AUGUSTO PESSÔA - CONTADOR DE HISTÓRIAS - (BRASIL)

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Ator, Cenógrafo, Figurinista, Arte Educador Dramaturgo e Contador de Histórias. Bacharelado em Artes Cênicas (Habilitação em Interpretação e Habilitação em Cenografia) pela UNI-RIO - Universidade do Rio de Janeiro.

A PANQUECA FUGITIVA, O RESMUNGÃO E OUTROS CONTOS NÓRDICOS

A PANQUECA FUGITIVA, O RESMUNGÃO E OUTROS CONTOS NÓRDICOS

HISTÓRIAS DE NATAL

HISTÓRIAS DE NATAL
livro de contos populares adaptados e ilustrados por Augusto Pessõa - Ed. Escrita Fina (2010)

HISTÓRIAS DE BRUXAS - livro

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sábado, 25 de setembro de 2010

DEPUTADO - causo de Zé Fineza

Um candidato a deputado estava fazendo campanha no distrito de São Sebastião. O sol estava rachando o chão e o homem ficou com uma sede danada. Parou numa casa e pediu água para uma mulher.

- Pois não, seu moço! Vou lhe dar um copo d´água! - e gritou pra dentro da casa – Meu filho! Deputado! Vem cá, Deputado!

O menino não vinha, mas o candidato achou aquele nome muito interessante. E a mulher continuou chamando:

- Deputado, tô chamando! Vem cá!

O menino magrinho veio e a mãe mandou ele pegar um copo d´água. O garoto foi, voltou rápido e entregou a água para o candidato. O homem matou a sede e comentou:

- Que bonito o nome que a senhora deu para o seu filho!

E a mulher respondeu:

- Ah... Não é o nome dele, não! É apelido! O nome dele é José Luiz! Mas andou roubando pela vizinhança e o apelido pegou...

Adaptação de Augusto Pessôa de causo
narrado por Zé Fineza em São Sebastião distrito de Vitória da Conquista (BA)

A FESTA NO CÉU - conto popular

Diz que antigamente o sapo não era como é hoje. Era elegante, com umas pernas compridas. Uma beleza!! E ia ter festa no céu. Mas só para os bichos que voavam. E o sapo conversava com o urubu que era o violeiro da festa:

- Pois é, compadre urubu. A festa vai ser uma beleza!! Não vejo a hora de estar lá!!
- E o amigo sapo vai a festa?
- Claro, compadre urubu! Claro que vou!!
- Mas vai como?
- Como? Voando! E que de outro jeito poderia ser?
- E sapo voa?
- Voa! Eu, pelo menos, sei voar!!
- Essa eu pago pra ver!

No dia da festa, o sapo foi na casa do urubu mostrar a sua roupa. O urubu, que era o violeiro da festa, se espantou com amigo:

- Nossa que elegância! Mas tão cedo e já pronto?
- É que vou bem devagarzinho. O meu voar é lento... elegante! Não saio voando apressado por aí!
- Então está certo, compadre sapo! Nos encontramos lá!

O urubu foi se arrumar para a festa. O sapo aproveitou a distração do amigo e entrou dentro de sua viola. O urubu se aprontou, pegou a viola, botou nas costas e saiu voando. Mas reclamou:

- Essa viola está pesada!!

O sapo, dentro da viola, nem se mexia. Quando chegou no céu, o urubu deixou a viola num canto e foi descansar um pouco. Foi o tempo certo para o sapo sair da viola. A festa estava realmente uma beleza! Todos os bichos que voavam estavam lá: o beija-flor muito elegante, a coruja séria olhava tudo, os papagaios fazendo aquela bagunça e todos os outros que voavam. E no meio deles, o sapo que se esbaldava na festa. Comia, bebia e dançava. Dançou com a rolinha, com a maritaca, com a gaivota. O urubu tocava sua viola e comentava:

- Não é que o sapo veio mesmo!!

A festa estava terminando. Os convidados foram saindo. O urubu parou de tocar, deixou sua viola num canto e foi comer alguma coisa. Foi o tempo certo para o sapo entrar na viola. O urubu botou a viola nas costas, se despediu dos que ainda estavam lá e saiu. No meio do caminho, comentou:

- A viola está mais pesada!!

O sapo, dentro da viola, depois que tinha comido e bebido todas, não conseguia se segurar. Rolava de um lado para outro. O urubu estranhou o barulho, olhou dentro da viola e deu de cara com o sapo.

- Então é assim, compadre sapo, que o senhor foi na festa? É esse o seu voar elegante? Pois se não sabia voar vai aprender agora!!

Dizendo isso o urubu virou e sacudiu a viola. E o sapo foi caindo... foi caindo... lá em baixo um monte de pedras. E o sapo gritava:
- Afasta pedra se não eu me acabo!!

A pedra nem se mexia. E o sapo caindo e gritando:

- Afasta pedra se não eu me acabo!!

A pedra nem se mexia. E o sapo se esborrachou na pedra. Ficou achatado como ele é até hoje. Mas ficou com uma saudade da festa. E é por isso que o sapo anda pulando tentando voltar para a festa no céu.

Adaptação de Augusto Pessôa do conto popular “A FESTA NO CÉU”

domingo, 12 de setembro de 2010

CANCELINHA - causo

Era uma vez um menino danado que não tinha os dois dentes da frente. Por isso todo mundo chamava ele de Cancelinha. Na escola o garoto aprontava. Um dia ele estava na sala de aula de cabeça baixa. A professora, que estava explicando a lição, reparou nisso e falou:

- Cancelinha, você está ouvindo o que eu estou falando?

Sem levantar a cabeça, o danado respondeu:

- Tô, fessora!
- Mas você está de cabeça baixa! Como pode estar ouvindo?
- Eu escuto com os ouvidos, fessora! Não com os olhos!

De outra vez, o moleque estava comendo uma banana na sala. Descascou a fruta e jogou a casca no chão. Nisso a professora entrou, escorregou na casca e caiu no chão de pernas pra cima. Rapidamente a mulher puxou a saia pra baixo e levantou. Com uma cara zangada ela olhou os alunos e perguntou:

- João, o que você viu?
- Seu tornozelo, fessora!
- Uma semana de suspensão! Pedro, o que você viu?
- Suas pernas, fessora!
- Um mês de suspensão!

Nisso o Cancelinha arrumou e guardou suas coisas. Já ia levantando quando a professora perguntou:

- Onde você vai, Cancelinha?
- Se eu disser o que eu vi... tô expulso!

Adaptação de Augusto Pessôa de causo
narrado por Zé Fineza em São Sebastião distrito de Vitória da Conquista (BA)

O PEQUENO POLEGAR - conto popular

Era uma vez um casal que tinha doze filhos. Um deles era muito pequeno. Do tamanho de um dedo polegar e por isso todos o chamavam de Pequeno Polegar.
Essa família era muito pobre e muitas vezes não tinham o que comer. Um dia os pais resolveram abandonar seus filhos na floresta.

- Quem sabe assim eles não tem melhor sorte! - disse o pai.

O Pequeno Polegar, ouviu a conversa e foi buscar umas pedrinhas nas areias das margens do rio. Pela manhã, o pai levou os filhos para a floresta. Andaram muito até que o homem disse para os meninos:

- Fiquem aqui que eu vou cortar lenha!

Os meninos ficaram, mas o pai foi para casa e deixou os filhos perdidos. As crianças choraram com medo das feras. O Pequeno Polegar acalmou os irmãos e os levou para casa, seguindo as pedrinhas que, na vinda, havia deixado cair pelo caminho. O pai tinha recebido algum dinheiro, e tendo comprado comida, estava cheio de remorsos:

- Ai! Meus filhinhos! Se eles estivessem aqui!

O Pequeno Polegar, que estava com seus irmãos atrás da porta, apareceu e foi abraçado pelos pais.
Tempos depois, voltou a fome, e os pais pensaram em deixar os filhos na floresta de novo. O Pequeno Polegar, ouvindo a conversa correu para fora, mas encontrou a porta fechada. Foi na despensa e pegou alguns grãos de arroz. De manhã, aconteceu igual da outra vez: o pai deixou os filhos no meio da floresta. Mas quando o Pequeno Polegar quis voltar, seguindo os grãos de arroz, viu que os passarinhos tinham comido tudo. Ficaram dessa vez perdidos mesmo. Veio a noite, Polegar subiu numa árvore e lá de cima avistou uma luzinha. Desceu, reuniu os irmãos e foram na direção da tal luz.
Chegaram lá, encontraram uma casa grande e bonita. Bateram pedindo pousada. A mulher que os recebeu era dona Papona que tinha o hábito de comer gente. Ela se fingiu de boazinha e deu para cada menino um gorro de lã. O marido, que era também um Papão, quando chegou, soube de tudo e mandou que a mulher guardasse os meninos para ele comer depois.
Muito curioso, o Pequeno Polegar começou a fuçar em tudo na casa. Até que abriu uma porta e viu um grande tesouro. Mas ficou quieto.
Tarde da noite a Papona deitou os meninos numa cama, perto de outra em que estavam dormindo as filhas do casal Papão. Eram doze meninas cada uma com uma coroa de ouro na cabeça.
Quando o Papão e a Papona foram dormir, o Pequeno Polegar tirou os gorros de lã da cabeça dos irmãos e trocou pelas coroas das filhas do Papão.
No meio da noite, o Papão teve vontade de matar os meninos. Pegou uma espada e foi para o quarto. Estava tudo um escuro só e o malvado foi apalpando as cabeças. Encontrou as coroas nas cabeças dos meninos e disse baixinho:

- Arre! Eu ia matando minhas filhinhas!

Passou a mão pelas cabeças das filhas e achou os gorrinhos de lã:

- Ah! Aqui estão eles!

E passou a espada degolando as filhas.
Assim que o Papão foi dormir, Polegar acordou os irmãos e fugiram bem depressa.
De manhã, a Papona foi ao quarto das filhas e, quando viu aquela cena horrível, desmaiou. O Papão ficou com muita raiva. Pegou suas botas de sete léguas e foi procurar os fujões.
Polegar percebeu o perigo e se escondeu, junto com os irmãos, numa gruta. O Papão estava muito cansado e, parando perto da gruta, deitou e pegou no sono. Polegar, bem devagarinho, tirou as botas do Papão e desembainhando a espada cortou o pescoço do malvado. Depois calçou as botas de sete léguas e partiu na direção da casa do Papão. Chegando lá, chamou a Papona e falou assim:

- Seu marido está prisioneiro e mandou buscar seu tesouro!

A Papona entregou tudo. Era um tesouro enorme. Polegar carregou o que podia e voltou para junto dos seus irmãos. Depois eles encontraram o caminho de casa. Os meninos entregaram o tesouro a seu pai e a família nunca mais teve problemas para comer. E todos viveram felizes para sempre.

Adaptação de Augusto Pessôa

UMA BOA NOTÍCIA

Publicado no Jornal A voz da Serra em 03/09/2010

Pró-Leitura realiza oficina de Contadores de Histórias

Encontros serão realizados a cada sábado, na Biblioteca, durante o mês de setembro
As oficinas de Contadores de Histórias, realizadas pela Secretaria Pró-Leitura, e que aconteceram aos sábados do mês de julho, na Biblioteca Pública Municipal de Nova Friburgo, comprovaram a vocação leitora do município.

“Se gostei da oficina de contadores de histórias”, diz a professora de literatura portuguesa, Cristina Maria Paes dos Santos, que logo completa: “o que mais me impressionou foi ver como se pode dar, na prática, o encontro do saber com o sabor, encontro com que todo professor sonha, mas que, infelizmente, a instituição ‘escola’ não tem conseguido realizar, frustrando, muitas vezes, no nascedouro, potencialidades que poderiam promover a maravilha do humano”.

Na oficina, segundo ela, “em cada encontro, o melhor de nós aflora e permanece ali conosco, vivo, vibrando, nutrindo-se de experiências sensíveis que propiciam novas florações. Partilhando histórias, cantigas, vivências textuais e hinos à natureza, como quem partilha o pão da vida. Gregório dá-nos grãos de futuro. Muito obrigada pela sementeira que, tão gentilmente, nos oferece! Ela multiplicará cento por um!”

Experiências e vivências

Mais de 60 pessoas – enfermeiros, comerciários, professores, artistas, auxiliares de limpeza, bibliotecários, psicólogos, terapeutas, estudantes, pedagogos, aposentados, engenheiros, médicos, auxiliares de enfermagem e profissionais de diversas áreas –, vindas dos mais diferentes pontos da cidade e de diferentes distritos e municípios, lotaram a biblioteca. Todos participaram de demonstração espontânea de reconhecimento da importância de uma ação conjunta de promoção de leitura, envolvendo diferentes setores da sociedade. Esse ‘caldeirão’ de profissões, conhecimentos, idades e origens, produziram uma saudável mistura de experiências e vivências.
Diante de tanta receptividade, a Biblioteca, cada vez mais viva, anuncia sua programação para o mês de setembro:
Nova oficina de contadores de histórias, será realizada aos sábados (4, 11, 18 e 25 de setembro e 2 de outubro), das 9h às 12h.
As inscrições estão abertas.

Também estão programados círculos de leitura das 18h às 19h 30, sempre às quartas-feiras, com exceção da última quarta-feira do mês, quando são realizados os círculos de leitura do Sesc.

Curso de esperanto, com a professora Maria Lucia Matheus, às sextas-feiras, das 18 horas às 19h30, com início no mês de setembro, e duração de três meses.
As inscrições estão abertas.

Palestra da psicóloga Sueli Meirelles, dia 22, às 19h sobre Regressão de memória.

“Aproveitamos para convidar escolas e professores para agendarem visitas à biblioteca”, diz Maria Clara Cavalcanti de Albuquerque, subsecretária da Pró-Leitura.

sábado, 4 de setembro de 2010

AS POSTAS DO PEIXE

Numa terra distante, um homem que era pescador um dia, indo à pesca, agarrou um peixe muito bonito. O peixe, quando se viu apanhado e na terra, falou assim para o pescador:

- Senhor pescador, me jogue de novo na água! Eu prometo uma grande pescaria! E se o senhor me pegar outra vez pode me levar.

O pescador não acreditou quando viu o peixe falando, mas fez o que ele pedia. E nesse dia foi tão grande a pesca, que o pescador já não sabia o que fazer com tanto peixe.
Passados alguns dias tomou a pescar no mesmo lugar e agarrou outra vez o tal peixe bonito. Então o peixe disse ao pescador:

- Leva-me para sua casa e faça de mim doze postas. Dê três à sua mulher, três enterre no quintal, três à sua cadela e três jogue no mar.

O pescador assim fez. E, passado um ano, a mulher deu a luz a três meninos, no quintal surgiram três lanças, a cadela teve três leões e na praia surgiram três navios.
Quando os filhos chegaram a ser homens pediram ao pai que desse a cada um deles uma lança, um leão, um navio e licença para irem viajar.
O pai e a mãe com muito custo permitiram a viagem e eles foram para o mar. Então cada um tomou um rumo: o mais velho foi para o norte, o do meio para sul, e o mais novo para leste. Mas antes de se separarem combinaram de se juntar naquele mesmo lugar daí a um ano. Despediram-se e cada um partiu para o seu destino. O mais velho, depois de ter navegado muitos dias sem encontrar uma terra, chegou a uma ilha onde havia uma torre muito grande. Foi ficar numa casa onde moravam três moças e ao fim de uma semana casou-se com a mais velha delas; depois de casado perguntou à mulher que torre era aquela, e a mulher disse que era a "torre da morte", que quem lá ia não voltava. E o mais velho dos irmãos falou:

- Pois eu hei de ir e voltar!

À noite, quando se deitou pôs a lança entre ele e a mulher, e no outro dia foi direto à torre com o seu leão. Bateu à porta e veio uma velha, que lhe perguntou o que ele queria, e ele respondeu que queria ver a torre. A velha disse, então, que se ele queria ver a torre, eles precisavam antes lutar. O rapaz estranhou. Não queria brigar com a velha, mas terminou concordando. E a velha pediu que ele prendesse o seu leão com um cabelo dela, porque tinha muito medo daqueles animais. O rapaz pegou um fio de cabelo da velha e prendeu o leão. Depois começaram a lutar. E não é que a velha lutava bem?! E quando o rapaz viu que iria ser derrotado, gritou:

- Avança, meu leão!

Mas a velha também falou:

- Engrossa, meu cabelão!

Então o cabelo que prendia o leão tomou-se numa corrente muito forte de onde o leão não conseguia escapar. A velha venceu o rapaz e depois de joga-lo no chão cortou sua cabeça. Colocou o corpo e a cabeça num alçapão que ela tinha escondido debaixo do chão e voltou para dentro da torre.
Passado o ano voltaram os dois irmãos mais novos ao lugar de encontro combinado. Mas onde estava o irmão mais velho? Esperaram por ele alguns dias, mas nada dele chegar. Foram para casa dos pais, imaginando que o mais velho estivesse lá. Mas lá ele também não estava. O irmão do meio pediu licença ao pai para ir a busca do seu irmão mais velho. O pai concordou e ele foi pelo mesmo destino que o irmão mais velho tinha tomado. Passados alguns dias, chegou em uma ilha. Lá encontrou as três moças e no final de uma semana casou-se com a irmã do meio. Depois perguntou se ela sabia se, há mais ou menos um ano, tinha passado por ali um rapaz com um navio igual ao seu, um leão e uma lança. A mulher respondeu:

- Passou por aqui um rapaz, sim! Casou com minha irmã mais velha, mas foi à "torre da morte"! E quem lá vai não volta! Ele foi e não voltou mais, como já aconteceu com muitos homens.

Então o irmão do meio disse para a mulher:

- Pois eu hei de ir, e hei de voltar!

À noite também pôs a lança entre ele e a mulher, e no outro dia pela manhã foi com o leão até a "torre da morte". Quando bateu apareceu-lhe a velha que tinha matado o irmão mais velho, e, depois de ter prendido o leão com um cabelo da velha, eles também lutaram. Quando o irmão do meio viu que iria perder da velha, gritou para o leão:

- Avança, meu leão!

Mas a velha disse:

- Engrossa, meu cabelão !

E a velha fez como da outra vez: cortou a cabeça do irmão do meio, colocou o no mesmo alçapão debaixo do chão, onde estava o irmão mais velho, e foi para a torre.
Passou um ano, e o irmão mais novo viu que seus irmãos não voltavam. Pediu licença ao pai para os ir procurar. E o pai disse:

- Então você, meu filho, quer fazer como seus irmãos? Quer sumir no mundo e me deixar aqui sozinho?

O rapaz respondeu:

- Deixe-me ir, meu pai, que eu prometo que daqui a um ano vou estar com meus irmãos aqui e ainda trazendo muita riqueza!

O pai deixou. E ele foi pelo mesmo destino que já tinham levado seus irmãos. E chegou na tal ilha. Lá casou com a mais nova das moças. Como o irmão do meio, perguntou a sua mulher se ela sabia dar informações de dois rapazes que por ali deviam ter passado, um há dois anos e outro há um ano, a mulher respondeu:

- Conheci os dois rapazes. Um casou com minha irmã mais velha e o outro com minha irmã do meio. Mas eles foram à "torre da morte" e quem lá vai não volta, e lá eles ficaram.

Então o caçula disse:

- Pois eu irei e voltarei!

E no outro dia, depois de ter dormido e ter deitado a lança entre ele e a mulher; foi até a "torre da morte" com o seu leão. Chegou, bateu à porta e veio à velha abrir. O caçula disse que queria ir ver a torre, e a velha, como das outras vezes, respondeu que para isso tinham primeiro que lutar. O caçula aceitou e a velha também pediu como aos outros, que prendesse o leão com um cabelo dela, pois tinha muito medo daqueles bichos. O rapaz fingiu concordar, mas em lugar de prender o leão deixou o cabelo em cima de um muro. Começou a luta e o caçula percebeu que não ia vencer a velha. Ele gritou para o leão:

- Avança, meu leão!

A velha disse também:

- Engrossa, meu cabelão!

Mas como o leão não estava preso pulou em cima da velha e deu-lhe uma surra daquelas jogando-a no chão. O rapaz ia cortar o pescoço da velha, quando ela pediu:
- Não me mate que devolvo seus irmãos!

O rapaz então não a matou, mas deixou-a presa pelo leão e foi ver a torre. Lá encontrou um grande tesouro. Uma fortuna digna de vários reis. O caçula voltou e mandou que a velha mostrasse onde estavam os seus irmãos. A velha levantou o alçapão e disse para o caçula descer lá ao fundo. Lá ele encontraria seus irmãos, mas o rapaz não quis ir só e fez com que ela fosse na frente. Quando chegou ao fundo, viu muitos homens em monte e para o outro lado as cabeças. Ele então disse à velha:

- Como terei de volta meus irmãos se eles têm a cabeça cortada?

Ela respondeu:

- Vai àquele armário e traz de lá uma panela. A panela está cheia de gordura. Unta com ela o pescoço de seus irmãos. Depois junta as cabeças, que eles ficaram logo curados, mas com uma condição: só cure os seus irmãos!

O rapaz respondeu que curaria todos os homens que ali estavam. A velha ficou com tanta raiva que inchou e explodiu numa nuvem de fumaça restando dela só suas cinzas. O caçula pegou a gordura no armário e untou os pescoços de todos e eles levantaram-se e saíram para as suas terras. O rapaz e mais os dois irmãos pegaram suas mulheres e foram para casa, levando ainda o tesouro. Dividiram a fortuna por quatro. Eles entregaram a quarta parte ao pai. E viveram felizes por muitos e muitos anos.

Adaptação de Augusto Pessôa

A ONÇA - causo

Antigamente o distrito de São Sebastião chamava “cachorro”. É que na região tinham muitas onças que matavam os cachorros. O pessoal quando se referia ao lugar dizia assim:

- É lá onde matam os cachorros...

E o nome acabou pegando. Nessa época, o Zé Fineza era menino magrinho e tinha uma penca de irmãos.
Um dia ele estava andando com o pai numa estradinha e ali era lugar que tinha muita onça. E o pai falou assim:

- Menino, vai na frente porque você é muito magrinho mesmo... se a onça te pegar.. eu fujo! Tenho muito filho pra criar eu não posso ser comida de onça!

O pobrezinho foi, coitado. Mas foi com o ouvido em pé prestando atenção no miado das danadas. Até que ele ouviu o miado, mas não vinha da frente. Vinha atrás. E o pai falou assim:

- Menino, deixa eu passar na frente que as onças estão é atrás!

E o coitado deixou o pai passar. O pobre estava tremendo de medo. Não demorou o miado foi se aproximando... se aproximando e junto com ele a onça. Logo a fera pulou na frente do Zé Fineza. Morrendo de medo, o menino caiu no chão se fingindo de morto, pois dizem que esses bichos só atacam os vivos. E a danada da onça veio cheirando o menino: cheirou o braço... cheirou o pescoço... cheirou a cara... e os bigodes da bicha entraram no nariz do Fineza. O menino deu um espirro daqueles. A onça se assustou e caiu pra trás. Bateu a cabeça numa pedra e morreu ali mesmo.

E o Zé Fineza ficou com fama de matador de onça!!


Adaptação de Augusto Pessôa de causo
narrado por Zé Fineza em São Sebastião distrito de Vitória da Conquista (BA)

A RÃ E O BOI - VÍDEO

A RÃ E O BOI - VÍDEO
Apresentação de Augusto Pessôa no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias SESC RJ 2010. Clique na imagem e assista a história

A MENINA QUE FAZIA AZEITE DE DENDÊ

A MENINA QUE FAZIA AZEITE DE DENDÊ
Clique na imagem e assista a hitória

UMA APOSTA (VÍDEO)

UMA APOSTA (VÍDEO)
Conto de Artur Azevedo. CLIQUE NA IMAGEM E VEJA O VÍDEO

LIVROS LEGAIS

  • GRAMÁTICA DA FANTASIA de Gianni Rodari - Summus Editorial.
  • GUARDADOS DO CORAÇÃO – Memorial para Contadores de Histórias de Francisco Gregório Filho - Editora Amais.
  • FÁBULAS ITALIANAS de Ítalo Calvino - Editora Companhia das Letras
  • DICIONÁRIO DE FOLCLORE BRASILEIRO de Câmara Cascudo - Editora Itatiaia
  • VASOS SAGRADOS de Maria Inez do Espírito Santo - Ed Rocco
  • MEUS CONTOS AFRICANOS - seleção de Nelson Mandela - Ed Martins
  • LENDAS BRASILEIRAS de Camara Cascudo - Ediouro
  • CONTOS TRADICIONAIS DO BRASIL de Camara Cascudo - Ed Itatiaia
  • CONTOS POPULARES DO BRASIL de Silvio Romero - Ed Itatiaia

A MOURA TORTA

A MOURA TORTA
Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo

MARIA BORRALHEIRA (VÍDEO)

MARIA BORRALHEIRA (VÍDEO)
Peça teatral baseada no conto popular MARIA BORRALHEIRA com Augusto Pessôa e Rodrigo Lima. Direção Rubens Lima Junior. Clique na foto e assista a um trecho da peça.

FELIZES PARA SEMPRE (RESENHA)

FELIZES PARA SEMPRE (RESENHA)
Clique na imagem e veja a resenha do livro FELIZES PARA SEMPRE

QUANDO OS BICHOS AINDA FALAVAM

QUANDO OS BICHOS AINDA FALAVAM
Apresentação no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias SESC RJ 2009

A MENINA QUE VIROU CORUJA (VÍDEO)

A MENINA QUE VIROU CORUJA (VÍDEO)
Conto Africano. Clique na imagem e assista ahistória

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)
Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Cliuqe na imagem e assista a um trecho do espetáculo

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)
Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo.

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)
Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Clique na imagem e assita a um trecho do espetáculo

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - SONHO DE MENINA

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - SONHO DE MENINA
Apresentação no SESC Niterói - nov 2009 - Clique na imagem e assista a apresentação.

O MARIDO FIEL - VÍDEO

O MARIDO FIEL - VÍDEO
Conto de Nelson Rodrigues - adaptação e narração de Augusto Pessôa. Clique na imagem e assista a história.

O JABUTI E A FRUTA (VÍDEO)

O JABUTI E A FRUTA (VÍDEO)
conto popular adaptado por Augusto Pessôa. CLIQUE NA IMAGEM E ASSISTA AO VÍDEO

VOU BUSCAR O MEU AMOR (VÍDEO)

VOU BUSCAR O MEU AMOR (VÍDEO)
Cena do espetáculo A MOURA TORTA. Clique na foto e veja a cena

A MOURA TORTA

A MOURA TORTA
Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo em cartaz no teatro do Jockey - Gávea

JABUTI

JABUTI
Apresentação no Simpósio Internacional de contadores de Histórias - SESC RJ 2009. Clique na imagem e assista a um trecho da apresentação

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - abertura da peça (VÍDEO)

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - abertura da peça  (VÍDEO)
Apresentação no SESC Niterói - nov 2009 - Clique na imagem e assista a apresentação

A NOITE QUE A LUA SUMIU DO CÉU (VÍDEO)

A NOITE QUE A LUA SUMIU DO CÉU (VÍDEO)
Clique na imagem e veja um clipe do espetáculo

A DAMA DO LOTAÇÃO (VÍDEO)

A DAMA DO LOTAÇÃO (VÍDEO)
conto de Nelson Rodrigues. Adaptação e narração de Augusto Pessôa

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (VÍDEO)

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (VÍDEO)
Peça baseada no conto popular O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (2003). Clique na foto e veja um trecho do espetáculo.

TOC, TOC, TOC, TOC (VÍDEO)

TOC, TOC, TOC, TOC (VÍDEO)
Conto de Arur Azevedo. CLIQUE NA IMAGEM E VEJA O VÍDEO

MALASARTES E O HOMEM ENGANADO DUAS VEZES (VÍDEO)

MALASARTES E O HOMEM ENGANADO DUAS VEZES (VÍDEO)
Contação de Histórias. Clique na imagem e assista a contação.

MENINA FACEIRA

MENINA FACEIRA
Apresentação de Augusto Pessôa e Rodrigo Lima no Instituto Moreira Salles - set 2009. Clique na imagem e veja a apresentação.

HISTÓRIA DE ANTANHO (VÍDEO)

HISTÓRIA DE ANTANHO (VÍDEO)
NA CASA DE SEU PEDRÃO. Apresentação de Augusto Pessôa e Rodrigo Lima no SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE CONTADORES DE HISTÓRIAS - SESC RJ (2008). Clique na imagem e veja a apresentação

MÚSICA - NA FEIRA DO TEM TEM (VÍDEO)

MÚSICA - NA FEIRA DO TEM TEM (VÍDEO)
O Rei Doente do Mal de Amores - apresentação no SESC Niterói 2009. Clique na imagem e assista a cena.

PARA SEMPRE FIEL (VÍDEO)

PARA SEMPRE FIEL (VÍDEO)
Conto de Nelson Rodrigues - adaptação e narração de Augusto Pessôa

SUSPIROS VÃO E VEM (VÍDEO)

SUSPIROS VÃO E VEM (VÍDEO)
Apresentação do espetáculo O REI DOENTE DO MALDE AMORES no SESC Niterói 2009. Clique na imagem e assista a apresentação

MALASARTES! (VÍDEO)

MALASARTES! (VÍDEO)
Peça baseada nas histórias de Pedro Malasartes. Clique na foto e veja um trecho do espetáculo

O JABUTI E A FRUTA

O JABUTI E A FRUTA
Apresentação no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias - SESC RJ 2009. Clique na imagem e assista a história

A MOURA TORTA

A MOURA TORTA
Crítica do espetáculo publicada no JORNAL DO BRASIL

MARIA BORRALHEIRA - CRÍTICA (IMAGEM)

MARIA BORRALHEIRA - CRÍTICA (IMAGEM)
Clique na imagem e leia a crítica sobre o espetáculo

MALASARTES - CRÍTICA (IMAGEM)

MALASARTES - CRÍTICA (IMAGEM)
Clique na imagem e leia a crítica do espetáculo.

CRÍTICA DO ESPETÁCULO O REI DOENTE DO MAL DE AMORES

CRÍTICA DO ESPETÁCULO O REI DOENTE DO MAL DE AMORES

MALASARTES - Histórias de Um Camarada Chamado Pedro

MALASARTES - Histórias de Um Camarada Chamado Pedro
Livro de Augusto Pessôa publicado pela Editora ROCCO (2007)

FELIZES PARA SEMPRE

FELIZES PARA SEMPRE
Livro com adaptações de Augusto Pessôa - Editora ROCCO (2003)

CONTOS DE HUMOR

CONTOS DE HUMOR
Contos de Artur Azevedo - organização Augusto Pessôa - Editora ROCCO (2008)

CONTANDO HISTÓRIAS NA ABL

CONTANDO HISTÓRIAS NA ABL
CONTANDO HISTÓRIAS NA BIBLIOTECA DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS