AUGUSTO PESSÔA - CONTADOR DE HISTÓRIAS - (BRASIL)

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Ator, Cenógrafo, Figurinista, Arte Educador Dramaturgo e Contador de Histórias. Bacharelado em Artes Cênicas (Habilitação em Interpretação e Habilitação em Cenografia) pela UNI-RIO - Universidade do Rio de Janeiro.

A PANQUECA FUGITIVA, O RESMUNGÃO E OUTROS CONTOS NÓRDICOS

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HISTÓRIAS DE NATAL

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livro de contos populares adaptados e ilustrados por Augusto Pessõa - Ed. Escrita Fina (2010)

HISTÓRIAS DE BRUXAS - livro

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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

UM EMPREGO PARA MALASARTES!!

Diz que o Malasartes depois de enganar um fazendeiro ladino e gastar todo dinheiro que conseguiu, resolveu voltar pra casa. Mas um fato quase mudou seu destino. A mãe do nosso Pedro estava muito doente. Ela estava à beira da morte! A pobre senhora num último fôlego pediu: queria que o filho caçula arrumasse uma ocupação. Um trabalho decente como todo bom cristão. Fez o pedido e foi pra terra dos pés juntos... bateu os canecos... bateu as botas... vestiu paletó de madeira... morreu! Malasartes, então, decidiu arrumar uma ocupação. E foi batendo de porta em porta atrás de emprego. Depois de muito bater e receber muita porta na cara, Malasartes foi até uma fazenda e encontrou uma fazendeira. A mulher perguntou o que ele queria e o Pedro respondeu:
Procuro um trabalho... uma ocupação... um serviço de bom cristão. Será que na sua fazenda não tem um lugar pra mim?
Talvez tenha, mas preciso falar com meu marido! – e ela gritou – Marido!
Apareceu um homenzinho com a cara engraçada. A fazendeira explicou que o Malasartes queria um emprego. O fazendeiro perguntou o que ele sabia fazer e o Pedro respondeu:
Faço qualquer coisa... qualquer ocupação... Sabe, foi um pedido da minha finada mãezinha que eu arrumasse um serviço, um trabalho de bom cristão! Será que o senhor tem um trabalho assim pra mim?
Trabalho até que tem. Não muito, mas tem. Só não tem dinheiro pra pagar. Somos muito pobres...
Trabalho por qualquer coisa. Até por um prato de comida!
Então está bem! Você vai ganhar um bom prato de comida todos os dias!
E Malasartes passou a trabalhar na fazenda! E o patrão que disse que não tinha muito trabalho tratou de inventar um montão! O pobre do Malasartes trabalhava sem cessar! O Patrão só pedindo. Queria isso, aquilo e “aquiloutro”! E o Malasartes correndo de lado a lado. E o Patrão exigindo:
Malasartes! Malasartes! Eu quero isso!
Já vai, patrão!
Agora eu quero aquilo!
Tá aqui, patrão!
Agora eu quero “aquiloutro”!
Já vai, patrão! Tá aqui, patrão!
Agora não quero mais! Demorou muito!
O nosso Pedro estava cansado de tanto trabalhar e quando ia pedir o seu prato de comida a patroa respondia:
Ah, meu filho, não temos nada pra lhe dar... somos muito pobres... só tem esse pãozinho...
E dava para o pobre um pão duro, velho e seco. Que não dava nem pra morder. Assim seguia o Malasartes no seu emprego de bom cristão.
Mas até que chegou o dia que o Pedro trabalhou tanto que ficou com uma sede danada. Foi pedir água na casa e viu, por trás da porta, sua patroa limpando um monte de ouro que tirava de duas sacas cheias. E a mulher dizia assim enquanto esfregava as barras de ouro com um paninho:
- Ai, meu ourinho... meu ourinho vai ficar brilhando! Ai, meu ourinho... meu ourinho vai ficar limpinho! Que beleza! Deixa eu guardar pra ninguém pegar!
O Pedro Malasartes ficou furioso e falou com seus botões:
Que safadeza!Que pouca vergonha! Esses dois se dizendo pobre e tendo esse monte de ouro na mão. E ainda me pagando com aquele pão velho, duro e seco. Minha finada mãezinha, a senhora vai me perdoar, mas esse negócio de serviço de bom cristão não é pra mim, não. Esses safados vão ver com quem tão lidando. Eu sou Pedro Malasartes!
E logo arquitetou um plano: chamou o patrão e disse que não queria mais esse negócio de buscar ISSO, AQUILO e “AQUILOUTRO”. Que preferia ter uma ocupação só! Preferia tomar conta só dos porcos. O patrão não gostou e resmungou:
Você só quer tomar conta dos porcos?
É, patrão! Faz mal?
Bem não faz, mas mal também não chega a fazer! Você pode tomar conta só dos porcos, mas só vamos lhe dar a metade do pão!
Vindo do senhor e da patroa está bem vindo.
E o Malasartes pegou a vara de porcos e foi para bem longe da fazenda. Achou um lugar bonito e ficou por ali com os porcos só esperando. Daí a pouco apareceu um rico fazendeiro que se encantou com os porcos:
Que belezura de porcos!
O senhor gostou? – perguntou o Pedro – Eu também gosto muito dos meus bichinhos!
São seus?
São meus desde que nasceram! – disse o Malasartes com a maior cara lavada – Eu adoro meus porquinhos!
E o senhor não vende?
Vender os meus porquinhos? Acho que não, doutor!
Venda! Pago bom preço por eles!
Mas eu vou sentir tanto a falta deles... só se eu ficasse com uma recordação...
Que recordação? – se espantou o fazendeiro rico.
O senhor quer os porquinhos para criar ou para matar?
Para matar e vender a carne!
Pois então eu vendo os porquinhos, mas sem o rabo. Vou ficar com os rabinhos de recordação!
Como é que é?
O senhor não vai vender as carnes... o rabinho não vai fazer falta! E eu fico com uma recordação dos meus bichinhos! Só vendo assim!
O Fazendeiro rico achou aquilo muito esquisito, mas topou fazer o negócio, Deu muito dinheiro para o Malasartes. O malandro pegou um canivetinho e cortou o rabinho de todos os porcos. O novo dono dos porcos foi embora e o Malasartes enfiou os rabinhos num canteiro de terra e saiu correndo para fazenda chamando pelo patrão. E o homem apareceu espantado:
Que foi, criatura?
Os porquinhos! – disse o Malasartes quase sem fôlego.
Que você fez com meus porquinhos?
Os bichinhos tão se enterrando!
Que é isso? Que besteira é essa?
É verdade, patrão! Os bichinhos foram com as patinhas assim na terra... Roinc... Roinc... Roinc...Depois os focinhos... Roinc... Roinc... Roinc...E foram entrando na terra! Olha lá, patrão! Só estão os rabinhos de fora!
O Fazendeiro pôs as mãos na cabeça e gritou desesperado:
Ai, que é verdade mesmo! O quê é que a gente faz, homem?
Tem que desenterrar eles!
Corre lá na casa e pede pra fazendeira uma pá!
Só uma?
Não. Pega logo duas!
Duas. Tem certeza? São as duas?
Tenho, homem de Deus, pega as duas!
O Malasartes saiu na maior carreira. Chegou na fazenda, tomou fôlego e chamou a fazendeira na maior calma. A Fazendeira apareceu com sua cara emburrada:
Que é, homem de Deus?! Você quer mais comida?
Não é isso não, patroa! É que o patrão mandou a senhora me dar as duas sacas de ouro!
Como é que é? Você está é doido!
Eu não sei de nada, Patroa. O Patrão que mandou...A senhora quer ver?
E o Malasartes gritou para o patrão de longe:
São as duas, né? As duas!
E o fazendeiro sem saber de nada respondeu:
É! As duas!
A Fazendeira nem acreditava no que estava vendo. Deu as sacas de ouro para o Malasartes e o malandro foi embora. O Fazendeiro e sua mulher nunca mais viram o ouro, nem os porcos, nem o Pedro Malasartes. E acabou a história!!
Adaptação de Augusto Pessôa

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