AUGUSTO PESSÔA - CONTADOR DE HISTÓRIAS - (BRASIL)

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Ator, Cenógrafo, Figurinista, Arte Educador Dramaturgo e Contador de Histórias. Bacharelado em Artes Cênicas (Habilitação em Interpretação e Habilitação em Cenografia) pela UNI-RIO - Universidade do Rio de Janeiro.

A PANQUECA FUGITIVA, O RESMUNGÃO E OUTROS CONTOS NÓRDICOS

A PANQUECA FUGITIVA, O RESMUNGÃO E OUTROS CONTOS NÓRDICOS

HISTÓRIAS DE NATAL

HISTÓRIAS DE NATAL
livro de contos populares adaptados e ilustrados por Augusto Pessõa - Ed. Escrita Fina (2010)

HISTÓRIAS DE BRUXAS - livro

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domingo, 22 de julho de 2012

O MACACO E O REI JACARÉ (conto popular)

Diz que o macaco morava num lugar com um monte de bananeiras. Ela cuidava das árvores que davam pra ele frutos suficientes para sua alimentação. E como o macaco cuidava muito bem das bananeiras os frutos eram os mais gostosos da floresta.
Nesse mesmo lugar vivia um jacaré enorme. Muito grande mesmo. Com mais de três metros de cumprimento. Por ser tão grande e forte ele decidiu que seria o rei daquelas terras. E ninguém ousou contestar. O jacaré gostava muito de bananas e espichava o olho para as frutas do macaco. O suposto rei resolveu roubar as bananas do seu dono. Ordenou que o papagaio pegasse as frutas e trouxesse para ele. A ave tentou pegar, mas o macaco não arredava pé daquele lugar e não deixava ninguém se aproximar de suas bananas.
Mas o papagaio era esperto e inventou uma história para enganar o macaco. Chegou de mansinho e foi puxando conversa:
- Como vai, macaco?
- Vou bem, papagaio! E você?
E o penoso:
- Eu estou bem! Graças a Deus! E o seu irmão melhorou?
Macaco estranhou:
- Meu irmão? Melhorou? Como assim? Não sabia que ele estava doente!
E o papagaio jogou uma conversa mole:
- Ih... não sabia, não? Diz que seu irmão está muito doente! Está morre não morre!!
O macaco ficou desesperado:
- Meu irmão... coitado! Mas como é que você soube disso, seu papagaio?
- Ah... as notícias correm... os ventos trazem... Conheço muitos pássaros que moram perto do seu irmão e me disseram que ele está muito mal sem fala!
O macaco ficou preocupado:
- Coitado do meu irmão! Eu vou lá fazer uma visita! Eu tenho que ajudar! Ah... mas como eu vou deixar minhas bananas? Quem é que vai cuidar das minhas frutas?
E o papagaio:
- Mas pode ir sossegado, amigo! Eu tomo conta das suas bananas pra você!
O macaco saiu correndo pra casa do irmão e não entendeu nada quando chegou lá. O irmão estava muito bem de saúde pulando e brincando todo pimpão. Só entendeu quando voltou para sua casa e não encontrou nenhuma banana pra contar a história. Ele foi tomar satisfações com o papagaio que muito sem graça tentou explicar:
- Ih, macaco... fiz isso obedecendo as ordens do rei jacaré! Eu não posso com ele e tive que pegar suas bananas!
O macaco ficou com muita raiva:
- Rei jacaré? E quem disse que esse fuleiro pode ser rei? Eu vou na casa dele pegar as minhas bananas de volta!
A cobra que era muito fofoqueira, estava passando por ali, ouviu a conversa e foi ligeira até o rei jacaré contar tudo o que macaco falou. O monarca ficou furioso e gritou alto:
- Ah... é assim? Quero ver se esse macaco é mesmo valente! Quero ele aqui na minha presença hoje mesmo!!
A própria cobra foi levar o recado ao macaco que logo começou a tremer que nem uma vara verde. Ele era valente só nas palavras. A ideia de enfrentar o tamanho e os grandes dentes de sua majestade jacaré deixaram ele completamente apavorado. Mas... que jeito! O outro era rei e tinha que ser atendido. Mas se o macaco não era muito valente, era muito inteligente e logo bolou um plano para enganar o jacaré. Passou pelo corpo todo uma cera muito grudenta e foi para casa do monarca.
O rei jacaré quando viu o macaco abriu a grande boca e falou com voz grossa:
- Ouvi dizer que você queria vir aqui tomar de mim, o rei, essas bananas! Isso é verdade?
- De jeito nenhum, majestade! Eu e minhas frutas só existimos para serví-lo!
- Fico satisfeito em saber disso! - disse o monarca – Sem dúvida foi uma mentira! Senta ai! Quero falar com você! Mas sente de frente pra mim e sem tocar nas bananas que estão ai atrás!
O macaco sentou com jeito e apoiou com força as costas, inteiramente cobertas de cera grudenta, nas bananas. E o rei jacaré continuou a conversa:
- Disseram pra mim que você conhece muitas histórias, anedotas e adivinhas! Porque não conta uma pra mim?
- Com todo prazer, majestade! Não sou rei como o senhor, mas dou minhas cacetadas! Vou propor uma adivinha!
O macaco se ajeitou, apertou mais as costas nas bananas fazendo que as frutas grudassem ainda mais na cera e disse de uma vez:
- Majestade, diga logo sem demora
Como se fosse uma canção:
Como posso pegar uma coisa
Sem usar a boca, o pé ou a mão?
O rei jacaré pensou... pensou, mas não descobriu a resposta.
- Isso é impossível, macaco! Ninguém pode pegar nada sem usar a boca, o pé ou a mão!
- Pode sim, majestade! É só usar uma cera grudenta nas costas, seu bobalhão!
O macaco disse isso, deu um pulo e virou de costas para o jacaré mostrando as bananas grudadas na cera. O monarca ficou furioso abriu o bocão para engolir o macaco de uma só vez. A sorte é que o espertalhão era rápido e saiu em disparada dando saltos. Mas o rei jacaré estava com muita raiva e correu atrás do macaco. E foi um corre-corre desesperado. O macaco vendo que podia ser alcançado subiu numa montanha muito alta. O monarca foi atrás. Quando o macaco estava bem no alto, na beira de um precipício, comeu algumas bananas e jogou as cascas no chão. Não demorou muito apareceu o rei jacaré com a boca aberta e cheia de dentes. E o macaco gritou:
- Não se aproxime de mim se não vai se arrepender!
E o jacaré bufando de raiva rosnou:
- Eu sou um rei! Um rei poderoso e vou acabar com você!
E o macaco respondeu:
- É rei coisa nenhuma! Não passa de um bobalhão! Não se aproxime de mim porque será o seu fim!
O jacaré explodindo de ódio foi com tudo pra cima do outro. Quando o monarca chegou bem perto o macaco deu um pulo para o alto. O jacaré tentou abocanhá-lo no ar, mas escorregou nas cascas de banana e caiu no precipício desaparecendo para sempre.
Os bichos ficaram sabendo da façanha do macaco e resolveram aclamá-lo o novo soberano. E o nosso herói reinou por muitos anos com muita sabedoria e prudência.

ADIVINHAS

- O que que tudo tem?

- O que é que só se faz de noite?

- Dizem que sou rei e não tenho reino. Dizem que sou louro e cabelos não tenho. Dizem que ando mas não me movo. Acertos relógios sem ser relojoeiro. Quem eu sou?

A MENINA QUE VIROU CORUJA - conto popular

Era uma vez uma menina que se chamava Gerarda. Era uma menina terrível, implicava com todo mundo, maltratava os animais, troçava dos mais velhos e era o diabo em figura de gente. Um dia, ela estava sentada na porta da casa onde morava, quando foi passando uma velhinha conhecida por ter poderes. Todo mundo sabia que ela era bruxa e todos daquele lugar tinham um grande medo e respeito por ela. Mas a danada da Gerarda não perdeu tempo, correu atrás da velhinha e começou a gritar:
- Velha bruxa!! Coruja do inferno, o que foi que você veio fazer aqui?
A velha, indignada com a menina, respondeu dizendo:
- Sai daqui, menina do diabo! Você vai crescer, vai ter filhos, vai ficar velha também e vai sofrer pra você saber como é bom fazer os outros sofrerem. E um dos seus filhos vai virar coruja para você aprender a respeitar os outros!
Mas Gerarda nem ligou e continuou a xingar:
- Velha bruxa!! Coruja do inferno, o que foi que você veio fazer aqui?
Deixa estar que o tempo passou.
Gerarda cresceu, ficou moça bonita e se casou com um rapaz que tinha uma roça. Os dois trabalhavam muito nessa roça. O casal teve duas filhas. A mais velha chamava Lalu e mais novinha chamava Besebé. Quando a mais velha tinha doze anos e a caçula apenas sete meses aconteceu uma tragédia: o marido de Gerarda morreu picado por uma cobra venenosa quando trabalhava na roça. Gerarda sofreu muito, mas continuou a trabalhar para criar as filhas e a vida seguiu.
Gerarda gostava muito de comer Amalá que é um caruru de quiabos. Um dia ela foi para a roça de manhã bem cedinho deixando em casa um bocado de quiabos prontos para fazer seu caruru quando voltasse na hora do almoço. Aconteceu que ela demorou muito e Lalu, que estava com muita fome, resolveu fazer o caruru. Os quiabos estavam na cozinha, mas a menina não encontrou carne. Ela não teve dúvida: pegou Besebé e matou. Depois temperou, cortou em pedacinhos e colocou na panela para cozinhar junto com os quiabos. Em seguida, temperou com sal e azeite de dendê.
Quando o caruru estava pronto, ela comeu e deixou o resto para sua mãe comer. Horas depois Gerarda chegou morta de cansada, com fome e pensando que ainda ia ter que fazer comida. Foi quando Lalu disse:
- Mamãe, já cozinhei o caruru e já comi! O da senhora está na panela.
Gerarda mais que depressa correu para a panela, se serviu de um bocado de caruru, comeu de lamber os beiços e fico por ali descansando. Depois que ela descansou bem, notou que Besebé estava muito quieta e foi espiar. Quando ela chegou na porta do quarto e não viu a menina, chamou Lalu e perguntou:
- Cadê Besebé, minha filha? Onde é que ela está?
Lalu, correndo pela porta da rua, disse:
- Eu botei no caruru, pra senhora comer.
Gerarda, com as mãos na cabeça, alucinada, correu atrás de Lalu. Mas a menina correu rápido e desapareceu no mundo. A mulher ficou doente e sentindo remorso de todas as coisas terríveis que já tinha praticado na sua vida. Mas o tempo cura tudo e Gerarda seguiu resignada pela vida.
Lalú ficou à toa pelas ruas até que encontrou Ogun, que a levou para casa, para que a menina cuidasse das suas roupas e ferramentas. Lalu, depois que chegou na casa de Ogun, começou a abusar, dando e vendendo tudo que tinha na casa. Um dia, Ogun tinha que fazer uma viagem,chamou Lalu e perguntou sobre suas coisas. Lalu saiu pela rua gritando como doida:
- Vendi todas as suas roupas e ferramentas!
Assim ela passou pela casa de quase todos os orixás e fazia sempre a mesma coisa.
Por fim ela chegou na casa de um velhinho, que estava todo enrolado com panos bem alvos, se aquecendo ao fogo. Quando Lalu viu o velhinho pensou consigo mesma:
- Aqui deve ter pouco trabalho! Está bom pra mim!
Depois ela perguntou ao velhinho como ele se chamava. Ele disse que o seu nome era Oxalá e convidou Lalu para tomar conta de sua casa. E a menina terminou fazendo a mesma coisa que já tinha feito na casa dos outros orixás.
Só que dessa vez foi diferente. Quando ela saiu pela porta gritando como doida, Oxalá lhe jogou uma maldição:
- Lalu, de agora em diante você será uma coruja e só terá direito de vagar pela noite!
Imediatamente Lalu se transformou em uma coruja. Na primeira noite ela pousou justamente no telhado da casa de Gerarda e começou a cantar um pio triste. Dentro da casa, a mulher reconheceu a voz da filha e se lembrou da praga que a bruxa havia lhe rogado. Gerarda teve um ataque de tristeza e morreu.
E a coruja ficou eternamente vagando pela noite.


CONTO AFRICANO.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

AS TRÊS VELHAS - conto popular

Uma viúva tinha uma filha muito bonita que agradava a toda a gente. A viúva queria casar a filha com homem rico e para isso fazia o possível para conseguir um genro de posses. Na esquina da rua onde moravam as duas tinha uma casa de comércio cujo dono era solteiro e cheio de dinheiro. A viúva fazia as compras nessa casa e vivia estudando um meio de conseguir fazer com que o homem conhecesse e simpatizasse com sua filha.
Um dia ouviu o rapaz dizer que só se casaria com uma moça trabalhadeira e que fiasse muito mais do que todas na cidade. A viúva comprou logo uma porção de linho, dizendo que era para a filha fiar, e que ela era a melhor fiandeira do mundo.
A viúva chegando a casa entregou o linho para a moça, dizendo que teria de fiar tudo até a manhã seguinte. A moça, que não sabia fiar, começou a chorar, e foi sentar no batente da cozinha, rezando, desconsolada da vida. Estava nesse ponto quando ouviu uma voz perguntar.

- Chorando por quê, minha filha?

Levantou os olhos e viu uma velhinha. Uma velha feia e corcunda.

- E não hei de chorar? Minha mãe quer que eu fie todo esse linho e o entregue todo pronto amanhã de manhã. . . Mas não sei fiar!
- Não se agonie, minha filha. Se você me convidar para seu casamento e prometer que três vezes me chamará tia, em voz alta, darei uma ajuda.

A moça prometeu. A velha despediu-se e foi embora, deixando o monte de linho fiado e pronto. Como mágica. A viúva, quando achou a tarefa pronta, só faltou morrer de satisfeita. Correu até a loja do negociante, mostrando as habilidades da filha e pediu uma porção ainda maior de linho. O negociante espantado pelo trabalho da moça não quis receber dinheiro pela compra.
Vendo que as coisas se encaminhavam como ela desejava, a viúva voltou a dar o linho pra a filha fiar até a manhã seguinte. Novamente a moça se agoniou muito e foi chorar na cozinha. Estava nesse ponto quando ouviu uma voz perguntar.

- Chorando por quê, minha filha?

Levantou os olhos e viu uma outra velhinha. Mais feia que a outra e com a boca torta.

- E não hei de chorar? Minha mãe quer que eu fie todo esse linho e o entregue todo pronto amanhã de manhã. . . Mas não sei fiar!
- Não se agonie, minha filha. Se você me convidar para seu casamento e prometer que três vezes me chamará de tia, em voz alta, darei uma ajuda.

A moça prometeu e o linho ficou pronto num minuto. Como mágica.
A viúva voltou correndo à loja do homem rico, mostrando o linho fiado e gabando a filha. O negociante estava simpatizando muito com a moça que fiava tão depressa e tinha tamanhas qualidades. A viúva voltou com uma carga de linho enorme, entregando aquela penitência à sua filha.
Aconteceu como nas outras vezes. Apareceu uma velha que perguntou:

- Chorando por quê, minha filha?

A moça levantou os olhos e viu uma terceira velhinha. Mas essa era a mais feia das três. Tinha os dedos finos e compridos como patas de aranhas.

- E não hei de chorar? Minha mãe quer que eu fie todo esse linho e o entregue todo pronto amanhã de manhã. . . Mas não sei fiar!
- Não se agonie, minha filha. Se você me convidar para seu casamento e prometer que três vezes me chamará de tia, em voz alta, darei uma ajuda.

A moça prometeu e o trabalho ficou pronto num piscar de olhos. Como mágica.
Quando o negociante viu o linho fiado, pediu para conhecer a moça, conversou com ela e acabou falando em casamento. Como era muito bonito e educado, a moça aceitou e marcaram o casamento. O homem mandou preparar sua casa com todos os arranjos e encheu uma mesa de fusos, rocas, linhos, tudo para que a mulher se ocupasse em fiar.
Depois do casamento, na hora da festa, estavam todos reunidos e muito alegres, quando bateram palmas e entrou uma das três velhas. A noiva correu logo dizendo:

- Que alegria, minha tia! Entre, minha tia! Sente aqui perto de mim, minha tia!

Assim que a velha sentou na cadeira, chegou a outra, recebida com a mesma satisfação:

- Entre minha tia! Sente aqui, minha tia! Vai jantar comigo, minha tia!

A terceira velha chegou também e a noiva abraçou-a logo:

- Dê cá um abraço, minha tia! Vamos sentar, minha tia! Quero apresentar a senhora ao meu marido, minha tia!

Foram para o jantar e o marido e convidados não tiravam os olhos de cima das três velhas que eram feias como o diabo.
Depois do jantar, o marido não se conteve e perguntou por que a primeira era tão corcunda, a segunda com a boca torta e a terceira com os dedos tão finos e compridos. As velhinhas responderam:

- Eu fiquei corcunda de tanto fiar linho, curvada para rodar o fuso!
- Eu fiquei com a boca torta de tanto cortar os fios de linho quando fiava!
- Eu fiquei com os dedos assim de tanto puxar e remexer o linho quando fiava!

Ouvindo isso o marido mandou buscar os fusos, rocas, meadas, linhos, e tudo que servisse para fiar, e fez com que queimassem tudo, jurando a Deus que jamais sua mulher havia de ficar feia como as três tias fiandeiras por causa do encargo de fiar. Depois, as três velhas desapareceram para sempre e o casal viveu muito feliz.

O FILHO DO PESCADOR - conto popular

Era uma vez um pescador muito pobre. Um dia que não tinha nada para dar de comer aos filhos, disse para a mulher que ia ao mar ver se pescava alguma coisa. Levou o filho caçula, que era um rapazinho muito trabalhador, para ajudar. Chegou lá e lançou a rede três vezes, mas não conseguiu pescar nada. De repente, do nada, surgiu um navio muito rico. Da embarcação veio uma bela voz de mulher que dizia assim:
- Pescador, dê para mim esse rapazinho que está aí?
O pescador respondeu:
- Não posso! O rapaz é da mãe!
A bela voz disse:
- Pois então volte para casa e diga para sua mulher me dar o menino. Se você fizer assim eu encho seu barco de dinheiro.
O pescador voltou e disse para a mulher:
- Mulher, não trouxe peixe nenhum, mas encontrei lá um navio muito rico, e ouvi lá uma voz de mulher de dentro do navio, pedindo nosso menino. Se eu desse nosso filho, ela enchia meu barco de dinheiro. E então mulher, o que eu faço?
A mulher respondeu:
- Estamos passando necessidade. Quem sabe, lá no barco, o nosso menino não encontre melhor sorte. E ainda por cima pode nos ajudar. Pois então, dê o nosso filho!
O pescador foi para o mar com o filho outra vez. Lá encontrou o navio no mesmo lugar. Tornou a jogar a rede como da outra vez e não tirou nada do mar. Depois ouviu outra vez a voz de mulher que vinha de dentro do navio:
- Pescador, dê para mim esse rapazinho, que encho seu barco de dinheiro !
O pescador respondeu:
- Dou!
- Pois então, traz o barco para perto do navio!
O pescador assim fez. A voz pediu para o rapaz subir no navio. Apenas o menino subiu a bordo, começou logo a cair dinheiro no barco do pescador. Mas o homem disse que não queria mais dinheiro. Ele tinha medo que o barco afundasse. O dinheiro parou de cair. O navio foi embora com o rapaz e o barco do pescador voltou para terra.
Quando o navio chegou num porto, o caçula ouviu a voz dizer:
- Salte nesse porto!
O rapaz foi para terra e viu uma carruagem muito rica, puxada por seis cavalos. E ouviu a voz dizer:
- Entre nessa carruagem!
O rapaz assim fez. E a carruagem levou o menino até uma praia linda onde tinha um palácio muito rico. O filho do pescador entrou no castelo por uma porta de ouro. Mas depois que ele estava lá dentro, a entrada sumiu e o menino não encontrou nenhuma porta para sair. Ele foi até um salão onde tinha uma grande mesa cheia de comida. Ele comeu bastante.
Quando a noite chegou, ficou tudo escuro. Não tinha luz no castelo. Apesar dos vários candelabros, a escuridão tomava conta de tudo porque não tinha uma vela se quer para ser acesa. Assim ficou o rapaz por um ano: a mesa sempre farta, a escuridão da noite e a solidão. Até que um dia ele ouviu novamente a voz que disse:
- O que você acha desse palácio?
E o rapaz respondeu:
- Acho bonito! Não me falta nem comer, nem beber. Só fico triste porque vivo sozinho, não tem luz e nem sei quem fala comigo!
A voz então disse:
- Dentro desse palácio existem três quartos secretos! Um tem roupas, outro tem um grande tesouro e no último ninguém pode entrar! Entre no quarto das roupas e escolha a que mais agradar!
O rapaz correu pelo palácio e encontrou os quartos. Um deles estava repleto de riquezas, o outro cheio das roupas mais finas e o último tinha a porta trancada. Ele voltou ao quarto das roupas e escolheu uma roupa de rei. A roupa era encantada e mal ele a vestiu, ficou logo certinha no seu corpo. O rapaz escolheu também uma bela espada. Depois voltou e disse:

- Tenho agora comida e roupas dignas de um rei! Mas ainda não sei de quem é a voz que fala comigo!

E a bela voz respondeu:

- Sou uma princesa que está prisioneira! E só um guerreiro valoroso poderá me libertar!

E o rapaz respondeu:

- Não sou guerreiro! Mas vou libertar você de qualquer prisão!

E a princesa explicou:

- Estou presa no fundo do mar dentro de uma grande concha protegida por uma serpente marinha! Para me libertar você tem que entrar no terceiro quarto!

E o rapaz perguntou:

- A porta está trancada! Como faço para entrar no terceiro quarto?

A princesa pediu:

- Espere nascer o dia! Nas primeiras horas da manhã, você deve ir a praia e pegar um pouco de água do mar. Volte ao castelo e derrame a água do mar na fechadura da porta, mas só de noite! Com isso a porta vai abrir e você saberá como me libertar!

O rapaz assim fez, esperou amanhecer o dia e foi na praia pegar um pouco de água do mar. Voltou ao castelo e ficou sentado em frente à porta do terceiro quarto esperando a noite chegar. Quando o sol foi embora, o rapaz derramou a água na fechadura da porta e ela se abriu. O rapaz entrou no quarto. Lá dentro uma vela acendeu e depois outra e outra e mais outra. Várias velas acenderam suspensas no ar. No meio do quarto tinha uma mesa com uma toalha branca. Em cima da mesa uma esponja, uma rede de pesca e uma espinha grande de peixe. O rapaz ouviu novamente a bela voz de mulher falar:

- Pegue a esponja, a rede e a espinha! Amanhã bem cedo vá até a praia e jogue a esponja na água. A esponja vai leva-lo até o fundo do mar. Lá você encontrará a concha que é protegida por uma serpente marinha. Se a serpente estiver de olhos fechados ela está acordada. Se tiver de olhos abertos, ela está dormindo! Jogue a rede na serpente e depois bata com a espinha na concha!

O rapaz fez exatamente o que a voz mandou. Pegou a esponja, a rede e a espinha e esperou amanhecer o dia. De manhã foi a praia e jogou a esponja no mar. A esponja cresceu. O rapaz entrou dentro da esponja que o levou para o fundo do mar. Chegando lá, o rapaz viu a concha com a serpente marinha. A serpente tinha os olhos abertos então, estava dormindo. O rapaz jogou a rede sobre a serpente e depois cortou sua cabeça com a espada para acabar com todo o mal. Bateu na concha com a espinha de peixe e a concha se abriu. Lá dentro, a Princesa mais linda que se pode imaginar. O rapaz colocou a princesa dentro da esponja e os dois voltaram para o castelo. Quando chegaram, já era noite e o castelo estava todo iluminado e cheio de gente: criados, soldados e o povo todo fazendo festa. O rapaz se tornou Rei, casou com a princesa e os dois governaram com muita sabedoria vivendo felizes por muitos e muitos anos.

Adaptação de Augusto Pessôa

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A FESTA DO HOMEM MAU - conto popular

No alto de uma serra morava um homem muito rico e mau. Ele fez uma promessa para ficar mais rico ainda e tinha que fazer, pelo resto da vida, uma grande festa em homenagem a passagem de São João. Todos os anos isso acontecia. Eram festas com bastante comida, bebida abundante e muita dança até o sol raiar. Ele convidava todo mundo que morava por perto e as festas eram muito concorridas. No resto do ano o ricaço era mesquinho, mas nessas festas abria a bolsa e todo mundo aproveitava. Só que o rico malvado aprontava muito nas festas: bebia demais, xingava as pessoas, brigava com todo mundo e fazia tudo de errado. O pessoal foi cansando de ir a festa. Além do mais, durante o resto do ano, o homem só fazia o que não prestava e não ajudava ninguém.
Ele morava sozinho. Não era casado, nem tinha filhos. Tinha como companheiros um cachorro sarnento, um gato preto e um moleque. O menino era que levava os convites para a festa de São João todos os anos.
Mas teve um ano que o garoto saiu para fazer os convites e só encontrou portas fechadas. Ninguém queria ir mais na festa daquele homem malvado. O moleque voltou para casa com a mão cheia de convites.
O homem rico ficou irritado com aquilo e mandou o menino convidar o primeiro que passasse por ele: pobre... rico... até uma visagem. Podia ser o próprio “coisa ruim”. Ele tinha que cumprir sua promessa anual e não importava quem viesse à festa.
O garoto foi e no caminho encontrou um homem que ele não conhecia. O estranho cavaleiro era muito elegante e estava montado num cavalo preto muito bonito. O desconhecido usava esporas de prata e estava com uma roupa tão bonita como um traje de festa.
O moleque fez o convite que foi prontamente aceito pelo estranho. Os dois foram para festa de São João. O homem rico ficou satisfeito, afinal teria a sua festa mesmo com apenas um convidado. Mais aí aconteceu uma coisa estranha. Apesar de ser um só o estranho cavaleiro enchia o salão. Parecia que ele estava em vários lugares ao mesmo tempo: comia e bebia com uma voracidade incrível, dançava freneticamente batendo as esporas de prata por todo salão tirando faíscas do assoalho, cantava com voz grave e suave, quebrava e bagunçava a casa toda. Isso tudo ao mesmo tempo. Antes de o sol nascer o cavalheiro misterioso, com olhos vermelhos como o fogo, convidou o homem rico para uma festa em seu palácio e desapareceu.
Tempos depois, veio um criado numa carruagem muito elegante para levar o homem rico para a festa do cavaleiro misterioso. Por dentro a carruagem era tão elegante como por fora. Toda forrada de veludo vermelho. Mas tinha uma coisa estranha: a carruagem não tinha janelas e não se podia ver o caminho. A viagem foi longa até que o elegante veículo parou e o criado abriu a porta. Era meia-noite e homem pode ver um palácio fantástico. Ele passou pelo portão dourado e entrou num magnífico salão. Lá viu muita gente, alguns ele até conhecia, mas todos já tinham morrido há muito tempo. Todos estavam tristes, com as roupas rasgadas e com cara de fome. No meio do salão o cavaleiro elegante dançava, gargalhava, comia e bebia. De repente um cheiro de enxofre tomou conta de todo lugar e o homem rico compreendeu tudo: estava no palácio do diabo de onde nunca mais saiu.

Adaptação de Augusto Pessôa

A FORMIGA E A NEVE - conto popular

Uma vez uma formiga foi ao campo e ficou presa num pouco de neve. Então ela disse para a neve:

- Neve, você é tão forte porque prendeu o meu pé?

A neve respondeu:

- Eu sou forte, mas o sol me derrete!

E a formiga foi ao sol e disse:

- Sol, você é tão forte... derrete a neve que prendeu o meu pé?

O sol respondeu:

- Eu sou forte, mas a nuvem me esconde!

A formiga foi à nuvem e disse:

- Nuvem, você é tão forte... esconde o sol, para o sol derreter a neve que prende o meu pé?

A nuvem respondeu:

- Eu sou forte, mas o vento me desmancha!

A formiga foi ao vento:

- Vento, você é tão forte... desmancha a nuvem, que esconde o sol, para o sol derreter a neve que prende o meu pé?

E o vento:

- Sou forte, mas a parede me faz parar!

A formiga vai à parede:

- Parede, você é tão forte... para o vento, que desmancha a nuvem, que esconde o sol, para o sol derreter a neve que prende o meu pé?

E a parede:

- Sou forte, mas o rato me fura!

A formiga foi ao rato:

- Rato, você é tão forte... fura a parede, que para o vento, que desmancha a nuvem, que esconde o sol, para o sol derreter a neve que prende o meu pé?

E o rato:

- Sou forte, mas o gato me espanta!

A formiga vai ao gato:

- Gato, você é tão forte... espanta o rato, que fura a parede, que para o vento, que desmancha a nuvem, que esconde o sol, para o sol derreter a neve que prende o meu pé?

E o gato:

- Sou forte, mas o cachorro me bate!

A formiga vai ao cachorro:

- Cachorro, você é tão forte... bate no gato, que espanta o rato, que fura a parede, que para o vento, que desmancha a nuvem, que esconde o sol, para o sol derreter a neve que prende o meu pé?

E o cachorro:

- Sou forte, mas a onça me ataca!

A formiga vai à onça:

- Onça, você é tão forte... ataca o cachorro, que bate no gato, que espanta o rato, que fura a parede, que para o vento, que desmancha a nuvem, que esconde o sol, para o sol derreter a neve que prende o meu pé?

E a onça:

- Eu sou forte, mas o homem me esfola!

A formiga vai ao homem:

- Homem, você é tão forte... esfola a onça, que ataca o cachorro, que bate no gato, que espanta o rato, que fura a parede, que para o vento, que desmancha a nuvem, que esconde o sol, para o sol derreter a neve que prende o meu pé?

E o homem:

- Eu sou forte, mas Deus me governa!

A formiga foi a Deus:

- Deus, você é tão forte... manda o homem esfolar a onça, que ataca o cachorro, que bate no gato, que espanta o rato, que fura a parede, que para o vento, que desmancha a nuvem, que esconde o sol, para o sol derreter a neve que prende o meu pé?

E Deus respondeu:

- Ah.... Formiga, vai furtar!!

Por isso é que a formiga vive sempre ativa e furtando.



Adaptação de Augusto Pessôa


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A TERRA ONDE NINGUÉM MORRERÁ - conto popular

Uma vez um jovem, que morava numa aldeia, sentou para descansar na sombra de uma árvore. Quando olhou para o lado viu uma figura toda vestida de preto. Mas o moço não teve medo e puxou assunto com a tal figura. Durante a conversa ficou sabendo que aquela figura era a Morte. O rapaz ficou em pé e com uma faca na mão, gritou:
- Se veio pra me levar vai ter briga! Não quero morrer de jeito nenhum! Tenho muita vida pela frente!
A Morte, muito calma, sorriu:
- Calma, amigo. Que nervoso é esse! Só estou aqui descansando. Sua hora ainda está longe
de chegar. Um dia eu pego você, mas não vai ser por agora!
Disse isso e desapareceu numa nuvem de fumaça. O jovem ficou pensando. Não queria morrer nem quando ficasse velho. Para ele, a morte era uma injustiça. Decidiu que não iria morrer. Ia procurar um lugar quase impossível. Uma terra... Uma “terra onde ninguém morrerá”.
- Deve existir um lugar assim! Eu só tenho que encontrar!
O jovem abandonou sua aldeia e foi pelo mundo afora em busca da “terra onde ninguém morrerá”.
Anda, anda que anda! Anda, vai procurar!
Anda, procura e encontra
A terra onde ninguém morrerá!
Pois ele andava e perguntava, para todos que encontrava, sobre a tal terra. Mas ninguém nunca tinha ouvido falar no tal lugar. O jovem teimoso foi em frente. Um dia encontrou um homem velho puxando uma carroça velha. A carroça estava cheia de pedras.
- O senhor sabe onde fica a “terra onde ninguém morrerá”?
- Se não quer morrer - respondeu o homem velho – me ajude.
E apontou o dedo para longe.
- Está vendo aquela montanha? Enquanto não transportar toda aquela montanha com minha carroça, pedra por pedra, terra por terra, eu... e quem me ajudar não morrerá!
- Mas por quanto tempo vai durar isso?
- Mais ou menos cem anos!
- É pouco! Quero viver bem mais! – disse o rapaz.
Despediu-se e foi embora.
Anda, anda que anda! Anda, vai procurar!
Anda, procura e encontra
A terra onde ninguém morrerá!
Até que encontrou um homem muito velho, muito mais velho que o primeiro, com um machado na mão.
- O senhor sabe onde fica a “terra onde ninguém morrerá”?
- Se não quer morrer - respondeu o homem muito velho – me ajude.
E apontou o dedo para longe.
- Está vendo aquela floresta? Enquanto não cortar toda aquela floresta, tronco por tronco, galho por galho, eu... e quem me ajudar não morrerá!
- Mas por quanto tempo vai durar isso?
- Mais ou menos duzentos anos!
- É pouco! Quero viver bem mais! – disse o rapaz.
Despediu-se e foi embora.
Anda, anda que anda! Anda, vai procurar!
Anda, procura e encontra
A terra onde ninguém morrerá!
Até que encontrou um homem muito, muito velho. Muito mais velho que os outros dois juntos. O velho carregava um balde muito, muito velho, cheio de água.
- O senhor sabe onde fica a “terra onde ninguém morrerá”?
- Se não quer morrer - respondeu o homem muito... muito velho – me ajude.
E apontou o dedo para longe.
- Está vendo aquele mar? Enquanto não transportar todo aquele mar com meu balde, pingo por pingo, gota por gota, eu... e quem me ajudar não morrerá!
- Mas por quanto tempo vai durar isso?
- Mais ou menos trezentos anos!
- É pouco! Quero viver bem mais! – disse o rapaz.
Despediu-se e foi embora.
Anda, anda que anda! Anda, vai procurar!
Anda, procura e encontra
A terra onde ninguém morrerá!
E dessa vez ele andou muito. Andou muito mais do que das outras vezes. Até que viu um castelo branco todo enfeitado. O moço foi até lá. Chegou no castelo e bateu na porta. Silêncio. Bateu de novo. Ninguém atendeu. Ele andou pelo jardim do castelo e, perto de uma fonte, encontrou uma moça que o chamou pelo nome. A jovem era linda. A moça mais linda que o rapaz já tinha visto.
- Por favor - disse ele - Por acaso sabe onde fica a “terra onde ninguém morrerá”?
A moça sorriu:
- É aqui! Aqui é a “terra onde ninguém morrerá”! Fique para sempre comigo. Enquanto estiver aqui você vai viver!
- Mas por quanto tempo? – quis saber o rapaz.
- O tempo que você desejar!
Era tudo que ele queria ouvir. A partir daquela manhã passou a morar com a moça no castelo. E era tudo maravilhoso: comida farta e da melhor qualidade, roupas finas e elegantes, as bebidas mais inebriantes, música suave e encantadora. E a noite, o rapaz dormia com a bela moça numa cama macia como uma nuvem. Com lençóis perfumados de alecrim. E o rapaz lembrava da Morte.
- Enganei a bandida!
Mas o tempo é bicho danado. E corre depressa acabando com tudo.
E o rapaz começou a sentir uma coisa engraçada. Uma saudade da família, dos amigos e da sua aldeia. Teve tanta saudade que falou para moça:
- Quero visitar meus parentes... meus amigos... Estou com saudades!
- Por quê? - perguntou ela. - Somos tão felizes!
- Mas eu sinto saudade - explicou o rapaz.
A moça bem que tentou convencer o rapaz, mas não teve jeito. Ela viu que estava na hora de revelar a verdade. E falou bem manso para o rapaz:
- Não sei se você vai encontrar seus parentes e amigos, pois você já está morando aqui comigo há mais de quinhentos anos.
O rapaz arregalou os olhos. Não queria acreditar, mas a moça explicou com tanta verdade que ele se convenceu. Mas era teimoso e insistiu:
- Mesmo assim quero voltar para, pelo menos, rever minha aldeia. Quem sabe não encontro por lá um parente?
A moça apenas disse:
- Está bem! Se você assim quer... vá!
Ela deu ao rapaz um cavalo branco e explicou:
- Esse cavalo é mágico. É capaz de galopar mais rápido do que o vento. Mas agora preste muita atenção: nunca desmonte do cavalo e, principalmente, nunca, de jeito nenhum, coma qualquer coisa enquanto estiver fora da “terra onde ninguém morrerá”. Entendeu?
O rapaz entendeu. Pegou o cavalo e partiu. Foi viajando e quanto mais viajava mais espantado ficava. O mundo estava completamente diferente! Onde antes existia uma imensa montanha agora era uma cidade. Onde antes tinha uma floresta agora era uma planície. Onde antes existia um mar, o chão estava tão seco que até rachava. Chegando à pequena aldeia onde morava, encontrou uma metrópole grande e muito movimentada. Falou seu nome. Ninguém conhecia. Perguntou sobre sua família. Ninguém mais lembrava. Procurou sua antiga casa. Não existia mais. Desconsolado, o rapaz achou melhor voltar para a moça do castelo na “terra onde ninguém morrerá”. Foi andando, mas sentiu o corpo fraco. Estava cansado, com saudade e com fome. No caminho, encontrou um homem vendendo maçãs. A fome apertou na barriga do rapaz e ele, esquecendo o que dissera a moça, perguntou ao vendedor:
- Dá pra me vender umas maçãs?
- Quantas? - quis saber o sujeito.
- Uma ou duas.
- Só isso? Pode pegar. Não vai custar nada. É por conta da casa.
O rapaz desmontou do cavalo, escolheu uma maçã e mordeu. Foi quando uma mão fria e forte agarrou sua nuca.
- Agora você não me escapa!
O vendedor era a Morte! O rapaz sentiu o corpo amolecer e a escuridão tomar conta de tudo.
Adaptação de Augusto Pessôa


A RÃ E O BOI - VÍDEO

A RÃ E O BOI - VÍDEO
Apresentação de Augusto Pessôa no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias SESC RJ 2010. Clique na imagem e assista a história

A MENINA QUE FAZIA AZEITE DE DENDÊ

A MENINA QUE FAZIA AZEITE DE DENDÊ
Clique na imagem e assista a hitória

UMA APOSTA (VÍDEO)

UMA APOSTA (VÍDEO)
Conto de Artur Azevedo. CLIQUE NA IMAGEM E VEJA O VÍDEO

LIVROS LEGAIS

  • GRAMÁTICA DA FANTASIA de Gianni Rodari - Summus Editorial.
  • GUARDADOS DO CORAÇÃO – Memorial para Contadores de Histórias de Francisco Gregório Filho - Editora Amais.
  • FÁBULAS ITALIANAS de Ítalo Calvino - Editora Companhia das Letras
  • DICIONÁRIO DE FOLCLORE BRASILEIRO de Câmara Cascudo - Editora Itatiaia
  • VASOS SAGRADOS de Maria Inez do Espírito Santo - Ed Rocco
  • MEUS CONTOS AFRICANOS - seleção de Nelson Mandela - Ed Martins
  • LENDAS BRASILEIRAS de Camara Cascudo - Ediouro
  • CONTOS TRADICIONAIS DO BRASIL de Camara Cascudo - Ed Itatiaia
  • CONTOS POPULARES DO BRASIL de Silvio Romero - Ed Itatiaia

A MOURA TORTA

A MOURA TORTA
Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo

MARIA BORRALHEIRA (VÍDEO)

MARIA BORRALHEIRA (VÍDEO)
Peça teatral baseada no conto popular MARIA BORRALHEIRA com Augusto Pessôa e Rodrigo Lima. Direção Rubens Lima Junior. Clique na foto e assista a um trecho da peça.

FELIZES PARA SEMPRE (RESENHA)

FELIZES PARA SEMPRE (RESENHA)
Clique na imagem e veja a resenha do livro FELIZES PARA SEMPRE

QUANDO OS BICHOS AINDA FALAVAM

QUANDO OS BICHOS AINDA FALAVAM
Apresentação no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias SESC RJ 2009

A MENINA QUE VIROU CORUJA (VÍDEO)

A MENINA QUE VIROU CORUJA (VÍDEO)
Conto Africano. Clique na imagem e assista ahistória

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)
Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Cliuqe na imagem e assista a um trecho do espetáculo

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)
Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo.

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)
Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Clique na imagem e assita a um trecho do espetáculo

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - SONHO DE MENINA

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - SONHO DE MENINA
Apresentação no SESC Niterói - nov 2009 - Clique na imagem e assista a apresentação.

O MARIDO FIEL - VÍDEO

O MARIDO FIEL - VÍDEO
Conto de Nelson Rodrigues - adaptação e narração de Augusto Pessôa. Clique na imagem e assista a história.

O JABUTI E A FRUTA (VÍDEO)

O JABUTI E A FRUTA (VÍDEO)
conto popular adaptado por Augusto Pessôa. CLIQUE NA IMAGEM E ASSISTA AO VÍDEO

VOU BUSCAR O MEU AMOR (VÍDEO)

VOU BUSCAR O MEU AMOR (VÍDEO)
Cena do espetáculo A MOURA TORTA. Clique na foto e veja a cena

A MOURA TORTA

A MOURA TORTA
Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo em cartaz no teatro do Jockey - Gávea

JABUTI

JABUTI
Apresentação no Simpósio Internacional de contadores de Histórias - SESC RJ 2009. Clique na imagem e assista a um trecho da apresentação

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - abertura da peça (VÍDEO)

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - abertura da peça  (VÍDEO)
Apresentação no SESC Niterói - nov 2009 - Clique na imagem e assista a apresentação

A NOITE QUE A LUA SUMIU DO CÉU (VÍDEO)

A NOITE QUE A LUA SUMIU DO CÉU (VÍDEO)
Clique na imagem e veja um clipe do espetáculo

A DAMA DO LOTAÇÃO (VÍDEO)

A DAMA DO LOTAÇÃO (VÍDEO)
conto de Nelson Rodrigues. Adaptação e narração de Augusto Pessôa

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (VÍDEO)

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (VÍDEO)
Peça baseada no conto popular O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (2003). Clique na foto e veja um trecho do espetáculo.

TOC, TOC, TOC, TOC (VÍDEO)

TOC, TOC, TOC, TOC (VÍDEO)
Conto de Arur Azevedo. CLIQUE NA IMAGEM E VEJA O VÍDEO

MALASARTES E O HOMEM ENGANADO DUAS VEZES (VÍDEO)

MALASARTES E O HOMEM ENGANADO DUAS VEZES (VÍDEO)
Contação de Histórias. Clique na imagem e assista a contação.

MENINA FACEIRA

MENINA FACEIRA
Apresentação de Augusto Pessôa e Rodrigo Lima no Instituto Moreira Salles - set 2009. Clique na imagem e veja a apresentação.

HISTÓRIA DE ANTANHO (VÍDEO)

HISTÓRIA DE ANTANHO (VÍDEO)
NA CASA DE SEU PEDRÃO. Apresentação de Augusto Pessôa e Rodrigo Lima no SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE CONTADORES DE HISTÓRIAS - SESC RJ (2008). Clique na imagem e veja a apresentação

MÚSICA - NA FEIRA DO TEM TEM (VÍDEO)

MÚSICA - NA FEIRA DO TEM TEM (VÍDEO)
O Rei Doente do Mal de Amores - apresentação no SESC Niterói 2009. Clique na imagem e assista a cena.

PARA SEMPRE FIEL (VÍDEO)

PARA SEMPRE FIEL (VÍDEO)
Conto de Nelson Rodrigues - adaptação e narração de Augusto Pessôa

SUSPIROS VÃO E VEM (VÍDEO)

SUSPIROS VÃO E VEM (VÍDEO)
Apresentação do espetáculo O REI DOENTE DO MALDE AMORES no SESC Niterói 2009. Clique na imagem e assista a apresentação

MALASARTES! (VÍDEO)

MALASARTES! (VÍDEO)
Peça baseada nas histórias de Pedro Malasartes. Clique na foto e veja um trecho do espetáculo

O JABUTI E A FRUTA

O JABUTI E A FRUTA
Apresentação no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias - SESC RJ 2009. Clique na imagem e assista a história

A MOURA TORTA

A MOURA TORTA
Crítica do espetáculo publicada no JORNAL DO BRASIL

MARIA BORRALHEIRA - CRÍTICA (IMAGEM)

MARIA BORRALHEIRA - CRÍTICA (IMAGEM)
Clique na imagem e leia a crítica sobre o espetáculo

MALASARTES - CRÍTICA (IMAGEM)

MALASARTES - CRÍTICA (IMAGEM)
Clique na imagem e leia a crítica do espetáculo.

CRÍTICA DO ESPETÁCULO O REI DOENTE DO MAL DE AMORES

CRÍTICA DO ESPETÁCULO O REI DOENTE DO MAL DE AMORES

MALASARTES - Histórias de Um Camarada Chamado Pedro

MALASARTES - Histórias de Um Camarada Chamado Pedro
Livro de Augusto Pessôa publicado pela Editora ROCCO (2007)

FELIZES PARA SEMPRE

FELIZES PARA SEMPRE
Livro com adaptações de Augusto Pessôa - Editora ROCCO (2003)

CONTOS DE HUMOR

CONTOS DE HUMOR
Contos de Artur Azevedo - organização Augusto Pessôa - Editora ROCCO (2008)

CONTANDO HISTÓRIAS NA ABL

CONTANDO HISTÓRIAS NA ABL
CONTANDO HISTÓRIAS NA BIBLIOTECA DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS