AUGUSTO PESSÔA - CONTADOR DE HISTÓRIAS - (BRASIL)

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Ator, Cenógrafo, Figurinista, Arte Educador Dramaturgo e Contador de Histórias. Bacharelado em Artes Cênicas (Habilitação em Interpretação e Habilitação em Cenografia) pela UNI-RIO - Universidade do Rio de Janeiro.

A PANQUECA FUGITIVA, O RESMUNGÃO E OUTROS CONTOS NÓRDICOS

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HISTÓRIAS DE NATAL

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livro de contos populares adaptados e ilustrados por Augusto Pessõa - Ed. Escrita Fina (2010)

HISTÓRIAS DE BRUXAS - livro

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sábado, 7 de março de 2009

O BROCADO MARAVILHOSO

Uma velha viúva sustentava seus três filhos tecendo lindos brocados. Panos maravilhosos com animais e flores que pareciam ter vida.
Um dia ela foi à cidade vender seus trabalhos e viu numa loja um quadro maravilhoso com uma casa enorme em meio a um belo jardim. Tão encantada ficou com aquela imagem que, em vez de comprar alimentos com o dinheiro que recebera, comprou o quadro. Quando voltou para sua humilde cabana, mostrou aos filhos o que tinha comprado, dizendo:
- Ainda vamos morar num lugar assim!
O mais velho respondeu:
- Só se for em sonho!
O filho do meio acrescentou:
- Ou talvez numa outra vida!
Com pena da mãe, o caçula sugeriu:
- Por que você não tece um brocado com essa imagem? Assim, enquanto estiver trabalhando, vai se sentir como se morasse mesmo num lugar tão bonito!
Os dois mais velhos não faziam nada em casa. Só o mais novo trabalhava ajudando nos afazeres da casa. E a mãe tecia sem parar.
De noite a viúva trabalhava à luz do fogo e só abandonava o tear quando o sono a vencia por completo. Depois de um ano, cansada, a pobre mulher chorou. As lágrimas caíram sobre o trabalho e teceram um riacho e um lago. Depois de dois anos, verteu sangue dos olhos e onde ele caiu teceu um sol e várias flores rubras. Depois de três anos concluiu sua obra.
A paisagem do brocado era linda: a enorme casa tinha paredes azuis, colunas vermelhas e telhado verde. O jardim florido abrigava no centro um lago cheio de peixes. No pomar as árvores estavam carregadas de frutos e os pássaros voavam entre elas. Mais ao longe se estendiam viçosos arrozais e trigais. Um riacho cintilante corria pelo campo, e um sol radioso iluminava todo o belo cenário.
Querendo ver melhor o brocado, a viúva o levou para fora. Olhava embevecida para sua obra, quando um vento forte o arrancou de suas mãos e o carregou pelos ares. Desesperada ela pediu aos filhos:
- Encontrem meu trabalho, por favor! Para mim aquele brocado é a própria vida!
O filho mais velho calçou as sandálias e rumou para o Leste, na direção do vento. Caminhou durante um mês até chegar a uma caverna que tinha um cavalo de pedra bem na entrada. A estátua tinha a boca aberta como se quisesse comer os frutos vermelhos de uma árvore próxima. De dentro da caverna saiu uma velha bruxa. O rapaz ficou com medo e a bruxa perguntou:
- O que você quer aqui?
- Procuro o brocado de minha mãe!
- As fadas da Montanha do Sol o roubaram – disse a bruxa – Para encontrá-lo, arranque dois de seus dentes e coloque-os na boca do cavalo de pedra. O cavalo vai deixar de ser pedra e vai comer aqueles frutos. Depois ele o levará até a Montanha do Sol, passando antes pela Montanha do Fogo e pelo Mar de Gelo. Mas, se você tentar se proteger quando atravessar a Montanha do Fogo, as chamas o reduzirão a cinzas! Se tremer ao cruzar o Mar de Gelo, o frio o transformará numa estátua!
Só de ouvir isso o rapaz já estava tremendo de medo. Então a bruxa deu para ele uma caixa cheia de moedas de ouro e disse assim:
- Volte para casa! Você não tem coragem para enfrentar os perigos!
Ele pegou a caixa, mas não voltou para casa. Não queria dividir o dinheiro com sua família.
Algum tempo depois o segundo filho da viúva partiu para encontrar o brocado. Como o primogênito, foi até a caverna e encontrou a bruxa. Ficou apavorado com a idéia de enfrentar o fogo e o gelo. Ganhou a caixa cheia de moedas de ouro e nunca mais voltou para casa.
O caçula também acabou partindo. Não queria deixar a mãe sozinha, pois ela estava doente e fraca, mas a viúva insistiu tanto que o rapaz não teve como recusar. Como seus irmãos foi até a caverna e ouviu atentamente as instruções da bruxa. A velha ofereceu a caixa com moedas, mas o rapaz disse:
- Obrigado, mas preciso encontrar o brocado maravilhoso de minha mãe!
Sem sombra de medo arrancou dois de seus próprios dentes e os colocou na boca do cavalo de pedra, que imediatamente ganhou vida. Depois de comer os frutos, o animal levou o caçula até a Montanha do Fogo. O rapaz não se protegeu diante das chamas, como tampouco tremeu ao cruzar o Mar de Gelo. Por fim subiu ao topo da Montanha do Sol, onde encontrou um castelo. Entrou e viu as fadas num salão copiando a obra de sua mãe. Ele pediu o brocado de volta e as fadas responderam:
- Quando terminarmos de copiar nós o devolveremos!
Ao anoitecer elas penduraram no teto uma pérola tão luminosa quanto o sol e concluíram o trabalho. Satisfeitas, elas foram cuidar de outros afazeres. Mas a fadinha mais nova ficou no salão e, antes de devolver a obra original para o rapaz, nela bordou sua própria imagem. Com o brocado nas mãos, o moço saiu cavalgando a todo o galope. Atravessou o Mar de Gelo, transpôs a Montanha do Fogo e voltou à caverna. Ali a bruxa tirou os dois dentes da boca do cavalo e os recolocou na boca de seu legítimo dono, petrificando novamente o animal. O moço seguiu viagem e, assim que, avistou sua cabana, apressou o passo, chamando:
- Mamãe, mamãe! Venha ver!
A viúva estava na cama, frágil como um caniço, mas fez um esforço imenso e conseguiu se arrastar até a porta. Ao ver o caçula a mulher ficou completamente curada. O rapaz desdobrou o brocado para mostrá-lo para mãe. Uma brisa suave soprou e estendeu pelos ares o tecido maravilhoso até fazê-lo cobrir aldeias e campos a perder de vista. A humilde cabana desapareceu, e o desenho que a viúva tecera ao longo de três anos se tornou realidade. E junto com o cenário magnífico surgiu uma linda moça que disse:
- Sou uma fada da Montanha do Sol! Bordei minha imagem no brocado porquê queria morar com vocês neste lugar maravilhoso!
E a viúva respondeu:
- Seja bem-vinda!
Pouco depois o rapaz se casou com a fadinha e nunca mais a feliz família deixou o belo casarão.
Um dia dois mendigos se aproximaram da magnífica propriedade. De longe eles a reconheceram como a imagem tecida pela viúva. Os dois afastaram-se, envergonhados. Eram os filhos mais velhos, que tinham gasto tolamente todo o dinheiro que ganharam.
CONTO ORIENTAL - ADAPTAÇÃO DE AUGUSTO PESSÔA

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  • VASOS SAGRADOS de Maria Inez do Espírito Santo - Ed Rocco
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