AUGUSTO PESSÔA - CONTADOR DE HISTÓRIAS - (BRASIL)

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Ator, Cenógrafo, Figurinista, Arte Educador Dramaturgo e Contador de Histórias. Bacharelado em Artes Cênicas (Habilitação em Interpretação e Habilitação em Cenografia) pela UNI-RIO - Universidade do Rio de Janeiro.

A PANQUECA FUGITIVA, O RESMUNGÃO E OUTROS CONTOS NÓRDICOS

A PANQUECA FUGITIVA, O RESMUNGÃO E OUTROS CONTOS NÓRDICOS

HISTÓRIAS DE NATAL

HISTÓRIAS DE NATAL
livro de contos populares adaptados e ilustrados por Augusto Pessõa - Ed. Escrita Fina (2010)

HISTÓRIAS DE BRUXAS - livro

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sábado, 30 de janeiro de 2010

DONA VERDADE E MADAME MENTIRA

Dona Verdade é uma senhora muito distinta. Nunca fez plástica, nem preenchimento labial. Não aplica botox, nem tem silicone no corpo. De vez em quando usa um pouco de maquiagem, mas bem pouco. Quase sempre está de cara limpa. Senta todo dia do nosso lado. Não fala nada, mas aponta coisas. Na maioria das vezes não queremos ver o que ela aponta. Ou simplesmente nossos olhos não enxergam. Estão doentes. Precisam de óculos. Dona Verdade não usa óculos. Tem a visão cristalina. Apesar de distinta ela não é muito educada. De vez em quando fala alto, perde o rebolado e rasga a roupa. Fica nua, mas com toda a elegância.
Madame Mentira também é uma senhora distinta. Aparentemente. Já fez várias plásticas e preenchimento labial. Aplica semanalmente botox e tem silicone em todas (TODAS) as partes do corpo. Usa sempre uma maquiagem pesada. Nunca está de cara limpa. Senta todo dia do nosso lado. Do lado esquerdo. Fala pelos cotovelos e sempre fala demais. Mas não mostra nada. Não aponta. Não indica. E sempre desvia o nosso olhar. Sempre. Com um gesto leve, um gracejo ou até com um puxão. Tem uma visão péssima, mas não usa óculos. Não combinaria com sua maquiagem. Madame Mentira é muito educada. Não perde o controle nunca. Nem fica nua. Sua nudez a mataria.

Texto de Augusto Pessôa

HISTÓRIA DE DONA BARATINHA (conto popular)

Há muito tempo, na época dos avós de nossos avós, numa aldeia muito distante, Dona Baratinha fazia uma boa faxina na sua casa. Varrendo tudo e limpando os lugares mais escondidos. Até que ela encontrou uma moeda de ouro. Aquilo valia uma fortuna. Dona Baratinha pegou a moeda, guardou numa caixinha e pensou: Estou rica!
Mandou reformar a casa, comprou roupa nova e ficou mais bonita ainda. Mas sentia que faltava alguma coisa. E foi então que ela teve uma idéia: pôs uma fita no cabelo e foi para janela cantar:
- Quem quer casar com a senhora Baratinha que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha?
Apareceu logo um pretendente: garboso, charmoso e com uma crina penteada. Era o Cavalo.
Dona Baratinha quando viu o Cavalo com a crina penteada, charmoso e garboso, suspirou e perguntou:
- Senhor Cavalo, como faz ao amanhecer?
O Cavalo garbosamente deu aquela relinchada!
Dona Baratinha tomou um susto e disse:
- Ai, senhor cavalo! O senhor é muito bonito... é muito garboso, mas eu não vou agüentar esse barulho todo!! Desculpe... Mas eu não quero não!
O cavalo foi embora e a Baratinha continuou à janela a cantar:
- Quem quer casar com a senhora Baratinha que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha?
Apareceu o segundo pretendente: elegante, com um pelo bonito, muito alerta e valente. Era o cachorro.
Dona Baratinha quando viu o cachorro, todo elegante, suspirou e perguntou:
- Senhor cachorro, como faz ao amanhecer?
O cachorro encheu o peito e latiu. Latiu alto!
Dona Baratinha tomou um susto e disse:
- Ai, senhor cachorro! O senhor é muito bonito... é muito elegante e valente, mas eu não vou agüentar esse barulho todo!! Desculpe... Mas eu não quero não!
O cachorro foi embora e a Baratinha continuou à janela a cantar:
- Quem quer casar com a senhora Baratinha que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha?
De repente surgiu ele, todo ligeirinho e com um bigode nervosinho e simpático. Era o Rato.
Dona Baratinha quando viu o Rato com aquele bigodinho simpático, suspirou ... fundo! E perguntou:
- Senhor Ratão, como faz ao amanhecer?
O Rato deu um guinchinho. Um barulhinho bem baixinho e gostoso. Dona Baratinha ficou encantada. Ali mesmo marcaram a data do casamento. A Baratinha resolveu preparar uma feijoada para a festa e o Senhor Ratão mandou enfeitar a igreja.
A noiva preparou um vestido com a cor das nuvens do céu. E o noivo mandou fazer um fraque com a cor da noite.
No dia do casório, Dona Baratinha vai para a igreja acompanhada das damas.
O Ratão também vai para a igreja, mas quando passa na frente da casa da Baratinha sente um cheiro bom, um cheiro gostoso, um cheiro quente... era a feijoada que soltava um aroma delicioso. O Ratão entra na casa e vai até a cozinha seguindo aquele perfume. Em cima do fogão vê o panelão de feijão fervendo. Fica encantado com aquele cheiro e vai se aproximando mais da panela. Chega perto, bem pertinho e - tibum!- cai dentro da panela de feijão.
Na igreja, Dona Baratinha e os convidados esperam e esperam... até que alguém sugere:
- Por que não fazemos primeiro a festa e depois o casório?
Todos concordaram e foram para a casa da Baratinha.
Chegam lá e encontram o Ratão dentro da panela de feijão! Cozidinho... cozidinho no meio do panelão.
Dona Baratinha se aproxima, sente um aperto no coração e chora muito. Chora por uma semana. Depois, põe a fita de novo no cabelo, vai para a janela e canta:
- Quem quer casar com a senhora Baratinha que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha?

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A FUNÇÃO DA ARTE 1

Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar e tanto o seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando pediu ao pai:
- Me ajuda a olhar.
Eduardo Galeano
O Livro dos Abraços - Ed. L P M

A ORIGEM DA LAVOURA - conto indígena

A princípio a Terra não era boa nem farta. Não tinha peixes nas águas, animais nos matos e pássaros nos céus. Não se conhecia o fogo. Não existiam frutos e legumes. Os índios alimentavam-se de farelo de palmeira em decomposição, de lagartas e orelhas-de-pau. Certo dia, um jovem índio, andando pelo mato, viu sentada no seu caminho uma linda moça.
- Quem é você? De onde veio? - perguntou ele.
- Vim do céu - respondeu ela - Meu pai e minha mãe ralharam comigo, e vim embora, descendo com a chuva....
Como todos os índios tinham descido do céu, embora por outro caminho, o rapaz não duvidou daquelas palavras e muito se alegrou com a idéia de encontrar uma moça bonita para ser sua noiva. A moça era acanhada e mostrava receio de encontrar-se com as outras índias. Por isso, ambos esperaram que o dia fosse embora e, sob a cortina da noite, chegaram na casa da mãe do rapaz, onde, sem que ninguém visse, o índio escondeu a moça num enorme cesto de palha cuja boca fechou com cera. Assim, ela passava os dias escondida, esperando a noite, quando o namorado vinha e a fazia sair do grande cesto. Mas a mãe do índio ficou curiosa em saber o que tinha dentro daquele cesto e descobriu ali a filha do céu. Quando a história foi revelada, o rapaz abriu o cesto de palha em plena luz do dia. Mas a menina não queria sair de lá. Baixou a cabeça e custou a levantar. Todos admiraram a beleza da filha do céu, fizeram ela sair de dentro do cesto e trataram de enfeitá-la com a cabeça rapada no alto e o corpo pintado de urucum e jenipapo.
A moça gostava de falar do céu e da fartura de frutos e legumes. Certo dia, queixou-se ao marido de que estava enjoada de comer lagartas e manifestou o desejo de voltar ao céu, a fim de trazer algumas sementes. Ensinou como ele devia fazer uma roçada, limpando a terra e preparando-a para receber as plantas trazidas do céu. De manhã, dirigiram-se os dois ao campo onde a filha do céu indicou uma árvore alta e flexível. Treparam até o último galho, e o peso de ambos fez que o tronco vergasse até o chão.
- Pule! - mandou a índia.
Ele pulou e a árvore se esticou novamente levando a moça para o seu lar. Seu marido fez a roçada e um dia encontrou a moça sentada no meio dela, cercada de mudas de bananeira, de batatas e inhames. Do céu, nessa mesma ocasião, veio o primeiro beiju, embrulhado em folhas de bananeira, em forma de estrela.
A índia fez uma nova viagem ao céu para mostrar aos pais o filho que lhe nascera aqui na Terra. Subiu por uma altíssima casa de cupim. Depois de criado o menino, a mãe tornou a subir para o céu, mas de lá nunca mais voltou.
Os índios continuaram fazendo suas roçadas, ano após ano, cabendo às mulheres plantar a terra preparada. E, quando fazem seus beijus, ainda arranjam as folhas de bananeira em forma de estrela, como a Mãe da Lavoura e Filha do Céu ensinou a fazer.

Adaptação de Augusto Pessôa

CURTINHAS - VERDADE

VERDADE
Não quero mais palavras pela metade.
Olhares que não dizem tudo.
Sentimentos atrás da porta.
Não quero saber de mentiras.
De palavras não ditas.
Estou cansado de fingimento...
de dissimulação...
de “deixa pra lá”!
Quero a verdade!!
Mas qual é a verdade?
A minha ou a sua?

A FORÇA DE MALASARTES - conto popular

Depois de criar mais uma grande confusão,
Malasartes ia fugindo da fúria de um capitão
Que botou, atrás do malandro, sua tropa na perseguição.
E foi grande o problema do nosso herói espertalhão.

Vendo a tropa se aproximando e sem saber como escapar,
Malasartes teve uma idéia das boas, pois ficou a pensar.
Era uma idéia daquelas. Boa pra danar!
Pra acabar a perseguição e a tropa toda enganar.

Com braços e olhos pra cima, ele ficou num descampado.
Andando de um jeito engraçado. Andando de um para o outro lado.
Como se aguardasse, o pobre coitado,
Algo que viesse do céu! Do céu fosse enviado!

A tropa deu com aquele amarelo ao chegar ao descampado.
O camarada com os braços para cima. Andando de um para o outro lado.
Que coisa mais maluca! E ainda com o ar preocupado.
Parece coisa de doido! Coisa de abilolado!

O chefe da tropa, sem entender nada, na frente de todos se colocou.
Vendo o Malasartes olhando pro céu, o homem logo perguntou:
– Que diacho é isso, amarelo? Será que você endoidou?
Não adianta mais fugir que a nossa perseguição acabou!

Respondendo ao chefe da tropa, disse Pedro sem sorrir:
- Um boi, do céu, vai cair! Um boi, do céu, vai cair!
Dizia o amarelo sem parecer que queria fugir.
Com ar muito amuado. Não parecia fingir.

O chefe da tropa também ficou preocupado
O amarelo parecia sério e com jeito enfezado.
– Do que você está falando? – perguntou o chefe pasmado.
A resposta foi logo dada, mas não do jeito esperado:

– Encontrei um boi parado quando fugia de sua perseguição.
E o boi estava pastando. Comendo sua refeição.
No meio do descampado o que fiz não tem perdão.
Joguei o boi para alto como se fosse um balão!

Uma coisa sem igual essa força que usei,
E lá pro alto, pro o céu, o pobre boi joguei!
Esqueço que essa força, de meu pai herdei.
Ele tinha tanta força que eu nem sei!

Malasartes ainda andava de um para o outro lado,
Os dois olhos no céu e com o braço esticado
Mas estava muito sério. De um jeito jamais pensado.
Falando sem parar, mas muito compenetrado.

– Esquecendo a força que tenho, joguei o boi para o ar!
Agora tenho que apanhá-lo. Quero a queda aparar!
Para o pobre do bichinho não vir a se machucar!
Por causa de minha força, ele pode se estrepar!

O chefe da tropa para o profundo azul do céu olhou.
Não viu do boi nem a sombra. E assim logo pensou:
“Se ele tem tamanha força que pro céu um boi jogou
Vai derrotar a tropa toda! É só um soco e acabou!

Eu devo sair de fininho pra não sofrer tal humilhação.
Será melhor, com certeza, enfrentar a bronca do capitão.
Não quero levar uma surra desse amarelo fortão!
É melhor fugir depressa do que apanhar como um cão!”

Com cautela, o chefe da tropa para trás foi andando.
E toda a tropa foi, como o chefe, bem devagar recuando.
Todos com muito medo. Logo a tropa foi se dispersando.
Quando Malasartes deu por si, estava sozinho falando.

Pedro baixou os braços e parou de falar.
Foi embora contente, sua viagem tinha que continuar.
Fazer mais estripulias, outras artes aprontar,
Pra viver mais aventuras e novas terras encontrar!

Essa história acabou.
Mas outra vai começar!
Qual é a arte boa?
Qual é a arte má?
Que Pedro é Malasartes.
Isto ninguém vai negar...

Adaptação de Augusto Pessôa

sábado, 2 de janeiro de 2010

A ONÇA E O BODE - conto popular

Era uma vez, há muito tempo atrás, na época que os bichos ainda falavam, um bode. Um bode que estava cansado de andar por aí, sem ter onde morar. Resolveu fazer uma casa. Procurou bastante, até que encontrou um descampado. Aplainou o descampado e foi buscar material para continuar a construção. Nisso a onça, que resolvera também fazer a sua casa e procurava um terreno, achou um descampado. Feliz da vida ela dizia:
- Deus está me ajudando, pois achei esse descampado já aplainado!
A onça fincou umas estacas para marcar o terreno da casa. E saiu para buscar material e continuar a construção. Voltou o bode e ficou todo prosa:
- Deus está me ajudando, pois as estacas já estão fincadas para marcar o terreno!
Colocou as varas e fez o telhado da casa. Saiu para buscar mais material. A onça reapareceu e ficou besta de ver:
- Deus, muito obrigado! Ia dar um trabalhão fazer o telhado!
Levantou as paredes e foi buscar seus móveis. O bode nem acreditou quando viu.
- Mas que coisa boa! Como Deus é generoso! Levantou essas paredes pra mim! Isso ia dar tanto trabalho!
O bode pintou a casa e colocou seus móveis num dos quartos. A onça voltou com seus móveis e ficou de boca aberta:
- A casa já esta até pintada. Valha-me Deus, nosso senhor!!
A onça colocou seus móveis no outro quarto. E os dois, dentro da casa, dormiram cada um num quarto.
No dia seguinte acordaram bem cedo. Quando saíram dos quartos deram um de cara com o outro.
- Compadre bode, o que é que você está fazendo dentro da minha casa?
- A casa é minha, dona onça!
- Como sua? Eu que finquei as estacas e levantei as paredes! Meus móveis estão aí dentro!
- Mas eu aplainei o terreno, fiz o telhado e pintei a casa! Meus móveis também estão lá dentro!
Os dois perceberam que fizeram a casa juntos. E como tinha dois quartos resolveram que morariam ali. Só que a onça já estava pensando em jantar o bode. Ficou combinado que cada dia um sairia e buscaria comida para os dois.
Primeiro foi a onça. Saiu e encontrou um bode enorme. Muito maior que seu companheiro de casa. Matou o bode enorme e levou, arrastado pelas patas, até em casa. Chegando lá, jogou o bode enorme no meio da sala.
- Olhe, compadre bode, o nosso jantar! Você pode prepará-lo!
O bode quando viu aquilo quase teve um treco. Se a onça matou aquele bode enorme, o que não faria com ele. O coitado do bode preparou seu irmão, mas inventou um enjôo e não quis comer.
No dia seguinte, foi à vez do bode sair para caçar. Encontrou uma onça pintada muito maior do que sua companheira de casa. O bode então, imaginou um plano. Começou a catar tudo que era cipó. A onça pintada ficou curiosa e perguntou:
- Amigo bode, o que o senhor está fazendo? Pra que tanto cipó?
- A amiga não está sabendo da ventania?
- Que ventania?
- Uma ventania terrível que vai levar tudo que não estiver amarrado. Todos os bichos estão se amarrando...
- É verdade, amigo bode?
- Por essa luz...
- Então, o amigo bode podia fazer o favor de me amarrar?
- Ah, dona pintada, não sei...
- Por favor, depois o amigo se amarra...
- Então está bem! Já que a senhora insiste...
O bode amarrou a onça pintada numa árvore bem grossa. Mas amarrou bem amarrado. Depois pediu para ela:
- Tente sair amiga pintada!
A onça pintada fez força pra sair. Fez força para um lado, para outro, e nada.
- “Tá” bem firme, amiga onça?
- “Tô” bem firme!
O bode pegou um pedaço de pau e deu na onça pintada até matar. Soltou a pintada e foi puxando ela pelo rabo. Chegou em casa e jogou a pintada no meio da sala.
- Olha aí, dona onça, o nosso jantar!
A onça quando viu aquilo ficou apavorada. A pintada era muito maior do que ela.
- Como é que o senhor matou essa onça tão grande, compadre bode?
- Eu tenho um poder mágico. Assobio três vezes e aponto assim e... BIMBA!! Qualquer bicho cai morto!!!
- É mesmo, compadre? Que coisa!!
A onça ficou apavorada olhando para o bode. E o bode:
- Se não acredita quer que eu experimente?
- Não, compadre. Não precisa!
- Fiuuuuuuu... Que já foi o primeiro!!
- Não precisa, não...
- Fiuuuuuuu... Que já vai o segundo!!!
- Não precisa mesmo...
- Fiuuuuuuu...
O bode já ia apontando e a onça saiu correndo gritando feito louca. Eu só sei que a onça está correndo até agora e o bode está tranqüilo morando sozinho na casa.

Adaptação de Augusto Pessôa do conto popular "A ONÇA E O BODE"

MALASARTES - O INÍCIO DA SAGA!

Como é essa história? Como foi que começou?
A história do malandro que muita gente enganou.
Ele é Pedro e Malasartes. Da arte sempre será.
Quem souber que conte. Vamos logo começar:

Pois então vamos contar. Ouve-se em toda parte
É história de esperteza. É de Pedro Malasartes.
O menino tinha família. Tinha pai, mãe e irmão.
Vivia sua vidinha como todo bom cristão.
O irmão, que era mais velho, um trabalho procurou.
Encontrou um fazendeiro que logo o contratou.
O patrão, muito ladino, ofereceu ao empregado
Um acordo diferente. Coisa de malandro safado:

- Te dou um bom trabalho, mas não gosto de falação.
Nem a minha, nem a sua, não quero reclamação!
Se um de nós reclamar o castigo assim será:
Uma tira de couro das costas perderá!

AAAAIIIIIIII!

Pra onde vai essa história? Onde é que vai dar?
Qual é a arte boa? Qual é a arte má?
Que Pedro é Malasartes. Isso não vai mudar.
Quem souber que conte. Pode continuar:

Isso é arte do tinhoso. É coisa de gente má.
Uma proposta dessa não dá para aceitar.
Mas o pobre do empregado o acordo aceitou.
“São coisas dessa vida!” Assim o rapaz falou.
O malvado fazendeiro tratou de arrumar
Todo trabalho do mundo para o empregado reclamar.
Mas o pobre do empregado trabalhava sem cessar
Mas um dia (Ai, que dia!) o rapaz não agüentou.
Sem força nenhuma do trabalho reclamou.
O fazendeiro sem piedade fez o combinado
Tirou tira de couro das costas do coitado.

AAAAIIIIIIII!

Que maldade terrível! Que raiva que dá!
Qual é a arte é boa? Qual é a arte má?
Que Pedro é Malasartes.Ele sempre será.
A histórias continua. Vamos ver no quê vai dar.

Pra casa, cabisbaixo, voltou o empregado.
Sem uma tira das costas e com o olho esbugalhado.
O caçula quando soube com muita raiva ficou.
Uma vingança medonha ele logo planejou.
Foi até a fazenda e o fazendeiro encontrou
Pediu um emprego e assim escutou:

- Te dou um bom trabalho, mas não gosto de falação.
Nem a minha, nem a sua, não quero reclamação.
Se um de nós reclamar o castigo assim será.
Uma tira de couro das costas perderá.

AAAAIIIIIIII!

Pra onde vai essa história? Onde é que vai dar?
Qual é a arte boa? Qual é a arte má?
Que Pedro é Malasartes. Ele vai se vingar.
Quem souber que conte. Pode continuar:

O Malasartes assim quis e o trabalho começou.
O fazendeiro danado muito trabalho arranjou.
Sem nada reclamar, mas fazendo tudo errado,
Malasartes trabalhava de modo atrapalhado.
Vendeu os bois da fazenda e com o dinheiro ficou.
Queimou o roçado e até os porcos matou.
O fazendeiro ia firme, até que não agüentou.
Botou a boca no mundo. O homem assim falou:

- Que bagunça é essa? Que tanta enrolação!
Um empregado assim vai ser minha perdição.
Faço qualquer negócio. Qualquer arrumação.
Só quero que vá embora. Não quero você aqui não!

Essa história tem um fim? Ela já vai terminar!
Qual é a arte boa? Qual é a arte má?
Que Pedro é Malasartes. Ele já se vingou.
Quem souber que conte. Ponha um fim e acabou.
.
: O Malasartes deu um sorriso. Um sorriso de lado a lado.
Não podia ir embora sem resolver o combinado.
Uma nova proposta o Pedro fez ao patrão:
Queria muito dinheiro! Muito dinheiro na mão!
Com medo de perder o couro o fazendeiro aceitou.
Na mão do Malasartes muito dinheiro deixou.
O malandro foi embora! Ganhou rumo na estrada!
E essa história acabou. Assim foi terminada!

Adaptação de Augusto Pessôa

A RÃ E O BOI - VÍDEO

A RÃ E O BOI - VÍDEO
Apresentação de Augusto Pessôa no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias SESC RJ 2010. Clique na imagem e assista a história

A MENINA QUE FAZIA AZEITE DE DENDÊ

A MENINA QUE FAZIA AZEITE DE DENDÊ
Clique na imagem e assista a hitória

UMA APOSTA (VÍDEO)

UMA APOSTA (VÍDEO)
Conto de Artur Azevedo. CLIQUE NA IMAGEM E VEJA O VÍDEO

LIVROS LEGAIS

  • GRAMÁTICA DA FANTASIA de Gianni Rodari - Summus Editorial.
  • GUARDADOS DO CORAÇÃO – Memorial para Contadores de Histórias de Francisco Gregório Filho - Editora Amais.
  • FÁBULAS ITALIANAS de Ítalo Calvino - Editora Companhia das Letras
  • DICIONÁRIO DE FOLCLORE BRASILEIRO de Câmara Cascudo - Editora Itatiaia
  • VASOS SAGRADOS de Maria Inez do Espírito Santo - Ed Rocco
  • MEUS CONTOS AFRICANOS - seleção de Nelson Mandela - Ed Martins
  • LENDAS BRASILEIRAS de Camara Cascudo - Ediouro
  • CONTOS TRADICIONAIS DO BRASIL de Camara Cascudo - Ed Itatiaia
  • CONTOS POPULARES DO BRASIL de Silvio Romero - Ed Itatiaia

A MOURA TORTA

A MOURA TORTA
Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo

MARIA BORRALHEIRA (VÍDEO)

MARIA BORRALHEIRA (VÍDEO)
Peça teatral baseada no conto popular MARIA BORRALHEIRA com Augusto Pessôa e Rodrigo Lima. Direção Rubens Lima Junior. Clique na foto e assista a um trecho da peça.

FELIZES PARA SEMPRE (RESENHA)

FELIZES PARA SEMPRE (RESENHA)
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QUANDO OS BICHOS AINDA FALAVAM

QUANDO OS BICHOS AINDA FALAVAM
Apresentação no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias SESC RJ 2009

A MENINA QUE VIROU CORUJA (VÍDEO)

A MENINA QUE VIROU CORUJA (VÍDEO)
Conto Africano. Clique na imagem e assista ahistória

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)
Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Cliuqe na imagem e assista a um trecho do espetáculo

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)
Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo.

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

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Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Clique na imagem e assita a um trecho do espetáculo

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - SONHO DE MENINA

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - SONHO DE MENINA
Apresentação no SESC Niterói - nov 2009 - Clique na imagem e assista a apresentação.

O MARIDO FIEL - VÍDEO

O MARIDO FIEL - VÍDEO
Conto de Nelson Rodrigues - adaptação e narração de Augusto Pessôa. Clique na imagem e assista a história.

O JABUTI E A FRUTA (VÍDEO)

O JABUTI E A FRUTA (VÍDEO)
conto popular adaptado por Augusto Pessôa. CLIQUE NA IMAGEM E ASSISTA AO VÍDEO

VOU BUSCAR O MEU AMOR (VÍDEO)

VOU BUSCAR O MEU AMOR (VÍDEO)
Cena do espetáculo A MOURA TORTA. Clique na foto e veja a cena

A MOURA TORTA

A MOURA TORTA
Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo em cartaz no teatro do Jockey - Gávea

JABUTI

JABUTI
Apresentação no Simpósio Internacional de contadores de Histórias - SESC RJ 2009. Clique na imagem e assista a um trecho da apresentação

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - abertura da peça (VÍDEO)

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - abertura da peça  (VÍDEO)
Apresentação no SESC Niterói - nov 2009 - Clique na imagem e assista a apresentação

A NOITE QUE A LUA SUMIU DO CÉU (VÍDEO)

A NOITE QUE A LUA SUMIU DO CÉU (VÍDEO)
Clique na imagem e veja um clipe do espetáculo

A DAMA DO LOTAÇÃO (VÍDEO)

A DAMA DO LOTAÇÃO (VÍDEO)
conto de Nelson Rodrigues. Adaptação e narração de Augusto Pessôa

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (VÍDEO)

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (VÍDEO)
Peça baseada no conto popular O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (2003). Clique na foto e veja um trecho do espetáculo.

TOC, TOC, TOC, TOC (VÍDEO)

TOC, TOC, TOC, TOC (VÍDEO)
Conto de Arur Azevedo. CLIQUE NA IMAGEM E VEJA O VÍDEO

MALASARTES E O HOMEM ENGANADO DUAS VEZES (VÍDEO)

MALASARTES E O HOMEM ENGANADO DUAS VEZES (VÍDEO)
Contação de Histórias. Clique na imagem e assista a contação.

MENINA FACEIRA

MENINA FACEIRA
Apresentação de Augusto Pessôa e Rodrigo Lima no Instituto Moreira Salles - set 2009. Clique na imagem e veja a apresentação.

HISTÓRIA DE ANTANHO (VÍDEO)

HISTÓRIA DE ANTANHO (VÍDEO)
NA CASA DE SEU PEDRÃO. Apresentação de Augusto Pessôa e Rodrigo Lima no SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE CONTADORES DE HISTÓRIAS - SESC RJ (2008). Clique na imagem e veja a apresentação

MÚSICA - NA FEIRA DO TEM TEM (VÍDEO)

MÚSICA - NA FEIRA DO TEM TEM (VÍDEO)
O Rei Doente do Mal de Amores - apresentação no SESC Niterói 2009. Clique na imagem e assista a cena.

PARA SEMPRE FIEL (VÍDEO)

PARA SEMPRE FIEL (VÍDEO)
Conto de Nelson Rodrigues - adaptação e narração de Augusto Pessôa

SUSPIROS VÃO E VEM (VÍDEO)

SUSPIROS VÃO E VEM (VÍDEO)
Apresentação do espetáculo O REI DOENTE DO MALDE AMORES no SESC Niterói 2009. Clique na imagem e assista a apresentação

MALASARTES! (VÍDEO)

MALASARTES! (VÍDEO)
Peça baseada nas histórias de Pedro Malasartes. Clique na foto e veja um trecho do espetáculo

O JABUTI E A FRUTA

O JABUTI E A FRUTA
Apresentação no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias - SESC RJ 2009. Clique na imagem e assista a história

A MOURA TORTA

A MOURA TORTA
Crítica do espetáculo publicada no JORNAL DO BRASIL

MARIA BORRALHEIRA - CRÍTICA (IMAGEM)

MARIA BORRALHEIRA - CRÍTICA (IMAGEM)
Clique na imagem e leia a crítica sobre o espetáculo

MALASARTES - CRÍTICA (IMAGEM)

MALASARTES - CRÍTICA (IMAGEM)
Clique na imagem e leia a crítica do espetáculo.

CRÍTICA DO ESPETÁCULO O REI DOENTE DO MAL DE AMORES

CRÍTICA DO ESPETÁCULO O REI DOENTE DO MAL DE AMORES

MALASARTES - Histórias de Um Camarada Chamado Pedro

MALASARTES - Histórias de Um Camarada Chamado Pedro
Livro de Augusto Pessôa publicado pela Editora ROCCO (2007)

FELIZES PARA SEMPRE

FELIZES PARA SEMPRE
Livro com adaptações de Augusto Pessôa - Editora ROCCO (2003)

CONTOS DE HUMOR

CONTOS DE HUMOR
Contos de Artur Azevedo - organização Augusto Pessôa - Editora ROCCO (2008)

CONTANDO HISTÓRIAS NA ABL

CONTANDO HISTÓRIAS NA ABL
CONTANDO HISTÓRIAS NA BIBLIOTECA DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS