Era uma vez um casal que tinha doze filhos. Um deles era muito pequeno. Do tamanho de um dedo polegar e por isso todos o chamavam de Pequeno Polegar.
Essa família era muito pobre e muitas vezes não tinham o que comer. Um dia os pais resolveram abandonar seus filhos na floresta.
O Pequeno Polegar, ouviu a conversa e foi buscar umas pedrinhas nas areias das margens do rio. Pela manhã, o pai levou os filhos para a floresta. Andaram muito até que o homem disse para os meninos:
- Fiquem aqui que eu vou cortar lenha!
Os meninos ficaram, mas o pai foi para casa e deixou os filhos perdidos. As crianças choraram com medo das feras. O Pequeno Polegar acalmou os irmãos e os levou para casa, seguindo as pedrinhas que, na vinda, havia deixado cair pelo caminho. O pai tinha recebido algum dinheiro, e tendo comprado comida, estava cheio de remorsos:
- Ai! Meus filhinhos! Se eles estivessem aqui!
O Pequeno Polegar, que estava com seus irmãos atrás da porta, apareceu e foi abraçado pelos pais.
Tempos depois, voltou a fome, e os pais pensaram em deixar os filhos na floresta de novo. O Pequeno Polegar, ouvindo a conversa correu para fora, mas encontrou a porta fechada. Foi na despensa e pegou alguns grãos de arroz. De manhã, aconteceu igual da outra vez: o pai deixou os filhos no meio da floresta. Mas quando o Pequeno Polegar quis voltar, seguindo os grãos de arroz, viu que os passarinhos tinham comido tudo. Ficaram dessa vez perdidos mesmo. Veio a noite, Polegar subiu numa árvore e lá de cima avistou uma luzinha. Desceu, reuniu os irmãos e foram na direção da tal luz.
Chegaram lá, encontraram uma casa grande e bonita. Bateram pedindo pousada. A mulher que os recebeu era dona Papona que tinha o hábito de comer gente. Ela se fingiu de boazinha e deu para cada menino um gorro de lã. O marido, que era também um Papão, quando chegou, soube de tudo e mandou que a mulher guardasse os meninos para ele comer depois.
Muito curioso, o Pequeno Polegar começou a fuçar em tudo na casa. Até que abriu uma porta e viu um grande tesouro. Mas ficou quieto.
Tarde da noite a Papona deitou os meninos numa cama, perto de outra em que estavam dormindo as filhas do casal Papão. Eram doze meninas cada uma com uma coroa de ouro na cabeça.
Quando o Papão e a Papona foram dormir, o Pequeno Polegar tirou os gorros de lã da cabeça dos irmãos e trocou pelas coroas das filhas do Papão.
No meio da noite, o Papão teve vontade de matar os meninos. Pegou uma espada e foi para o quarto. Estava tudo um escuro só e o malvado foi apalpando as cabeças. Encontrou as coroas nas cabeças dos meninos e disse baixinho:
- Arre! Eu ia matando minhas filhinhas!
- Ah! Aqui estão eles!
E passou a espada degolando as filhas.
Assim que o Papão foi dormir, Polegar acordou os irmãos e fugiram bem depressa.
De manhã, a Papona foi ao quarto das filhas e, quando viu aquela cena horrível, desmaiou. O Papão ficou com muita raiva. Pegou suas botas de sete léguas e foi procurar os fujões.
Polegar percebeu o perigo e se escondeu, junto com os irmãos, numa gruta. O Papão estava muito cansado e, parando perto da gruta, deitou e pegou no sono. Polegar, bem devagarinho, tirou as botas do Papão e desembainhando a espada cortou o pescoço do malvado. Depois calçou as botas de sete léguas e partiu na direção da casa do Papão. Chegando lá, chamou a Papona e falou assim:
- Seu marido está prisioneiro e mandou buscar seu tesouro!
A Papona entregou tudo. Era um tesouro enorme. Polegar carregou o que podia e voltou para junto dos seus irmãos. Depois eles encontraram o caminho de casa. Os meninos entregaram o tesouro a seu pai e a família nunca mais teve problemas para comer. E todos viveram felizes para sempre.
Adaptação de Augusto Pessôa


Um comentário:
Você está cada dia melhor, hein meu amigo!!!!
Orgulho de você!
Beijos
Maria Inez do Espírito Santo
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