AUGUSTO PESSÔA - CONTADOR DE HISTÓRIAS - (BRASIL)

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Ator, Cenógrafo, Figurinista, Arte Educador Dramaturgo e Contador de Histórias. Bacharelado em Artes Cênicas (Habilitação em Interpretação e Habilitação em Cenografia) pela UNI-RIO - Universidade do Rio de Janeiro.

A PANQUECA FUGITIVA, O RESMUNGÃO E OUTROS CONTOS NÓRDICOS

A PANQUECA FUGITIVA, O RESMUNGÃO E OUTROS CONTOS NÓRDICOS

HISTÓRIAS DE NATAL

HISTÓRIAS DE NATAL
livro de contos populares adaptados e ilustrados por Augusto Pessõa - Ed. Escrita Fina (2010)

HISTÓRIAS DE BRUXAS - livro

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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

HÁ MICRÓBIOS - crônica (fragmento)

Não quero assustar ninguém, mas vou contar. Já tive contato com um extraterrestre. Desconfiei quando ele disse "Vocês são engraçados ... " e eu perguntei: - "Vocês", quem? "Vocês" brasileiros? "Vocês" carecas? "Vocês" míopes? Destros? Cardiopatas? Torcedores do Internacional? E ele respondeu: - Vocês, gente.
E me confessou (já tinha bebido um pouco) que não era deste mundo, era de outro, e estava prospectando o Universo inteiro atrás de um planeta para ser colonizado pelo seu.
Achava que tinha, finalmente, encontrado este planeta. Era a Terra. No seu relatório, recomendaria que a Terra fosse ocupada e sua principal riqueza natural explorada, pois era o que faltava no planeta do qual viera. Diria no relatório que não seria problema invadir a Terra, pois estávamos recém começando a usar o laser como arma, e ainda não descobríramos o poder destrutivo do kiwi, e seríamos facilmente dominados.
Perguntei qual era a riqueza natural que nós tínhamos e eles não e o extraterrestre respondeu "A poesia". E perguntou: - Você sabe que a Terra é o único planeta do Universo conhecido em que as pessoas dão nome aos ventos? Fiquei lisonjeado com aquilo, pensando "Taí, somos todos poetas e não sabíamos" e perguntei se não havia poetas no planeta deles. Claro que não, disse ele. Ou como eu imaginava que eles tinham se tomado uma civilização tão avançada?

LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO
JORNAL O GLOBO - PRIMEIRO CADERNO - 27/12/2007

A CHACHATATUTU E A FÊNIX - conto tibetano

Vocês conhecem a Chachatatutu? Na língua do Tibet, é pequeno pássaro cinzento que faz o seu ninho na erva. Ele é o mais pequeno e o mais feio de todos os pássaros, enquanto que o mais belo e o mais nobre é a fênix.
Uma vez uma chachatatutu pôs três ovos no ninho e todos os dias, enquanto ela saía, um camundongo que vivia num terreno próximo, vinha sorrateiramente e tentava comer os ovos. Dos três ovos da ninhada dois já tinham desaparecido na boca do camundongo. A pobre chachatatutu, desesperada, foi ter com a fênix para reclamar justiça contra o camundongo.

- Oh, fênix, - disse ela tristemente - rainha de todos os pássaros! Um camundongo malandro devorou dois dos três ovos da minha ninhada. Eu já perdi dois passarinhos e por isso venho pedir vingança.

A fênix não se dignando sequer a incomodar-se por uma pequeníssima chachatatutu, não muito maior que um polegar, disse-lhe asperamente:

- Não sabe quanto eu estou ocupada durante todo o dia? Como se atreve a importunar-me com tal ninharia? E olha, são as mães quem deve olhar pelos seus filhos! Se não é capaz de cuidar deles, quem o vai fazer? O seu dever é velar pela sua família!

A chachatatutu indignada pela dureza da fênix exclamou com um ar de desespero:

- Se venho falar é porque você é a rainha dos pássaros. Mas me desprezas, tomando a minha desgraça por uma insignificância. Talvez faça mal. Às vezes uma ninharia pode ser a causa duma grande desgraça. Se isso um dia acontecer não me ponha à culpa!

A fênix não prestou nenhuma atenção ao que ela dizia, limitando-se a responder como que distraidamente:

- Sim... sim... Pois, pois....

A chachatatu receando que a fênix não tivesse ouvido bem disse:

- Porque é que você está falando "sim... sim..."? Se um dia acontecer pra você uma grande desgraça, por causa de uma ninharia, não me punha a culpa! A culpa será só sua!

A fênix mais uma vez não ligou ao que ela dizia e continuava murmurando com impaciência:

- Sim... sim... Pois, pois....

A chachatatutu vendo que não fazia ali mais nada, voltou sem esperança para o seu ninho. Depois num acesso de cólera, pegou um galho pequeno, fez dele uma flecha, empoleirou-se num ramo duma árvore e esperou, com os olhos bem abertos, à volta do camundongo assassino.
Pouco depois, o camundongo apareceu para comer o último ovo. A chachatatutu, sufocando de raiva lançou a flecha com toda a força, direitinha ao olho do camundongo. A dor foi tão forte que este se rebolou dando voltas e mais voltas, aos gritos. Cego, foi "mergulhar" mesmo nas narinas dum leão que fazia a sesta à beira-mar. Este acordando bruscamente e sem saber o que estava acontecendo, saltou desesperadamente e mergulhou na água. Na água, um dragão nadava preguiçosamente. Quando viu assim de repente, o leão cair perto dele, elevou-se subitamente no ar com medo de ser devorado, e sem querer esbarrou no ninho da fênix, quebrando o ovo que lá se encontrava. A fênix, louca de raiva, injuriou o dragão:

- Seu idiota! Não sabe que nós, as fênix, não podemos pôr senão um ovo por ano e que temos somente um filho? Porque é que voa assim como um louco para fora das águas e derruba o meu ninho e quebra o meu ovo?
- Não sou eu quem tem a culpa, fênix. - respondeu o dragão. - Enquanto eu me banhava tranqüilamente um leão saltou para a água para me devorar. Então, naturalmente, eu voei para o céu. Derrubei o seu ninho por acidente; a culpa não foi minha! Vá falar com o leão que saltou sobre mim.

Então a fênix foi procurar o leão.

- Ah, sábia fênix, - disse o leão - não me amaldiçoe. Dormia eu sossegadamente na praia, quando, de repente, um camundongo entrou nas minhas ventas. Com a dor, saltei para o rio. Como vê à culpa não é minha; é do camundongo. Ele é quem merece a sua censura, não eu.

E assim a fênix foi procurar o camundongo.

- Ah, nobre fênix, - disse timidamente o camundongo - a culpa não foi minha, mas da chachatatutu. Passeava eu ali pela grama quando ela me feriu no olho com uma flecha. Com a dor cai no primeiro refúgio que encontrei e por acaso foi nas ventas de um leão. Toda a culpa é da chachatatutu. É ela quem deve ser castigada.

Nada mais restava à fênix senão ir falar com a chachatatutu. E a pequena ave respondeu:

- Oh, fênix, eu bem tinha dito. Você me desprezou não querendo nem ouvir o que eu dizia, porque tenho um corpo pequeno, asas curtas, poucas forças e nenhuma beleza. Tomou o meu desgosto por uma bagatela dizendo que são as mães quem deve velar pela sua ninhada e que não devia aborrecer a sua nobreza. Porque é que não olhou pelo seu ninho e anda por aí a arranjar aborrecimentos com todo o mundo? O camundongo pode comer os meus ovos, porque é isso uma insignificância, mas quando o dragão derruba o seu ninho e quebra o seu ovo, então isso já é um desastre! É essa a sua justiça? Não avisei que se um dia um pequeno nada ocasionasse um desastre não culparia a mais ninguém senão a você mesma? Porque é que vem então me aborrecer?

E a fênix, envergonhada sem dizer mais nada, voou pelos ares de crista baixa.
Conto Tibetano

A RÃ E O BOI - VÍDEO

A RÃ E O BOI - VÍDEO
Apresentação de Augusto Pessôa no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias SESC RJ 2010. Clique na imagem e assista a história

A MENINA QUE FAZIA AZEITE DE DENDÊ

A MENINA QUE FAZIA AZEITE DE DENDÊ
Clique na imagem e assista a hitória

UMA APOSTA (VÍDEO)

UMA APOSTA (VÍDEO)
Conto de Artur Azevedo. CLIQUE NA IMAGEM E VEJA O VÍDEO

LIVROS LEGAIS

  • GRAMÁTICA DA FANTASIA de Gianni Rodari - Summus Editorial.
  • GUARDADOS DO CORAÇÃO – Memorial para Contadores de Histórias de Francisco Gregório Filho - Editora Amais.
  • FÁBULAS ITALIANAS de Ítalo Calvino - Editora Companhia das Letras
  • DICIONÁRIO DE FOLCLORE BRASILEIRO de Câmara Cascudo - Editora Itatiaia
  • VASOS SAGRADOS de Maria Inez do Espírito Santo - Ed Rocco
  • MEUS CONTOS AFRICANOS - seleção de Nelson Mandela - Ed Martins
  • LENDAS BRASILEIRAS de Camara Cascudo - Ediouro
  • CONTOS TRADICIONAIS DO BRASIL de Camara Cascudo - Ed Itatiaia
  • CONTOS POPULARES DO BRASIL de Silvio Romero - Ed Itatiaia

A MOURA TORTA

A MOURA TORTA
Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo

MARIA BORRALHEIRA (VÍDEO)

MARIA BORRALHEIRA (VÍDEO)
Peça teatral baseada no conto popular MARIA BORRALHEIRA com Augusto Pessôa e Rodrigo Lima. Direção Rubens Lima Junior. Clique na foto e assista a um trecho da peça.

FELIZES PARA SEMPRE (RESENHA)

FELIZES PARA SEMPRE (RESENHA)
Clique na imagem e veja a resenha do livro FELIZES PARA SEMPRE

QUANDO OS BICHOS AINDA FALAVAM

QUANDO OS BICHOS AINDA FALAVAM
Apresentação no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias SESC RJ 2009

A MENINA QUE VIROU CORUJA (VÍDEO)

A MENINA QUE VIROU CORUJA (VÍDEO)
Conto Africano. Clique na imagem e assista ahistória

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)
Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Cliuqe na imagem e assista a um trecho do espetáculo

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)
Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo.

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)
Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Clique na imagem e assita a um trecho do espetáculo

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - SONHO DE MENINA

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - SONHO DE MENINA
Apresentação no SESC Niterói - nov 2009 - Clique na imagem e assista a apresentação.

O MARIDO FIEL - VÍDEO

O MARIDO FIEL - VÍDEO
Conto de Nelson Rodrigues - adaptação e narração de Augusto Pessôa. Clique na imagem e assista a história.

O JABUTI E A FRUTA (VÍDEO)

O JABUTI E A FRUTA (VÍDEO)
conto popular adaptado por Augusto Pessôa. CLIQUE NA IMAGEM E ASSISTA AO VÍDEO

VOU BUSCAR O MEU AMOR (VÍDEO)

VOU BUSCAR O MEU AMOR (VÍDEO)
Cena do espetáculo A MOURA TORTA. Clique na foto e veja a cena

A MOURA TORTA

A MOURA TORTA
Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo em cartaz no teatro do Jockey - Gávea

JABUTI

JABUTI
Apresentação no Simpósio Internacional de contadores de Histórias - SESC RJ 2009. Clique na imagem e assista a um trecho da apresentação

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - abertura da peça (VÍDEO)

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - abertura da peça  (VÍDEO)
Apresentação no SESC Niterói - nov 2009 - Clique na imagem e assista a apresentação

A NOITE QUE A LUA SUMIU DO CÉU (VÍDEO)

A NOITE QUE A LUA SUMIU DO CÉU (VÍDEO)
Clique na imagem e veja um clipe do espetáculo

A DAMA DO LOTAÇÃO (VÍDEO)

A DAMA DO LOTAÇÃO (VÍDEO)
conto de Nelson Rodrigues. Adaptação e narração de Augusto Pessôa

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (VÍDEO)

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (VÍDEO)
Peça baseada no conto popular O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (2003). Clique na foto e veja um trecho do espetáculo.

TOC, TOC, TOC, TOC (VÍDEO)

TOC, TOC, TOC, TOC (VÍDEO)
Conto de Arur Azevedo. CLIQUE NA IMAGEM E VEJA O VÍDEO

MALASARTES E O HOMEM ENGANADO DUAS VEZES (VÍDEO)

MALASARTES E O HOMEM ENGANADO DUAS VEZES (VÍDEO)
Contação de Histórias. Clique na imagem e assista a contação.

MENINA FACEIRA

MENINA FACEIRA
Apresentação de Augusto Pessôa e Rodrigo Lima no Instituto Moreira Salles - set 2009. Clique na imagem e veja a apresentação.

HISTÓRIA DE ANTANHO (VÍDEO)

HISTÓRIA DE ANTANHO (VÍDEO)
NA CASA DE SEU PEDRÃO. Apresentação de Augusto Pessôa e Rodrigo Lima no SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE CONTADORES DE HISTÓRIAS - SESC RJ (2008). Clique na imagem e veja a apresentação

MÚSICA - NA FEIRA DO TEM TEM (VÍDEO)

MÚSICA - NA FEIRA DO TEM TEM (VÍDEO)
O Rei Doente do Mal de Amores - apresentação no SESC Niterói 2009. Clique na imagem e assista a cena.

PARA SEMPRE FIEL (VÍDEO)

PARA SEMPRE FIEL (VÍDEO)
Conto de Nelson Rodrigues - adaptação e narração de Augusto Pessôa

SUSPIROS VÃO E VEM (VÍDEO)

SUSPIROS VÃO E VEM (VÍDEO)
Apresentação do espetáculo O REI DOENTE DO MALDE AMORES no SESC Niterói 2009. Clique na imagem e assista a apresentação

MALASARTES! (VÍDEO)

MALASARTES! (VÍDEO)
Peça baseada nas histórias de Pedro Malasartes. Clique na foto e veja um trecho do espetáculo

O JABUTI E A FRUTA

O JABUTI E A FRUTA
Apresentação no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias - SESC RJ 2009. Clique na imagem e assista a história

A MOURA TORTA

A MOURA TORTA
Crítica do espetáculo publicada no JORNAL DO BRASIL

MARIA BORRALHEIRA - CRÍTICA (IMAGEM)

MARIA BORRALHEIRA - CRÍTICA (IMAGEM)
Clique na imagem e leia a crítica sobre o espetáculo

MALASARTES - CRÍTICA (IMAGEM)

MALASARTES - CRÍTICA (IMAGEM)
Clique na imagem e leia a crítica do espetáculo.

CRÍTICA DO ESPETÁCULO O REI DOENTE DO MAL DE AMORES

CRÍTICA DO ESPETÁCULO O REI DOENTE DO MAL DE AMORES

MALASARTES - Histórias de Um Camarada Chamado Pedro

MALASARTES - Histórias de Um Camarada Chamado Pedro
Livro de Augusto Pessôa publicado pela Editora ROCCO (2007)

FELIZES PARA SEMPRE

FELIZES PARA SEMPRE
Livro com adaptações de Augusto Pessôa - Editora ROCCO (2003)

CONTOS DE HUMOR

CONTOS DE HUMOR
Contos de Artur Azevedo - organização Augusto Pessôa - Editora ROCCO (2008)

CONTANDO HISTÓRIAS NA ABL

CONTANDO HISTÓRIAS NA ABL
CONTANDO HISTÓRIAS NA BIBLIOTECA DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS