AUGUSTO PESSÔA - CONTADOR DE HISTÓRIAS - (BRASIL)

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Ator, Cenógrafo, Figurinista, Arte Educador Dramaturgo e Contador de Histórias. Bacharelado em Artes Cênicas (Habilitação em Interpretação e Habilitação em Cenografia) pela UNI-RIO - Universidade do Rio de Janeiro.

A PANQUECA FUGITIVA, O RESMUNGÃO E OUTROS CONTOS NÓRDICOS

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HISTÓRIAS DE NATAL

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livro de contos populares adaptados e ilustrados por Augusto Pessõa - Ed. Escrita Fina (2010)

HISTÓRIAS DE BRUXAS - livro

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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A PRINCESA QUE TUDO VIA


Era uma vez uma princesa que conseguia ver tudo o que queria. É que no alto da torre mais antiga de seu palácio havia uma sala circundada por doze janelas mágicas. Através delas, a princesa podia ver qualquer coisa que se passasse no seu reino e até mesmo nos reinos do além mar. Bastava pensar no que queria ver e olhar por umas das janelas; se a primeira delas não lhe mostrasse nada é porque o que procurava estava muito longe ou muito bem escondido. Mas logo na segunda ou na terceira janela aparecia a imagem desejada. As janelas revelavam desde as alturas intangíveis das nuvens às profundezas da terra e do mar. Nada escapava à princesa: ninguém saía do seu reino sem que ela soubesse, nenhum inimigo se aproximava sem que ela estivesse prevenida. Assim, era natural que seu poder se tornasse cada vez maior e que muitos príncipes pretendessem se casar com ela.
A princesa, todavia, não encontrava nenhum pretendente a sua altura. É bom dizer que com tanto poder, se tornara um pouco arrogante, cheia de si. Decidiu, então, lançar um desafio: aquele que conseguisse se esconder dela ao menos uma vez, se tornaria o seu príncipe consorte. Os príncipes e outros nobres foram os primeiros a se apresentar. A princesa dava a todos três
chances. A cada dia podiam tentar um esconderijo diferente. Somente no final do dia, ao por do sol, a princesa subia à torre e consultava as janelas.
Depois dos nobres vieram os plebeus. Cada um inventava um esconderijo mais extravagante, porém poucas vezes a princesa precisou chegar até a segunda janela para descobri-lo. Um a um os pretendentes foram sendo dispensados.
Um dia, um jovem e bravo soldado que voltava de uma guerra num país distante, ouviu falar da princesa. Atraído pelo desafio, decidiu ir até o palácio tentar sua sorte.
No meio do caminho deparou-se o soldado com um carneirinho que balia desesperado, preso nos arames farpados de uma cerca. O rapaz desembaraçou-o com cuidado. Vendo-se livre, agradecido o animal assim lhe falou:

- Eu sou o príncipe dos carneiros e gostaria de recompensá-lo por sua bondade. Tome aqui este pedaço de lá e quando precisar de mim esfregue-o, chamando-me.

O soldado ficou maravilhado com o que ouviu, guardou a lã e seguiu em frente. Logo adiante, encontrou uma águia que tentava se livrar de uma armadilha. Cuidadosamente ele a soltou e ouviu dela o seguinte:

- Eu sou a rainha das águias e você me salvou. Se um dia precisar de ajuda, esfregue esta pena e chame por mim.

O jovem agradeceu o presente e continuou seu caminho. Logo antes de chegar ao palácio, sua atenção foi atraída por uma formiga que se debatia numa poça d´água. Salvando o bichinho de morrer afogado, mais uma vez ele ouviu:

- Eu sou a rainha das formigas. Guarde esta folha e, se precisar de algo, esfregue-a e chame por mim.

O soldado guardou também a folha com cuidado.
Logo chegou ao palácio e pediu para ser apresentado à princesa. No dia seguinte, começou a procurar um lugar para se esconder, porém todos os esconderijos pareciam óbvios. Lembrou-se então do carneirinho. Esfregou o bocado de lã e pediu ajuda para se esconder. Na mesma hora apareceu um rebanho de carneiros. O próprio soldado maravilhado viu-se transformado em um carneiro e misturado ao grupo. Ao por do sol a princesa subiu à torre. Olhou pela primeira janela e nada viu. A segunda janela porem mostrou-lhe um carneiro e a princesa então soube que ele era o pretendente.
Na manhã seguinte, retomando a forma humana, o soldado se apresentou a princesa que lhe disse:

- Entre os carneiros, tu eras o que ficava perto do pequeno.

O rapaz, reconhecendo que fora descoberto, saiu do palácio, dirigiu-se a orla da floresta e, esfregando a pena mágica, chamou pela águia. Imediatamente a rainha das águias apareceu e o transformou em um redondo ovo, agarrando-o com sua garra e levando-o a montanha mais alta. Ali, colocou o ovo entre os outros ovos de seu ninho e deitou sobre todos, deixando a noite chegar.
Naquela tarde, quando a princesa consultou as janelas, nada viu na primeira, e tampouco na segunda, mas a terceira mostrou-lhe o ninho. No dia seguinte, o soldado apresentando-se a ela ouviu:

- Entre todos os ovos da águia, tu eras o que ficava no centro.

Vencido mais uma vez o jovem saiu do palácio, procurou um lugar isolado, e, esfregando a folha, sua última esperança, chamou a rainha das formigas.

- Desta vez - dise ele, depois de lhe contar a historia - você tem que pensar num esconderijo muito, muito especial. Nada escapa aos olhos da princesa!
-Nada? - duvidou a formiga. - pois eu sei de algo que ela não vê!

E tranformando o rapaz numa formiguinha, levou-o até os aposentos da princesa.

- Dê um jeito de esconder-se dentro do seu vestido - aconselhou a formiga e desapareceu.

O soldado, agora formiga, observou bem a princesa e suas sete pesadas saias. Achou melhor subir pelo vestido e escorregar pelo decote. Ali dentro do corpete da princesa, bem juntinho do seu coração, ele ficou quietinho esperando o dia passar.
Quando a tarde chegou, a princesa subiu à torre. Olhou pela primeira janela e nada pode vislumbrar. Olhou pela segunda e também nada viu. Tampouco a terceira mostrou-lhe alguma coisa e a princesa, já inquieta, passou à quarta janela. E assim foi, de janela em janela, até chegar a decima segunda. Entretanto, por mais que olhasse, ela não conseguia enxergar o que queria.
A noite toda ela passou a consultar janelas. Em vão. Quando os primeiros raios de sol iluminaram a torre, a princesa irritada gritou:

- Desisto! Pode aparecer que eu me caso com você!

O rapaz saiu, então, de dentro do vestido dela, desceu ao chão e, retomando a sua forma humana, confessou à princesa:

- Eu estava dentro de você, onde você não pode ver.
 
E os dois se casaram e viveram felizes para sempre.




7 comentários:

Juliana Alexandrino disse...

Augusto, boa tarde, tudo bem?

Gostei muito da sua adaptação e gostaria de saber se ela foi publicada em algum livro seu. Você poderia me informar, por favor?

Obrigada!

Um abraço.

Juliana Alexandrino disse...

Oi, Augusto, tudo bem?

Gostei muito da sua adaptação e gostaria de saber se ela foi publicada em algum livro seu.

Muito obrigada!

Um abraço,
Juliana.

Juliana Alexandrino disse...

Oi, Augusto, tudo bem?

Gostei muito da sua adaptação e gostaria de saber se ela foi publicada em algum livro seu.

Muito obrigada!

Um abraço,
Juliana.

Juliana Alexandrino disse...

Oi, Augusto, tudo bem?

Gostei muito da sua adaptação e gostaria de saber se ela foi publicada em algum livro seu.

Obrigada!

Um abraço,
Juliana.

Juliana Alexandrino disse...

Oi, Augusto, tudo bem?

Gostei muito da sua adaptação e gostaria de saber se ela foi publicada em algum livro seu.

Obrigada!

Um abraço,
Juliana.

Anônimo disse...

Oi, Augusto, tudo bem?

Gostei muito da sua adaptação e gostaria de saber se ela foi publicada em algum livro seu.

Obrigada!

Um abraço,
Juliana.

Augusto Pessôa disse...

Olá, Juliana. Esse conto não está em nenhum livro meu. Abs.

A RÃ E O BOI - VÍDEO

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Apresentação de Augusto Pessôa no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias SESC RJ 2010. Clique na imagem e assista a história

A MENINA QUE FAZIA AZEITE DE DENDÊ

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UMA APOSTA (VÍDEO)

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Conto de Artur Azevedo. CLIQUE NA IMAGEM E VEJA O VÍDEO

LIVROS LEGAIS

  • GRAMÁTICA DA FANTASIA de Gianni Rodari - Summus Editorial.
  • GUARDADOS DO CORAÇÃO – Memorial para Contadores de Histórias de Francisco Gregório Filho - Editora Amais.
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  • VASOS SAGRADOS de Maria Inez do Espírito Santo - Ed Rocco
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  • LENDAS BRASILEIRAS de Camara Cascudo - Ediouro
  • CONTOS TRADICIONAIS DO BRASIL de Camara Cascudo - Ed Itatiaia
  • CONTOS POPULARES DO BRASIL de Silvio Romero - Ed Itatiaia

A MOURA TORTA

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Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo

MARIA BORRALHEIRA (VÍDEO)

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Peça teatral baseada no conto popular MARIA BORRALHEIRA com Augusto Pessôa e Rodrigo Lima. Direção Rubens Lima Junior. Clique na foto e assista a um trecho da peça.

FELIZES PARA SEMPRE (RESENHA)

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QUANDO OS BICHOS AINDA FALAVAM

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Apresentação no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias SESC RJ 2009

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Conto Africano. Clique na imagem e assista ahistória

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

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Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Cliuqe na imagem e assista a um trecho do espetáculo

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

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Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo.

ERA VIDRO E SE QUEBROU (VÍDEO)

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Apresentação do Coral da Ciser - Joinville (2009). Clique na imagem e assita a um trecho do espetáculo

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - SONHO DE MENINA

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Apresentação no SESC Niterói - nov 2009 - Clique na imagem e assista a apresentação.

O MARIDO FIEL - VÍDEO

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Conto de Nelson Rodrigues - adaptação e narração de Augusto Pessôa. Clique na imagem e assista a história.

O JABUTI E A FRUTA (VÍDEO)

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conto popular adaptado por Augusto Pessôa. CLIQUE NA IMAGEM E ASSISTA AO VÍDEO

VOU BUSCAR O MEU AMOR (VÍDEO)

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Cena do espetáculo A MOURA TORTA. Clique na foto e veja a cena

A MOURA TORTA

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Clique na imagem e assista a um trecho do espetáculo em cartaz no teatro do Jockey - Gávea

JABUTI

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Apresentação no Simpósio Internacional de contadores de Histórias - SESC RJ 2009. Clique na imagem e assista a um trecho da apresentação

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES - abertura da peça (VÍDEO)

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Apresentação no SESC Niterói - nov 2009 - Clique na imagem e assista a apresentação

A NOITE QUE A LUA SUMIU DO CÉU (VÍDEO)

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Clique na imagem e veja um clipe do espetáculo

A DAMA DO LOTAÇÃO (VÍDEO)

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conto de Nelson Rodrigues. Adaptação e narração de Augusto Pessôa

O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (VÍDEO)

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Peça baseada no conto popular O REI DOENTE DO MAL DE AMORES (2003). Clique na foto e veja um trecho do espetáculo.

TOC, TOC, TOC, TOC (VÍDEO)

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Conto de Arur Azevedo. CLIQUE NA IMAGEM E VEJA O VÍDEO

MALASARTES E O HOMEM ENGANADO DUAS VEZES (VÍDEO)

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Contação de Histórias. Clique na imagem e assista a contação.

MENINA FACEIRA

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Apresentação de Augusto Pessôa e Rodrigo Lima no Instituto Moreira Salles - set 2009. Clique na imagem e veja a apresentação.

HISTÓRIA DE ANTANHO (VÍDEO)

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NA CASA DE SEU PEDRÃO. Apresentação de Augusto Pessôa e Rodrigo Lima no SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE CONTADORES DE HISTÓRIAS - SESC RJ (2008). Clique na imagem e veja a apresentação

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O Rei Doente do Mal de Amores - apresentação no SESC Niterói 2009. Clique na imagem e assista a cena.

PARA SEMPRE FIEL (VÍDEO)

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Conto de Nelson Rodrigues - adaptação e narração de Augusto Pessôa

SUSPIROS VÃO E VEM (VÍDEO)

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Apresentação do espetáculo O REI DOENTE DO MALDE AMORES no SESC Niterói 2009. Clique na imagem e assista a apresentação

MALASARTES! (VÍDEO)

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Peça baseada nas histórias de Pedro Malasartes. Clique na foto e veja um trecho do espetáculo

O JABUTI E A FRUTA

O JABUTI E A FRUTA
Apresentação no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias - SESC RJ 2009. Clique na imagem e assista a história

A MOURA TORTA

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Crítica do espetáculo publicada no JORNAL DO BRASIL

MARIA BORRALHEIRA - CRÍTICA (IMAGEM)

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Clique na imagem e leia a crítica sobre o espetáculo

MALASARTES - CRÍTICA (IMAGEM)

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Clique na imagem e leia a crítica do espetáculo.

CRÍTICA DO ESPETÁCULO O REI DOENTE DO MAL DE AMORES

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MALASARTES - Histórias de Um Camarada Chamado Pedro

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Livro de Augusto Pessôa publicado pela Editora ROCCO (2007)

FELIZES PARA SEMPRE

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Livro com adaptações de Augusto Pessôa - Editora ROCCO (2003)

CONTOS DE HUMOR

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Contos de Artur Azevedo - organização Augusto Pessôa - Editora ROCCO (2008)

CONTANDO HISTÓRIAS NA ABL

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CONTANDO HISTÓRIAS NA BIBLIOTECA DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS