AUGUSTO PESSÔA - CONTADOR DE HISTÓRIAS - (BRASIL)

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Ator, Cenógrafo, Figurinista, Arte Educador Dramaturgo e Contador de Histórias. Bacharelado em Artes Cênicas (Habilitação em Interpretação e Habilitação em Cenografia) pela UNI-RIO - Universidade do Rio de Janeiro.

A PANQUECA FUGITIVA, O RESMUNGÃO E OUTROS CONTOS NÓRDICOS

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HISTÓRIAS DE NATAL

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livro de contos populares adaptados e ilustrados por Augusto Pessõa - Ed. Escrita Fina (2010)

HISTÓRIAS DE BRUXAS - livro

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sábado, 29 de agosto de 2009

CONTO POPULAR - A Biblioteca de Malasartes

A BIBLIOTECA DE MALASARTES
Diz que o Pedro Malasartes estava morando numa pequena cidade. Ele, que era um grande viajante, resolveu ficar naquele lugarejo por um tempo e... foi ficando. O povo todo do lugar já conhecia a sua fama. O Malasartes já estava se cansando daquilo e pensando em ir embora dali. Num dia de muita chuva, pois São Pedro resolveu fazer uma grande lavagem no céu, Malasartes estava numa birosca tomando sua garapa pensando em realmente tomar um rumo na estrada, quando entrou no estabelecimento um rico coronel. A birosca estava cheia de gente, mas o coronel deu de cara com o Malasartes. Foi até a mesa onde o Pedro estava sentado, bateu na mesa, encheu os peitos e falou:
- Então, você que é o Pedro Malasartes?
Malasartes levantou o olho e respondeu:
- Sou eu, sim senhor!
O coronel fez uma cara feia e perguntou:
- Você é que engana todo mundo? Que é o rei da mentira?
- Que é isso, coronel. Quem sou eu...
O povo todo fala isso. Diz que essa é sua fama!
- Esse povo fala demais, seu coronel! Não vá atrás disso não!
O coronel se enfezou. Bateu de novo na mesa com a força de um trovão como da chuva que caia lá fora. Bateu e disse:
- Se o povo fala deve ter alguma verdade. A voz do povo é a voz de Deus.
- Se o senhor está dizendo...
- Pois então eu quero ver você contar uma mentira agora! E quero ver se alguém daqui vai acreditar!
As pessoas que estavam na birosca foram se aproximando para ver onde isso ia dar. O Malasartes levantou devagar, olhou o coronel por baixo dos olhos e disse:
- Não vai ser possível, seu coronel.
- Como não! Você não é o rei da mentira? O rei da enganação?
- Seu coronel olhe bem para mim. O senhor acha que eu, um amarelo sem eira nem beira, sem instrução... Um camarada que não pode nem com ele mesmo... O senhor acha que alguém vai acreditar numa mentira contada por mim? O senhor acha que eu tenho capacidade de fazer isso sozinho?
- Eu concordo com você! Acho meio difícil mesmo. Mas o povo diz que essa é sua fama.
- É verdade, mas eu não faço isso sozinho.
- Como assim?
- Eu preciso de ajuda.
- Ajuda de quem?
- Não é de quem! É do quê!
O povo todo que estava em volta espichou o ouvido para não perder uma palavra. O coronel arregalou o olho e perguntou:
- Do quê? Que história é essa, cabra?
- Eu leio essas mentiras nos meus livros da Mentira!
- Livros da Mentira?
- Uma coleção em quatro volumes!
- Quatro volumes para contar mentira?
- Uma mentira bem contada é mais difícil que uma verdade mal contada, né?!
O coronel amansou, mas quis saber:
- Isso é verdade. Mas onde estão esses livros?
- Estão lá na minha palhoça. Na minha biblioteca.
- E você tem uma biblioteca, amarelo?
- Tenho. São poucos livros, mas sem esses livros não dá para contar mentira...
O coronel insistiu:
- Então, faça lá uma enganação para gente vê se enrola alguém aqui da birosca!
- Coronel, o senhor não entendeu. Eu sou um pobre coitado. Sem os livros não vai dar jeito...
- Tem livro da enrolação?
- Uma coleção em dois volumes!
- Em dois volumes?
- Enrolar é mais fácil. Esse povo é muito abestaiado, coronel. Qualquer coisinha eles já estão se enrolando. Mas sem os livros que chance eu tenho.
O coronel ficou curioso:
- E esses livros são bons?
- São uma beleza, coronel! Encadernados com capa dura. As ilustrações são uma formosura. Ensinam direitinho.
O coronel estava cada vez mais curioso. A chuva caia forte lá fora.
- E onde estão esses livros?
- Lá na minha palhoça. Sem eles eu não sirvo pra nada.
- Vá pegar esses livros.
- Nessa chuva, coronel. Magrinho do jeito que eu sou. Posso pegar uma doença. Uma constipação. Posso até morrer.
- Eu lhe empresto meu casaco de couro e meu chapéu. – disse o coronel já tirando um bonito casaco e seu chapéu de vaqueiro e entregando a Malasartes.
O Pedro pegou aquilo e ficou contente, mas disse:
- Que beleza de casaco. E o chapéu é uma formosura. Mas a minha palhoça é tão longe e eu estou a pé. Vai molhar suas coisas todas, vai demorar tanto para eu voltar.
- Vá no meu cavalo. É um alazão branco que está bem aí na porta.
- No seu cavalo! Mas vai ser uma honra.
- Ande logo, amarelo!
O Malasartes fez um gesto com a mão chamando o coronel para perto e falou baixinho:
- Coronel, eu não tenho como sair daqui.
- E por que?
- A minha conta aqui na birosca está alta e eu não tenho dinheiro aqui comigo para pagar. Se eu sair, com essa fama que esse povo diz que eu tenho, o dono da birosca vai achar que eu estou querendo enganar ele.
- E como é que você pretendia pagar isso?
- Com serviço. Ia lavar um chão, lavar a louça, limpar as coisas...
O coronel se apromou e disse bem alto para todo mundo ouvir apontando para o Malasartes:
- A conta desse camarada eu pago. – olhou para o Pedro e apontou a porta com a cabeça – Agora vá logo, amarelo! Eu estou doido para ver esses livros.
O Malasartes encolheu os ombros:
- Se o coronel assim quer, assim feito será!
O Pedro Malasartes foi embora com o chapéu, o casaco de couro e o alazão do coronel. E nunca mais voltou.
O coronel teve que pagar a conta e diz que ele está esperando até hoje. O povo quando passa por ele, não deixa de dar um risinho lembrando da biblioteca do Malasartes.
Adaptação de Augusto Pessôa

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