AUGUSTO PESSÔA - CONTADOR DE HISTÓRIAS - (BRASIL)

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Ator, Cenógrafo, Figurinista, Arte Educador Dramaturgo e Contador de Histórias. Bacharelado em Artes Cênicas (Habilitação em Interpretação e Habilitação em Cenografia) pela UNI-RIO - Universidade do Rio de Janeiro.

A PANQUECA FUGITIVA, O RESMUNGÃO E OUTROS CONTOS NÓRDICOS

A PANQUECA FUGITIVA, O RESMUNGÃO E OUTROS CONTOS NÓRDICOS

HISTÓRIAS DE NATAL

HISTÓRIAS DE NATAL
livro de contos populares adaptados e ilustrados por Augusto Pessõa - Ed. Escrita Fina (2010)

HISTÓRIAS DE BRUXAS - livro

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sexta-feira, 28 de maio de 2010

O ROUBO DO FOGO - conto popular

      Há muito tempo atrás, o urubu-rei era dono do fogo. Por isso, os índios secavam a carne expondo os pedaços ao calor do Sol.
     Do outro lado do grande rio era a casa do urubu-rei. Ele e os seus parentes guardavam o fogo em baixo da asa. Os índios precisavam do fogo e um deles, o jovem guerreiro Pipira, resolveu roubar o fogo dos urubus. Ele matou uma anta e deixou a estendida no chão e, depois de três dias, o bicho estava podre, bulindo de vermes.
         Pipira avisou a aldeia a sua intenção e fez uma roupa com folhagens. Pegou sua canoa, colocou a anta podre dentro e foi até a outra margem do grande rio vestido com a roupa de folhagem. Ao chegar na outra margem, ele escondeu sua canoa, colocou a anta podre num descampado bem longe da canoa e ficou encolhido perto da anta como se fosse uma folhagem.
        Sentindo o cheiro da carniça, os urubus se aproximaram. Antes de chegar na carniça, eles viram, lá do alto, a canoa de Pipira e a queimaram por inteiro. Ao chegar na carniça, para melhor se banquetearem, despiram a vestimenta de penas, assumindo a forma de gente. Tiraram um tição aceso de debaixo de uma das asas e com ele fizeram grande fogueira. Cataram os vermes, os envolveram em folhas do mato e assaram.
        Pipira, que se mantinha escondido, foi bem devagar até onde estavam as vestimentas de penas e pegou um tição. Mas os urubus viram o índio e foram correndo vestir suas roupas de penas. O jovem guerreiro correu para sua canoa, mas os urubus, já tinham queimado a canoa.
        Sem saber o que fazer, Pipira pediu ao sapo cururu que levasse nas costas o fogo até a outra margem do grande rio. O sapo foi, mas quando chegou na outra margem, onde toda a aldeia esperava, nas suas costas tinha sobrado só uma brasinha. O pajé pegou a brasinha e fez uma fogueira.
        Do outro lado, os urubus atacavam Pipira usando tições como flechas. O jovem guerreiro não sabia como sair dali. O pajé, lá na outra margem, jogou um pó mágico na fogueira e pediu a Tupã que ajudasse Pipira. Da fogueira saiu uma grossa fumaça que foi até a outra margem do grande rio e envolveu Pipira dando ao guerreiro uma grande força. Com um sopro ele espantou os urubus. Depois, com suas mãos, juntou as margens do grande rio e pode passar tranqüilamente. Pipira entregou o fogo ao Pajé. Então, o Pajé ateou fogo em todas as árvores com as quais hoje se faz fogo. E assim o fogo chegou aos homens.

NO 434

Era noite e eu seguia no ônibus 434 que faz a linha Grajaú/Leblon. Na altura da Praia de Botafogo entrou um casal de idosos. A mulher era grande, corpulenta e vermelha. Tinha uma vasta cabeleira pintada de louro. Estava tentando ser elegante num vestido azul com um colar de perolas. O homem era exatamente o contrário: careca, franzino e pálido. O corpo curvado, os olhos baixos e uma expressão contrariada. A mulher falava alto e reclamava com ele:
- Você não presta pra nada! É um inútil!
Ela falava, sem parar, maltratando o pobre homem que continuava com olhos baixos. O alarido da mulher era tanto que o ônibus inteiro ficou em silêncio acompanhando a dupla. O motorista de vez em quando virava-se para olhar o casal. Um sentimento mudo de revolta tomou conta do veículo. Mas a mulher continuava com seus impropérios:
- Ser casada com você é um absurdo! Saí da casa de meu pai pra viver como uma mendiga!
Todos acompanhavam a humilhação. O motorista chegava a bufar como se perguntasse por que aquele homem não reagia. Ao entrar na Mem de Sá, a mulher se levantou e deu o sinal sem parar um instante sequer de xingar o marido. Os dois saltaram e na calçada a falação continuava. O ônibus, sei lá por que, continuava parado. Todos olhavam aquela situação revoltante: a grandona a humilhar o marido. Até que o homem ergueu os olhos, se apromou e gritou bem alto:
- Cala a boca!!
Depois soltou um sonoro palavrão. A mulher finalmente se calou espantada. No ônibus parado todos assistiram a cena. Sem se conter o motorista gritou:
- É isso aí, vovô!!
O resto do ônibus gritou e aplaudiu. O veículo seguiu viagem com a alma lavada.

O PINTO PELADO - conto popular

Há muito tempo atrás, na época que os bichos ainda falavam, nasceu no galinheiro um pinto. Mas era um pinto diferente. Não tinha nenhuma penugem na cabeça. Era totalmente careca. Os galos, as galinhas e principalmente as frangas implicavam muito com ele:
- Sai pra lá, pinto!! Ai, que pinto feio!! Sai pra lá!!!
E batiam muito nele. O pinto já estava cansado disso e resolveu fazer uma reclamação ao Rei. Pegou sua sacola e já ia saindo do galinheiro quando viu um papelzinho. Era um papel amassado, sujo, todo rabiscado. O pinto que não sabia ler resolveu que aquela seria sua carta ao Rei. E foi andando... andou... andou... até que escutou uma voz:
- Pinto!! Oh, pinto!! Pra onde você vai?
- Quem está falando?
- Sou eu... a raposa. Pra onde você vai?
- Eu vou levar uma carta ao Rei!
- Posso ir com você?
- Pode.
A raposa entrou na sacola do pinto e ele continuou a caminhada. Andou... andou... andou... até que sentiu sede. Foi beber água num grande rio. Estava matando a sede quando ouviu uma voz:
- Pinto!! Oh, pinto!! Pra onde você vai?
- Quem está falando?
- Sou eu... o rio. Pra onde você vai?
- Eu vou levar uma carta ao Rei!
- Posso ir com você?
- Mas senhor rio, o senhor é muito grande! Como é que eu vou levar o senhor?
- Ah... eu me enrosco... me enrolo... fico bem pequenininho e vou com você.
- Então, está bom!!
E o rio que era enorme se enroscou... se enrolou... ficou bem pequeninho e entrou na sacola do pinto.
- Olha, cuidado para não molhar a raposa!!!
E o pinto continuou sua caminhada. Andou... andou... andou... até que encontrou um enorme espinheiro com cada espinho desse tamanho. O pinto já ia desviando, quando ouviu uma voz:
- Pinto!! Oh, pinto!! Pra onde você vai?
- Quem está falando?
- Sou eu... o espinheiro. Pra onde você vai?
- Eu vou levar uma carta ao Rei!
- Posso ir com você?
- Mas senhor espinheiro, o senhor é muito grande! Como é que eu vou levar o senhor?
- Ah... eu me aperto... me espremo... fico bem pequenininho e vou com você.
- Então, está bom!!
E o espinheiro que era enorme se apertou... se espremeu... ficou bem pequenininho e entrou na sacola do pinto.
- Olha, cuidado pra não se molhar no rio e nem espetar a raposa!!!
E o pinto continuou sua caminhada. Andou... andou... andou... até que chegou ao palácio do Rei. Os guardas acharam graça naquele pinto tão empinado e deixaram ele passar. O pinto entrou no palácio. Andou por salas, por salões, até que chegou a sala do trono. No final da sala o Rei sentado no trono. O pinto aproximou-se e entregou a carta. Quando o Rei pegou aquele papelzinho sujo, amassado e rabiscado ficou irritado:
- Que pinto abusado!! Entregar um papel todo sujo ao Rei! Prendam esse pinto!!!
O pinto nem teve tempo de piar. Os guardas agarraram o pinto e o jogaram no galinheiro real. As frangas do galinheiro real eram muito metidas. De bico em pé e sangue azul. E não gostaram daquele pinto:
- Que pinto é esse? Pinto feio! Careca!! Sai prá lá, pinto!! Sai!!!
E começaram a bater no pinto. O pinto que tinha saído do seu galinheiro por que estava apanhado, foi para o outro galinheiro para apanhar também. Ele estava desesperado quando ouviu uma voz:
- Pinto! Oh, pinto, me solta que eu resolvo!!
- Mas quem é que está falando?
- Sou eu... a raposa. Me solta que eu resolvo!!!
O pinto abriu a sacola e libertou a raposa. A raposa matou cinco galinhas a dentadas e outras dez morreram do coração. O pinto aproveitou a confusão e fugiu. Mas o Rei viu e gritou:
- Prendam esse pinto!!!
Todos os guardas foram atrás do pinto. E o pinto corria... e os guardas atrás... o pinto corria... e os guardas atrás... quando os guardas estavam quase pegando o pinto ele ouviu uma voz:
- Pinto! Oh, pinto! Me solta que eu resolvo!!
- Quem é que está falando?
- Sou eu... o rio. Me solta que eu resolvo!!!
O pinto abriu a sacola e libertou o rio. O rio que estava bem pequenininho... enroscadinho... cresceu!!! Ficou enorme!!! Olha, teve guarda afundando. Teve guarda se afogando. Mas teve guarda que pegou canoa e foi atrás do pinto. E o pinto corria... e os guardas atrás... o pinto corria... e os guardas atrás... quando os guardas estavam quase pegando o pinto ele ouviu uma voz:
- Pinto! Oh, pinto! Me solta que eu resolvo!!!
- Mas quem é que está falando?
- Sou eu... o espinheiro. Me solta que eu resolvo!!!
O pinto abriu a sacola e libertou o espinheiro. O espinheiro que estava bem pequenininho... bem apertadinho... cresceu!!! Ficou enorme!!! Com cada espinho desse tamanho e os guardas ficaram presos nos espinhos. Ufa!! O pinto conseguiu se salvar. Mas não conseguiu fazer sua reclamação ao Rei. Resolveu voltar para casa assim mesmo. Andou... e andou... até que avistou o galinheiro. Duas frangas, que estavam na porta do galinheiro, olharam para ele e disseram:
- Nossa, que galo bonito!!!
O pinto estranhou. E eles continuaram:
- Tão forte. Com aquela careca charmosa!!!
E então, o pinto percebeu que o tempo tinha passado e ele tinha se transformado num galo bonito e forte. Entrou no galinheiro, contou sua aventuras e passou a ser estimado e respeitado por todos.


Adaptação de Augusto Pessôa do conto popular
"O Pinto Pelado"

sábado, 22 de maio de 2010

COMPADRE DA MORTE - conto popular

Diz que era um homem que tinha tantos filhos que não havia mais ninguém para chamar para ser padrinho. Vai que lhe nasceu mais um menino. O homem então, montou em seu cavalo e saiu a procurar um padrinho ou madrinha para criança. Na curva da estrada, deu de cara com a Morte. Mas o homem não ficou com medo e convidou a Morte para ser madrinha de seu filho. A Morte aceitou. No dia do batizado, depois da cerimônia, a Morte chamou o homem num canto e disse:
- Quero dar um presente para meu afilhado. E penso, que o melhor presente é enriquecer o pai. A partir de hoje, você vai botar anúncio que é médico. Toda vez que for visitar um doente vai me encontrar. Se eu estivar ao pé da cama, pode receitar até água que o doente ficará bom. Mas se eu estiver na cabeceira, não pegue o doente, porque esse é meu, esse eu levo.
E assim foi, o homem botou anúncio que era médico e logo enriqueceu. Não errava uma. Chegava na casa do doente, se encontrasse a Morte ao pé da cama, dizia:
- Esse eu curo!
Mas se a encontrasse na cabeceira, dizia:
- Podem preparar o caixão.
O homem nadava em dinheiro. Até que um Rei muito poderoso e cruel chamou o homem. Seu filho, o jovem Príncipe, estava muito doente. O homem chegou e viu a Morte na cabeceira do Príncipe. O homem ficou desesperado pensando na fúria do Rei se o Príncipe morresse. Chamou os criados e pediu que virassem a cama. Botando a cabeceira no lugar do pé e o pé no lugar da cabeceira. A Morte foi embora danada, e o Príncipe se salvou.
Tempos depois, a Morte apareceu ao homem e disse:
- Compadre, vim convidar você para jantar comigo.
O homem ficou desconfiado e disse que aceitaria o passeio, mas se a Morte jurasse que o traria de volta. E a Morte jurou. Depois pegou a mão do homem e fez um gesto mágico. Quando o homem deu por si estava no castelo da Morte. Era um lugar grande, mas sombrio e lúgubre. Os dois jantaram e depois a Morte mostrou o castelo ao compadre. Estavam nessa, quando passaram por uma grande sala cheia de velas. Velas de todos os tamanhos: grandes, pequenas. Umas já se acabando, outras pareciam que tinham sido acesas naquele momento, algumas já iam pela metade. O homem perguntou o que significava aquilo. E a Morte respondeu:
- Cada vela dessas é a vida de um homem. As que estão grandes e parecem que acabaram de ser acesas é o início da vida. A vela vai se acabando, até desmanchar. Então é a Morte.
O homem ficou curioso e perguntou sobre as velas de seus amigos. E a Morte foi mostrando.
Este aqui.
É fulano – respondia a Morte.
E “tá” se acabando. E este?
É sicrano.
Ainda vai viver muito.
Até que perguntou pela sua vela. E a Morte mostrou um cotoquinho de vela, quase se apagando.
- Mas eu tô morre, não morre.
- É isso mesmo, compadre. Eu lhe trouxe para já deixá-lo aqui. Mas como você me fez jurar que eu o levaria de volta, assim farei.
Dizendo isso, a Morte fez um gesto mágico e o homem se viu no seu leito cercado por parentes chorosos. Na cabeceira da cama, lá estava a Morte. E o homem pediu:
- Morte, minha comadre, eu quero que você jure que só me leva depois de eu rezar um Pai Nosso. Você jura?
- Juro.
E o homem começou:
- Pai Nosso que estais no céu.
E se calou. A Morte disse:
- Continue a oração, compadre.
- Morte, eu disse para você me levar só depois que eu rezasse um Pai Nosso. Mas não disse quanto tempo eu ia levar pra rezar esse Pai Nosso.
A Morte foi embora furiosa.
O tempo passou. O homem ficou velho. Estava passeando por uma de suas propriedades onde havia um jardim que ele amava muito. Quando o homem chegou lá, viu que os bichos quebraram a cerca e destruíram o jardim. O homem ficou desolado e disse:
- Quem dera a Morte me levasse para eu não ver uma desgraça dessas!
Nem bem terminou de falar, a Morte pulou em cima dele e o levou. A gente pode enganar a Morte uma, duas vezes. Mas na terceira e enganado por ela.

Adaptação de Augusto Pessôa do conto popular
“O COMPADRE DA MORTE”

PARA FACILITAR

Muitas vezes explicamos muito o que não precisa de explicação. Ou complicamos o que é simples. Somos assim.
Certa vez numa escola onde trabalhei (não digo o nome pra não comprometer ninguém) estava num intervalo e passei pela sala do maternal. Na época chamava maternal. A professora cantava uma música para os seus alunos. Era uma canção bem conhecida:

A janelinha fecha quando está chovendo
A janelinha abre se o sol está aparecendo
Abriu, fechou, abriu, fechou, abriu!

Geralmente a música é acompanhada por movimentos de mão “abrindo e fechando” como uma janela. Acho que a idéia é ensinar para as crianças o que é “abrir e fechar”.
Já é meio estranho.
Parece que os pequenos vieram de Marte, não tem família, nem casa, nem janelas e portas e por isso precisam ser ensinados sobre esse difícil movimento.
Mas a querida professora conseguiu piorar. Ela cantava, fazendo os movimentos, muito compenetrada:

Abriu, FEICHOU, abriu, FEICHOU, abriu!

Assim mesmo. E acentuando bem esse estranho “I” na palavra.
Não sou, nem de longe, um grande conhecedor da língua portuguesa. Falo e rabisco palavras de abusado. Mas sei que essa palavra não tem “I”.
Longe dos alunos, alertei a professora sobre essa vogal intrusa. E ela deu uma explicação magistral:

- Canto assim para que as crianças entendam melhor! Fica mais claro para elas!

O ser humano é muito estranho...

HISTÓRIA DE PUM - conto popular


Essa história aconteceu há muito tempo... No tempo dos escravos. Diz que tinha um rapaz que adorava ir numa casa de família onde moravam muitas moças. O rapaz ficava falando, no meio das moças, feliz da vida. Mas teve um dia que ele tanto falou, tanto contou, e se empolgou, que sem querer (mas sem querer mesmo) ele soltou um PUM. Ai, que o rapaz ficou tão sem graça. As moças zombaram tanto dele, que o pobre logo inventou uma desculpa e foi embora.
Ia pela rua cabisbaixo, quando encontrou uma velha que ele conhecia de há muito tempo. A velha quando viu o rapaz tão triste, perguntou:
- Que foi, meu netinho, que vai assim tão triste?
- Deixe minha vó, deixe... Olha que agora fiz uma besteira, mas uma besteira grande!! Não é que eu estava na casa daquelas moças e sem querer, mas sem querer mesmo, eu soltei um pum. Ai, que elas zombaram tanto de mim...
- Deixe, meu netinho, que eu vou arrumar um jeito de você se vingar delas!!
Essa velha era meio bruxa. Ela foi em casa e preparou uns pózinhos mágicos, embrulhou num papel, voltou e entregou para o rapaz, dizendo:
- Tome meu neto. Você vai colocar esse papelzinho embaixo do batente da porta de entrada da casa das moças. Sem ninguém ver. Depois se esconda. Desapareça de lá por um tempo!!!
O rapaz assim fez. Colocou o papelzinho embaixo do batente da porta de entrada da casa das moças, sem ninguém ver, e foi embora. Logo, uma escrava da casa entrou pela porta, passou pelo batente e foi logo se soltando:
PUM... PUM... PUM... PUM... PUM...
O povo da casa não gostou:
- Ô escrava, se segura! Tome vergonha, mulher!!!
Mas a pobre da escrava não conseguia se segurar era só:
PUM... PUM... PUM... PUM... PUM...
A dona da casa não gostou nada da história:
- Tome vergonha, escrava!! Olha que eu pego a chibata!!
Mas a escrava não conseguia se segurar. A dona da casa ficou furiosa, correu no terreiro, pegou uma chibata e veio como uma doida para dar na coitada da escrava. Mas passou pelo batente da porta e começou a se soltar:
PUM... PUM... PUM... PUM... PUM...
Agora, era a escrava e a sinhá:
PUM... PUM... PUM... PUM... PUM...
O povo todo da casa ficou apavorado. Começou a correr e a gritar, passando pelo batente da porta. Agora era o velho, as moças, todo mundo só se soltando:
PUM... PUM... PUM... PUM... PUM...
O velho da casa gritou:
- Socorro! PUM... Essa casa... PUM... TÁ amaldiçoada.. PUM...PUM...
A sinhá gritou para a escrava:
- Escrava... PUM... vá chamar o padre... PUM... pra benze a casa... PUM...PUM...
A escrava saiu correndo para chamar o padre:
PRUM... PRUM... PRUM... PRUM... PRUM... PRUM... PRUM...
Chegou na igreja e chamou o padre:
- Meu sinhô padre-vigário... PUM... a minha sinhá... PUM... tá chamando o sinhô... PUM... pra mode benze a casa... PUM... PUM...
O padre não gostou daquela história:
- Escrava, tenha vergonha!! Na frente da Igreja se soltando!!!
A escrava voltou com o padre:
PRUM... PRUM... PRUM... PRUM... PRUM... PRUM... PRUM...
Mas foi o padre entrar na casa e... foi logo se soltando:
PUM... PUM... PUM... PUM... PUM...
O sacristão que vinha atrás, também se soltou:
PUM... PUM... PUM... PUM... PUM...
Benzeram a casa debaixo de muito PUM. O padre foi embora sem dar jeito naquela história.
Passou um tempo, o rapaz voltou. Mas não entrou na casa pela frente. Entrou pelos fundos. Foi entrando, escutando uns barulhos esquisitos e sentindo um cheiro estranho... até que encontrou com o velho da casa e perguntou o que estava acontecendo. E o velho respondeu:
- Ah, meu amigo... PUM... agora nessa casa... PUM... é todo mundo se soltando... PUM...PUM...
As moças, quando viram o rapaz, tentaram se esconder. Mas o rapaz foi mais rápido e zombou muito delas:
- Ah, quer dizer que naquele dia, por que eu soltei um PUMZINHO bem pequenininho, vocês ficaram zombando de mim! Agora estão aí que nem uma bateria! Estou vingado!!
O rapaz foi embora. Tirou o papelzinho de debaixo da porta, acabaram-se os PUNS e a história.


Adaptação de Augusto Pessôa do conto popular“As moças e os Puins”

quarta-feira, 12 de maio de 2010

PLOFT! TIBUM, PLOFT!!

Há muitos, muitos anos, seis coelhos viviam felizes nas margens de um lago, que ficava no meio de uma floresta. Um belo dia, escutaram um barulho muito estranho:
PLOF! TIBUM, PLOF!
Ao ouvirem esse barulho tão forte, os coelhos ficaram apavorados. Não sabiam o que é era aquilo e saíram correndo tão depressa quanto as suas quatro patas o permitiram.
Uma raposa vendo os pequenos correndo, gritou:
- Ei! Porque é que estão fugindo?
- E que vem aí uma coisa terrível!
- E o que é?
E os coelhos começaram a falar ao mesmo tempo:
PLOF! TIBUM, PLOF!
É uma coisa que vem te pegar!
PLOF! TIBUM, PLOF!
Ninguém poderá se salvar!
PLOF! TIBUM, PLOF!
É uma coisa que vem te pegar!
PLOF! TIBUM, PLOF!
O mundo vai se acabar!
Ouvindo isso a raposa também saiu correndo junto com os coelhos.
Na corrida encontraram um macaco, que perguntou:
- Porque é que vão assim com tanta pressa?
E a raposa e os coelhos disseram em coro:
- E que vem aí uma coisa terrível!
- E o que é?
E eles começaram a falar ao mesmo tempo:
PLOF! TIBUM, PLOF!
É uma coisa que vem te pegar!
PLOF! TIBUM, PLOF!
Ninguém poderá se salvar!
PLOF! TIBUM, PLOF!
É uma coisa que vem te pegar!
PLOF! TIBUM, PLOF!
O mundo vai se acabar!
O macaco também saiu correndo com os coelhos.
E cada vez que eles encontravam um bicho a correria começava. E era todo mundo correndo: o veado, o porco, o búfalo, o rinoceronte, o elefante, o urso preto, o urso castanho, o leopardo e o tigre corriam desesperados numa grande atrapalhação e ninguém pensava em mais nada, senão em escapar daquilo o mais depressa possível. Quanto mais corriam, mais o medo aumentava.
Até que o grupo passou pelo leão. O rei dos animais que tinha uma grande juba, e vivia no alto de uma montanha, viu o grupo correndo e rugiu alto:
- Vocês estão correndo de quê?
E os coelhos se apressaram em responder:
- É que vem aí o plof!
- E quem é esse plof? – perguntou o leão da juba grande
E todos falaram juntos:
PLOF! TIBUM, PLOF!
É uma coisa que vem te pegar!
PLOF! TIBUM, PLOF!
Ninguém poderá se salvar!
PLOF! TIBUM, PLOF!
É uma coisa que vem te pegar!
PLOF! TIBUM, PLOF!
O mundo vai se acabar!
Mas o leão da juba grande não ficou com medo e perguntou para o grupo:

- Onde é que está esse tal plof?
- Bem... Eu não sei bem...
Gaguejou o tigre sendo acompanhado pelos outro bichos. E o leão perguntou:
- Então porquê esta confusão toda? Quem é que é que começou com isso, tigre?
- Foi o leopardo!
E o leopardo falou que foi o urso castanho que tinha começado. O castanho disse que foi o urso preto. E o preto... E assim seguiram todos os bichos: o elefante, o rinoceronte, o búfalo, o porco e o veado. Todos, um por um, responderam que tinha sido outro que tinha começado. Finalmente chegou a vez de perguntar a raposa e ela disse sem graça:
- Foram os coelhos que me disseram!
E o leão perguntou aos coelhos quem era o tal plof. E os pequenos disseram em coro:
- Nós, os seis, ouvimos esse terrível plof com os nossos próprios ouvidos! Venha ver!
Os coelhos levaram o leão até a floresta. Quando chegaram ao lugar onde tinham ouvido aquele barulho, apontaram para a água e disseram:
- O terrível plof está ali!
Nesse exato momento caiu uma fruta da árvore e ao bater na água fez “plof”!
O leão sorriu com ironia.
- Vejam! Vejam todos! Viram o que é o "plof”? Tanta aflição, para nada!
E acabou a história.

Conto Tibetano

PRIMEIRO DIA DE AULA

Isso aconteceu de verdade. Só não digo onde para não comprometer ninguém.
Eu trabalhava numa pequena escola de educação infantil e era o início do ano. Todos os professores foram convocados para auxiliar a psicóloga e as coordenadoras nas entrevistas com os pais dos novos alunos. Eu estava com a psicóloga e recebemos uma mãe que disse:
- Estou muito preocupada com o primeiro dia de aula do meu filho.!Ele é muito apegado a mim! Vai sofrer muito! Vai fazer um escandalo!
No primeiro dia de aula uma verdadeira tropa de choque foi armada para receber o escandaloso sofredor. E ele veio com a mãe. Era um menino aparentemente tranquilo. Estava arrumadinho com seu uniforme. A professora dele se aproximou, a mãe entregou o menino para ela e disse:
- Tchau, filhinho! Mamãe já vai!
E o menino respondeu:
- Tchau, mamãe!
E, para nosso espanto, o menino pegou na mão da professora e foi entrando tranquilamente na escola. A mãe insistiu:
- Filhinho, a mamãe já vai, tá?
O menino virou pra trás e acenou para a mãe. Com a maior calma do mundo.
A mulher ficou desesperada e começou a gritar:
- Meu filho não me ama! Meu filho não me ama!
Chorava e gritava sem consolo. A tropa de choque, que já estava armada para o menino, teve que mudar de estratégia e cuidar da mãe. Claro que antes tiramos rapidamente o menino daquela situação.
O ser humano é muito estranho!!

A TARTARUGA E A LEBRE - CONTO POPULAR

Uma vez numa floresta, todos os bichos estavam reunidos. Então, a tartaruga propôs à lebre:
- Vamos apostar quem chega primeiro lá onde fica aquela árvore?
A lebre riu muito dela:
- Você está louca? Lenta do jeito que você é não vai ganhar nunca! Está se esquecendo que sou um dos animais mais rápidos que existem?
- Eu sei disso! Mas mesmo assim continuo apostando!
A lebre riu ainda mais. Sabia que era capaz de chegar até a árvore em quatro pulos.
- Está bem! Depois não diga que eu não avisei!

Combinaram um prêmio e os outros bichos ficaram na torcida.
A lebre deixou a tartaruga partir. Pastou, escutou de que lado vinha o vento e dormiu.
Enquanto isso a tartaruga ia indo, no seu passo vagaroso. Tinha consciência da sua lentidão e, por isso, não parava de andar.
- Essa aposta é indigna dos meus dotes - pensava a lebre. - Para a vitória ter algum valor, só eu saindo no último instante!
Afinal, quando a tartaruga estava quase chegando ao final combinado, a lebre partiu como uma flecha. Mas já era tarde demais. Quando chegou, a tartaruga já estava lá. A lebre teve que lhe entregar o prêmio e, ainda por cima, dar os parabéns.
E acabou a história.

A RÃ E O BOI - VÍDEO

A RÃ E O BOI - VÍDEO
Apresentação de Augusto Pessôa no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias SESC RJ 2010. Clique na imagem e assista a história

A MENINA QUE FAZIA AZEITE DE DENDÊ

A MENINA QUE FAZIA AZEITE DE DENDÊ
Clique na imagem e assista a hitória

UMA APOSTA (VÍDEO)

UMA APOSTA (VÍDEO)
Conto de Artur Azevedo. CLIQUE NA IMAGEM E VEJA O VÍDEO

LIVROS LEGAIS

  • GRAMÁTICA DA FANTASIA de Gianni Rodari - Summus Editorial.
  • GUARDADOS DO CORAÇÃO – Memorial para Contadores de Histórias de Francisco Gregório Filho - Editora Amais.
  • FÁBULAS ITALIANAS de Ítalo Calvino - Editora Companhia das Letras
  • DICIONÁRIO DE FOLCLORE BRASILEIRO de Câmara Cascudo - Editora Itatiaia
  • VASOS SAGRADOS de Maria Inez do Espírito Santo - Ed Rocco
  • MEUS CONTOS AFRICANOS - seleção de Nelson Mandela - Ed Martins
  • LENDAS BRASILEIRAS de Camara Cascudo - Ediouro
  • CONTOS TRADICIONAIS DO BRASIL de Camara Cascudo - Ed Itatiaia
  • CONTOS POPULARES DO BRASIL de Silvio Romero - Ed Itatiaia

A MOURA TORTA

A MOURA TORTA
Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo

MARIA BORRALHEIRA (VÍDEO)

MARIA BORRALHEIRA (VÍDEO)
Peça teatral baseada no conto popular MARIA BORRALHEIRA com Augusto Pessôa e Rodrigo Lima. Direção Rubens Lima Junior. Clique na foto e assista a um trecho da peça.

FELIZES PARA SEMPRE (RESENHA)

FELIZES PARA SEMPRE (RESENHA)
Clique na imagem e veja a resenha do livro FELIZES PARA SEMPRE

QUANDO OS BICHOS AINDA FALAVAM

QUANDO OS BICHOS AINDA FALAVAM
Apresentação no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias SESC RJ 2009

A MENINA QUE VIROU CORUJA (VÍDEO)

A MENINA QUE VIROU CORUJA (VÍDEO)
Conto Africano. Clique na imagem e assista ahistória

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)
Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Cliuqe na imagem e assista a um trecho do espetáculo

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)
Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo.

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)
Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Clique na imagem e assita a um trecho do espetáculo

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - SONHO DE MENINA

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - SONHO DE MENINA
Apresentação no SESC Niterói - nov 2009 - Clique na imagem e assista a apresentação.

O MARIDO FIEL - VÍDEO

O MARIDO FIEL - VÍDEO
Conto de Nelson Rodrigues - adaptação e narração de Augusto Pessôa. Clique na imagem e assista a história.

O JABUTI E A FRUTA (VÍDEO)

O JABUTI E A FRUTA (VÍDEO)
conto popular adaptado por Augusto Pessôa. CLIQUE NA IMAGEM E ASSISTA AO VÍDEO

VOU BUSCAR O MEU AMOR (VÍDEO)

VOU BUSCAR O MEU AMOR (VÍDEO)
Cena do espetáculo A MOURA TORTA. Clique na foto e veja a cena

A MOURA TORTA

A MOURA TORTA
Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo em cartaz no teatro do Jockey - Gávea

JABUTI

JABUTI
Apresentação no Simpósio Internacional de contadores de Histórias - SESC RJ 2009. Clique na imagem e assista a um trecho da apresentação

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - abertura da peça (VÍDEO)

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - abertura da peça  (VÍDEO)
Apresentação no SESC Niterói - nov 2009 - Clique na imagem e assista a apresentação

A NOITE QUE A LUA SUMIU DO CÉU (VÍDEO)

A NOITE QUE A LUA SUMIU DO CÉU (VÍDEO)
Clique na imagem e veja um clipe do espetáculo

A DAMA DO LOTAÇÃO (VÍDEO)

A DAMA DO LOTAÇÃO (VÍDEO)
conto de Nelson Rodrigues. Adaptação e narração de Augusto Pessôa

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (VÍDEO)

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (VÍDEO)
Peça baseada no conto popular O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (2003). Clique na foto e veja um trecho do espetáculo.

TOC, TOC, TOC, TOC (VÍDEO)

TOC, TOC, TOC, TOC (VÍDEO)
Conto de Arur Azevedo. CLIQUE NA IMAGEM E VEJA O VÍDEO

MALASARTES E O HOMEM ENGANADO DUAS VEZES (VÍDEO)

MALASARTES E O HOMEM ENGANADO DUAS VEZES (VÍDEO)
Contação de Histórias. Clique na imagem e assista a contação.

MENINA FACEIRA

MENINA FACEIRA
Apresentação de Augusto Pessôa e Rodrigo Lima no Instituto Moreira Salles - set 2009. Clique na imagem e veja a apresentação.

HISTÓRIA DE ANTANHO (VÍDEO)

HISTÓRIA DE ANTANHO (VÍDEO)
NA CASA DE SEU PEDRÃO. Apresentação de Augusto Pessôa e Rodrigo Lima no SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE CONTADORES DE HISTÓRIAS - SESC RJ (2008). Clique na imagem e veja a apresentação

MÚSICA - NA FEIRA DO TEM TEM (VÍDEO)

MÚSICA - NA FEIRA DO TEM TEM (VÍDEO)
O Rei Doente do Mal de Amores - apresentação no SESC Niterói 2009. Clique na imagem e assista a cena.

PARA SEMPRE FIEL (VÍDEO)

PARA SEMPRE FIEL (VÍDEO)
Conto de Nelson Rodrigues - adaptação e narração de Augusto Pessôa

SUSPIROS VÃO E VEM (VÍDEO)

SUSPIROS VÃO E VEM (VÍDEO)
Apresentação do espetáculo O REI DOENTE DO MALDE AMORES no SESC Niterói 2009. Clique na imagem e assista a apresentação

MALASARTES! (VÍDEO)

MALASARTES! (VÍDEO)
Peça baseada nas histórias de Pedro Malasartes. Clique na foto e veja um trecho do espetáculo

O JABUTI E A FRUTA

O JABUTI E A FRUTA
Apresentação no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias - SESC RJ 2009. Clique na imagem e assista a história

A MOURA TORTA

A MOURA TORTA
Crítica do espetáculo publicada no JORNAL DO BRASIL

MARIA BORRALHEIRA - CRÍTICA (IMAGEM)

MARIA BORRALHEIRA - CRÍTICA (IMAGEM)
Clique na imagem e leia a crítica sobre o espetáculo

MALASARTES - CRÍTICA (IMAGEM)

MALASARTES - CRÍTICA (IMAGEM)
Clique na imagem e leia a crítica do espetáculo.

CRÍTICA DO ESPETÁCULO O REI DOENTE DO MAL DE AMORES

CRÍTICA DO ESPETÁCULO O REI DOENTE DO MAL DE AMORES

MALASARTES - Histórias de Um Camarada Chamado Pedro

MALASARTES - Histórias de Um Camarada Chamado Pedro
Livro de Augusto Pessôa publicado pela Editora ROCCO (2007)

FELIZES PARA SEMPRE

FELIZES PARA SEMPRE
Livro com adaptações de Augusto Pessôa - Editora ROCCO (2003)

CONTOS DE HUMOR

CONTOS DE HUMOR
Contos de Artur Azevedo - organização Augusto Pessôa - Editora ROCCO (2008)

CONTANDO HISTÓRIAS NA ABL

CONTANDO HISTÓRIAS NA ABL
CONTANDO HISTÓRIAS NA BIBLIOTECA DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS