AUGUSTO PESSÔA - CONTADOR DE HISTÓRIAS - (BRASIL)

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Ator, Cenógrafo, Figurinista, Arte Educador Dramaturgo e Contador de Histórias. Bacharelado em Artes Cênicas (Habilitação em Interpretação e Habilitação em Cenografia) pela UNI-RIO - Universidade do Rio de Janeiro.

A PANQUECA FUGITIVA, O RESMUNGÃO E OUTROS CONTOS NÓRDICOS

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HISTÓRIAS DE NATAL

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livro de contos populares adaptados e ilustrados por Augusto Pessõa - Ed. Escrita Fina (2010)

HISTÓRIAS DE BRUXAS - livro

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sábado, 28 de março de 2009

RATAZANA

Era um amor lindo. Pareciam dois namorados apesar dos vários anos de casamento. Ele a cobria de presentes e ela fazia tudo para agradá-lo. Viviam felizes num apartamento pequeno na parte velha da cidade. Ela não entendia como a vizinha de baixo reclamava tanto daquele lugar. Para ela, só o fato de estar junto com o marido, era o paraíso. Ele concordava. Não precisavam nem conversar. Apenas um olhar dela dizia fundo no seu coração. Um olhar fascinante. Como se trocassem intensas juras de amor sem palavras.
Não tinham filhos, mas isso não os incomodava. Eles se bastavam. Apenas os olhares bastavam.
Um dia ele saiu mais cedo do trabalho e foi correndo para casa. Queria fazer uma surpresa para a mulher. Ao chegar encontrou-a caída na cozinha. Era um desmaio. O primeiro de muitos que iam acontecer. Foram ao médico e a sentença foi fatal. O médico não sabia diagnosticar ao certo o que era, mas ela não teria muitos anos de vida. Talvez, meses.
Eles resistiram bravamente. Uma parenta foi chamada para tomar conta dela. A mulher relutou, mas teve que aceitar. Os desmaios eram constantes e não poderia ficar sozinha. Ela definhava. Não era, nem de longe, a esposa atuante e atenciosa de antes. Só os olhos é que ainda mantinham as eternas juras de amor.
Ela sugeriu que o marido já pensasse numa substituta. Ao que ele repeliu horrorizado. Iriam viver e morrer juntos. Ele jurou.
Mas não pode cumprir a jura. Em pouco tempo ela morreu. O que mais o entristeceu foi o fato de não ter visto sua mulher morrer. Não ter escutado a última palavra. Estava no trabalho e recebeu a notícia. Não pode ver o último olhar de sua amada.
O caixão, o velório, o enterro, tudo de primeira. Flores. Muitas flores. Nada parecia satisfazê-lo. Queria tudo grandioso. Tão grande quanto o seu amor. O túmulo era uma homenagem a esse amor. Era imenso e branco. Mas não estava satisfeito. Não tinha visto o último olhar. Só isso. A última jura de amor ele não viu.
O tempo passou e o homem foi levando. Uma tristeza profunda se abateu sobre o pobre. Ia do trabalho para casa e de casa para o trabalho. Mais nada. Às vezes esquecido da morte da mulher comprava presentes para ela. Flores e bombons. E ao chegar em casa chorava abraçado aos presentes.
Nos finais de semana andava pelas ruas. Não agüentava ficar em casa. Vagava por aí a procura do último olhar.
Foi a um centro espírita para ver se conseguia alguma comunicação com a esposa. Tinha certeza que ela queria dar a última palavra ou, pelo menos, o último olhar. Mas ao entrar no centro percebeu a besteira que estava fazendo. A mulher era muito católica e jamais apareceria naquele lugar. Ele tinha certeza disso.
Sua vida já não tinha mais sentido. Só pensava no último olhar. Sentia a presença da mulher, mas não podia nem vê-la, nem ouvi-la. Apesar disso, ela estava ali. Perto dele.
Certa noite, seu desespero era tão grande, que foi para rua pensando em dar um fim naquilo. Sentia a presença da mulher com muita força. Sentou num banco de praça e entre lágrimas pedia que a mulher aparecesse. Com qualquer forma. Não importava. Contanto que ela lhe desse o último olhar. E nada. Ele já estava desistindo. Pensava em ir embora. Aquilo era uma loucura, não ia levar a lugar nenhum. De repente, passou uma ratazana na sua frente. Gorda e suja. Ela ia passando direto, mas parou e voltou. Ficou na frente dele e o olhava nos olhos. O olhar! O mesmo olhar! Era isso? Uma ratazana? Foi essa a forma que a mulher conseguiu para se comunicar? Tudo bem. Os dois ficaram parados. Ele e a ratazana. Olhavam-se nos olhos. Tentou pegá-la, mas ela fugiu. Ele não se importou. Estava feliz. Finalmente conseguiu ver o último olhar.
Hoje, podemos vê-lo na praça, todas as noites, dando comida aos ratos. Alimentando os ratos, ele procura a sua ratazana. A sua amada.

CONTO DE AUGUSTO PESSÔA

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  • FÁBULAS ITALIANAS de Ítalo Calvino - Editora Companhia das Letras
  • DICIONÁRIO DE FOLCLORE BRASILEIRO de Câmara Cascudo - Editora Itatiaia
  • VASOS SAGRADOS de Maria Inez do Espírito Santo - Ed Rocco
  • MEUS CONTOS AFRICANOS - seleção de Nelson Mandela - Ed Martins
  • LENDAS BRASILEIRAS de Camara Cascudo - Ediouro
  • CONTOS TRADICIONAIS DO BRASIL de Camara Cascudo - Ed Itatiaia
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A MOURA TORTA

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