AUGUSTO PESSÔA - CONTADOR DE HISTÓRIAS - (BRASIL)

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Ator, Cenógrafo, Figurinista, Arte Educador Dramaturgo e Contador de Histórias. Bacharelado em Artes Cênicas (Habilitação em Interpretação e Habilitação em Cenografia) pela UNI-RIO - Universidade do Rio de Janeiro.

A PANQUECA FUGITIVA, O RESMUNGÃO E OUTROS CONTOS NÓRDICOS

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HISTÓRIAS DE NATAL

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livro de contos populares adaptados e ilustrados por Augusto Pessõa - Ed. Escrita Fina (2010)

HISTÓRIAS DE BRUXAS - livro

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sábado, 4 de setembro de 2010

AS POSTAS DO PEIXE

Numa terra distante, um homem que era pescador um dia, indo à pesca, agarrou um peixe muito bonito. O peixe, quando se viu apanhado e na terra, falou assim para o pescador:

- Senhor pescador, me jogue de novo na água! Eu prometo uma grande pescaria! E se o senhor me pegar outra vez pode me levar.

O pescador não acreditou quando viu o peixe falando, mas fez o que ele pedia. E nesse dia foi tão grande a pesca, que o pescador já não sabia o que fazer com tanto peixe.
Passados alguns dias tomou a pescar no mesmo lugar e agarrou outra vez o tal peixe bonito. Então o peixe disse ao pescador:

- Leva-me para sua casa e faça de mim doze postas. Dê três à sua mulher, três enterre no quintal, três à sua cadela e três jogue no mar.

O pescador assim fez. E, passado um ano, a mulher deu a luz a três meninos, no quintal surgiram três lanças, a cadela teve três leões e na praia surgiram três navios.
Quando os filhos chegaram a ser homens pediram ao pai que desse a cada um deles uma lança, um leão, um navio e licença para irem viajar.
O pai e a mãe com muito custo permitiram a viagem e eles foram para o mar. Então cada um tomou um rumo: o mais velho foi para o norte, o do meio para sul, e o mais novo para leste. Mas antes de se separarem combinaram de se juntar naquele mesmo lugar daí a um ano. Despediram-se e cada um partiu para o seu destino. O mais velho, depois de ter navegado muitos dias sem encontrar uma terra, chegou a uma ilha onde havia uma torre muito grande. Foi ficar numa casa onde moravam três moças e ao fim de uma semana casou-se com a mais velha delas; depois de casado perguntou à mulher que torre era aquela, e a mulher disse que era a "torre da morte", que quem lá ia não voltava. E o mais velho dos irmãos falou:

- Pois eu hei de ir e voltar!

À noite, quando se deitou pôs a lança entre ele e a mulher, e no outro dia foi direto à torre com o seu leão. Bateu à porta e veio uma velha, que lhe perguntou o que ele queria, e ele respondeu que queria ver a torre. A velha disse, então, que se ele queria ver a torre, eles precisavam antes lutar. O rapaz estranhou. Não queria brigar com a velha, mas terminou concordando. E a velha pediu que ele prendesse o seu leão com um cabelo dela, porque tinha muito medo daqueles animais. O rapaz pegou um fio de cabelo da velha e prendeu o leão. Depois começaram a lutar. E não é que a velha lutava bem?! E quando o rapaz viu que iria ser derrotado, gritou:

- Avança, meu leão!

Mas a velha também falou:

- Engrossa, meu cabelão!

Então o cabelo que prendia o leão tomou-se numa corrente muito forte de onde o leão não conseguia escapar. A velha venceu o rapaz e depois de joga-lo no chão cortou sua cabeça. Colocou o corpo e a cabeça num alçapão que ela tinha escondido debaixo do chão e voltou para dentro da torre.
Passado o ano voltaram os dois irmãos mais novos ao lugar de encontro combinado. Mas onde estava o irmão mais velho? Esperaram por ele alguns dias, mas nada dele chegar. Foram para casa dos pais, imaginando que o mais velho estivesse lá. Mas lá ele também não estava. O irmão do meio pediu licença ao pai para ir a busca do seu irmão mais velho. O pai concordou e ele foi pelo mesmo destino que o irmão mais velho tinha tomado. Passados alguns dias, chegou em uma ilha. Lá encontrou as três moças e no final de uma semana casou-se com a irmã do meio. Depois perguntou se ela sabia se, há mais ou menos um ano, tinha passado por ali um rapaz com um navio igual ao seu, um leão e uma lança. A mulher respondeu:

- Passou por aqui um rapaz, sim! Casou com minha irmã mais velha, mas foi à "torre da morte"! E quem lá vai não volta! Ele foi e não voltou mais, como já aconteceu com muitos homens.

Então o irmão do meio disse para a mulher:

- Pois eu hei de ir, e hei de voltar!

À noite também pôs a lança entre ele e a mulher, e no outro dia pela manhã foi com o leão até a "torre da morte". Quando bateu apareceu-lhe a velha que tinha matado o irmão mais velho, e, depois de ter prendido o leão com um cabelo da velha, eles também lutaram. Quando o irmão do meio viu que iria perder da velha, gritou para o leão:

- Avança, meu leão!

Mas a velha disse:

- Engrossa, meu cabelão !

E a velha fez como da outra vez: cortou a cabeça do irmão do meio, colocou o no mesmo alçapão debaixo do chão, onde estava o irmão mais velho, e foi para a torre.
Passou um ano, e o irmão mais novo viu que seus irmãos não voltavam. Pediu licença ao pai para os ir procurar. E o pai disse:

- Então você, meu filho, quer fazer como seus irmãos? Quer sumir no mundo e me deixar aqui sozinho?

O rapaz respondeu:

- Deixe-me ir, meu pai, que eu prometo que daqui a um ano vou estar com meus irmãos aqui e ainda trazendo muita riqueza!

O pai deixou. E ele foi pelo mesmo destino que já tinham levado seus irmãos. E chegou na tal ilha. Lá casou com a mais nova das moças. Como o irmão do meio, perguntou a sua mulher se ela sabia dar informações de dois rapazes que por ali deviam ter passado, um há dois anos e outro há um ano, a mulher respondeu:

- Conheci os dois rapazes. Um casou com minha irmã mais velha e o outro com minha irmã do meio. Mas eles foram à "torre da morte" e quem lá vai não volta, e lá eles ficaram.

Então o caçula disse:

- Pois eu irei e voltarei!

E no outro dia, depois de ter dormido e ter deitado a lança entre ele e a mulher; foi até a "torre da morte" com o seu leão. Chegou, bateu à porta e veio à velha abrir. O caçula disse que queria ir ver a torre, e a velha, como das outras vezes, respondeu que para isso tinham primeiro que lutar. O caçula aceitou e a velha também pediu como aos outros, que prendesse o leão com um cabelo dela, pois tinha muito medo daqueles bichos. O rapaz fingiu concordar, mas em lugar de prender o leão deixou o cabelo em cima de um muro. Começou a luta e o caçula percebeu que não ia vencer a velha. Ele gritou para o leão:

- Avança, meu leão!

A velha disse também:

- Engrossa, meu cabelão!

Mas como o leão não estava preso pulou em cima da velha e deu-lhe uma surra daquelas jogando-a no chão. O rapaz ia cortar o pescoço da velha, quando ela pediu:
- Não me mate que devolvo seus irmãos!

O rapaz então não a matou, mas deixou-a presa pelo leão e foi ver a torre. Lá encontrou um grande tesouro. Uma fortuna digna de vários reis. O caçula voltou e mandou que a velha mostrasse onde estavam os seus irmãos. A velha levantou o alçapão e disse para o caçula descer lá ao fundo. Lá ele encontraria seus irmãos, mas o rapaz não quis ir só e fez com que ela fosse na frente. Quando chegou ao fundo, viu muitos homens em monte e para o outro lado as cabeças. Ele então disse à velha:

- Como terei de volta meus irmãos se eles têm a cabeça cortada?

Ela respondeu:

- Vai àquele armário e traz de lá uma panela. A panela está cheia de gordura. Unta com ela o pescoço de seus irmãos. Depois junta as cabeças, que eles ficaram logo curados, mas com uma condição: só cure os seus irmãos!

O rapaz respondeu que curaria todos os homens que ali estavam. A velha ficou com tanta raiva que inchou e explodiu numa nuvem de fumaça restando dela só suas cinzas. O caçula pegou a gordura no armário e untou os pescoços de todos e eles levantaram-se e saíram para as suas terras. O rapaz e mais os dois irmãos pegaram suas mulheres e foram para casa, levando ainda o tesouro. Dividiram a fortuna por quatro. Eles entregaram a quarta parte ao pai. E viveram felizes por muitos e muitos anos.

Adaptação de Augusto Pessôa

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