AUGUSTO PESSÔA - CONTADOR DE HISTÓRIAS - (BRASIL)

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Ator, Cenógrafo, Figurinista, Arte Educador Dramaturgo e Contador de Histórias. Bacharelado em Artes Cênicas (Habilitação em Interpretação e Habilitação em Cenografia) pela UNI-RIO - Universidade do Rio de Janeiro.

A PANQUECA FUGITIVA, O RESMUNGÃO E OUTROS CONTOS NÓRDICOS

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HISTÓRIAS DE NATAL

HISTÓRIAS DE NATAL
livro de contos populares adaptados e ilustrados por Augusto Pessõa - Ed. Escrita Fina (2010)

HISTÓRIAS DE BRUXAS - livro

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

CONTO POPULAR - A terra onde ninguém morrerá

A TERRA ONDE NINGUÉM MORRERÁ
Uma vez um jovem, que morava numa aldeia, sentou debaixo de uma árvore para descansar. Quando olhou para o lado viu uma figura toda vestida de preto. Mas o moço não teve medo e puxou assunto com a tal figura. Durante a conversa ficou sabendo que aquela figura era a Morte. O rapaz ficou em pé e com uma faca na mão, gritou:
- Se veio pra me levar vai ter briga! Não quero morrer de jeito nenhum! Tenho muita vida pela frente!
A Morte, muito calma, sorriu:
- Calma, amigo. Que nervoso é esse! Só estou aqui descansando. Sua hora ainda está longe de chegar. Um dia eu pego você, mas não vai ser por agora!
Disse isso e desapareceu numa nuvem de fumaça. O jovem ficou pensando. Não queria morrer nem quando ficasse velho. Para ele, a morte era uma injustiça. Decidiu que não iria morrer. Ia procurar um lugar quase impossível. Uma terra... Uma “terra onde ninguém morrerá”.
- Deve existir um lugar assim! Eu só tenho que encontrar!
O jovem abandonou sua aldeia e foi pelo mundo afora em busca da “terra onde ninguém morrerá”.
Anda, anda que anda! Anda, vai procurar!
Anda, procura e encontra
A terra onde ninguém morrerá!
Pois ele andava e perguntava, para todos que encontrava, sobre a tal terra. Mas ninguém nunca tinha ouvido falar no tal lugar. O jovem, teimoso, foi em frente. Um dia, encontrou um homem velho puxando uma carroça velha. A carroça estava cheia de pedras.
- O senhor sabe onde fica a “terra onde ninguém morrerá”?
- Se não quer morrer - respondeu o homem velho – me ajude.
E apontou o dedo para longe.
- Está vendo aquela montanha? Enquanto não transportar toda aquela montanha com minha carroça, pedra por pedra, terra por terra, eu... e quem me ajudar não morrerá!
- Mas por quanto tempo vai ser isso?
- Mais ou menos cem anos!
- É pouco! Quero viver bem mais! – disse o rapaz.
Despediu-se e foi embora.
Anda, anda que anda! Anda, vai procurar!
Anda, procura e encontra
A terra onde ninguém morrerá!
Até que encontrou um homem muito velho, muito mais velho que o primeiro, com um machado na mão.
- O senhor sabe onde fica a “terra onde ninguém morrerá”?
- Se não quer morrer - respondeu o homem muito velho – me ajude.
E apontou o dedo para longe.
- Está vendo aquela floresta? Enquanto não cortar toda aquela floresta, tronco por tronco, galho por galho, eu... e quem me ajudar não morrerá!
- Mas por quanto tempo vai ser isso?
- Mais ou menos duzentos anos!
- É pouco! Quero viver bem mais! – disse o rapaz.
Despediu-se e foi embora.
Anda, anda que anda! Anda, vai procurar!
Anda, procura e encontra
A terra onde ninguém morrerá!
Até que encontrou um homem muito, muito velho. Muito mais velho que os outros dois juntos. O velho carregava um balde muito, muito velho, cheio de água.
- O senhor sabe onde fica a “terra onde ninguém morrerá”?
- Se não quer morrer - respondeu o homem muito, muito velho – me ajude.
E apontou o dedo para longe.
- Está vendo aquele mar? Enquanto não transportar todo aquele mar com meu balde, pingo por pingo, gota por gota, eu... e quem me ajudar não morrerá!
- Mas por quanto tempo vai ser isso?
- Mais ou menos trezentos anos!
- É pouco! Quero viver bem mais! – disse o rapaz.
Despediu-se e foi embora.
Anda, anda que anda! Anda, vai procurar!
Anda, procura e encontra
A terra onde ninguém morrerá!
E dessa vez ele andou muito. Andou muito mais do que das outras vezes. Até que viu um castelo branco todo enfeitado. O moço foi até lá. Chegou no castelo e bateu na porta. Silêncio. Bateu de novo. Ninguém atendeu. Ele andou pelo jardim do castelo e, perto de uma fonte, encontrou uma moça que o chamou pelo nome. A jovem era linda. A moça mais linda que o rapaz já tinha visto.
- Por favor - disse ele - Por acaso sabe onde fica a “terra onde ninguém morrerá”?
A moça sorriu:
- É aqui! A “terra onde ninguém morrerá”! Fique para sempre comigo. Enquanto estiver aqui você vai viver!
- Mas por quanto tempo? – quis saber o rapaz.
- O tempo que você desejar!
Era tudo que ele queria ouvir. A partir daquela manhã passou a morar com a moça no castelo. E era tudo maravilhoso: comida farta e da melhor qualidade, roupas finas e elegantes, as bebidas mais inebriantes, música suave e encantadora. E a noite, o rapaz dormia com a bela moça numa cama macia como uma nuvem. Com lençóis perfumados de alecrim. Às vezes o rapaz lembrava da Morte.
- Enganei a bandida!
Mas o tempo é bicho danado. E corre depressa acabando com tudo.
E o rapaz começou a sentir uma coisa engraçada. Uma saudade da família, dos amigos e da sua aldeia. Teve tanta saudade que falou para moça:
- Quero visitar meus parentes... meus amigos... Estou com saudades!
- Por quê? - perguntou ela. - Somos tão felizes!
- Mas eu sinto saudade - explicou o rapaz.
A moça bem que tentou convencer o rapaz, mas não teve jeito. Ela viu que estava na hora de revelar a verdade. E falou bem manso para o rapaz:
- Não sei se você vai encontrar seus parentes e amigos, pois você já está morando aqui comigo há mais de quinhentos anos.
O rapaz arregalou os olhos. Não queria acreditar, mas a moça explicou com tanta verdade que ele se convenceu. Mas era teimoso e insistiu:
- Mesmo assim quero voltar para, pelo menos, rever minha aldeia. Quem sabe não encontro por lá um parente?
A moça apenas disse:
- Está bem! Se você assim quer... vá!
Ela deu ao rapaz um cavalo branco e explicou:
- Esse cavalo é mágico. É capaz de galopar mais rápido do que o vento. Mas agora preste muita atenção: nunca desmonte do cavalo e, principalmente, nunca, de jeito nenhum, coma qualquer coisa enquanto estiver fora da “terra onde ninguém morrerá”. Entendeu?
O rapaz entendeu. Pegou o cavalo e partiu. Foi viajando e quanto mais viajava mais espantado ficava. O mundo estava completamente diferente! Onde antes existia uma imensa montanha agora era uma cidade. Onde antes tinha uma floresta agora era uma planície. Onde antes existia um mar, o chão estava tão seco que até rachava. Chegando à pequena aldeia onde morava, encontrou uma metrópole grande e muito movimentada. Falou seu nome. Ninguém conhecia. Perguntou sobre sua família. Ninguém mais lembrava. Procurou sua antiga casa. Não existia mais. Desconsolado, o rapaz achou melhor voltar para a moça do castelo na “terra onde ninguém morrerá”. Foi andando, mas sentiu o corpo fraco. Estava cansado, com saudade e com fome. No caminho, encontrou um homem vendendo maçãs. A fome apertou na barriga do rapaz e ele, esquecendo o que dissera a moça, perguntou ao vendedor:
- Dá pra me vender umas maçãs?
- Quantas? - quis saber o sujeito.
- Uma ou duas.
- Só isso? Pode pegar. Não vai custar nada. É por conta da casa.
O rapaz saltou do cavalo, escolheu uma maçã e mordeu. Foi quando uma mão fria e forte agarrou sua nuca.
- Agora você não me escapa!
O vendedor era a Morte! O rapaz sentiu o corpo amolecer e a escuridão tomar conta de tudo.
Adaptação de Augusto Pessôa

Um comentário:

Anônimo disse...

Adorando tudo!
Sempre que posso passo e dou uma olhada!
"conto popular" me levou e me envolveu de tal maneira que ví a cena pronta!
perfeito!

A RÃ E O BOI - VÍDEO

A RÃ E O BOI - VÍDEO
Apresentação de Augusto Pessôa no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias SESC RJ 2010. Clique na imagem e assista a história

A MENINA QUE FAZIA AZEITE DE DENDÊ

A MENINA QUE FAZIA AZEITE DE DENDÊ
Clique na imagem e assista a hitória

UMA APOSTA (VÍDEO)

UMA APOSTA (VÍDEO)
Conto de Artur Azevedo. CLIQUE NA IMAGEM E VEJA O VÍDEO

LIVROS LEGAIS

  • GRAMÁTICA DA FANTASIA de Gianni Rodari - Summus Editorial.
  • GUARDADOS DO CORAÇÃO – Memorial para Contadores de Histórias de Francisco Gregório Filho - Editora Amais.
  • FÁBULAS ITALIANAS de Ítalo Calvino - Editora Companhia das Letras
  • DICIONÁRIO DE FOLCLORE BRASILEIRO de Câmara Cascudo - Editora Itatiaia
  • VASOS SAGRADOS de Maria Inez do Espírito Santo - Ed Rocco
  • MEUS CONTOS AFRICANOS - seleção de Nelson Mandela - Ed Martins
  • LENDAS BRASILEIRAS de Camara Cascudo - Ediouro
  • CONTOS TRADICIONAIS DO BRASIL de Camara Cascudo - Ed Itatiaia
  • CONTOS POPULARES DO BRASIL de Silvio Romero - Ed Itatiaia

A MOURA TORTA

A MOURA TORTA
Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo

MARIA BORRALHEIRA (VÍDEO)

MARIA BORRALHEIRA (VÍDEO)
Peça teatral baseada no conto popular MARIA BORRALHEIRA com Augusto Pessôa e Rodrigo Lima. Direção Rubens Lima Junior. Clique na foto e assista a um trecho da peça.

FELIZES PARA SEMPRE (RESENHA)

FELIZES PARA SEMPRE (RESENHA)
Clique na imagem e veja a resenha do livro FELIZES PARA SEMPRE

QUANDO OS BICHOS AINDA FALAVAM

QUANDO OS BICHOS AINDA FALAVAM
Apresentação no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias SESC RJ 2009

A MENINA QUE VIROU CORUJA (VÍDEO)

A MENINA QUE VIROU CORUJA (VÍDEO)
Conto Africano. Clique na imagem e assista ahistória

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)
Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Cliuqe na imagem e assista a um trecho do espetáculo

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)
Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo.

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)
Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Clique na imagem e assita a um trecho do espetáculo

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - SONHO DE MENINA

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - SONHO DE MENINA
Apresentação no SESC Niterói - nov 2009 - Clique na imagem e assista a apresentação.

O MARIDO FIEL - VÍDEO

O MARIDO FIEL - VÍDEO
Conto de Nelson Rodrigues - adaptação e narração de Augusto Pessôa. Clique na imagem e assista a história.

O JABUTI E A FRUTA (VÍDEO)

O JABUTI E A FRUTA (VÍDEO)
conto popular adaptado por Augusto Pessôa. CLIQUE NA IMAGEM E ASSISTA AO VÍDEO

VOU BUSCAR O MEU AMOR (VÍDEO)

VOU BUSCAR O MEU AMOR (VÍDEO)
Cena do espetáculo A MOURA TORTA. Clique na foto e veja a cena

A MOURA TORTA

A MOURA TORTA
Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo em cartaz no teatro do Jockey - Gávea

JABUTI

JABUTI
Apresentação no Simpósio Internacional de contadores de Histórias - SESC RJ 2009. Clique na imagem e assista a um trecho da apresentação

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - abertura da peça (VÍDEO)

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - abertura da peça  (VÍDEO)
Apresentação no SESC Niterói - nov 2009 - Clique na imagem e assista a apresentação

A NOITE QUE A LUA SUMIU DO CÉU (VÍDEO)

A NOITE QUE A LUA SUMIU DO CÉU (VÍDEO)
Clique na imagem e veja um clipe do espetáculo

A DAMA DO LOTAÇÃO (VÍDEO)

A DAMA DO LOTAÇÃO (VÍDEO)
conto de Nelson Rodrigues. Adaptação e narração de Augusto Pessôa

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (VÍDEO)

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (VÍDEO)
Peça baseada no conto popular O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (2003). Clique na foto e veja um trecho do espetáculo.

TOC, TOC, TOC, TOC (VÍDEO)

TOC, TOC, TOC, TOC (VÍDEO)
Conto de Arur Azevedo. CLIQUE NA IMAGEM E VEJA O VÍDEO

MALASARTES E O HOMEM ENGANADO DUAS VEZES (VÍDEO)

MALASARTES E O HOMEM ENGANADO DUAS VEZES (VÍDEO)
Contação de Histórias. Clique na imagem e assista a contação.

MENINA FACEIRA

MENINA FACEIRA
Apresentação de Augusto Pessôa e Rodrigo Lima no Instituto Moreira Salles - set 2009. Clique na imagem e veja a apresentação.

HISTÓRIA DE ANTANHO (VÍDEO)

HISTÓRIA DE ANTANHO (VÍDEO)
NA CASA DE SEU PEDRÃO. Apresentação de Augusto Pessôa e Rodrigo Lima no SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE CONTADORES DE HISTÓRIAS - SESC RJ (2008). Clique na imagem e veja a apresentação

MÚSICA - NA FEIRA DO TEM TEM (VÍDEO)

MÚSICA - NA FEIRA DO TEM TEM (VÍDEO)
O Rei Doente do Mal de Amores - apresentação no SESC Niterói 2009. Clique na imagem e assista a cena.

PARA SEMPRE FIEL (VÍDEO)

PARA SEMPRE FIEL (VÍDEO)
Conto de Nelson Rodrigues - adaptação e narração de Augusto Pessôa

SUSPIROS VÃO E VEM (VÍDEO)

SUSPIROS VÃO E VEM (VÍDEO)
Apresentação do espetáculo O REI DOENTE DO MALDE AMORES no SESC Niterói 2009. Clique na imagem e assista a apresentação

MALASARTES! (VÍDEO)

MALASARTES! (VÍDEO)
Peça baseada nas histórias de Pedro Malasartes. Clique na foto e veja um trecho do espetáculo

O JABUTI E A FRUTA

O JABUTI E A FRUTA
Apresentação no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias - SESC RJ 2009. Clique na imagem e assista a história

A MOURA TORTA

A MOURA TORTA
Crítica do espetáculo publicada no JORNAL DO BRASIL

MARIA BORRALHEIRA - CRÍTICA (IMAGEM)

MARIA BORRALHEIRA - CRÍTICA (IMAGEM)
Clique na imagem e leia a crítica sobre o espetáculo

MALASARTES - CRÍTICA (IMAGEM)

MALASARTES - CRÍTICA (IMAGEM)
Clique na imagem e leia a crítica do espetáculo.

CRÍTICA DO ESPETÁCULO O REI DOENTE DO MAL DE AMORES

CRÍTICA DO ESPETÁCULO O REI DOENTE DO MAL DE AMORES

MALASARTES - Histórias de Um Camarada Chamado Pedro

MALASARTES - Histórias de Um Camarada Chamado Pedro
Livro de Augusto Pessôa publicado pela Editora ROCCO (2007)

FELIZES PARA SEMPRE

FELIZES PARA SEMPRE
Livro com adaptações de Augusto Pessôa - Editora ROCCO (2003)

CONTOS DE HUMOR

CONTOS DE HUMOR
Contos de Artur Azevedo - organização Augusto Pessôa - Editora ROCCO (2008)

CONTANDO HISTÓRIAS NA ABL

CONTANDO HISTÓRIAS NA ABL
CONTANDO HISTÓRIAS NA BIBLIOTECA DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS