AUGUSTO PESSÔA - CONTADOR DE HISTÓRIAS - (BRASIL)

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Ator, Cenógrafo, Figurinista, Arte Educador Dramaturgo e Contador de Histórias. Bacharelado em Artes Cênicas (Habilitação em Interpretação e Habilitação em Cenografia) pela UNI-RIO - Universidade do Rio de Janeiro.

A PANQUECA FUGITIVA, O RESMUNGÃO E OUTROS CONTOS NÓRDICOS

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HISTÓRIAS DE NATAL

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livro de contos populares adaptados e ilustrados por Augusto Pessõa - Ed. Escrita Fina (2010)

HISTÓRIAS DE BRUXAS - livro

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sábado, 17 de janeiro de 2015

MALASARTES E O PÉ DE CASA

O Pedro Malasartes estava andando por uma estrada que ele não conhecia. O sol estava começando a se despedir e daí a pouco ia anoitecer. O caipira estava cansado e queria dormir um pouco. Mas não queria dormir na estrada. Estava pensando em uma boa cama para descansar os ossos. Ele até foi a algumas pousadas, mas como estava sem dinheiro, ninguém deu hospedagem. Pediu dormida em algumas casas, mas ninguém quis dar. O Malasartes ficou chateado e sentou na sombra de numa árvore que ficava perto de um riacho.  Murmurou:

- Oh, gente mais cruel que não dá um descanso para um pobre como eu...

Falou isso e viu que ao seu lado tinha dois tijolos e um balde. Olhou para os objetos e teve uma ideia:

- Se ninguém quer me dar pousada por bem, vai ser de qualquer jeito. Por aqui deve ter muito abestado. Gente fácil de enganar... tá pra mim!

O Malasartes pegou um dos tijolos e guardou na sua bolsa. O outro ele colocou bem no meio do terreno onde ficava a árvore. Depois ele pegou o balde, encheu de água no riacho e voltou para onde ele tinha deixado o tijolo. Ficou agachado esperando alguém passar.
Não demorou muito, surgiu na estrada uma madame toda metida e com o nariz empinado. O Malasartes viu a mulher, se levantou e começou a despejar devagar a água em cima do tijolo. A madame parou para ver a cena. Quando a água do balde acabou, o Malsartes correu no riacho, encheu o balde, voltou e continuou a despejar a água devagar em cima do tijolo. A água acabou de novo e ele foi ao riacho encher o balde pela terceira vez. A madame não entendeu nada:

- O que aquele ignorante está fazendo ali? Despejando água em cima daquele tijolo. Pra quê?

A mulher ficou curiosa e se aproximou:

- Boa tarde! – ela disse.

Malasartes fingiu espanto e respondeu:

- Boa tarde, dona...
- Desculpe perguntar – disse a mulher – mas o que é que você está fazendo?
- Eu – disfarçou o amarelo – nada...
- Eu tô vendo o senhor despejar água em cima desse tijolo. – insistiu a madame com irritação – o que é isso?

O Malasartes quis saber:

- Esse terreno é da senhora?
- Não – respondeu a mulher – Eu tenho uma boa casa, mas é mais para adiante. Esse terreno aqui não tem dono.
- Ainda bem. – suspirou o caipira.
- Ainda bem por quê? – quis saber a madame.
- É que eu quero a minha casa aqui. – respondeu o amarelo.

A mulher estranhou:

- Uma casa? Vai construir casa? Com um tijolo? Cadê o resto do material?

O Malasartes riu de lado:

- Mas esse não é um tijolo qualquer, dona. Ganhei esse tijolo lá na capital. Um doutor ficou com pena de mim e meu deu até dois! O outro tá aqui na minha bolsa.

A mulher olhou para o tijolo. Era um tijolo comum. Nada especial. Ela perguntou:

- E você quer construir sua casa só com dois tijolos?

E o Malasartes:

- Eu não vou construir nada! A casa vai nascer!
- Nascer? Como assim? – quis saber a madame.
- Que nem uma árvore... só que é mais rápido! – respondeu o caipira.

A mulher riu:

- Você deve estar maluco!

E o Malasartes:

- A madame já esteve na capital?
- Já! Claro que já! – respondeu a ulher.
- Viu que tem lá uns prédio grande que parece que vai chegar lá no céu? – continuou o caipira.
- Vi! E o que tem isso?
- Pois esses prédios são construídos com esses tijolo! – respondeu o Malasartes.

A mulher arregalou os olhos:

- Não é nada disso, seu ignorante! Os prédios são construídos por operários...

O Malasartes interrompeu:

- Isso é o que eles querem que a gente acredite. Mas o pessoal da capital tá muito avançado. Eles põe um tijolo desses num terreno e molha três vezes. Depois é só esperar que nasce um prédio, uma casa, um hospital. Um tijolo para cada edifício!
- Isso é verdade? – perguntou a mulher já querendo acreditar.
- Claro que é! – respondeu o caipira – A senhora pensa comigo: porque que esses prédios lá da capital chamam “edifício”?
- Sei lá! – respondeu a outra.
- Por que não é “fácil”! Ou melhor... Não era fácil de construir! – respondeu o amarelo – E esse povo da capital gosta de moleza. Eles logo inventaram um jeito de ficar fácil e criaram esses tijolo! Facilita muito! A senhora não acha?

A madame ficou de boca aberta e falou:

- Se der certo vai ser uma beleza. E esse que você vai construir? Vai ser o quê?
- Eu não vou construir. Ele vai nascer que nem um pé de casa. – respondeu o Malsartes.
- E como vai ser?
- O doutor que me deu os tijolo – inventou o caipira – disse que cada um deles dá uma casa de três andares, cinco quartos, três salões, sete banheiros, cozinha e garage. Diz que dá até piscina e churrasqueira!
- Mas é uma mansão! – espantou-se a mulher – E o senhor vai fazer as duas?

O Malasartes se fez de humilde:

- Nada, dona! Só um homem simples. Uma casa dessa pra mim já tá mais que suficiente...
- E vai fazer o que com o outro tijolo?
- O outro... – respondeu o Malasartes se fazendo de desentendido – eu tô pensando em dar para alguém que me faça uma boa ação... Mas ainda não sei pra quem...
- E quanto tempo leva para nascer o pé de casa? – perguntou a madame já toda interessada.
- Uns três dias... pelo menos... – respondeu o amarelo.
- E o senhor vai dormir onde esses três dias? – perguntou a mulher.

Malsartes fez um ar de infeliz:

- Nem sei, dona. Não tenho onde ficar... Acho que vou ficar por aqui mesmo... deitado nesse chão duro...

A madame que estava doida para ganhar o outro tijolo falou com entusiasmo:

- De jeito nenhum! O senhor vai dormir na minha casa!
- Na sua casa, madame? – fingiu espanto o caipira.
- Claro! – disse a mulher toda animada – Lá em casa tem um bom quarto de hospedes! O senhor não pode ficar aqui nesse chão duro! Pegando relento! Vai para minha casa esperar o pé de casa nascer! Já tá decidido!

O Malasartes deu sorriso largo:

- Eu nem acredito em tanta bondade! Uma madame que nem a senhora aceitar um caipira como eu em sua residência! Sabe o que eu vou fazer? Eu vou lhe dar o outro tijolo!

A mulher se fez de rogada:

- Não precisa!

E o caipira:

- Claro que precisa! Eu sei que a senhora está fazendo isso de coração, mas essa sua bondade merece presente. Mas lembre: o pé de casa só nasce depois de três dias. E nasce assim... de repente!

O amarelo deu o tijolo para a madame e os dois foram para casa dela. O Malasartes passou lá três dias dormindo numa cama macia e comendo do bom e do melhor. No último dia inventou que ia ver se a casa já tinha nascido e foi embora para nunca mais voltar. E diz que a madame está até hoje esperando nascer o pé de casa.
E acabou a história.

ADAPTAÇÃO DE AUGUSTO PESSÔA

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