AUGUSTO PESSÔA - CONTADOR DE HISTÓRIAS - (BRASIL)

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Ator, Cenógrafo, Figurinista, Arte Educador Dramaturgo e Contador de Histórias. Bacharelado em Artes Cênicas (Habilitação em Interpretação e Habilitação em Cenografia) pela UNI-RIO - Universidade do Rio de Janeiro.

A PANQUECA FUGITIVA, O RESMUNGÃO E OUTROS CONTOS NÓRDICOS

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HISTÓRIAS DE NATAL

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livro de contos populares adaptados e ilustrados por Augusto Pessõa - Ed. Escrita Fina (2010)

HISTÓRIAS DE BRUXAS - livro

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sábado, 13 de março de 2010

O HOMEM DE AÇÚCAR - conto oriental

Era uma vez dois irmãos totalmente diferentes. O mais velho, Lao Da, era mau e ambicioso. Ficou com toda a fortuna que o pai deixara quando morreu. O mais novo, Lao Er, era honesto e sincero. Não ficou com nada da herança do pai. Mas ganhava o pão de cada dia, ajudando as pessoas em seus trabalhos.
Aconteceu que um dia, pediram a Lao Er para ir levar dois baldes de melaço a um vendedor ambulante que vivia do outro lado da montanha. Ia ele no meio da montanha, quando foi surpreendido por um forte temporal. O caminho estava escorregadio e Lao Er perdeu o equilíbrio e escorregou pela montanha juntamente com os dois balde de melaço. Ficou coberto de melaço. Antes que pudesse levantar, viu um grupo de duendes a sua volta. Os pequenos seres acharam que Lao Er era um homem feito de açúcar e resolveram que iriam devorar o pobre como quem come um doce.
- Este homem de açúcar é bem grande. - disse um dos duendes.
- Não podemos comer isso duma só vez. É melhor levar ele para casa.
Todos concordaram e levaram o homem para a sua caverna, colocaram ele sobre uma mesa de pedra e todos ficaram em volta dela para comerem o "doce".
Mas um dos duendes, que tinha um longo chifre na cabeça, disse:
- Bem, tragam o nosso talismã! Vamos primeiro almoçar, depois voltamos ao vale para nos divertirmos. E só mais tarde comeremos o doce!
Um pequenino duende trouxe um tambor e começou a tocar. Imediatamente muitos pratos com comidas deliciosas apareceram sobre a mesa. O cheiro era muito bom, mas Lao Er não se mexeu, com medo que os duendes vissem que ele era um homem e o matassem. Olhou para o tambor mágico e ficou prestando atenção para ver onde o pequenino duende o guardava.
Depois da refeição os duendes foram embora. Lao Er pegou o tambor mágico e correu para sua casa o mais depressa que as suas pernas permitiram.
É claro que Lao Er nunca mais precisou se preocupar com a comida, pois graças ao talismã ele sempre tinha a mesa farta. O tamborzinho mágico era realmente um tesouro. Tinha não só o poder de fazer aparecer comidas, mas tudo o que se desejasse. Mas Lao Er, que era honesto e trabalhador, limitou-se a pedir ao tambor mágico uma pequena quantia de dinheiro, o suficiente para comprar uma foice grande para ceifar, uma enxada e um martelo. E querendo viver com os frutos do seu trabalho, guardou o tambor num velho cofre.
Quando o seu irmão Lao Da soube disso ficou com uma tremenda inveja. Ele queria também um objeto mágico. Então, comprou dois baldes de melaço e foi para a montanha. No meio do caminho derramou os dois baldes na cabeça e ficou todo sujo pelo melaço. Deitou no chão e ficou esperando os duendes. Logo os pequeninos apareceram e quando o viram gritaram:
- O homem de açúcar que nós perdemos! Vamos carregar ele para a caverna. Depressa!
Lao Da ficou muito satisfeito ao ouvir isso. Daí a pouco ele teria em seu poder qualquer coisa mágica. Mas o duende de longo chifre disse:
- Da última vez o homem de açúcar fugiu com o nosso pequeno tambor, desta vez é melhor cozinhar ele primeiro e só depois pegaremos no nosso talismã para servir o jantar. Assim o homem de açúcar não poderá fugir e o nosso talismã continuará em nosso poder.
Os duendes colocaram Lao Da num grande caldeirão. Encheram de água, taparam, acenderam o fogo e começaram a cozinhar. Dentro daquela enorme panela, Lao Da não conseguia mais aguentar aquele calor. Levantou dum salto e saiu do caldeirão. Todos os duendes correram atrás de Lao Da. Queimado, com as suas roupas fumegantes, e além disso tremendo de medo, é claro que ele não conseguiu correr tão depressa. Os duendes agarraram o invejoso e levaram ele outra vez para a caverna.
- É preciso castigar esse vigarista! - declarou o duende do grande chifre. - Vamos fazer com que fique com um grande nariz, de modo que ele nunca mais se esquecerá de nós.
E falando isso, puxou pelo nariz de Lao Da e este ficou logo do tamanho de um pé. Depois, puxou mais seis vezes e cada vez que puxava, o nariz alongava mais um pé. Quando terminou, o nariz tinha sete pés de comprimento. Satisfeitos, os duendes botaram Lao Da para fora da caverna. O invejoso era obrigado a segurar o nariz com as suas mãos e foi assim que ele chegou a casa. A sua mulher quando o viu ficou desesperada. Lao Da contou toda a história. Ela ficou calada e depois disse:
- Não é preciso ficar tão desesperado, pois deve ter uma solução. Se os duendes puseram você nesse estado, eles também devem ter poderes para voltar ao normal. Vamos pedir a Lao Er que descubra como.
Ela correu até à casa de Lao Er, contou ao cunhado o que tinha acontecido e pediu ajuda chorando. O rapaz tinha muito bom coração e imediatamente correu para a montanha. Foi até a gruta e se escondeu. Os duendes tinham saído, mas logo chegaram. O duende com o chifre começou a farejar e disse:
- Cheira aqui a estranhos! Vamos procurar por todo o lado e vamos ver se não é alguém querendo roubar o nosso talismã!
Rapidamente eles se puseram a procurar por todos os lados. No seu esconderijo, Lao Er nem se mexia. Depois de um certo tempo, sem terem encontrado ninguém, os duendes sentaram à volta da mesa de pedra. Dessa vez tiraram um pequenino gongo de cobre. Um duende deu algumas pancadas. Dong! Dong! Dong! E, de repente, apareceram sobre a mesa as mais deliciosas comidas.
- O tambor nós perdemos - disse o duende de chifre – Mas temos esse gongo. Precisamos guardar melhor e não o deixar por aí. Temos de o levar sempre conosco.
Enquanto comiam, falaram sobre Lao Da e um dos pequeninos disse:
- Aquele desconhecido de ontem veio cá, com certeza para roubar o nosso talismã. Fizemos bem em alongar seu nariz. Vai aprender a lição. E ele não sabe que o seu mal tem remédio! E a única coisa que ele tem a fazer é bater no tambor que nos roubou, dizendo ao mesmo tempo: "Diminui!" E o nariz encolherá um pouco. Se bater mais vezes no tambor, pronunciando sempre: "Diminui!", o nariz voltará, pouco a pouco, ao seu tamanho normal...
- Calado! - interrompeu o duende de chifre. – Alguém pode ouvir!
Houve um completo silêncio por alguns momentos, mas como nenhum barulho se fez ouvir, continuaram a sua refeição. Depois que acabaram de jantar, saíram da caverna, aos saltos. Lao Er voltou para casa e contou para a cunhada tudo o que tinha ouvido.
- Vai buscar depressa o tambor mágico. O seu irmão precisa curar o nariz.
Lao Er levou o tambor mágico, colocou-o em frente do irmão, deu algumas pancadas e disse: - Diminui!
E o nariz diminuiu logo um pouco. Continuou a bater no tambor e a dizer:
- Diminui!
E o nariz diminuiu ainda mais um bocado. Lao Er continuando a bater, a dizer aquelas palavras e o nariz ia encolhendo pouco a pouco. Mas, de repente, a sua cunhada que estava fervendo de impaciência, disse:
- Assim nunca mais acaba! É muito devagar! Dá esse tambor pra mim!
Tirou o tambor das mãos de Lao Er e começou a bater com toda a fúria, dizendo:
- Diminui, diminui, diminui!
Ela falava o mais depressa que podia. O nariz de Lao Da diminuiu num abrir e fechar de olhos e, de repente, não tinha mais nariz! Ele entrou pela cabeça adentro. E também não havia mais tambor, a cunhada bateu com tanta força que a pele rasgou! E assim o mau e invejoso Lao Da passou a ser um homem sem nariz.

Conto Han

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