritou:
- Matei Besebé e botei no caruru, pra senhora comer!
Gerarda, com as mãos na cabeça, caiu alucinada no chão. Ela ficou doente e sentindo remorso de todas as coisas más que já tinha praticado na sua vida. Porém, o tempo passou e Gerarda, resignada de que estava pagando por suas maldades, continuou a viver enfrentando a vida da forma que se apresentava.
Lalu, saiu da casa de sua mãe e ficou à toa pelas ruas até que encontrou Ogum, que a levou para casa, a fim de cuidar das suas roupas e ferramentas. Lalu, depois que chegou na casa de Orixá, começou a abusar, vendendo as ferramentas e as roupas de Ogum. Um dia, Ogum tinha que fazer uma viagem. Aí chamou Lalu e pediu as roupas que queria juntamente com as ferramentas. Lalu, vendo o perigo que corria, saiu pela porta da rua gritando:
- Vendi suas roupas e ferramentas!
E foi para casa de Oxossi, acontecendo à mesma coisa. E assim ela correu a casa de quase todos os orixás. Por fim ela chegou na casa de um velhinho, que estava todo enrolado com panos bem alvos, se aquecendo ao fogo. Quando Lalu viu o velhinho, falou consigo mesma:
- Aqui deve ter pouco trabalho, está bom pra mim.
Depois perguntou ao velhinho como ele se chamava. Ele disse que o seu nome era Oxalá e perguntou o dela. A menina respondeu. Então Oxalá convidou Lalu para tomar conta de sua casa. E a menina passou a tomar conta da casa de Oxalá fazendo a mesma coisa que já tinha feito na casa dos outros orixás. Mas dessa vez foi diferente. Quando ela saiu pela porta da rua Oxalá a amaldiçoou dizendo:
- Lalu, de agora por diante você será uma coruja e só terá direito de vagar à noite.
E assim Lalu se tomou em uma coruja e saiu voando. À noite, pousou no telhado da casa de Gerarda e começou a cantar. A mulher reconheceu na voz da coruja a voz de sua filha Lalu. Gerarda lembrou da praga que a bruxa havia rogado quando ela ainda era menina. Gerarda teve um vexame tão grande e morreu, ficando a coruja vagando eternamente pela noite.
CONTO POPULAR AFRICANO – ADAPTAÇÃO DE AUGUSTO PESSÔA

sábado, 7 de fevereiro de 2009

OLHOS PARA QUEM QUER VER


Todos os dias ela passava na mesma hora em frente àquela casa. E um rapaz acenava, da janela. Um dia, perguntou de longe:
- Por que você acena para mim ? Eu não o conheço.
- Eu não aceno para você. Sou cego. Aceno para o mundo.

CONTO DA MULHER QUE TINHA UMA FILHA FABRICANTE DE AZEITE DE DENDÊ

Um dia, uma menina tinha terminado de preparar seu azeite e tinha arrumado todos os seus negócios em casa, foi à feira vender o azeite, onde ficou até escurecer. Quando chegou a noite, apareceu um Velho, comprou azeite e pagou com alguns cobres. A menina contou os cobres, e viu que estava faltando um. Ela pediu ao Velho que completasse o valor. O Velho respondeu que não tinha mais cobres. Então a menina começou a chorar, dizendo:
- Não posso voltar para casa com cobres a menos, pois minha mãe me baterá.
O Velho foi-se e a menina seguiu-o.
- Vai embora, menina, pois ninguém pode entrar no país onde eu moro - falou o Velho quando viu que a menina o seguia.
- Não - disse a menina - eu vou até onde você for e só voltarei quando pagar o meu cobre.
Então seguiram. Caminharam muito até que chegaram à margem do riacho. Aí, o Velho disse:
- Menina vendedora de azeite-dendê, agora você deve voltar.
- Só voltarei quando receber o meu cobre.
- Cedo este rastro de sangue no rio desaparecerá e você deve voltar - replicou o Velho.
- Não voltarei.
- Está vendo aquela floresta escura?
- Estou, mas não voltarei.
- Está vendo aquela montanha pedregosa?
- Estou, mas não voltarei sem receber o meu cobre.
Daí, andaram por um caminho comprido, até que chegaram na terra dos Mortos. O Velho deu alguns cocos de dendê para a menina fazer azeite e disse:
- Coma o azeite e me dê à casca.
Quando o azeite ficou pronto, ela comeu a casca e deu o azeite para o Velho. O Velho deu uma banana e disse:
- Coma a banana e me dê à casca.
A menina comeu a casca e deu a banana para o Velho comer. Então, disse o Velho:
- Está vendo aquele monte de cabacinhas? Apanhe três daquelas cabacinhas. Não tire das que pedirem, e sim das que ficarem caladas e volte para sua casa. Quando estiver no meio do caminho, quebre uma; na porta de sua casa, quebre a outra; e a última, quando você estiver dentro de casa.
- Muito bem, será feita a sua vontade - disse a menina.
A menina apanhou suas cabacinhas como o Velho ensinou e voltou para casa.
No meio do caminho quebrou a primeira cabacinha e apareceram muitos escravos e cavalos que lhe seguiram. Quando estava à porta de casa, quebrou a outra e logo apareceu muita gente, carneiros, cabras, bois e muitas aves que a seguiram. Chegando dentro de casa quebrou a última. De repente, a casa ficou cheia de cobres por tudo quanto foi canto. A mãe da menina então, com toda aquela riqueza, resolveu mandar para uma senhora vizinha, vinte panos da costa, muitas voltas de contas e vinte animais de cada espécie que a menina ganhou no presente.
Esta senhora era muito invejosa e tinha uma filha mais invejosa ainda, e, sabendo como a filha da outra tinha recebido os presentes, fez azeite-dendê e deu à sua filha para ir vender na feira. Explicou a filha que ela deveria fazer o mesmo que a filha da vizinha. A menina foi e o Velho apareceu comprando azeite, pagando com o número certo de cobres. A menina invejosa escondeu um, dizendo não ter recebido os cobres completos.
- O que eu posso fazer? - perguntou o Velho - Não tenho mais cobre.
- Eu vou até sua casa e lá você me paga?
- Está certo – respondeu o Velho.
Quando estavam caminhando, o Velho começou a dizer o que tinha dito para a outra menina.
- Jovem vendedora de azeite-dendê,agora deves voltar para sua casa.
- Não voltarei - disse a menina.
- Então vamos adiante - respondeu o Velho.
E seguiram até a terra dos Mortos. O Velho deu cocos de dendê para fazer azeite e disse:
- Coma o azeite e me traga a casca.
A menina assim fez e o Velho disse:
- Muito bem.
Deu a banana. A menina comeu a banana e devolveu a casca.
Então, o Velho disse:
- Esta vendo aquele monte de cabacinhas? Vá, tire três cabacinhas, mas só tira das que estiverem caladas. Das que pedirem para ser tiradas, você não tira.
A menina fez o contrário e tirou as que pediram para ser tiradas.
O Velho então disse:
- No meio do caminho, você quebra uma; na porta de sua casa, quebra a outra; e dentro de sua casa quebra a última.
No meio do caminho, ela quebrou a primeira cabacinha. Aí, apareceu uma porção de cachorros correndo atrás dela, dando-lhe dentadas. Já exausta, ela chegou à porta da casa, quebrou a outra cabacinha, saindo leões ferozes, que caíram em cima dela mordendo e rasgando seu vestido. Quando ela quis entrar, a porta estava fechada e não tinha pessoa nenhuma em casa, pois até a mãe dela estava na rua. Na porta mesmo a menina foi morta pelos animais que lhe acompanhavam.
É assim que acontece com as pessoas que são invejosas.

A RÃ E O BOI - VÍDEO

A RÃ E O BOI - VÍDEO
Apresentação de Augusto Pessôa no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias SESC RJ 2010. Clique na imagem e assista a história

A MENINA QUE FAZIA AZEITE DE DENDÊ

A MENINA QUE FAZIA AZEITE DE DENDÊ
Clique na imagem e assista a hitória

UMA APOSTA (VÍDEO)

UMA APOSTA (VÍDEO)
Conto de Artur Azevedo. CLIQUE NA IMAGEM E VEJA O VÍDEO

LIVROS LEGAIS

  • GRAMÁTICA DA FANTASIA de Gianni Rodari - Summus Editorial.
  • GUARDADOS DO CORAÇÃO – Memorial para Contadores de Histórias de Francisco Gregório Filho - Editora Amais.
  • FÁBULAS ITALIANAS de Ítalo Calvino - Editora Companhia das Letras
  • DICIONÁRIO DE FOLCLORE BRASILEIRO de Câmara Cascudo - Editora Itatiaia
  • VASOS SAGRADOS de Maria Inez do Espírito Santo - Ed Rocco
  • MEUS CONTOS AFRICANOS - seleção de Nelson Mandela - Ed Martins
  • LENDAS BRASILEIRAS de Camara Cascudo - Ediouro
  • CONTOS TRADICIONAIS DO BRASIL de Camara Cascudo - Ed Itatiaia
  • CONTOS POPULARES DO BRASIL de Silvio Romero - Ed Itatiaia

A MOURA TORTA

A MOURA TORTA
Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo

MARIA BORRALHEIRA (VÍDEO)

MARIA BORRALHEIRA (VÍDEO)
Peça teatral baseada no conto popular MARIA BORRALHEIRA com Augusto Pessôa e Rodrigo Lima. Direção Rubens Lima Junior. Clique na foto e assista a um trecho da peça.

FELIZES PARA SEMPRE (RESENHA)

FELIZES PARA SEMPRE (RESENHA)
Clique na imagem e veja a resenha do livro FELIZES PARA SEMPRE

QUANDO OS BICHOS AINDA FALAVAM

QUANDO OS BICHOS AINDA FALAVAM
Apresentação no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias SESC RJ 2009

A MENINA QUE VIROU CORUJA (VÍDEO)

A MENINA QUE VIROU CORUJA (VÍDEO)
Conto Africano. Clique na imagem e assista ahistória

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)
Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Cliuqe na imagem e assista a um trecho do espetáculo

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)
Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo.

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)
Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Clique na imagem e assita a um trecho do espetáculo

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - SONHO DE MENINA

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - SONHO DE MENINA
Apresentação no SESC Niterói - nov 2009 - Clique na imagem e assista a apresentação.

O MARIDO FIEL - VÍDEO

O MARIDO FIEL - VÍDEO
Conto de Nelson Rodrigues - adaptação e narração de Augusto Pessôa. Clique na imagem e assista a história.

O JABUTI E A FRUTA (VÍDEO)

O JABUTI E A FRUTA (VÍDEO)
conto popular adaptado por Augusto Pessôa. CLIQUE NA IMAGEM E ASSISTA AO VÍDEO

VOU BUSCAR O MEU AMOR (VÍDEO)

VOU BUSCAR O MEU AMOR (VÍDEO)
Cena do espetáculo A MOURA TORTA. Clique na foto e veja a cena

A MOURA TORTA

A MOURA TORTA
Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo em cartaz no teatro do Jockey - Gávea

JABUTI

JABUTI
Apresentação no Simpósio Internacional de contadores de Histórias - SESC RJ 2009. Clique na imagem e assista a um trecho da apresentação

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - abertura da peça (VÍDEO)

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - abertura da peça  (VÍDEO)
Apresentação no SESC Niterói - nov 2009 - Clique na imagem e assista a apresentação

A NOITE QUE A LUA SUMIU DO CÉU (VÍDEO)

A NOITE QUE A LUA SUMIU DO CÉU (VÍDEO)
Clique na imagem e veja um clipe do espetáculo

A DAMA DO LOTAÇÃO (VÍDEO)

A DAMA DO LOTAÇÃO (VÍDEO)
conto de Nelson Rodrigues. Adaptação e narração de Augusto Pessôa

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (VÍDEO)

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (VÍDEO)
Peça baseada no conto popular O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (2003). Clique na foto e veja um trecho do espetáculo.

TOC, TOC, TOC, TOC (VÍDEO)

TOC, TOC, TOC, TOC (VÍDEO)
Conto de Arur Azevedo. CLIQUE NA IMAGEM E VEJA O VÍDEO

MALASARTES E O HOMEM ENGANADO DUAS VEZES (VÍDEO)

MALASARTES E O HOMEM ENGANADO DUAS VEZES (VÍDEO)
Contação de Histórias. Clique na imagem e assista a contação.

MENINA FACEIRA

MENINA FACEIRA
Apresentação de Augusto Pessôa e Rodrigo Lima no Instituto Moreira Salles - set 2009. Clique na imagem e veja a apresentação.

HISTÓRIA DE ANTANHO (VÍDEO)

HISTÓRIA DE ANTANHO (VÍDEO)
NA CASA DE SEU PEDRÃO. Apresentação de Augusto Pessôa e Rodrigo Lima no SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE CONTADORES DE HISTÓRIAS - SESC RJ (2008). Clique na imagem e veja a apresentação

MÚSICA - NA FEIRA DO TEM TEM (VÍDEO)

MÚSICA - NA FEIRA DO TEM TEM (VÍDEO)
O Rei Doente do Mal de Amores - apresentação no SESC Niterói 2009. Clique na imagem e assista a cena.

PARA SEMPRE FIEL (VÍDEO)

PARA SEMPRE FIEL (VÍDEO)
Conto de Nelson Rodrigues - adaptação e narração de Augusto Pessôa

SUSPIROS VÃO E VEM (VÍDEO)

SUSPIROS VÃO E VEM (VÍDEO)
Apresentação do espetáculo O REI DOENTE DO MALDE AMORES no SESC Niterói 2009. Clique na imagem e assista a apresentação

MALASARTES! (VÍDEO)

MALASARTES! (VÍDEO)
Peça baseada nas histórias de Pedro Malasartes. Clique na foto e veja um trecho do espetáculo

O JABUTI E A FRUTA

O JABUTI E A FRUTA
Apresentação no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias - SESC RJ 2009. Clique na imagem e assista a história

A MOURA TORTA

A MOURA TORTA
Crítica do espetáculo publicada no JORNAL DO BRASIL

MARIA BORRALHEIRA - CRÍTICA (IMAGEM)

MARIA BORRALHEIRA - CRÍTICA (IMAGEM)
Clique na imagem e leia a crítica sobre o espetáculo

MALASARTES - CRÍTICA (IMAGEM)

MALASARTES - CRÍTICA (IMAGEM)
Clique na imagem e leia a crítica do espetáculo.

CRÍTICA DO ESPETÁCULO O REI DOENTE DO MAL DE AMORES

CRÍTICA DO ESPETÁCULO O REI DOENTE DO MAL DE AMORES

MALASARTES - Histórias de Um Camarada Chamado Pedro

MALASARTES - Histórias de Um Camarada Chamado Pedro
Livro de Augusto Pessôa publicado pela Editora ROCCO (2007)

FELIZES PARA SEMPRE

FELIZES PARA SEMPRE
Livro com adaptações de Augusto Pessôa - Editora ROCCO (2003)

CONTOS DE HUMOR

CONTOS DE HUMOR
Contos de Artur Azevedo - organização Augusto Pessôa - Editora ROCCO (2008)

CONTANDO HISTÓRIAS NA ABL

CONTANDO HISTÓRIAS NA ABL
CONTANDO HISTÓRIAS NA BIBLIOTECA DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS