AUGUSTO PESSÔA - CONTADOR DE HISTÓRIAS - (BRASIL)

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Ator, Cenógrafo, Figurinista, Arte Educador Dramaturgo e Contador de Histórias. Bacharelado em Artes Cênicas (Habilitação em Interpretação e Habilitação em Cenografia) pela UNI-RIO - Universidade do Rio de Janeiro.

A PANQUECA FUGITIVA, O RESMUNGÃO E OUTROS CONTOS NÓRDICOS

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HISTÓRIAS DE NATAL

HISTÓRIAS DE NATAL
livro de contos populares adaptados e ilustrados por Augusto Pessõa - Ed. Escrita Fina (2010)

HISTÓRIAS DE BRUXAS - livro

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sábado, 2 de julho de 2011

É MENTIRA (conto popular)

Era uma vez, em algum tempo, um Rei que tinha uma filha. A Princesa se orgulhava de ser uma grande mentirosa e de nunca dizer a verdade. O pai não gostava dessa fama da filha e fez um decreto:
“Quem contasse uma mentira maior que as mentiras de sua filha e ainda fizesse ela dizer a verdade ganharia metade de seu reino e a mão da Princesa!”
Muitos homens tentaram. Todos queriam ganhar metade daquele vasto reino e ainda se casar com a Princesa que, apesar de mentirosa, era linda que dava gosto de ver. Mas ninguém conseguia. A bela Princesa parecia imbatível.
Bem, morava próximo ao reino, três irmãos muito pobres. Os rapazes decidiram tentar a sorte. O caçula quis ir também, mas os dois mais velhos não deixaram. Eles é que iriam tentar vencer a Princesa. E foram. Chegaram no castelo e o primogênito se apresentou ao Rei e sua filha dizendo:

- Tenho tanta força nos dentes que consigo mastigar uma barra de ferro como se fosse água! Acredita nisso, bela Princesa?

E a Princesa fez pouco caso:

- Claro que acredito! Eu mesmo tenho um touro que mastiga ferro, prata e ouro! Depois ele cospe tudo em forma de jóias! Os meus anéis, pulseiras e tiaras foram todos cuspidos por ele!

O rapaz baixou a cabeça. Mas o irmão do meio tomou a palavra:

- Meu irmão tem força nos dentes, mas eu tenho força nos braços! Levanto com um braço duas carroças cheias de ouro e com o outro mais duas cheias de prata. A linda Princesa acredita nisso?

E a jovem suspirou:

- Não vejo dificuldade em acreditar nisso! Outro dia, esse meu touro sozinho trouxe para terra vinte navios repletos de ouro, prata e diamantes!

O irmão do meio ainda insistiu:

- Isso não é vantagem! Um touro é mais forte que um homem! Pode realmente arrastar navios até o porto!

A Princesa riu:

- Mas não foi só até o porto! Ele arrastou os navios até o castelo! As embarcações fizeram sulcos na terra que se encheram da água do mar e transformaram-se em rios! Ah... e os navios foram desmontados! Suas madeiras ajudaram a construir várias casas do reino!

O irmão do meio também baixou a cabeça. Os dois derrotados voltaram para casa. E ai foi a vez do caçula. Ele partiu para o palácio e se apresentou ao Rei. Disse que realizaria a tarefa, mas não ali na sala do trono. Queria encontrar a Princesa no estábulo e pediu ao Rei e sua corte para ficarem escondidos e ouvir tudo. E assim foi feito. O Monarca arrumou um jeito de mandar a filha ao estábulo. Ele e sua corte ficaram escondidos para ouvir tudo. E o caçula apareceu na frente da Princesa que estava cuidando de um touro enorme.

- Bom dia, bela Princesa!
- Bom dia! - respondeu a jovem.
- Que touro mais pequenino! Acho que nuca vi um touro assim tão pequeno!

A Princesa ficou espantada. O touro era enorme. Mas a moça disfarçou e foi dizendo:

- É verdade! Ainda mais comparado com uma vaca que eu tenho!
- Ela é grande? - perguntou o rapaz.
- Enorme! - respondeu a bela – Tão grande que todo dia enche de leite quatro tonéis que são maiores que o palácio do Rei!

E o rapaz falou:

- Ah... então é isso!!
- Isso o quê? - quis saber a jovem.

E o rapaz continuou explicando. Falava sem parar nem para respirar:

- Eu encontrei um desses tonéis, mas como não sabia o que tinha dentro, fui ver e cai no leite! Quase me afoguei! Fui salvo pelo vento Norte que soprou seu ar quente e fez o leite ferver! Fui subindo com o vapor até chegar numa nuvem. Fiquei por lá um tempo. Até que o vento veio de novo. Ele não gostou de me ver lá, porque aquela nuvem era a cama dele. O vento precisa descansar, não é? Ele me botou pra correr! Fui pulando de estrela em estrela até que cheguei na lua. Estava com uma fome louca! Mas como a lua é feita de queijo pude me alimentar. Já estava chateado de comer tanto queijo quando passou um cometa. Agarrei no rabo do cometa e fui guiando ele até ficar justinho em cima do tonel de leite! Larguei a cauda do astro celeste e achei que ia cair no leite e me salvar. Mas o vento Norte, que estava dormindo e roncando, bufou justamente quando eu ia passando por sua nuvem! Desviou meu caminho, né? Aí eu fui cair num buraco de um casal de raposas. Mas eu fiquei feliz porque as raposas eram o seu pai, o Rei, junto com sua mãe, a Rainha! E eu ainda dei mais sorte: todo mundo sabe que o seu pai não toma banho, não é? E imagina que caiu uma semente de figo na cabeça dele e cresceu uma figueira. E estava uma beleza! Cheio de frutos! Foi muito bom porque a minha viagem foi longa e eu estava de novo com fome. Foi só colher os frutos para comer e depois...

O rapaz não pode continuar. Furiosa a bela Princesa gritou:

- Meu pai toma banho todo dia e nunca cresceu figo na cabeça dele!

O Rei e a corte saíram do esconderijo na maior festa. O rapaz venceu! O caçula dos irmãos ganhou a metade do reino e a mão da Princesa que desse dia em diante nunca mais mentiu.

Adaptação de Augusto Pessôa

AS FILHAS DO REI (conto popular)

Era uma vez um Rei que tinha doze filhas. E ele gostava tanto delas que queria sempre estar cercado por suas meninas. O Monarca todo dia tirava uma soneca depois do almoço e esse era o momento que as Princesas saiam para dar um passeio. Claro que as jovens sempre voltavam do passeio antes do pai acordar.
Mas teve uma vez, que o Rei acordou de sua soneca da tarde e as Princesas não voltaram. Pior, elas nunca mais voltaram para o castelo. O Rei ficou desesperado sem entender o que tinha acontecido. Ele enviou mensageiros para procurar suas filhas no seu reino e até em outros reinos, mas ninguém encontrava as Princesas. Com o passar do tempo o Rei chegou a conclusão que suas filhas tinham sido encantadas por alguma bruxaria.
A notícia do desaparecimento das Princesas correu pelo mundo até chegar a um reino que tinha um Rei com doze filhos. Quando os Príncipes souberam dessa desgraça, pediram permissão ao pai para procurar as Princesas. Mas o Rei não queria dar a licença. O Monarca tinha medo que seus filhos sumissem no mundo e ele nunca mais veria seus meninos. Os Príncipes tanto pediram, tanto imploraram que finalmente ele foi forçado a permitir. Para realizar a tarefa o Rei deu para os Príncipes um grande navio tendo no comando o Capitão Axel Vermelho. Um homem muito estranho, mas que estava completamente em casa no mar.
Então, eles navegaram por muito tempo sempre desembarcando em cada costa que viam e perguntando sobre as Princesas. Mas ninguém sabia do paradeiro das moças.
Quando passaram sete anos dessa busca aconteceu uma coisa terrível: uma tempestade. Mas não era uma tempestade qualquer. Era a mais poderosa tempestade que o Capitão Axel Vermelho já tinha enfrentado. Ventos, raios, chuvas com uma força inacreditáveis. Todos tiveram que trabalhar duro para que o navio não afundasse nessa tempestade que durou três dias seguidos. Quando a fúria acalmou, todos estavam tão cansados que dormiram no convés do navio. Só o caçula dos Príncipes se manteve acordado. O rapaz quis ficar atento para que nada de mal acontecesse. Ficou andando para cima e para baixo do convés, mas não tinha forças para conduzir sozinho o navio que foi seguindo levado pelas ondas do mar. Até que chegou numa pequena ilha. Do navio o jovem Príncipe viu um pequeno cachorro que latia muito como se quisesse vir a bordo. O caçula foi para o lado da plataforma, e tentou chamar o cão. Assobiou e gritou para ele, mas quanto mais ele assobiava e chamava, mais o cachorro latia e rosnava. O Príncipe ficou com pena do cachorro. Ele achou que o cão devia estar passando fome. Talvez fosse de algum navio que tinha afundado por causa da tempestade. O jovem não sabia o que fazer. Não podia deixar o navio sozinho, nem queria acordar todo mundo por causa de um cachorro. Mas, o tempo estava tão calmo que o Príncipe falou para si mesmo:
- Acho que não vai acontecer nada! Vou à praia salvar esse cão!
Então o jovem pegou um bote e remou até a praia. Deixou o bote na areia e foi tentar pegar o cão. Mas cada vez que ele se aproximava o bichinho corria. E foi nesse corre-corre que o jovem se viu diante de um castelo grandioso. O Príncipe ficou fascinado com tamanha beleza, mas ficou completamente encantado quando o pequeno cachorro se transformou em uma Princesa linda. A bela pegou na mão do Príncipe e o levou para o castelo. Lá dentro o jovem teve um grande susto. Viu, sentado num banco, um homem tão grande e feio que faria o mais valente dos valentes tremer. Mas o homem disse assim com uma voz rouca como um trovão:
- Você não tem nenhuma necessidade de ter medo!
Mas aquele vozeirão terrível causou mais medo ainda no caçula dos Príncipes. E o homem continuou:
- Meu nome é Balder e eu sei muito bem o que o trouxe aqui. Você e seus irmãos querem encontrar as filhas do Rei, não é?
- Isso mesmo! - respondeu o rapaz já se enchendo de coragem.
- Eu sei o paradeiro delas! Elas estão com o meu Senhor e Mestre! Cada uma delas está sentada em uma cadeira para pentear os cabelos das doze cabeças de meu Mestre!
- E como posso encontrá-las!
- Você navegou por sete anos! Mas terá que navegar por mais sete para encontrar as Princesas! Navegar sem comando, pois as ondas do mar é que guiaram o seu destino!
- E que tenho que fazer quando encontrar seu Mestre?
- Terá que matá-lo! Ele é uma criatura poderosa e cheia de maldade! Quando ele morrer serei Rei em seu lugar!
- E como matarei esse monstro poderoso?
Balder apontou para uma espada enferrujada que estava pendurada numa parede e disse:
- Você deve usar essa espada mágica!
O jovem Príncipe tentou tirar a espada da parede, mas ela era muito pesada. O rapaz mal conseguia levantá-la. E o homem grande disse:
- Sem magia você não vai conseguir! Minha filha vai ajudá-lo!
A linda Princesa se aproximou do rapaz e colocou em seu pescoço um colar de ouro com um pedra fosca como pingente. Com uma voz muito doce a jovem falou:
- Agora você deve desejar brandir a espada tão facilmente como se fosse sua!
O Príncipe fez o desejo e a pedra fosca ficou com um brilho intenso. De repente a espada também brilhou, perdeu a ferrugem e ficou leve como uma pluma nas mãos do jovem. E Balder falou:
- Você deve agora voltar para o seu navio. Ao chegar lá, esconda a espada e o colar. O Capitão Vermelho não deve ver esses objetos mágicos. Ele vai cobiçar essas forças, mas não é homem suficiente para empunhá-las. Cuidado com ele. O Capitão Axel Vermelho conhece muitas magias terríveis. É um homem rancoroso e vai tentar acabar com sua vida. Tudo vai acontecer exatamente como já aconteceu: vocês navegaram por sete anos. Uma grande tempestade cairá sobre o navio e quando tudo acalmar um grande sono vai abater toda a tripulação. Então você deve pegar a espada e o colar e ir a terra. Irá encontrar um castelo tendo como protetores lobos, ursos e leões, mas você não precisa ter medo deles. Todos eles vão se agachar aos seus pés. Você deve entrar no castelo e ir até o salão do trono. Lá vai encontrar meu Mestre dormindo, vestido um traje esplêndido e grandioso, cercado pelas Princesas. Cada jovem estará sentada em uma cadeira, penteando as suas doze cabeças. Você deve ser rápido e cortar cada uma das cabeças do monstro antes dele conseguir acordar. Se o Mestre despertar antes da tarefa ser cumprida ele vai engoli-lo vivo! Depois de matar o Mestre você deve jogar o corpo e as cabeças no mar! Mas importante: os restos do mestre devem ser jogados juntos no mar! Se forem jogadas separadamente o Mestre vai reviver! Você compreendeu tudo?
- Sim! - respondeu o Príncipe.
- Então vá e acabe com toda essa maldade!
O jovem filho do Rei correu para a praia, pegou seu bote e foi para o navio. Os outros ainda estavam dormindo e roncando. O Príncipe escondeu a espada e o colar de modo que nem o Capitão Vermelho, nem os seus irmãos conseguissem encontrar. O vento começou a soprar de novo e o jovem acordou todo mundo. Inventou que tinha sonhado com uma fada que lhe disse que o navio devia seguir por sete anos sem comando para encontrar as Princesas. O capitão Vermelho não gostou daquela história, mas os irmãos do Príncipe acreditaram no sonho e assim foi feito.
Os sete anos passaram e a tempestade veio com força, exatamente como o Balder tinha dito. O mau tempo durou três dias como da outra vez. Quando o vento amansou, um sono terrível se abateu sobre toda a tripulação. Menos no mais jovem dos Príncipes. O rapaz tirou a espada e o colar do esconderijo depois pegou um bote e remou para a terra. Chegando lá procurou o castelo. Até que encontrou um enorme palácio tendo como protetores lobos, ursos e leões. Os guardiões caíram aos pés do Príncipe, e assim ele entrou no castelo. Foi até a sala do trono, encontrou o Mestre dormindo e as doze princesas, sentadas cada uma em sua cadeira, penteando as cabeças. O jovem Príncipe fez um gesto para as Princesas se afastarem. Mas as moças não entendiam o que ele queria. Só a caçula das irmãs é que entendeu o que o Príncipe estava pedindo. Ela lançou um doce olhar para o rapaz que ficou encantado com sua beleza. Com gestos a linda moça explicou o que o Príncipe queria. As Princesas entenderam e saíram do caminho. O rapaz, mais rápido que ele podia, cortou as cabeças do Mestre. O sangue ficou jorrando como um grande riacho. O Príncipe tentou pegar os restos do monstro para jogar no mar, mas era tudo muito grande e pesado. Ele foi até o navio, acordou todo mundo e pediu ajuda aos irmãos dizendo que tinha encontrado as Princesas, matado o monstro e precisava jogar no mar os seus restos. Mas todos riram dele sem acreditar. Diziam:
- Você deve ter sonhado como da outra vez!
O filho mais novo do Rei pediu que os irmãos o seguissem para verem que o quê ele falava era verdade. Os Príncipes e o Capitão Vermelho foram a terra e viram o riacho de sangue, o castelo, o monstro e as lindas Princesas. Juntos pegaram os restos do Mestre e atiraram no mar.
Tudo agora era só alegria para os irmãos. Dentro do castelo, os Príncipes encontraram muito ouro e prata que levaram para o navio. Quando a embarcação já ia zarpar a mais nova das Princesas falou:
- Esperem! Nossas coroas ficaram no palácio! Precisamos delas! Elas são mágicas e mostram a verdade!
Mas o Capitão Axel Vermelho não gostou:
- Pra quê? Temos ouro e prata suficiente aqui para fazer muitas coroas!
Os príncipes concordaram com o Capitão e nenhum deles estava disposto a voltar no palácio para pegar as coroas. Só o filho mais novo do Rei, que já estava apaixonado por aquela linda Princesa, quis realizar a tarefa.
- Eu vou pegar as coroas! Onde elas estão?
A jovem ficou feliz:
- Estão na sala do trono num baú de madeira!
- Eu vou lá buscar! Esperem por mim que eu já volto!
Os Príncipes concordaram. O rapaz entregou o seu colar e a espada para sua amada. Depois tomou um bote e foi para a terra. Quando ele tinha ido tão longe que não podiam mais vê-lo , o Capitão Vermelho arquitetou um plano. Ele queria ser o líder e casar com a mais nova das Princesas. Foi até o seu quarto e preparou uma poção mágica de esquecimento. Misturou a poção ao vinho e serviu para todos dizendo que queria comemorar. Todos beberam e esqueceram do jovem Príncipe. Só a amada do rapaz não bebeu. Fingiu que brindava e jogou aquele vinho fora. O Capitão Vermelho inventou a história que ele tinha salvado as Princesas e era dono de todo aquele ouro e prata. Todos acreditaram. Só a mais nova das Princesas sabia da verdade. Mas ela preferiu se calar na certeza que seu amado voltaria para salvá-la. Sendo assim o navio partiu.
Enquanto isso, o filho caçula do Rei remava para terra. Chegou na praia e foi para o castelo. Encontrou as coroas no baú da sala do trono. Juntou todas as coroas e voltou para a praia. Foi remando no bote, mas quando ele chegou onde deveria estar o navio, não encontrou nada. Sem saber o que fazer voltou para a praia. Ele ficou desesperado. Não tinha para onde ir e resolveu dormir pelo menos aquela noite por lá. Ficou com um pouco de medo de ficar sozinho no castelo por toda noite, mas não tinha nenhuma outra casa naquele lugar. Foi para lá e trancou todas as portas e portões. Deitou-se em um quarto onde tinha uma cama pronta. Quando estava quase dormindo escutou alguma coisa que rangia e gemia. O teto e a parede começaram a tremer como se todo o castelo estivesse sendo quebrado. Apesar do medo, o Príncipe levantou e se colocou em guarda. De repente, o jovem ouviu uma voz que falava assim:
- Não tenha medo! Preciso de ajuda!
O Príncipe se armou de coragem e respondeu:
- Aqui estou eu! Posso ajudar no que for possível!
- Então durma e amanhã vá ao celeiro. Pegue quatro barris de centeio para mim. Preciso comer isso no café da manhã! Você me ajuda?
O jovem concordou e foi dormir. Quando ele acordou, viu ao seu lado uma pássaro enorme. Maior que um cavalo. O pássaro era preto com uma grande pena vermelha no alto da cabeça. Então, o filho do Rei desceu ao celeiro e foi buscar os quatro barris de centeio para o pássaro. Depois que comeu a grande ave disse:
- Agora quero lhe ajudar! O que posso fazer?
- Preciso sair daqui! Preciso ir até um reino distante!
- E onde fica esse reino?
- É o castelo de Balder!
O pássaro conhecia o castelo.
- Sei onde é! Você vai montar em mim! Segure com força na minha pena vermelha para não cair!
O Príncipe colocou as coroas dentro de um saco de pano, montou no pássaro e segurou com força na pena vermelha. Então, a grande ave alçou vôo. O vento assobiava com força. O Príncipe viu o mar lá de cima. O pássaro batia as poderosas asas com força. Rapidamente, lá de cima, o jovem pode ver o barco. Depois de um tempo, chegaram à ilha, onde Balder tinha um castelo. O filho mais novo do Rei foi recebido de uma forma bem calorosa. O agora Rei Balder só era gratidão pelo jovem ter matado o Mestre. Ofereceu metade de seu reino e a mão de sua filha em casamento. Mas o coração do rapaz já tinha dona. Ele já estava completamente apaixonado pela mais jovem das doze Princesas. O mais moço dos Príncipes só desejava reencontrar seu amor. Balder, com sua voz de trovão, pediu que ele tivesse calma.
- Não se preocupe, meu amigo! Você terá que ter paciência! Saiba que sua amada também só quer reencontrá-lo! Toda noite ela coloca sua espada ao seu lado na cama. Ninguém tem coragem de se aproximar dela!
O Príncipe sabia porque o Rei Balder estava dizendo isso. Era por causa do Capitão Vermelho. E o Monarca continuou:
- Você terá que esperar aqui! O navio vai demorar a chegar ao Reino das doze Princesas! E terá que tomar muito cuidado! O Capitão Vermelho encantou todos com uma poção de esquecimento! Só sua amada lembra de você! Ninguém mais!
Por anos o mais novo dos filhos do Rei esperou com angustia. Tinha medo que sua amada o esquecesse. O tempo passou como o vento. No final de sete anos o Rei Balder disse ao jovem Príncipe:
- Agora está na hora de você ir ao reino de sua amada! Mas não esqueça: vá com cuidado, meu nobre amigo! O Capitão Vermelho encantou seus irmãos!
O Rei Balder deu muitos presentes para o jovem Príncipe. Ouro e prata que o tornavam muito mais rico que todos os seus irmãos juntos. Mas o Príncipe ficou preocupado:
- Como vou carregar isso tudo, meu amigo?
O Rei fez um gesto mágico e todo aquele tesouro ficou bem pequeno que coube numa pequena caixa. O Príncipe colocou a caixa no bolso e o Monarca disse:
- Quando quiser o seu tesouro basta quebrar a caixa que ele volta a ser grande!
O Príncipe despediu-se do Rei Balder e de sua filha. Montou novamente no grande e pássaro e eles chegaram rápido ao reino de sua amada. Na praia o pássaro deixou o jovem e voltou para as suas terras. O príncipe armou um plano: vestiu-se com um pobre marinheiro e colocou nas costas o saco com as coroas das Princesas. Foi bater numa casa simples e pediu pousada. Na casa morava uma velha fofoqueira que veio bem a calhar para os planos do Príncipe. O jovem contou para a mulher que tinha visto as Princesas e que sabia onde elas estavam, mas pediu segredo. Pediu de propósito, porque sabia que essa informação ia coçar na boca da velha. Não demorou muito a fofoqueira saiu contando por todo lado a história do falso marinheiro. Rápido como fogo a notícia se espalhou e foi parar nos ouvidos do Rei pai das moças. O Monarca mandou chamar o marinheiro para saber se era verdade o que diziam.
O Príncipe, ainda vestido de marinheiro, foi até o palácio. Mesmo com os humildes trajes foi recebido pelo Rei e contou o que sabia:
- Senhor meu Rei, sei onde estão suas filhas! Mas logo tudo vai se resolver, pois as Princesas já estão chegando!
Foi o jovem falar isso que os soldados entraram na sala do trono anunciando a chegada de um navio. O Príncipe disse ao Rei:
- Senhor meu Rei, esse navio está trazendo as suas filhas! Mas antes de se encher de alegria, pergunte ao Capitão Axel Vermelho quem salvou suas filhas e escute o que ele tem a dizer! Depois escute e veja o que eu vou fazer!
Sem saber porque, o Rei confiou nas palavras daquele marinheiro. Logo entraram na sala do trono as Princesas, os Príncipes e o Capitão Vermelho. O Rei quase explodiu de tanta felicidade. Abraçou as filhas entre lágrimas, mas logo lembrou das palavras do marinheiro. Então perguntou:
- Quero saber quem salvou minhas filhas?
O Capitão Axel Vermelho foi a frente do Rei e declarou:
- Fui eu, senhor meu Rei! Enfrentei um terrível monstro de doze cabeças que aprisionava as Princesas! Só peço, como pagamento, metade de seu reino e a mão de sua caçula em casamento!
Nesse momento o Príncipe ainda com a roupa de marinheiro falou:
- É mentira, senhor meu Rei! Fui eu que salvei suas filhas! Não peço nada como recompensa! Só serei eternamente feliz se a sua caçula me aceitar como esposo!
O Capitão Vermelho ficou furioso e avançou sobre o jovem:
- Como ousa, marinheiro miserável! Quem é você para dizer isso?
- Não sou marinheiro! Sou um rico Príncipe!
O jovem disse isso, tirou do bolso a caixinha e a atirou no chão. A caixinha se fez em pedaços e de dentro saiu um tesouro tão grande que encheu o castelo de ouro e prata. Todos ficaram espantados. O Príncipe tirou as roupas de marinheiro e mostrou sua verdadeira face.
- Sou o irmão caçula desses Príncipes e fui eu que salvei as Princesas!
O Capitão bufava:
- Mentiroso! Você deve ser um bruxo e merece morrer! Tenho aqui testemunhas de minhas façanhas! Os Príncipes e as Princesas que sabem que digo a verdade!
O jovem filho do Rei não perdeu a calma. Disse ao Monarca:
- Senhor meu Rei, esse homem mente! Ele deu uma poção mágica para suas filhas e meus irmãos beberem!
- Isso é outra mentira! - esbravejou o Capitão
- Não é! E vou provar!
O Príncipe tirou da sacola as coroas e colocou nas cabeças das Princesas. Logo o encanto das Princesas acabou. Só a sua amada não precisava da coroa. Ela abraçou o seu salvador cheia de paixão. Os irmãos do jovem Príncipe entenderam o que estava acontecendo e o encanto deles também teve fim. O Rei mandou prender o Capitão Vermelho e houve uma grande festa. Não apenas um casamento, mas doze casais que juraram amor eterno e viveram felizes por muitos e muitos anos.
Adaptação de Augusto Pessôa

A RÃ E O BOI - VÍDEO

A RÃ E O BOI - VÍDEO
Apresentação de Augusto Pessôa no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias SESC RJ 2010. Clique na imagem e assista a história

A MENINA QUE FAZIA AZEITE DE DENDÊ

A MENINA QUE FAZIA AZEITE DE DENDÊ
Clique na imagem e assista a hitória

UMA APOSTA (VÍDEO)

UMA APOSTA (VÍDEO)
Conto de Artur Azevedo. CLIQUE NA IMAGEM E VEJA O VÍDEO

LIVROS LEGAIS

  • GRAMÁTICA DA FANTASIA de Gianni Rodari - Summus Editorial.
  • GUARDADOS DO CORAÇÃO – Memorial para Contadores de Histórias de Francisco Gregório Filho - Editora Amais.
  • FÁBULAS ITALIANAS de Ítalo Calvino - Editora Companhia das Letras
  • DICIONÁRIO DE FOLCLORE BRASILEIRO de Câmara Cascudo - Editora Itatiaia
  • VASOS SAGRADOS de Maria Inez do Espírito Santo - Ed Rocco
  • MEUS CONTOS AFRICANOS - seleção de Nelson Mandela - Ed Martins
  • LENDAS BRASILEIRAS de Camara Cascudo - Ediouro
  • CONTOS TRADICIONAIS DO BRASIL de Camara Cascudo - Ed Itatiaia
  • CONTOS POPULARES DO BRASIL de Silvio Romero - Ed Itatiaia

A MOURA TORTA

A MOURA TORTA
Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo

MARIA BORRALHEIRA (VÍDEO)

MARIA BORRALHEIRA (VÍDEO)
Peça teatral baseada no conto popular MARIA BORRALHEIRA com Augusto Pessôa e Rodrigo Lima. Direção Rubens Lima Junior. Clique na foto e assista a um trecho da peça.

FELIZES PARA SEMPRE (RESENHA)

FELIZES PARA SEMPRE (RESENHA)
Clique na imagem e veja a resenha do livro FELIZES PARA SEMPRE

QUANDO OS BICHOS AINDA FALAVAM

QUANDO OS BICHOS AINDA FALAVAM
Apresentação no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias SESC RJ 2009

A MENINA QUE VIROU CORUJA (VÍDEO)

A MENINA QUE VIROU CORUJA (VÍDEO)
Conto Africano. Clique na imagem e assista ahistória

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)
Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Cliuqe na imagem e assista a um trecho do espetáculo

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)
Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo.

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

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Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Clique na imagem e assita a um trecho do espetáculo

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - SONHO DE MENINA

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - SONHO DE MENINA
Apresentação no SESC Niterói - nov 2009 - Clique na imagem e assista a apresentação.

O MARIDO FIEL - VÍDEO

O MARIDO FIEL - VÍDEO
Conto de Nelson Rodrigues - adaptação e narração de Augusto Pessôa. Clique na imagem e assista a história.

O JABUTI E A FRUTA (VÍDEO)

O JABUTI E A FRUTA (VÍDEO)
conto popular adaptado por Augusto Pessôa. CLIQUE NA IMAGEM E ASSISTA AO VÍDEO

VOU BUSCAR O MEU AMOR (VÍDEO)

VOU BUSCAR O MEU AMOR (VÍDEO)
Cena do espetáculo A MOURA TORTA. Clique na foto e veja a cena

A MOURA TORTA

A MOURA TORTA
Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo em cartaz no teatro do Jockey - Gávea

JABUTI

JABUTI
Apresentação no Simpósio Internacional de contadores de Histórias - SESC RJ 2009. Clique na imagem e assista a um trecho da apresentação

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - abertura da peça (VÍDEO)

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - abertura da peça  (VÍDEO)
Apresentação no SESC Niterói - nov 2009 - Clique na imagem e assista a apresentação

A NOITE QUE A LUA SUMIU DO CÉU (VÍDEO)

A NOITE QUE A LUA SUMIU DO CÉU (VÍDEO)
Clique na imagem e veja um clipe do espetáculo

A DAMA DO LOTAÇÃO (VÍDEO)

A DAMA DO LOTAÇÃO (VÍDEO)
conto de Nelson Rodrigues. Adaptação e narração de Augusto Pessôa

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (VÍDEO)

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (VÍDEO)
Peça baseada no conto popular O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (2003). Clique na foto e veja um trecho do espetáculo.

TOC, TOC, TOC, TOC (VÍDEO)

TOC, TOC, TOC, TOC (VÍDEO)
Conto de Arur Azevedo. CLIQUE NA IMAGEM E VEJA O VÍDEO

MALASARTES E O HOMEM ENGANADO DUAS VEZES (VÍDEO)

MALASARTES E O HOMEM ENGANADO DUAS VEZES (VÍDEO)
Contação de Histórias. Clique na imagem e assista a contação.

MENINA FACEIRA

MENINA FACEIRA
Apresentação de Augusto Pessôa e Rodrigo Lima no Instituto Moreira Salles - set 2009. Clique na imagem e veja a apresentação.

HISTÓRIA DE ANTANHO (VÍDEO)

HISTÓRIA DE ANTANHO (VÍDEO)
NA CASA DE SEU PEDRÃO. Apresentação de Augusto Pessôa e Rodrigo Lima no SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE CONTADORES DE HISTÓRIAS - SESC RJ (2008). Clique na imagem e veja a apresentação

MÚSICA - NA FEIRA DO TEM TEM (VÍDEO)

MÚSICA - NA FEIRA DO TEM TEM (VÍDEO)
O Rei Doente do Mal de Amores - apresentação no SESC Niterói 2009. Clique na imagem e assista a cena.

PARA SEMPRE FIEL (VÍDEO)

PARA SEMPRE FIEL (VÍDEO)
Conto de Nelson Rodrigues - adaptação e narração de Augusto Pessôa

SUSPIROS VÃO E VEM (VÍDEO)

SUSPIROS VÃO E VEM (VÍDEO)
Apresentação do espetáculo O REI DOENTE DO MALDE AMORES no SESC Niterói 2009. Clique na imagem e assista a apresentação

MALASARTES! (VÍDEO)

MALASARTES! (VÍDEO)
Peça baseada nas histórias de Pedro Malasartes. Clique na foto e veja um trecho do espetáculo

O JABUTI E A FRUTA

O JABUTI E A FRUTA
Apresentação no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias - SESC RJ 2009. Clique na imagem e assista a história

A MOURA TORTA

A MOURA TORTA
Crítica do espetáculo publicada no JORNAL DO BRASIL

MARIA BORRALHEIRA - CRÍTICA (IMAGEM)

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Clique na imagem e leia a crítica sobre o espetáculo

MALASARTES - CRÍTICA (IMAGEM)

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Clique na imagem e leia a crítica do espetáculo.

CRÍTICA DO ESPETÁCULO O REI DOENTE DO MAL DE AMORES

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MALASARTES - Histórias de Um Camarada Chamado Pedro

MALASARTES - Histórias de Um Camarada Chamado Pedro
Livro de Augusto Pessôa publicado pela Editora ROCCO (2007)

FELIZES PARA SEMPRE

FELIZES PARA SEMPRE
Livro com adaptações de Augusto Pessôa - Editora ROCCO (2003)

CONTOS DE HUMOR

CONTOS DE HUMOR
Contos de Artur Azevedo - organização Augusto Pessôa - Editora ROCCO (2008)

CONTANDO HISTÓRIAS NA ABL

CONTANDO HISTÓRIAS NA ABL
CONTANDO HISTÓRIAS NA BIBLIOTECA DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS