AUGUSTO PESSÔA - CONTADOR DE HISTÓRIAS - (BRASIL)

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Ator, Cenógrafo, Figurinista, Arte Educador Dramaturgo e Contador de Histórias. Bacharelado em Artes Cênicas (Habilitação em Interpretação e Habilitação em Cenografia) pela UNI-RIO - Universidade do Rio de Janeiro.

A PANQUECA FUGITIVA, O RESMUNGÃO E OUTROS CONTOS NÓRDICOS

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HISTÓRIAS DE NATAL

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livro de contos populares adaptados e ilustrados por Augusto Pessõa - Ed. Escrita Fina (2010)

HISTÓRIAS DE BRUXAS - livro

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sexta-feira, 1 de maio de 2009

RUSSO

Ele tinha uma banca de balas. Era conhecido como Russo. Apesar de não ser louro. Todos o chamavam assim, talvez pelos olhos azuis. Impressionantes de tão claros. Olhos bondosos, quase piedosos.
Sua banca ficava na parte velha da cidade. E ele morava num apartamento pequeno que ficava por ali. Era querido e respeitado no lugar. Talvez, pela forma que tratava as crianças. Principalmente as mais pobres. Distribuía balas e arrumava emprego para todas. Ele era o Russo. Ele era amado.
Na sua banca sempre tinha um menino trabalhando. Eram meninos de rua que ele gostava de ajudar. Mas esses meninos não ficavam muito tempo com ele. De uma hora para outra sumiam. Isso o entristecia muito. Os amigos diziam para ele não ligar. Era assim mesmo. Essa gente é muito ingrata.
E ele ia seguindo sua vida. O último menino que o ajudara já tinha sumido há duas semanas. Os amigos o aconselhavam a não ajudar mais esses meninos. Mas ele, que já não era mais moço, dizia que precisava realmente dos meninos. Eles faziam o trabalho mais pesado e muitas vezes tomavam conta da banca sozinhos. Isso era o que ele dizia. E todos acreditavam. Afinal, ele era o Russo. Ele era amado.
Um dia, ou melhor, uma noite ele estava no bar da Gorda. Não freqüentava a boate. Ele não tinha nada contra. Só que, como eu já disse, não era mais moço e se sentia estranho num lugar muito barulhento onde as pessoas ficavam se sacudindo e pulando. No bar não tinha isso. As pessoas ficavam sentadas, ou até em pé, mas ninguém se sacudia ou pulava. Apenas jogavam conversa fora ou contavam as suas histórias. E ele ficava lá, tomando a sua cerveja de todas as noites. Mas nesse dia, ou melhor, nessa noite, apareceu um menino. Era louro, branco e magro. Ele sim podia ser chamado de Russo. O nosso Russo não conhecia aquele menino. Parecia ser novo nas redondezas. O Russo, o amado Russo, chamou o menino e começaram a conversar. Os amigos perceberam e já comentavam. Seria mais um para entristecer o nosso amigo. Mas ele nem se incomodava. Os dois conversaram muito e acertaram. O menino iria trabalhar para o Russo. Ele era assim. Era o Russo, o nosso amado Russo.
No dia seguinte começou o trabalho. O menino tinha um nome: Walmir. Mas o Russo só o chamava de Louro. E o apelido pegou. No início o Louro se atrapalhou um pouco com o serviço, mas logo aprendeu e parecia que ia ser um dos melhores ajudantes do Russo. Com o passar do tempo, o Louro dava a impressão que não ia ser mais um ingrato. Estava lá firme. Os amigos comentavam que o Russo finalmente tinha encontrado um bom parceiro. Os dois pareciam satisfeitos. O Russo merecia. Ele era o nosso amado.
O Louro ao terminar o trabalho ia para casa todos os dias. A sua casa não era bem uma casa. Ele morava por ali, pela rua, aliás, como todos que o Russo ajudava. O Louro ia saindo para casa, já não tinha quase ninguém na rua, quando o Russo ficou com pena. Era absurdo o menino ficar pela rua quando ele tinha um apartamento que dava perfeitamente para os dois morarem. Além do mais ele já estava cansado de viver sozinho naquele apartamento. Isso foi o que o Russo falou para o Louro. Estava combinado, o menino iria morar com ele. O Louro ficou satisfeito. Queria avisar os amigos que tinha conseguido um canto, mas o Russo achou melhor ele avisar só no dia seguinte. Já era tarde e ele estava cansado. O Louro aceitou e os dois foram para o apartamento.
O prédio era antigo e parecia deserto. Ao chegar no pequeno apartamento o Louro percebeu que não era tão pequeno assim. Pelo menos para ele. Era um apartamento de dois quartos, com uma sala muito boa. Um dos quartos seria dele. O Russo mostrou onde ele podia ficar e o menino foi tomar um banho. Foi o melhor banho da sua vida. Ao terminar, ele se enxugou e reparou em duas peças de roupa que estavam junto as suas coisas: uma bermuda e uma camiseta. Ele vestiu e foi procurar o Russo. Encontrou o benfeitor na cozinha preparando o jantar. O Russo deu um copo de suco para o menino beber. O Louro tomou de uma golada só enquanto ouvia o benfeitor falar. Era uma maravilha estar ali. As palavras do Russo estavam distantes e o menino se sentia tonto. Talvez, fosse sono. Mas não importava, era tudo tão bom. O Russo continuava falando e o Louro já não entendia mais nada. Os olhos pesavam e um sono forte tomava conta dele. Num abrir e fechar de olhos viu o benfeitor com uma faca de cozinha na sua frente. Sentiu a faca entrando em sua barriga, mas não conseguia gritar. Era como se estivesse com uma barreira na garganta. O Russo esfaqueou o Louro até o menino não sentir mais nada. Limpou a faca e cortou um pedaço do cabelo louro. Foi até o quarto de empregada e abriu um pequeno baú onde havia vários pedaços de cabelo misturados. Jogou o pedaço louro dentro e fechou o baú. Voltou para a cozinha e com uma machadinha esquartejou o Louro. Colocou todos os pedaços num saco de plástico preto. Lavou a cozinha e foi enterrar o lixo num terreno baldio perto de sua casa.
No dia seguinte foi para o lugar de sempre armar a sua banca de balas. Esperou o Louro, mas ele não veio. Os amigos comentavam a tristeza do Russo. Coitado. Tão bom, tão amado. Essa gente é muito ingrata.

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