AUGUSTO PESSÔA - CONTADOR DE HISTÓRIAS - (BRASIL)

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Ator, Cenógrafo, Figurinista, Arte Educador Dramaturgo e Contador de Histórias. Bacharelado em Artes Cênicas (Habilitação em Interpretação e Habilitação em Cenografia) pela UNI-RIO - Universidade do Rio de Janeiro.

A PANQUECA FUGITIVA, O RESMUNGÃO E OUTROS CONTOS NÓRDICOS

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HISTÓRIAS DE NATAL

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livro de contos populares adaptados e ilustrados por Augusto Pessõa - Ed. Escrita Fina (2010)

HISTÓRIAS DE BRUXAS - livro

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sábado, 22 de agosto de 2009

CONTO POPULAR - As Três Velhas

AS TRÊS VELHAS
Uma viúva tinha uma filha muito bonita que agradava a toda a gente. A viúva queria casar a filha com homem rico e para isso fazia o possível para conseguir um genro de posses. Na esquina da rua onde moravam as duas tinha uma casa de comércio cujo dono era solteiro e cheio de dinheiro. A viúva fazia as compras nessa casa e vivia estudando um meio de conseguir fazer com que o homem conhecesse e simpatizasse com sua filha.
Um dia ouviu o rapaz dizer que só se casaria com uma moça trabalhadeira e que fiasse muito mais do que todas na cidade. A viúva comprou logo uma porção de linho, dizendo que era para a filha fiar, e que esta era a melhor fiandeira do mundo.
A viúva chegando a casa entregou o linho â moça, dizendo que teria de fiá-lo completamente até a manhã seguinte. A moça, que não sabia fiar, começou a chorar, e foi sentar-se no batente da cozinha, rezando, desconsolada da vida. Estava nesse ponto quando ouviu uma voz perguntar.
- Chorando por quê, minha filha?
Levantou os olhos e viu uma velhinha. Uma velha feia e corcunda.
- E não hei de chorar? Minha mãe quer que eu fie todo esse linho e o entregue todo pronto amanhã de manhã. . . Mas não sei fiar!
- Não se agonie, minha filha. Se você me convidar para seu casamento e prometer que três vezes me chamará tia, em voz alta, darei uma ajuda.
A moça prometeu. A velha despediu-se e foi embora, deixando o monte de linho fiado e pronto. Como mágica. A viúva, quando achou a tarefa pronta, só faltou morrer de satisfeita. Correu até a loja do negociante, mostrando as habilidades da filha e pediu uma porção ainda maior de linho. O negociante espantado pelo trabalho da moça não quis receber dinheiro pela compra.
Vendo que as coisas se encaminhavam como ela desejava, a viúva voltou a dar o linho pra a filha fiar até a manhã seguinte. Novamente a moça se agoniou muito e foi chorar na cozinha. Estava nesse ponto quando ouviu uma voz perguntar.
- Chorando por quê, minha filha?
Levantou os olhos e viu uma outra velhinha. Mais feia que a outra e com a boca torta.
- E não hei de chorar? Minha mãe quer que eu fie todo esse linho e o entregue todo pronto amanhã de manhã. . . Mas não sei fiar!
- Não se agonie, minha filha. Se você me convidar para seu casamento e prometer que três vezes me chamará tia, em voz alta, darei uma ajuda.
A moça prometeu e o linho ficou pronto num minuto. Como mágica.
A viúva voltou correndo à loja do homem rico, mostrando o linho fiado e gabando a filha. O negociante estava simpatizando muito com a moça que fiava tão depressa e tinha tamanhas qualidades. A viúva voltou com uma carga de linho enorme, entregando aquela penitência à sua filha.
Aconteceu como nas outras vezes. Apareceu uma velha que perguntou:
- Chorando por quê, minha filha?
A moça levantou os olhos e viu uma terceira velhinha. Mas essa era a mais feia das três. Tinha os dedos finos e compridos como patas de aranhas.
- E não hei de chorar? Minha mãe quer que eu fie todo esse linho e o entregue todo pronto amanhã de manhã. . . Mas não sei fiar!
- Não se agonie, minha filha. Se você me convidar para seu casamento e prometer que três vezes me chamará tia, em voz alta, darei uma ajuda.
A moça prometeu e o trabalho ficou pronto num piscar de olhos. Como mágica.
Quando o negociante viu o linho fiado, pediu para conhecer a moça, conversou com ela: e acabou falando em casamento. Como era muito bonito e educado, a moça aceitou e marcou-se o casamento. O homem mandou preparar sua casa com todos os arranjos decentes e encheu uma mesa de fusos, rocas, linhos, tudo para que a mulher se ocupasse em fiar.
Depois do casamento, na hora da festa, estavam todos reunidos e muito alegres, quando bateram palmas e entrou uma das três velhas. A noiva correu logo dizendo:
- Que alegria, minha tia! Entre, minha tia, sente-se aqui perto de mim, minha tia.
Assim que a velha sentou na cadeira, chegou a outra, recebida com a mesma satisfação:
- Entre minha tia! Sente-se aqui, minha tia! Vai jantar comigo, minha tia!
A terceira velha chegou também e a noiva abraçou-a logo:
- Dê cá um abraço, minha tia! Vamos sentar, minha tia! Quero apresentá-la ao meu marido, minha tia!
Foram para o jantar e o marido e convidados não tiravam os olhos de cima das três velhas que eram feias como o pecado mortal.
Depois do jantar, o marido não se conteve e perguntou por que a primeira era tão corcunda, a segunda com a boca torta e a terceira com os dedos tão finos e compridos. As velhinhas responderam:
- Eu fiquei corcunda de tanto fiar linho, curvada para rodar o fuso!
- Eu fiquei com a boca torta de tanto cortar os fios de linho quando fiava!
- Eu fiquei com os dedos assim de tanto puxar e remexer o linho quando fiava!
Ouvindo isso o marido mandou buscar os fusos, rocas, meadas, linhos, e tudo que servisse para fiar, e fez com que queimassem tudo, jurando a Deus que jamais sua mulher havia de ficar feia como as três tias fiandeiras por causa do encargo de fiar. Depois, as três velhas desapareceram para sempre e o casal viveu muito feliz.

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