AUGUSTO PESSÔA - CONTADOR DE HISTÓRIAS - (BRASIL)

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Ator, Cenógrafo, Figurinista, Arte Educador Dramaturgo e Contador de Histórias. Bacharelado em Artes Cênicas (Habilitação em Interpretação e Habilitação em Cenografia) pela UNI-RIO - Universidade do Rio de Janeiro.

A PANQUECA FUGITIVA, O RESMUNGÃO E OUTROS CONTOS NÓRDICOS

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HISTÓRIAS DE NATAL

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livro de contos populares adaptados e ilustrados por Augusto Pessõa - Ed. Escrita Fina (2010)

HISTÓRIAS DE BRUXAS - livro

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sábado, 13 de março de 2010

UM EMPREGO PARA MALASARTES

Diz que o Malasartes depois de enganar um fazendeiro ladino e gastar todo dinheiro que conseguiu, resolveu voltar pra casa. Mas um fato quase mudou seu destino. A mãe do nosso Pedro estava muito doente. Ela estava à beira da morte! A pobre senhora num último fôlego pediu: queria que o filho caçula arrumasse uma ocupação. Um trabalho decente como todo bom cristão. Fez o pedido e foi pra terra dos pés juntos... bateu os canecos... bateu as botas... vestiu paletó de madeira... morreu! Malasartes, então, decidiu arrumar uma ocupação. E foi batendo de porta em porta atrás de emprego. Depois de muito bater e receber muita porta na cara, o Pedro foi até uma fazenda e encontrou uma fazendeira. A mulher perguntou o que ele queria e o Pedro respondeu:

- Procuro um trabalho... uma ocupação... um serviço de bom cristão. Será que na sua fazenda não tem um lugar pra mim?
- Talvez tenha, mas preciso falar com meu marido! – e ela gritou – Marido!

Apareceu um homenzinho com a cara engraçada. A fazendeira explicou que o Malasartes queria um emprego. O fazendeiro perguntou o que ele sabia fazer e o Pedro respondeu:

- Faço qualquer coisa... qualquer ocupação... Sabe, foi um pedido da minha finada mãezinha que eu arrumasse um serviço, um trabalho de bom cristão! Será que o senhor tem um trabalho assim pra mim?
- Trabalho até que tem. Não muito, mas tem. Só não tem dinheiro pra pagar. Somos muito pobres...
- Trabalho por qualquer coisa. Até por um prato de comida!
- Então está bem! Você vai ganhar um bom prato de comida todos os dias!

E Malasartes passou a trabalhar na fazenda! E o patrão que disse que não tinha muito trabalho tratou de inventar um montão! O pobre do Pedro trabalhava sem cessar! O Patrão só pedindo. Queria isso, aquilo e “aquiloutro”! E o amarelo correndo de lado a lado. E o Patrão exigindo:

- Malasartes! Malasartes! Eu quero isso!
- Já vai, patrão!
- Agora eu quero aquilo!
- Tá aqui, patrão!
- Agora eu quero “aquiloutro”!
- Já vai, patrão! Tá aqui, patrão!
- Agora não quero mais! Demorou muito!

O nosso Pedro estava cansado de tanto trabalhar e quando ia pedir o seu prato de comida a patroa respondia:

- Ah, meu filho, não temos nada pra lhe dar... somos muito pobres... só tem esse pãozinho...

E dava para o pobre um pão duro, velho e seco. Que não dava nem pra morder. Assim seguia o Malasartes no seu emprego de bom cristão.
Mas até que chegou o dia que o Pedro trabalhou tanto que ficou com uma sede danada. Foi pedir água na casa e viu, por trás da porta, sua patroa limpando um monte de ouro que tirava de duas sacas cheias. E a mulher dizia assim enquanto esfregava as barras de ouro com um paninho:

- Ai, meu ourinho... meu ourinho vai ficar brilhando! Ai, meu ourinho... meu ourinho vai ficar limpinho! Que beleza! Deixa eu guardar pra ninguém pegar!

O Pedro Malasartes ficou furioso e falou com seus botões:

- Que safadeza!Que pouca vergonha! Esses dois se dizendo pobre e tendo esse monte de ouro na mão. E ainda me pagando com aquele pão velho, duro e seco. Minha finada mãezinha, a senhora vai me perdoar, mas esse negócio de serviço de bom cristão não é pra mim, não. Esses safados vão ver com quem tão lidando. Eu sou Pedro Malasartes!

E logo arquitetou um plano: chamou o patrão e disse que não queria mais esse negócio de buscar ISSO, AQUILO e “AQUILOUTRO”. Que preferia ter uma ocupação só! Preferia tomar conta só dos porcos. O patrão não gostou e resmungou:

- Você só quer tomar conta dos porcos?
- É, patrão! Faz mal?
- Bem não faz, mas mal também não chega a fazer! Você pode tomar conta só dos porcos, mas só vamos lhe dar a metade do pão!
- Vindo do senhor e da patroa está bem vindo.

E o Malasartes pegou a vara de porcos e foi para bem longe da fazenda. Achou um lugar bonito e ficou por ali com os porcos só esperando. Daí a pouco apareceu um rico fazendeiro que se encantou com os porcos:

- Que belezura de porcos!
- O senhor gostou? – perguntou o Pedro – Eu também gosto muito dos meus bichinhos!
- São seus?
- São meus desde que nasceram! – disse o Malasartes com a maior cara lavada – Eu adoro meus porquinhos!
- E o senhor não vende?
- Vender os meus porquinhos? Acho que não, doutor!
- Venda! Pago bom preço por eles!
- Mas eu vou sentir tanto a falta deles... só se eu ficasse com uma recordação...
- Que recordação? – se espantou o fazendeiro rico.
- O senhor quer os porquinhos para criar ou para matar?
- Para matar e vender a carne!
- Pois então eu vendo os porquinhos, mas sem o rabo. Vou ficar com os rabinhos de recordação!
- Como é que é?
- O senhor não vai vender as carnes... o rabinho não vai fazer falta! E eu fico com uma recordação dos meus bichinhos! Só vendo assim!

O Fazendeiro rico achou aquilo muito esquisito, mas topou fazer o negócio. Deu muito dinheiro para o Malasartes. O malandro pegou um canivetinho e cortou o rabinho de todos os porcos. O novo dono dos porcos foi embora e o amarelo enfiou os rabinhos num canteiro de terra e saiu correndo para fazenda chamando pelo patrão. E o homem apareceu espantado:

- Que foi, criatura?
- Os porquinhos! – disse o Malasartes quase sem fôlego.
- Que você fez com meus porquinhos?
- Os bichinhos tão se enterrando!
- Que é isso? Que besteira é essa?
- É verdade, patrão! Os bichinhos foram com as patinhas assim na terra... Roinc... Roinc... Roinc...Depois os focinhos... Roinc... Roinc... Roinc...E foram entrando na terra! Olha lá, patrão! Só estão os rabinhos de fora!

E o Malasartes apontou para o montinho com os rabinhos enfiados. O fazendeiro pôs as mãos na cabeça e gritou desesperado:

- Ai, que é verdade mesmo! O quê é que a gente faz, homem?
- Tem que desenterrar eles!
- Corre lá na casa e pede pra fazendeira uma pá!
- Só uma?
- Não. Pega logo duas!
- Duas. Tem certeza? São as duas?
- Tenho, homem de Deus, pega as duas!

O Malasartes saiu na maior carreira. Chegou na fazenda, tomou fôlego e chamou a fazendeira na maior calma. A Fazendeira apareceu com sua cara emburrada:

- Que é, homem de Deus?! Você quer mais comida?
- Não é isso não, patroa! É que o patrão mandou a senhora me dar as duas sacas de ouro!
- Como é que é? Você está é doido!
- Eu não sei de nada, Patroa. O Patrão que mandou...A senhora quer ver?

E o Malasartes gritou para o patrão de longe:

- São as duas, né? As duas!

E o fazendeiro sem saber de nada respondeu:

- É! As duas!

A Fazendeira nem acreditava no que estava vendo. Deu as sacas de ouro para o Malasartes e o malandro foi embora. O Fazendeiro e sua mulher nunca mais viram o ouro, nem os porcos, nem o Pedro Malasartes. E acabou a história!!

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